Águas Belas

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

As Águas Belas é uma vila existente na zona rural do Município de Boa Viagem, distante pouco mais de 52 quilômetros do Centro da cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.
Dentro da divisão politico-geográfica, em relação ao Marco Zero, essa vila está na região leste do Município, dentro dos limites geográficos do território do Distrito de Águas Belas.

A ORIGEM DE SEU TOPÔNIMO:

Designação toponímica classificada como complexa, a nomenclatura dessa vila possui a sua origem em uma qualificação estética, onde descreve o aspecto agradável do sabor de sua água, um dos elementos da natureza que são essenciais para manutenção da vida.
O seu nome é antigo, sendo encontrado registros que datam de 1894, e no presente se refere também ao nome de um dos Distritos do Município de Boa Viagem, que foi criado pela lei municipal nº 688, do dia 10 de julho de 1999, tendo como sede o povoado de igual nomenclatura, que a partir dessa data foi elevada para categoria de vila.

Imagem da Vila de Águas Belas, em 2019.

Sobre a vila, de acordo com as informações existentes no Dicionário Geográfico e Histórico do Ceará, tem-se uma clara noção desse povoado nos primeiros anos da década de 1960:

“Águas Belas é um povoado do Município de Boa Viagem, perto dos limites de Tamboril e Monsenhor Tabosa, com 40 habitações.” (BRAGA, 1964: p. 64)

Quanto aos seus primeiros habitantes, no livro “Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender”, temos as seguintes informações:

“As primeiras famílias a habitarem Águas Belas foram as de Maximiano Honorato e Benedito, todos devotos de São José, que viviam do cultivo do arroz, do feijão, da mandioca e do algodão, implantando e cumprindo um calendário religioso sempre fortalecendo a religiosidade.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 28)

Em outra versão dessa história, sobre a origem do povoado, o memorialista e historiador Prof. Cícero Pinto do Nascimento nos traz a seguinte informação, que foram coletadas com o Sr. Joel Paulino da Silva, antigo morador daquela localidade:

“O povoado de Águas Belas, no Município de Boa Viagem tem a sua origem no século XIX. O seu surgimento está ligado à construção da capela, consagrada a São José, em cumprimento a uma promessa. A seca impiedosa e cruel dos anos 1888, que ficou conhecida como ‘a seca dos três oitos’, obrigou a muitas famílias cearenses a saírem de seus berços de origem em busca de água e pão. Antônio Teixeira Pinto e Maximiano Ribeiro Francilim, aqui residentes, também foram obrigados a deixar a sua terra. Partiram para Baturité.” (NASCIMENTO, 1997: p. 1)

Depois de uma penosa viagem, quando padecia pela fadiga e pela sede, o Sr. Maximiano Ribeiro foi milagrosamente socorrido por uma criança, que ninguém sabe de onde veio, com duas suculentas laranjas, que depois da extração do suco ele exclamou para os seus companheiros: “que água bela!”, e atribuiu a sua salvação a um milagre concedido por São José, seu padroeiro.

Imagem aérea da Vila de Águas Belas, em 2019.

Mais tarde, chegando ao Município de Baturité, esses fugitivos não encontraram o socorro desejado e ainda sofreram com graves problemas de saúde, bexigas.

“Mas, como bons devotos e religiosos que eram, fizeram uma promessa a São José, protetor dos retirantes. Pediram-lhe que os ajudasse a voltar com suas famílias para Águas Belas, pois construiriam uma capela em sua honra.” (NASCIMENTO, 1997: p. 1)

Pouco depois esses retirantes seguiram em busca de parentes que residiam no Município de Uruburetama, onde permaneceram por algum tempo, regressando ao Município de Boa Viagem algum tempo depois.
Essa mesma versão, segundo o José Onedir Lima Sales, possui outros detalhes, sendo eles:

“Segundo o estudioso José Onedir Lima Sales, na antiguidade, os índios chamavam a localidade de Ipaporanga; o nome Águas Belas nasceu das devoções das famílias que procuravam água para sobreviver. Na seca dos três oitos, 1888, Antônio Francisco Teixeira migrou para Baturité. Quando chegou lá, adoeceu de varíola; por esse motivo foi rejeitado pelos coronéis da cultura do café, voltando com sua esposa Maria Isabel Teixeira para Águas Belas. Pelo agravamento da doença, Antônio Francisco Teixeira, devoto de São José, recorreu à fé, prometendo construir uma capela em homenagem ao Santo. Sendo bem sucedido, chegou a Águas Belas e dois anos depois construiu uma casa de taipa, ‘a casa de oração’, sendo a 1ª missa celebrada no dia 29 de março de 1890 pelo Padre José Antônio Cavalcante.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 28)

