Antenor Gomes de Barros Leal

Antenor Gomes de Barros Leal nasceu no dia 9 de julho de 1903 na cidade de Fortaleza, a capital do Estado do Ceará, sendo filho de Afro Pimentel de Barros Leal, ex-prefeito do Município de Quixeramobim, e da boa-viagense Maria Gomes do Rego, conhecida como “Diquinha”, que mais tarde passou a ser chamada de Maria Gomes de Barros Leal.
O seu avô paterno era o Coronel João Paulino de Barros Leal, abolicionista, comerciante, advogado e declarado simpatizante da “Oligarquia Nogueira Accioly” que exerceu as funções de delegado, promotor, juiz, vereador, intendente e comandante do 14º batalhão da Guarda Nacional, que estava sediado na cidade de Quixeramobim, foi ainda por três vezes deputado estadual e por duas vezes eleito senador da república, já a sua avó paterna se chamava Maria Jacinta Pimentel de Barros Leal.
Do lado materno o seu avô era Cândido Gomes do Rego, que era casado com Iluminata Florentine Pereira Lago do Rego, proprietários do Banco Ceará e de um grande sítio no Bairro do Outeiro, hoje denominado de Aldeota, na cidade de Fortaleza.
De acordo com os relatos de sua época era um jovem extremamente impulsivo, filho de farmacêuticos e sobrinho dos médicos Dr. José Dias e Dr. João Paulino de Barros Leal Filho, ambos residentes no Município de Quixeramobim.
Dada a forte influência, desde a sua primeira infância, poderíamos dizer como certo o seu pendor para à medicina, sempre afirmando que só conseguiu adquirir genuína prática hospitalar quando teve a oportunidade de servir como assistente de um tio afim que era médico na capital do Estado.
Segundo informações de sua autobiografia, apesar de ter nascido na capital, passou toda a sua infância e adolescência radicado na cidade de Quixeramobim, de onde guardou inúmeras e felizes lembranças.
Dessas lembranças causou-lhe forte impressão a quadra chuvosa de 1910, especialmente os trovões e as mortes causadas pelas descargas elétricas no inverno desse ano, bem como o testemunho do pavor sobre a mente dos sertanejos nos degraus da Igreja Matriz de Nosso Senhor do Bonfim, que na noite do dia 18 de maio acompanhavam assustados a passagem do cometa Halley sobre o planeta Terra.
Nessa época, através do rádio, espalhou-se o boato de que a cauda do cometa possuía um gás letal que iria por fim aos habitantes de nosso planeta, uma mentira que foi disseminada e causou muita histeria e pânico entre os desavisados, chegando a grande maioria deles a acreditar no fim do mundo, havendo até quem lucrasse com isso:

“Em 1910 uma série de notícias a respeito do cianogênio, um gás letal presente na cauda do cometa, criou um clima de pânico em escala global. Curiosamente, o que está na origem de todo o alarido são descobertas científicas fidedignas. Pela primeira vez os astrônomos identificaram os elementos químicos de um cometa, incluindo os componentes venenosos, e a informação saltou para a imprensa. Houve tentativas de explicar que, mesmo ao aproximar-se a mais da Terra — na noite de 18 para 19 de maio —, o cometa não envenenaria ninguém, mas o estrago já estava feito. O que aconteceu a partir daí foi uma ‘bola de neve’ de superstições, especulações e exploração comercial das mentes criativas das pessoas na época. Saíram máscaras para escapar aos gases, comprimidos que prometiam ser um antídoto ao veneno e até guarda-chuvas para se protegerem.” (S.N.T)

