Moisés Antero da Silva

Moisés Antero da Silva nasceu no dia 13 de setembro de 1927 no Município de Catolé do Rocha, que está localizado no Sertão paraibano, distante 411 quilômetros da cidade de João Pessoa, capital daquele Estado, sendo filho de Manoel Antero da Silva e de Porcina Luíza dos Santos.
Os seus avós paternos se chamavam Antero José da Silva e Maria Rachel do Espírito Santo, já os maternos eram Alexandre José dos Santos e Luíza Maria do Espírito Santo.
Na época do seu nascimento, veio ao mundo pelas mãos de uma parteira na vila de Brejo dos Santos, que nesse período era conhecida pelo topônimo de “Brejo dos Cavalos”, sendo uma pequena localidade rural pertencente ao Município de Catolé do Rocha.
A mudança desse nome ocorreu por conta de uma grande onda de intolerância religiosa ocorrida nos últimos anos da década de 1930, na mesma época em que ocorria grandes transformações em sua vida.

“A Igreja Evangélica Congregacional instalou-se nesse  Município em 1928. O pastor era o Rev Henry Briault, de nacionalidade inglesa, que trabalhou, de certo modo, pelo progresso do lugar. Pelos anos de 1937 a 1939, as duas forças religiosas do lugar tiveram divergências, desentendimento este que gerou até violência.”  (IBGE: A história de Brejo dos Santos. Disponível em https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pb/brejo-dos-santos/historico. Acesso no dia 24 de fevereiro de 2018)

Depois disso, seguindo o exemplo de Martins José da Silva, que era cunhado de seu cunhado, José Santos Filho, depois de receber informações, resolveu deixar o Estado da Paraíba para morar no Estado do Ceará, habitando durante algum tempo na zona rural do Município de Boa Viagem em uma localidade denominada de “Marmilona”, nas proximidades da vila de Domingos da Costa.
Nessa jornada, além de seu sogro e de seu cunhado, por conta da morte de seu pai, que ocorreu em 1922, trouxe com ele alguns de seus irmãos, sendo eles: Pedro Antero da Silva, Raimunda Antero da Silva, Isabel Antero da Silva e Simplício Antero da Silva.
Já estabelecidos no Município de Boa Viagem, empolgados com a sua confissão religiosa, juntamente com o seu sogro e o seu cunhado, resolveram compartilhar de sua fé com os habitantes da cidade de Boa Viagem, passando enorme perigo por conta da intolerância religiosa, quando foram heroicamente socorridos pelo Farmacêutico Antenor Gomes de Barros Leal.

“Revelou que, anos antes, quando se dirigia à cidade de Sobral, visitara um grupo de protestantes que se estabeleceu em nosso Município, na localidade de Marmilona, a 10 quilômetros da cidade de Boa Viagem, e tentou evangelizar na zona urbana da cidade juntamente com José dos Santos e Manoel Antero da Silva… o culto foi celebrado em frente à Farmácia Cruz Vermelha… Por pouco essa tentativa não lhes custou muito caro, uma turba desordeira interrompeu o culto atirando pedras, ovos, madeira e tudo o que tinha disponível à mão contra o pequeno grupo…” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 183 – 184)

Sobre esse lamentável episódio, o Rev Ezequiel Fragoso Vieira fez um pequeno relato da expansão protestante no Município de Boa Viagem e da intolerância religiosa existente:

“O trabalho evangélico se desenvolvia no Município de Boa Viagem. Na cidade não havia nenhum crente. A comunidade boa-viagense não conhecia o Evangelho. Foi o Rev. Harry George Briault que fez a primeira penetração nesta cidade, ainda antes da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira. Veio visitar Manoel Antero da Silva e alguns outros crentes… O culto foi interrompido pelos perseguidores e o missionário teve de deixar a cidade, enfrentando emboscadas e ameaças de morte.” (FRAGOSO VIEIRA, 1997: p. 3)

Mais tarde, nos  primeiros meses de 1932, por conta de uma feroz estiagem que se abateu sobre o Sertão, resolveu novamente migrar com a sua família, dessa vez o destino escolhido foi Estado do Pará, local que foi habitado pelo seu sogro na juventude, negociando antes disso a sua pequena propriedade com o Agropecuarista Francisco Deoclécio Ramalho.

“Esse grupo permaneceu na localidade de Marmilona durante cinco anos, e ali testemunhavam publicamente de sua fé até que, em 1932, desanimados pela seca, decidiram vender as suas posses para Francisco Deoclécio Ramalho, por 120 contos de réis, o equivalente ao preço de três vacas na época. Quando estavam prestes a viajar para Região Norte, a situação climática se modificou. Começou a chover e o comprador do terreno quis abrir mão de sua aquisição, pois havia como recuperar parte da plantação, mas o grupo não desistiu do seu propósito.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 209)

Depois da efetivação desse negócio, seguiu com a sua família para cidade de Quixeramobim e de trem partiram para cidade de Fortaleza, onde embarcaram em um navio com destino à cidade de Capanema, que na época era chamada de “Siqueira Campos”, estando localizada na região nordeste desse Estado.

“Antes de tomarem o navio, na cidade de Fortaleza, resolveram procurar o auxílio do Rev. Natanael Cortez, pastor presbiteriano e deputado estadual, mas esse pouco os ajudou, e isso lhes causou uma grande decepção. Nessa época, para embarcarem no navio que os levou à cidade de Belém, foram para a Ponte dos Ingleses, onde tomaram um bote que os levou ao alto mar, onde subiram a bordo.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 210)

Em Capanema, logo conseguiu um emprego na construção de uma estrada de ferro, onde foi infectado pela febre amarela, que por muito pouco não provocou o seu óbito, fato que, juntamente com a sua família, o fizeram decidir voltar para o Estado do Ceará.
Nesse mesmo tempo, o seu sogro, que ao se estabelecer nessa cidade cuidou em plantar um enorme campo de mandioca, tentou a todo custo se desfazer de sua produção para levantar o dinheiro da passagem de retorno.