AS SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

No passado as terras dessa localidade, que eram devolutas, foram colonizadas por pessoas que tinham como desafio desbravar o sertão em busca de melhores condições de sobrevivência, sofrendo ocasionalmente por conta das secas, que lhes obrigavam a migrar para outras regiões, retornando com os seus pertences para o mesmo local quando o inverno parecia promissor.
Esses sertanejos, que eram cristãos de confissão católica, tinham como padroeiro São José, que regularmente era reverenciado em atividades religiosas que reuniam muitas pessoas, tornando o local como ponto de referência depois da construção de uma capela.
Mais tarde, por volta dos primeiros anos da década de 1930, sendo distante de locais mais desenvolvidos, houve o despertamento de moradores da região com melhores condições financeiras para investirem no comércio, surgindo pequenos estabelecimentos, dentre eles bodegas, bares e farmácias.
Nesse período, tirando proveito dos produtos dessa região, surgiu um pequeno alambique, de propriedade do Sr. Manoel João da Silva, que de forma artesanal produzia e comercializava uma cachaça denominada de “Belinha”.

“A área comercial de Águas Belas foi desenvolvida a partir de 1932, com a chegada de Manoel João da Silva, vindo da localidade de Passagens, no Município de Monsenhor Tabosa, instalou-se na localidade como pecuarista de leite e corte e no comércio varejista. Da produção de cana-de-açúcar, conseguiu montar um engenho produzindo a cachaça Belinha, vendida especialmente em Quixeramobim […] Na vegetação nativa, destacou-se a oiticica que produzia frutos oleaginosos para subsistência humana  e promovia o desenvolvimento do comércio.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 29)

Quanto a oferta de instrução pública para os seus moradores, conforme registro existente no Plano de Governo para o Município de Boa Viagem entre os anos de 1963 e 1967, na gestão do Prefeito Dr. Manuel Vieira da Costa, o Nezinho, temos um pequeno relato de suas condições e do interesse em construir uma escola nessa localidade, algo que dentro de pouco tempo foi realizado:

“Existe cinco prédios estaduais para escolas isoladas, sem funcionamento, dado precário estado de conservação no qual se encontram… Restauração e aparelhamento do Grupo Escolar Padre Antônio Correia de Sá, situado na sede do Município, bem como de mais cinco escolas isoladas, situadas nos povoados de Belmonte, Ipiranga, Santo Antônio, Guia e Boa Ventura, todas de propriedade do Estado, e que se encontram sem funcionar… Pretendemos construir cinco escolas rurais, sendo elas em: Domingos da Costa, Ramadinha, Águas Belas, Ibuaçu e Jacampari.” (COSTA, 1962: p. 4 – 5)

Nos primeiros meses de 1968, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, esse povoado foi contemplado com um equipamento que produzia energia elétrica, que funcionava diariamente no período da noite e foi desativado pelo Governo Municipal por volta de 1983 depois da instalação da energia elétrica da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso.
Nessa época, novamente na gestão do Prefeito José Vieira Filho, essa localidade foi beneficiada com a instalação de um posto de rádio amador, que era operado por Ana Dalva, possuindo o código nº 5 do SCBV, o Sistema de Comunicação de Boa Viagem.
Esse equipamento tinha por objetivo facilitar a comunicação de seus moradores com o posto existente na cidade nos casos de emergência ou incursão policial, equipamento que foi desativado depois da instalação das primeiras linhas de telefonia fixa, algo que ocorreu na década de 1990.
Antes disso, nos primeiros meses de 1989, no início da gestão do Prefeito Benjamim Alves da Silva, esse povoado recebeu a instalação de seu sistema de água potável, que é capitato no Açude Manoel João da Silva, popularmente conhecido como “Pigoitão”.
No dia 10 de junho de 1999, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, com a criação do Distrito de Águas Belas, a localidade de Águas Belas foi elevada a categoria de vila, algo que fortaleceu ainda mais a sua visibilidade na região para receber equipamentos e outros benefícios públicos.