Aos dez anos de idade, quando não estava brincando nas margens do Rio Quixeramobim ou na Fazenda Bom Jesus, propriedade de seu pai, auxiliava a sua mãe nos afazeres da pequena farmácia que pertencia a sua família.
Naquela época, juntamente com a sua mãe, preparava a famosa limonada de Léfort, fechava as cápsulas amiláceas, fazia pequenos curativos e aos 13 anos de idade já aplicava injeções com a experiência de “gente grande” nos pacientes que costumeiramente apareciam.
Chegando a adolescência destacou-se dos demais de sua época por ser conhecido nas serenatas, festinhas e reuniões de amigos na cidade como talentoso violeiro, em outros momentos, nas férias, não perdia a oportunidade de passar essa temporada em Fortaleza absorvendo as novidades da capital.
Em 1920, no governo do Presidente Dr. Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa, participou do recenseador do Censo, oportunidade em que andou a pé e a cavalo por várias estradas dos Sertões do seu Município.
Nesse mesmo ano, semelhantemente a outros jovens de sua época, procurou sair da companhia de seus pais em direção a capital do Estado no intuito de ganhar dinheiro e viver por conta própria.
Residindo em Fortaleza a sua primeira experiência profissional foi como mascate, quando diariamente saia bem cedinho pelas ruas da periferia da capital e de Municípios vizinhos comercializando vários tipos de mercadorias.
Nessa época, residia na casa de uma tia que estava localizada na Rua 24 de Maio, nº 139, Centro, essa tia, que se chamava Leodegária Gomes do Rego Leite Barbosa, irmã de sua mãe, carinhosamente chamada de Lalá, era casada com um militar do exército e que também era médico, o Capitão Henrique Leite Barbosa.
Depois de algum tempo residindo com os seus tios resolveu morar no Hotel Avenida, uma pensão mal cuidada e destinada principalmente a estudantes que era localizada na esquina das Avenidas Barão do Rio Branco com à Rua Guilherme Rocha, s/nº, no Centro.
Dessa época guardou a triste lembrança do suicídio de Francisco Enéas Paiva, seu colega de quarto, acontecida na manhã do dia 17 de julho de 1923. Nessa ocasião, pouco depois de ter descido para o refeitório, ouviu o estampido de um tiro e, ao correr em direção ao quarto, encontrou o seu amigo debruçado sobre a cama com um revólver calibre 32 na mão.
Pouco tempo depois, ainda residindo nesse hotel, deixou o ramo de mascate e começou a explorar uma tabacaria nas proximidades de um movimentado cinema, mas o ramo de comerciante não durou por muito tempo, logo foi chamado pelo Dr. Henrique, esposo de sua tia, para servir-lhe de auxiliar em sua clinica médica.
Essa preciosa oportunidade caiu-lhe como uma luva, sendo autodidata, passava horas estudando os livros de medicina indicados pelo velho médico e, nos momentos de folga, aprendia a extrair dentes com o Dr. Silvio Mamede.
Algum tempo depois, gozando de melhores condições financeiras, resolveu transferir o seu endereço para a Pensão Cearense, que estava localizada na Rua Barão do Rio Branco, s/nº, também no Centro.
Nessa época, sempre que podia, juntamente com outros amigos, não perdia a oportunidade de ir flertar com as normalistas que saiam do Colégio da Imaculada Conceição, que era localizado na Avenida Santos Dumont, n° 55, Centro.
Em uma dessas oportunidades teve o privilégio de conhecer uma garota que se chamava Francisca Amélia Carvalho, que coincidentemente era conterrânea de sua mãe, interesse que foi mutuo e não demorou muito para se tornar em algo mais sério.
Essa jovem era filha de José Cândido de Carvalho, um político, próspero agropecuarista e comerciante do Município de Boa Viagem que estava há pouco tempo residindo na cidade de Fortaleza.
Nessa época o pai de sua namorada havia adquirido a famosa casa comercial Bon Marché, que era localizada na Rua Floriano Peixoto, s/nº, Centro, próximo à Praça do Ferreira, mas não estava se adaptando muito bem ao seu novo modo de vida nesse grande centro.
Mais tarde, nos últimos meses de 1925, estando noivo, decidiu voltar ao Sertão e investir todas as suas economias no berço natal de sua futura esposa, estabeleceu-se no Centro da cidade, onde iniciou um negócio que corria por suas veias, seria o proprietário da única farmácia da cidade, a Farmácia Cruz Vermelha, que posteriormente passou a se denominar de Apolo.

Imagem da Farmácia Apolo, em 1974.

A partir daí, durante vinte e sete anos, foi o médico, o parteiro, o farmacêutico e o dentista prático das redondezas, onde relatos da época dão conta de que o dia de maior movimentação de sua farmácia aconteceu em 2 de fevereiro de 1947:

“O caminhão dirigido pelo senhor Antônio Tupinambá, transportando quarenta e duas crianças, capotou. Dos quarenta e dois meninos acidentados, dois morreram praticamente no momento do acidente.” (NASCIMENTO, 2002: p. 188)

Sendo vaidoso, logo na inauguração de sua farmácia procurou apresentar aos fregueses algo moderno, com grandes vitrines reluzentes em verniz copal, onde nas prateleiras havia uma diversidade de medicamentos, entre eles destacamos Bromil, Biotônico Fontoura, Água Inglesa, Elixir Mururé, Nogueira, Peitoral do Cambará, Xarope Roche, Ankilol, Panvermina e Anquilostomina, sempre acompanhados de muitas e boas histórias e de um largo e simpático sorriso.