“Quando estavam se organizando para retornar ao Estado do Ceará, procuraram, a todo custo, vender a grande plantação de mandioca que tinham feito no intuito de conseguir dinheiro para as passagens. Lamentavelmente, ninguém quis comprar, haja vista a grande quantidade desse produto na região.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 210)

Passando algum tempo, o regresso para o Estado do Ceará só foi possível por conta da sensibilidade de um pastor batista, ao qual não sabemos o nome, que por sua influência e amizade com o capitão de um navio os conseguiu embarcar para o destino desejado.
A viagem de retorno durou onze longos dias e ao chegarem ao Porto do Mucuripe, na cidade de Fortaleza, seguiram direto para estação de trem, onde tomaram destino para cidade de Quixeramobim e de lá, sem dinheiro para uma condução, colocaram as suas poucas bagagens no comboio de um tropeiro conhecido pelo apelido de “Chico Grande”.
Depois dessa “aventura pelo Norte”, se estabeleceram durante algum tempo em uma localidade que é denominada de Fazenda Pitombeira, na zona rural de Boa Viagem, que nessa época havia perdido a sua autonomia política, voltando a pertencer ao Município de Quixeramobim.

“Por volta de 1935, chegando do Estado do Pará, e por questões de parentesco, a família de Manoel Antero da Silva se instalou por um período nas terras de Martins José da Silva. Nesse tempo, José dos Santos Filho, seu cunhado, residia na Fazenda Pitombeira.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 191)

Mais tarde, a convite do Agropecuarista Theóphfilo da Costa Oliveira, passaram a residir em sua propriedade na localidade de Olho d’Água Seco, onde durante dois trabalhou como vaqueiro e por conta de boas colheitas conseguiu juntar alguns recursos.
Nos primeiros meses de 1938, desejando melhoras, resolveu retornar com a sua família para o Município de Catolé do Rocha, estabelecendo-se dessa vez no Sítio Brejinho, onde passou pouco tempo, pois no ano seguinte novamente regressou para o Ceará, instalando-se mais uma vez na Fazenda Pitombeira, perdendo uma de suas filhas, que se chamava Edite.
Depois disso, adquiriu uma pequena propriedade em uma localidade denominada de “Pedra Branca”, nas proximidade da vila de Ibuaçu, onde havia outros paraibanos, entre eles Sebastião Alves da Silva
que mantinha um trabalho religioso em sua residência.
Nesse mesmo período, enfrentando outra seca, foi alistado nas frentes de trabalho que foram patrocinadas pelo Governo do Estado na construção da represa denominada de Açude da Vazante, localizado nas proximidade da vila do Ibuaçu.

“Durante a semana, enquanto estava na construção do açude, a propriedade era cuidada por seus filhos e, aos domingos e todas as noites da semana, tiravam parte do tempo para insistir na plantação e verificar as necessidades mais urgentes da pequena propriedade.”  (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 191)

Nos últimos meses de 1946, depois de muitas economias, passou a residir com a sua família na localidade de “Barra das Aroeiras”, onde adquiriu uma pequena propriedade, constituindo-se em uma das colunas do trabalho protestante que se estabelecia na região.

Imagem da residência de Manoel Antero da Silva, em 2000.

Nessa localidade, juntamente com outros, deu inicio aos trabalhos da Igreja Evangélica Congregacional de Várzea da Tapera, que antes funcionou na localidade de Sussuarana.

“Com o passar do tempo, o trabalho foi se desenvolvendo, e logo começaram a surgir os primeiros frutos. Sempre que os missionários da UESA estavam na cidade de Boa Viagem costumavam visitar essa alegre congregação. Nesse tempo, a Congregação de Lembranças estava aos cuidados da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira, que posteriormente a transferiu para os cuidados da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, na sede do Município.” (SILVA JÚNIOR: 2015: p. 216)

Nesse período, por conta das secas e da pouca quantidade de terras, alguns dos seus filhos migraram para outras regiões do país, onde constituíram família e nunca mais regressaram.
No dia 14 de janeiro de 1960, segundo informações existentes no livro B-17, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 127, folha 3.051, contraiu matrimônio com Juraci dos Santos Silva, que nasceu no dia 5 de outubro de 1941, sendo filha de Benedito José dos Santos e de Corina Maria Batista.
Desse matrimônio foram gerados três filhos, uma mulher e dois homens, sendo eles: Aureni, Obadias e Aminadabe, residindo na cidade de Arenápolis, no Estado de Mato Grosso.
Nessa cidade, foi um dos fundadores da Igreja Evangélica Congregacional de Arenápolis, uma comunidade religiosa ligada à Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.
No dia 30 de novembro de 1977, juntamente com os seus familiares, partilhou da notícia do inesperado falecimento de uma de suas filhas, Salomé Antero de Oliveira, que faleceu aos 36 anos de idade por conta de uma descarga elétrica de um raio.
Mais tarde, no dia 19 de novembro de 1983, foi a vez de partilhar com os seus familiares a dor da perda de sua estimada esposa, que faleceu por conta de um câncer de útero pouco tempo depois de completar 67 anos de idade.
Alguns anos depois, segundo informações existentes no livro C-05, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, folha 17v, tombo nº 2.738, faleceu em sua residência, na localidade de Barra das Aroeiras, nas proximidades da vila de Boqueirão, no dia 25 de maio de 1994, prestes a completar 97 anos de idade.

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