Cícero Pinto do Nascimento

cicero-pinto-do-nascimento-1Cicero Pinto do Nascimento nasceu no dia 27 de setembro de 1958 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Joaquim Bezerra do Nascimento e de Aurélia Pinto do Nascimento.
Os seus avós paternos se chamavam Antônio Bezerra do Nascimento e Gonçala Maria da Conceição, já os maternos eram Tomás Pinto de Mesquita e Maria de Nazaré do Espírito Santo.
O seu nascimento, semelhantemente ao dos seus outros irmãos, ocorreu na localidade de Arvoredo, uma comunidade rural que está localizada nas proximidades da principal zona urbana do Município, onde passou os primeiros anos de sua existência.
Algum tempo depois, quando teve oportunidade de estudar, recebeu instrução elementar com professoras que eram mantidas pelo Governo Municipal ou custeadas com muito esforço pelos seus pais:

“Lá, recebeu as primeiras instruções escolares por meio das professoras: Maria José Barroso, Regina Alves, Francisca Lopes e Aurister Ferreira do Nascimento.” (MARINHO, 2014: p. 59)

No dia 8 de dezembro de 1973, aos 15 anos de idade, na companhia de seus pais, passou a residir na cidade de Boa Viagem, onde adquiriram uma valiosa propriedade dentro do perímetro do Bairro de Nossa Srª de Fátima, depois de se desfazerem da propriedade da zona rural.
No início de 1974, já familiarizado com os hábitos da cidade, foi matriculado na 3ª série do ensino fundamental em uma das turmas do MOBRAL, o Movimento Brasileiro de Alfabetização, que na época funcionava em uma casa pertencente ao Sr. José Bezerra do Vale, que está localizada na Rua Agronomando Rangel, nº 517, no Centro da cidade.

“O Movimento Brasileiro de Alfabetização foi um projeto do governo brasileiro, criado pela Lei n° 5.379, de 15 de dezembro de 1967, e propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando ‘conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores condições de vida’.” (S.N.T)

Depois disso, passou um curto período estudando no Salão Paroquial Mons. José Gaspar de Oliveira, onde concluiu o 4º ano, até ser matriculado na Escola de Ensino Fundamental e Médio Dom Terceiro.
Em 1982, no fim da gestão do Prefeito Benjamim Alves da Silva, foi contratado para compor o quadro de funcionários da Prefeitura de Boa Viagem, sendo lotado inicialmente no Centro de Referência da Assistência Social Deputado José Vieira Filho, que na época era chamado de CSU, o Centro Social Urbano, onde com muita dedicação desenvolveu atividades de monitoria com um grupo de jovens e adultos em vulnerabilidade social.

Imagem do Prof. Cícero Pinto do Nascimento no desenvolvimento de seus trabalhos.

Já nessa época, bastante envolvido também nas atividades promovidas pela Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, sempre esteve disponível aos desafios propostos pelo Pe. Paulo de Almeida Medeiros ou por quem buscava informações do Município em seu endereço, que está localizado na Rua Manoel Araújo Marinho, nº 333, no Bairro Alto do Motor:

“Não tendo conseguido manusear os Livros de Tombo – em Quixeramobim (que tinha jurisdição sobre esta região) disse-me o Pe. Van Esch… nem consegui que o Padre Paulo de Almeida Medeiros sequer correspondesse ao meu cumprimento, quanto mais me favorecesse com a minima informação, histórica ou não – nunca vi, nem poderia imaginar que houvesse uma tão completa negação da mansidão evangélica! – tive, todavia, a felicidade de encontrar um estudioso nativo e morador da cidade, Sr. Cícero Pinto do Nascimento, que me facultou notáveis esclarecimentos.” (BARROSO, 1997: p. 374)

No dia 28 de dezembro de 1984, matriculado em uma das turmas da Escola de Ensino Fundamental e Médio Dom Terceiro, depois de muito esforço conciliando o trabalho aos estudos, conseguiu concluir o curso profissional que o habilitou a lecionar de 1ª à 4ª série do ensino fundamental.
Depois disso, esteve diretamente envolvido nos principais eventos culturais promovidos pela Prefeitura de Boa Viagem, tais como: Semanas Culturais, Jornadas Culturais e Olimpíadas de Português.