Imagem de Antenor Leal que foi publicada em uma das revistas do Laboratório Roche.

Nela não faltavam as injeções de Thiosol, que deixavam os braços com manchas azuis, a 914, que vez por outra matava um cristão, e a Aluetina, havendo também a exposição de pílulas, sabonetes e perfumes, dos quais o mais procurado era o “Flor de Amor”.

“Antenor vivia sentado no seu birô de frente alta, sempre vestido de branco, ensapatado e na espera dos vários chamados. Não era médico de formatura, mas entendia mais do que muitos diplomados.” (CAVALCANTE MOTA, 1995: p. 188)

Depois disso aguardou pacientemente a sua querida Amélia concluir o curso Normal em Fortaleza até que, no dia 22 de março de 1927, segundo informações existentes no livro B-07, pertencente à secretaria da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, tombo nº 20, folha 87, às 22 horas, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, diante do Mons. José Cândido de Queiroz Lima, contraiu núpcias, tendo os seus votos confirmados no dia 25 de março, segundo registro no livro B-05, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº, folha 67v, onde ocorreu uma cerimônia de matrimônio civil.
Desse matrimônio foram gerados seis filhos, três homens e três mulheres, sendo eles: Maria Weydes Barros Leal Ribeiro, Maria Wzelyr Carvalho de Barros Leal, José Weydson Carvalho de Barros Leal, João Paulino de Barros Leal, Maria Amélia Barros Leal e Antenor Gomes de Barros Leal Filho.
Nessa época, além de farmacêutico, possuía uma pequena propriedade rural na localidade de São Pedro, negociava com ouro e era o correspondente financeiro de seis bancos da capital, dentre eles do Banco Frota Gentil S.A., uma instituição financeira que era pertencente ao sogro de seu primo Nestor Barbosa, o Coronel José Gentil Alves de Carvalho, que na época era considerada uma das empresas mais importantes e sólidas do Estado do Ceará.
Outra atividade desenvolvida, enquanto residiu na cidade de Boa Viagem, foi cuidar do IAPC, o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários:

“O Instituto Nacional de Seguridade Social, cujo posto foi inaugurado no dia 19 de dezembro de 1997, tendo como gerente atual o Sr. Murilo Vieira da Silva. Antes tivemos aqui o IAPC, Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, representados pelos senhores: Antenor Gomes de Barros Leal, Manoel Fernandes de Almeida e Cristóvam de Queiroz Sampaio, como também o INPS, Instituto Nacional de Previdência Social, tendo à frente a Srª Maria Zélia Cavalcante Ramalho.” (NASCIMENTO, 2002: p. 245)

No final de 1928 um fato inusitado aconteceu na cidade e não se tornou em desgraça por conta de sua firme e delicada intervenção, nessa ocasião um pequeno grupo de confissão protestante, congregacionais, que há pouco tempo havia emigrado do Estado da Paraíba e se estabeleceu em Marmilona, na zona rural do Município, recebeu a ilustre visita de um missionário inglês, o Rev. Harry George Briault, e empolgados resolveram celebrar um culto de evangelismo na Praça Dr. João Thomé de Sabóia e Silva, atual Praça Antônio de Queiroz Marinho:

“Revelou que, anos antes, no final de 1928, quando se dirigia à cidade de Sobral, visitara um grupo de protestantes que se estabeleceu em nosso Município, na localidade de Marmilona, a 10 quilômetros da cidade de Boa Viagem e tentou evangelizar na zona urbana juntamente com José dos Santos e Manoel Antero da Silva… Disse ainda que a sua experiência, só não foi mais desagradável, pelo fato de ter sido protegido pelo farmacêutico da cidade… por pouco essa tentativa não lhes custou muito caro, uma turba desordeira interrompeu o culto atirando pedras, ovos, madeira e tudo o que tinham disponível a mão contra o pequeno grupo de protestantes.” (SILVA JÚNIOR, 2014: p. 183-184)

Nessa ocasião, movidos pelo espírito de desconhecimento e por conta da intolerância religiosa os jovens que estavam na praça atiraram pedras e tudo o que estava ao alcance de suas mãos nos organizadores do evento, que eram: José Santos Filho, José Alexandre dos Santos e o seu genro, Manoel Antero da Silva.

Imagem da Praça Dr. João Thomé de Sabóia e Silva, em 1950.