“O Distrito de Águas Belas é formado pelo território de onze comunidades rurais que anteriormente pertenciam ao Distrito de Guia, tendo sido criado na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef através da lei municipal nº 688, do dia 10 de junho de 1999. Com a criação desse Distrito o povoado de Águas Belas, por sua maior capacidade de desenvolvimento econômico e social, foi elevado à condição de vila e deu nome ao Distrito. (SILVA JÚNIOR, 2014: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/historia-do-distrito-de-aguas-belas/. Acesso no dia 6 de abril de 2019)

No primeiro semestre de 2005, mais uma vez na gestão do Prefeito José Vieira Filho, por meio da lei nº 913, de 27 de junho, seguindo o plano de redimensionamento geográfico  das escolas do Município, essa vila passou a ser a sede do Polo Dois.
Mais tarde, nos últimos meses de 2015, com a expansão da rede de telefonia móvel, essa vila foi contemplada com uma torre, algo que melhorou a sua comunicação por telefone e sinal de internet.
No presente, possuindo um pequeno comércio, a vila consegue atrair pessoas das localidade vizinhas para suas compras, existindo também diversos equipamentos públicos e pouco mais de dez ruas.

AS LOCALIDADES DE SUA VIZINHANÇA:

O acesso para Vila de Águas Belas, saindo da cidade de Boa Viagem, é feito por via terrestre por meio da Rodovia Estadual CE-168, que passa no centro da vila, bem como por várias rodovias municipais, que lamentavelmente não possuem nomenclatura que facilitem a sua identificação.

Imagem do mapa da região.

A Vila de Águas Belas tem em sua vizinhança as seguintes localidades: Bom Tempo, Camará dos Timóteos, São Jorge, Riacho Verde, Fronteira, fazendo limite com o Município de Monsenhor Tabosa.

OS EQUIPAMENTOS EXISTENTES NA LOCALIDADE:

Na Vila de Águas Belas, que no presente possui pouco mais de dez ruas, os seus habitantes possuem vários equipamentos para facilitar as suas vidas, bem como a dos moradores de sua vizinhança, sendo eles:

  1. A Capela de São José;
  2. Escola de Ensino Fundamental Manoel João da Silva;
  3. A Escola de Ensino Infantil Mãe Maria;
  4. A Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Templo Central;
  5. A Praça Maximiano Ribeiro Francelino;
  6. A Unidade Básica da Saúde Capitulina Alves Martins;
  7. O Ginásio Poliesportivo de Águas Belas;
  8. O Posto dos Correios.

BIBLIOGRAFIA:

  1. COSTA, Manuel Vieira da.  Plano de Governo para o Município de Boa Viagem entre os anos de 1963 e 1967. Boa Viagem: Texto não publicado, 1962.
  2. BRAGA, Renato. Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Ceará. v. 1º. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1964.
  3. FRANCO, G. A.; CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  4. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  5. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A História do Distrito de Águas Belas. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/historia-do-distrito-de-aguas-belas/. Acesso no dia 6 de abril de 2019.
  6. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Capela de São José. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/capela-de-sao-jose-vila-de-aguas-belas/. Acesso no dia 6 de abril de 2019.
  7. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Escola de Ensino Fundamental Manoel João da Silva. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-de-ensino-fundamental-manoel-joao-da-silva/. Acesso no dia 6 de abril de 2019.
  8. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Escola de Ensino Fundamental Mãe Maria. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-de-ensino-fundamental-mae-maria/. Acesso no dia 6 de abril de 2019.
  9. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Águas Belas. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/igreja-evangelica-assembleia-de-deus-templo-central-aguas-belas/. Acesso no dia 6 de abril de 2019.
  10. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Praça Maximiano Ribeiro Francelino. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/praca-maximiano-ribeiro-francelino-vila-de-aguas-belas/. Acesso no dia 6 de abril de 2019.
  11. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Unidade Básica da Saúde Capitulina Alves Martins – Vila de Águas Belas. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/unidade-basica-da-saude-capitulina-alves-martins-vila-de-aguas-belas/.  Acesso no dia 6 de abril de 2019.
  12. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. O Ginásio Poliesportivo de Águas Belas. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/ginasio-poliesportivo-de-aguas-belas/. Acesso no dia 6 de abril de 2019.

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