“A Primeira Semana Cultural foi um grandioso evento, realizado no Centro Social Urbano, de 17 a 21 de novembro de 1985. Contou com a participação de um grupo de teatro de Camocim – CE e com a presença do então secretário da Cultura do Estado, Dr. Jorivar Macêdo. Já tivemos três importantes Jornadas Culturais, realizadas em tempos alternados, durando, cada uma delas, dois dias. Foram promovidas pelo Centro Social Urbano, Departamento de Cultura e Colégio Dom Terceiro. Sob a coordenação do amante da ‘Última Flor do Lácio’, Prof. Cícero Pinto do Nascimento, realizaram-se três Olimpíadas de Língua Portuguesa.” (NASCIMENTO, 2002: p. 178)

Em 1986, depois de muitas entrevistas, publicou a sua primeira obra, que foi denominada de “Boa Viagem: Ruas, Praças e Avenidas”, trabalho que serviu de ponto de partida para outros na mesma linha de pesquisa.
Nessa tempo, empolgado com as mudanças que ocorriam no país por conta das “Diretas” e desejando mudanças políticas e sociais para o nosso Município, passou a compor os quadros do PT, o Partido dos Trabalhadores, que nessa época já possuía um diretório na cidade de Boa Viagem.
Ainda nesse período, com a proximidade do pleito eleitoral que ocorreu no dia 15 de novembro de 1988, três grupos passaram a se organizar para mencionada disputa e em um deles o seu nome foi indicado a concorrer como candidato ao cargo de vice-prefeito, deixando na cabeça da chapa o nome do advogado Dr. Deodato José Ramalho.
Na outra chapa, pelo Partido Democrático Social, o PDS, legenda de nº 11, foi indicado o nome do comerciante e ex-prefeito do Município, Benjamim Alves da Silva, que colocou o seu nome nessa disputa sem o apoio e as bênçãos do poderoso grupo que estava no poder, tendo como vice o prestigiado médico Dr. Francisco Segismundo Rodrigues dos Santos Neto, o Dr. Sérgio.
A terceira chapa, pelo PMDB, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, com a legenda nº 15, que possuía o incondicional apoio do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, era formada pelo Vereador João Soares de Lima Filho, que concorria para prefeito, e do agropecuarista e Vereador José de Queiroz Sampaio Neto, o seu vice.
A campanha foi muito acirrada e como já era de se esperar ficou polarizada entre os candidatos do PDS e do PMDB, que possuíam melhores recursos para atingir todos os eleitores do Município.
A terceira chapa, que concorria com a legenda nº 13, fazia um trabalho espartano de divulgação de suas propostas nos bairros da cidade e com poucos recursos, não tinha sequer como promover sequer um comício com atrações artísticas, algo comum naquela época.
Terminando o pleito o resultado das urnas deu uma expressiva maioria ao candidato Benjamim Alves da Silva, que recebeu a esmagadora confiança de 10.610 eleitores, contra os 6.279 de João Lima, já o candidato Deodato Ramalho recebeu apenas 1.066 votos.
Depois dessa rica experiência ficou bastante desiludido com a política partidária, que passou a prejudicar o seu trabalho na prefeitura, sofrendo forte assédio moral de seus superiores.
Por conta disso, algum tempo depois, foi despedido e nessa época passou uma curta temporada residindo na cidade de Fortaleza, oportunidade em que aprimorou os seus conhecimentos de língua portuguesa, de março a junho de 1990, na FUNEFOR, a Fundação Educacional de Fortaleza, e de literatura brasileira, na Academia Cearense de Letras, entre abril e junho de 1992.
Antes disso, em 1990, a população do Município foi contemplada com mais um opúsculo, obra que foi denominada de “Um pouco de Boa Viagem”. Pouco tempo depois, em 1993, publicou a sua terceira obra de pesquisa sobre a história do Município de Boa Viagem, que foi chamada de “Memórias Eternizadas”.
No mesmo período, além de executar as suas atividades na prefeitura, ocasionalmente lecionava como contratado na Escola de Ensino Fundamental Dom Terceiro:

“Durante esses anos, ministrou, entre outras, aulas de História Geral, Moral e Cívica, Português e Literatura Brasileira.” (MARINHO, 2014: p. 59)

No dia 21 de junho de 1993, no antigo prédio da Escola Estadual de Educação Profissional Venceslau Batista Vieira, que na época se chamava de David Vieira da Silva, esteve a frente do I Encontro de Escritores da Região Central, um grandioso evento que conseguiu reunir escritores de dez Municípios, inclusive de Fortaleza, e contou também com a ilustre presença da Escritora Rachel de Queiroz.

Prof. Cícero Pinto ao lado da escritora Raquel de Queiroz.

Imagem do Prof. Cícero Pinto do Nascimento ao lado da escritora Rachel de Queiroz, em 1993.

Depois disso, entre 1996 e 1997, passou a lecionar na Escola Agrotécnica Dr. Janival Almeida Vieira, sendo nomeado logo em seguida, na gestão do Prefeito Dr. Francisco Vieira Carneiro, o Major, como diretor do Departamento de Gestão Escolar da Secretaria da Educação, Cultura e Desporto.
Em agosto de 1998, na cidade de Boa Viagem, ingressou em uma das turmas de pedagogia da UECE, a Universidade Estadual do Ceará, curso que infelizmente não foi concluído por ter enfrentado graves problemas de saúde.
Deu significativa contribuição ao Colégio Conceição Melo Cavalcante, a Escola de Ensino Fundamental Pe. Antônio Correia de Sá, a Escola de Ensino Fundamental Dep. Maria Dias Cavalcante Vieira, atual Escola de Ensino Fundamental Pe. Paulo de Almeida Medeiros, e a Escola Estadual de Educação Profissional David Vieira da Silva, quando, em parceria com o Maestro João Leonardo de Sousa Leonel e a Profª Maria Rosary Pereira compuseram os hinos dessas instituições de ensino.
No dia 28 de abril de 2000, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da portaria nº 503, permaneceu como diretor do Departamento de Gestão Escolar da Secretaria da Educação, Cultura e Desporto, época em que desenvolveu um valioso trabalho, juntamente com a Profª Maria Rosary Pereira, na Biblioteca Pública Municipal Venceslau Vieira Batista.
No dia 21 de novembro de 2002, compondo o quadro funcional do Museu Professor Cícero Pinto do Nascimento, onde atua como um de seus pesquisadores, publicou a sua principal obra de investigação, “Memórias de Minha Terra”.

Imagem da solenidade de lançamento do livro Memórias de Minha Terra, em 2002.

Imagem da solenidade de lançamento do livro Memórias de Minha Terra, em 2002.

No dia 21 de novembro de 2002, compondo o quadro funcional do Museu Professor Cícero Pinto do Nascimento, onde atua como um de seus pesquisadores, publicou a sua principal obra de investigação, “Memórias de Minha Terra”.
Pouco tempo depois, no dia 20 de outubro de 2003, na Escola de Ensino Médio Dom Terceiro, passou a compor o Clube Literário Profª Maria Rosary Pereira como um de seus sócios, passando a presidi-la algum tempo depois.
Algum tempo depois, nos últimos meses de 2011, publicou em resumo uma de suas grandes paixões, os sanfoneiros do Nordeste, que recebeu o título de “Uma Justa Saudação”.
Nos primeiros meses de 2015, desejando aprimorar os seus conhecimentos, ingressou em uma das turmas do curso de História da Faculdade Anhanguera.
Na noite do dia 16 de dezembro de 2017, juntamente com o Prof. Eliel Rafael da Silva Júnior, recebeu uma premiação em reconhecimento ao desenvolvimento de seu trabalho em favor do Município de Boa Viagem.

Imagem do dia da entrega dessa comenda.

Essa comenda, que foi concedida pela CDL de Boa Viagem, foi gentilmente entregue pela sua presidente, a Empresária Mirtes Brasil.

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