Em um gesto altruísta se interpôs na situação revelando ao grupo de zombadores que no país havia a liberdade de culto e que os protestantes possuíam o salvo conduto para realizar a celebração religiosa na calçada de sua farmácia.
Nessa ocasião os protestantes leram algumas passagens bíblicas, cantaram alguns hinos, oraram em favor da vida de seu defensor e de seus agressores e em seguida se retiraram da cidade.
Algum tempo depois, em fevereiro de 1945, depois da saída do Cap. Raimundo Ferreira do Nascimento, interventor do Município, contra à sua vontade e graças ao prestígio conquistado diante da comunidade, respondeu como interventor do Município de Boa Viagem durante o período de um mês.
O seu pendor para política, herança de sua linhagem paterna, levou-lhe a candidatar-se ao cargo de  vereador no pleito eleitoral que ocorreu no dia 3 de outubro de 1950 nos quadros do PSD, o Partido Social Democrático.
O seu partido, de formação getulista, nessa disputa não possuía força suficiente dentro da coligação e os seus candidatos, que curiosamente eram parentes de sua esposa, disputavam apenas uma vaga,
Nessa eleição conseguiu obter a confiança de 212 votos, ficando na primeira suplência de sua bancada que, graças ao quociente eleitoral obtido pela coligação, só teve direito a uma cadeira no Poder Legislativo, que foi ocupada por Antônio de Queiroz Marinho, filho do influente Manoel Araújo Marinho e tio de sua esposa:

“Para prefeito municipal: I – Aluísio Ximenes de Aragão 2.031 votos. II – José Vieira de Lima 1.314 votos, votos em branco 111, votos nulos 32, total de votantes 3.488. Foi proclamado prefeito eleito pelo processo majoritário o candidato Aluísio Ximenes de Aragão, com a diferença de 717 votos a mais sobre o seu competidor, José Vieira de Lima. Para vereadores: Votação por legendas na eleição para a Câmara Municipal. PSP 1.400 votos, UDN 1.333 votos, PSD 623 votos. O quociente eleitoral foi de 382, assim obtidos: número de votos apurados, inclusive os em branco, 3.437, divididos por 9 (número de lugares de vereadores a serem preenchidos nesse Município), resultado da divisão aludida 3.818, aplicando-se então a parte final do artigo 35 das instruções para a apuração do Tribunal Superior Eleitoral… Os quocientes partidários foram dos três partidos políticos registrados, o seguinte: PSP 3 vagas; UDN 3 vagas e PSD 1 vaga, soma 7. Não ficando preenchido todos os lugares com a aplicação dos quocientes partidários… determinado no artigo 36 das instruções… concluindo-se para a eleição de mais um vereador para o PSP e outro para a UDN.” (CAVALCANTE MOTA, 1995: p. 45-46)

Mais tarde, em 1951, percebendo o crescimento dos filhos e a necessidade de encaminhá-los aos estudos, resolveu dirigir-se para cidade Fortaleza com a finalidade de escolher um ponto comercial com uma boa localização na intenção de abrir uma filial de sua farmácia.
Na cidade de Fortaleza o local foi cuidadosamente escolhido na Rua Padre Cícero e o estabelecimento recebeu o seu sobrenome, Farmácia Barros Leal.
Depois disso, nos primeiros dias de 1952, depois de alguns meses de arrecadação para ereção de um busto em homenagem ao Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, juntamente com outras pessoas da comunidade, sendo elas o Pe. Francisco Clineu Ferreira (presidente e orador); José de Queiroz Sampaio (1º secretário); Ernesto Ferreira de Souza (2º secretário); Cristóvam de Queiroz Sampaio (3º secretário); Manoel Araújo Marinho, José Edmar Bezerra Costa e José Cândido de Carvalho (conselho de honra e consultivo), entregou esse equipamento aos moradores da cidade de Boa Viagem:

“No dia 1º de janeiro de 1952, realizou-se em Boa Viagem a inauguração, na Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, de um busto de bronze desse piedoso e santo sacerdote, que foi vigário dessa paróquia por muitos anos. A homenagem ao venerado apóstolo que tão santamente guiou o seu povo nesta terra de paz e copiosas bençãos, teve a cooperação de todos os boa-viagenses.” (BARROS LEAL, 1996: p. 148)

