Manoel Nunes Leitão

Manoel Nunes Leitão nasceu no dia 9 de janeiro de 1850 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Antônio Nunes Leitão e de Francisca Maria da Conceição.
Na época do seu nascimento a cidade de Boa Viagem, que também era conhecida pela alcunha de “Cavalo Morto”, era apenas uma pequeno povoado pertencente ao Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2010: Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Chegando a sua adolescência, o nosso país passava por significativas transformações no âmbito político e social e esses efeitos, aos poucos, conseguiram chegar também até ao distante Sertão de Canindé, na Província do Ceará.

“O período compreendido entre os anos de 1780-1850, em geral, foi palco de intensas transformações no Brasil. O final do século XVIII assistiu a decadência da exportação açucareira no Nordeste, como também a gestação da lavoura cafeeira paulista. A vida nas áreas urbanas se intensificou havendo um significativo crescimento populacional; Concomitantemente, a metrópole apostava na criação e proliferação das vilas enquanto fórmula de disciplinar a população e implementar estruturas administrativas e de fisco.” (VIEIRA JÚNIOR, 2004: p. 12)

Mais tarde, no dia 18 de setembro de 1883, na qualificação do conselho dos guardas ativos do 52º Batalhão da Guarda Nacional de Boa Viagem, o seu nome figurou com a matrícula nº 398 no “Quarteirão de São José”, onde foi designado como soldado de linha.
O 52º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional foi criado através do decreto nº 4.520, de 28 de abril de 1870, sendo desmembrado do Município de Quixeramobim e tinha como comandante o Tenente Coronel José da Silva Bezerra.
Pouco tempo depois, de acordo com as informações divulgadas no dia 19 de novembro de 1890, quarta-feira, através do jornal O Estado do Ceará, edição nº 88, por um ato do Governo do Estado, foi demitido da função de 2º suplente de delegado do Município de Boa Viagem.
Segundo informações existentes no livro B-01, destinado ao tombo dos casamentos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, página 147, em um ofício celebrado pelo Pe. Francisco Ignácio da Costa Mendes, no dia 1º de abril de 1896, contraiu matrimônio com Maria Francisca Campêlo.
Desse matrimônio foram gerados seis filhos, um homem e cinco mulheres, segundo relato do Prof. Cícero Pinto do Nascimento, que colheu informações com o Historiador Antônio Felipe Maciel:

“Uma das filhas, chamada Ana Maria, era mãe do senhor Raimundo de Melo, ainda vivo com 88 anos de idade na localidade de São José.”

Foi um próspero agropecuarista da localidade de Barbada, na zona rural do Município de Boa Viagem, que entrou na vida pública por meio de um mandato eletivo na Câmara Municipal de Vereadores, conseguindo ser eleito ao exercício de seu primeiro mandato na legislatura que teve início no dia 10 de junho de 1900 e foi concluída em 10 de junho de 1904.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem, fim da década de 1940.

Nessa legislatura, uma das ações de maior importância executada pelo Poder Legislativo está registrada no ofício enviado no dia 2 de outubro de 1902 ao presidente do Estado do Ceará, o Dr. Pedro Augusto Borges, relatando o estado de penúria e de miséria a qual se encontrava a nossa população, que nessa época era castigada por uma terrível estiagem:

“Paço da Câmara Municipal da Vila de Boa Viagem em 2 de outubro de 1900. Exmo. Sr. O acrisolado espírito de patriotismo de V. Exc. o amor as instituições republicanas e o extremo interesse pela prosperidade desse Estado, mormente na crise calamitosa porque ele passa, com uma secca exterminadora, acompanhada de assombroso cortejo da peste…. para satisfazer um restricto e sagrado dever, não só para scientificar a V. Exc. o estado de miséria a que está reduzido a este Município…. Este Município, Exmo. Sr. Não tendo tido ao menos uma chuva regular, ficou todo ele reduzido a miséria pela falta de pastagem e água e nestas circunstancias a população esgotada de meios para sua subsistência em conseqüência da seca do anno de 1898 e extraordinárias inundações feitas pelo inverno do anno próximo passado, grande parte dela emigrou…. que vai extinguindo o gado vacum e cavallar, a peste assolando em diversos Municípios e a população inanida morrendo de fome…” (MOTA, 1999: p. 90)

No dia 3 de outubro de 1911, juntamente com os seus familiares, partilhou da notícia do inesperado falecimento de seu pai, que veio a óbito na localidade de Poço da Onça aos sessenta anos de idade.
Alguns anos depois desse episódio, resolveu retomar a sua cadeira na Câmara Municipal, desempenhado o seu segundo mandato na legislatura que ocorreu entre 1916 a 1920.
Na eleição municipal seguinte, conseguiu ser reconduzido ao exercício de seu terceiro mandato, ocorrido entre 1920 a 1924.
Por fim, conseguiu o seu quarto mandato eletivo na legislatura que ocorreu entre 1924 a 1928.
Segundo informações existentes no livro C-02, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 600, folha 44, faleceu em sua propriedade no dia 10 de janeiro de 1940, pouco tempo depois de completar 90 anos de idade.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, no Centro da cidade de Boa Viagem.

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA:

  1. CARVALHO, José Murilo de. Sistemas Eleitorais no Brasil. Instituto Tancredo Neves: Fortaleza, 1987.
  2. MOTA, José Aroldo Cavalcante. História Política do Ceará (1889-1930). ABC: Fortaleza, 1996.
  3. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2004.

3 ideias sobre “Manoel Nunes Leitão

  1. Pingback: Administração de 1900 – 1904 | História de Boa Viagem

  2. Pingback: Administração de 1924 – 1928 | História de Boa Viagem

  3. Pingback: Administração de 1916 – 1920 | História de Boa Viagem

Deixe uma resposta