História do Distrito de Águas Belas

A FORMAÇÃO HISTÓRICA E POLÍTICA DO DISTRITO:

O Distrito de Águas Belas é formado pelo território de onze comunidades rurais que anteriormente pertenciam ao Distrito de Guia, tendo sido criado na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef através da lei municipal nº 688, do dia 10 de junho de 1999.

Imagem da vila de Águas Belas, em 2015.

Com a criação desse Distrito o povoado de Águas Belas, por sua maior capacidade de desenvolvimento econômico e social, foi elevado à condição de vila e deu nome ao Distrito.
Pouco tempo depois, no dia 2 de outubro de 2008, novamente na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, por meio da lei municipal nº 1.003, o Distrito de Águas Belas teve a sua área territorial diminuída depois da criação do Distrito de Olho d’Água do Bezerril.
Sobre a vila de Águas Belas, de acordo com as informações existentes no Dicionário Geográfico e Histórico do Ceará, temos uma clara noção desse povoado nos primeiros anos de 1960:

“Águas Belas é um povoado do Município de Boa Viagem, perto dos limites de Tamboril e Monsenhor Tabosa, com 40 habitações.” (BRAGA, 1964: p. 64)

Sobre os primeiros habitantes dessa pequena vila o livro “Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender” nos dá a seguinte informação:

“As primeiras famílias a habitarem Águas Belas foram as de Maximiano Honorato e Benedito, todos devotos de São José, que viviam do cultivo do arroz, do feijão, da mandioca e do algodão, implantando e cumprindo um calendário religioso sempre fortalecendo a religiosidade.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 28)

Em outra versão, sobre a origem desse povoado, o memorialista e historiador Prof. Cícero Pinto do Nascimento nos dá a seguinte informação, que foram coletadas com o Sr. Joel Paulino da Silva, antigo morador daquela localidade:

“O povoado de Águas Belas, no Município de Boa Viagem tem a sua origem no século XIX. O seu surgimento está ligado à construção da capela, consagrada a São José, em cumprimento a uma promessa. A seca impiedosa e cruel dos anos 1888, que ficou conhecida como ‘a seca dos três oitos’, obrigou a muitas famílias cearenses a saírem de seus berços de origem em busca de água e pão. Antônio Teixeira Pinto e Maximiano Ribeiro Francilim, aqui residentes, também foram obrigados a deixar a sua terra. Partiram para Baturité.” (NASCIMENTO, 1997: p. 1)

Depois de uma penosa viagem, quando padecia pela fadiga e pela sede, o Sr. Maximiano Ribeiro foi milagrosamente socorrido por uma criança, que ninguém sabe de onde veio, com duas suculentas laranjas, que depois da extração do suco ele exclamou para os seus companheiros: “que água bela!”, e atribuiu a sua salvação a um milagre concedido por São José.

Imagem do Centro da vila de Águas Belas, em 2016.

Chegando ao Município de Baturité esses fugitivos não encontraram o socorro desejado e ainda sofreram com graves problemas de saúde, bexigas. Pouco depois seguiram em busca de parentes que residiam no Município de Uruburetama, onde permaneceram por algum tempo, regressando ao Município de Boa Viagem algum tempo depois.

“Mas, como bons devotos e religiosos que eram, fizeram uma promessa a São José, protetor dos retirantes. Pediram-lhe que os ajudasse a voltar com suas famílias para Águas Belas, pois construiriam uma capela em sua honra.” (NASCIMENTO, 1997: p. 1)

BIBLIOGRAFIA:

  1. BRAGA, Renato. Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Ceará. v. 1º. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1964.
  2. FRANCO, G. A.; CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.