O “Padim Antenô”, como carinhosamente era chamado, a partir de fevereiro de 1952 ficou transitando entre as cidade de Boa Viagem e Fortaleza até que, depois de vários anos prestando valiosos serviços a essa comunidade, se preparou aos poucos para em definitivo retornar à capital.
Nesse mesmo ano uma de suas filhas, a Drª Maria Weydes Barros Leal, que concluiu o curso de Medicina na cidade do Recife, voltou para cidade de Boa Viagem na intenção de administrar a farmácia juntamente com a sua mãe.
Por conta das cansativas viagens entre o Sertão e o Litoral, no final de 1954, conseguiu negociar a sua estimada farmácia com um amigo, que se chamava Venceslau Vieira Batista, e partiu com toda a sua família em definitivo para cidade de Fortaleza, onde se estabeleceu como farmacêutico.
Nesse mesmo ano, no dia 5 de agosto de 1954, um crime de motivação política chocou a opinião pública do Município quando Antônio de Queiroz Marinho, presidente da Câmara de Vereadores, foi covardemente assassinado, ficando a sua vaga ociosa no Poder Legislativo, abrindo espaço para que preenchesse essa cadeira, no entanto, sem ter como assumir essa função, abdicou desse direito em favor do seu sogro, o Coronel José Cândido de Carvalho, que concluiu esse mandato.
Alguns anos depois, no dia 26 de novembro de 1977, através da lei nº 305, na administração do Prefeito Benjamim Alves da Silva, proposição do Vereador José de Queiroz Sampaio Neto, foi-lhe concedido o titulo de cidadão boa-viagense, posteriormente, no dia 24 de outubro de 1993, a Câmara Municipal de Quixeramobim conferiu-lhe também esse importante titulo.
Na cidade de Fortaleza, juntamente com a sua esposa, envolveu-se intensamente com as atividades culturais da “Terra da Luz” e teve o prazer de ver todos os seus filhos concluindo o nível superior, até que o destino lhe deu um duro golpe no dia 31 de dezembro de 1997, quando a sua esposa lhe deixou viúvo alimentado o espírito de tristeza e de saudade.
Antes disso, ao se afastar dos serviços farmacêuticos, não abraçou a ociosidade, desenvolvendo uma ampla atividade cultural pertencendo como sócio a várias academias, sendo elas: a Academia Cearense de Farmácia, a Academia Cearense de Letras, a Academia Cearense da Língua Portuguesa, a Academia de Retórica e a União dos Trovadores do Ceará.
De acordo com alguns de seus contemporâneos era um homem riquíssimo em experiências e dotado de uma prodigiosa memória, deixando-nos uma vasta herança de suas recordações que estão fielmente documentadas em algumas de suas várias obras.
Participou ativamente dos encontros literários que aconteciam no Centro Cultural Casa Juvenal Galeno, localizado na Rua General Sampaio, nº 1.128, no Centro da cidade de Fortaleza.
Era transparente nas palavras e nas atitudes, encarnando as virtudes de um cidadão de bem que soube utilizar-se de sua profissão para um trabalho humanitário, quase heroico no exercício das funções de farmacêutico e por vezes de médico junto a uma população sofrida do Sertão.
Era uma figura por demais conhecida e respeitada pela sociedade boa-viagense, que se entristeceu ao saber da notícia do seu falecimento, ocorrido na cidade de Fortaleza no dia 15 de maio de 2002, prestes a completar 100 anos de uma maravilhosa e muito produtiva existência.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no Cemitério São João Batista, que está localizado na Rua Padre Mororó, nº 487, no Centro da cidade de Fortaleza.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BARROS LEAL, Antenor Gomes. Trágicos Destinos. Fortaleza: Henriqueta Galeno, 1981.
  2. BARROS LEAL, Antenor Gomes. Avivando Retalhos. Fortaleza: Henriqueta Galeno, 1983.
  3. BARROS LEAL, Antenor Gomes. Recordações de um Boticário. 2ª edição. Fortaleza: Henriqueta Galeno, 1996.
  4. BARROS LEAL, Antenor Gomes. Coletânea – Temas Diversos. Fortaleza: Casa de José de Alencar, 1996.
  5. BARROS LEAL, Antenor Gomes. As Voltas que o Mundo Dá. Fortaleza: RBS, 2001.
  6. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. Boa Viagem, Realidade e Ficção. Fortaleza: MULTIGRAF, 1995.
  7. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  8. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão: A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Boa Viagem, CE: Premius, 2015.

HOMENAGEM PÓSTUMA

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 818, de 22 de dezembro de 2002, uma das ruas do Bairro Alto da Queiroz, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.

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