Pe. Francisco Clineu Ferreira

Pe.-Francisco-Clineu-FerreiraFrancisco Clineu Ferreira nasceu no dia 15 de dezembro de 1918 no Município de Quixadá, que está localizado no Sertão do Estado do Ceará, distante 167 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Ernesto Ferreira de Sousa e de Maria Elvira Ferreira.
Poucos dias depois de seu nascimento, ocorrido em uma comunidade da zona rural denominada de Betânia, seguindo os ritos da confissão religiosa de seus pais, foi batizado pelo frei beneditino Dom Lucas, vigário da Paróquia de Jesus, Maria e José.
Pouco sabemos sobre a sua infância, mas acreditamos que desde cedo demonstrou aptidões para o exercício do sacerdócio em sua comunidade.
Diante disso, no dia 9 de fevereiro de 1934, foi encaminhado por sua paróquia aos estudos necessários ao exercício do ministério sacerdotal compondo uma das turmas do Seminário Episcopal do Ceará, atual Seminário da Prainha, que está localizado na Rua Tenente Benévolo, nº 201, no Centro da cidade de Fortaleza.
Alguns anos depois, no dia 26 de novembro de 1944, foi ordenado sacerdote romano na cidade de Fortaleza pelo Arcebispo D. Antônio de Almeida Lustosa.
No ano seguinte, pouco tempo depois de ser ordenado, passou a lecionar no Colégio Castelo Branco até que, no dia 31 de janeiro de 1946, recebeu provisão para assumir os trabalhos religiosos da Paróquia de São José de Ribamar, no Município de Aquiraz, ocasião em que substituiu o Pe. Irineu Limaverde Soares.
Permaneceu nessa função até o dia 31 de janeiro de 1947, quando recebeu uma nova designação pastoral, entregando essa paróquia aos cuidados do Pe. José Hélio Ramos.
Nesse mesmo ano assumiu os trabalhos religiosos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem no lugar do Pe. Pedro Vitorino Dantas, tomando posse dessa comunidade no dia 9 de abril de 1947 e permanecendo nessa função até meados de 1950.

Imagem da Igreja Matriz de Nossa Srª da Boa Viagem, em 1950.

Imagem da Igreja Matriz de Nossa Srª da Boa Viagem, em 1950.

Em seu paroquiato construiu algumas capelas pela zona rural, dentre elas a Capela de Nossa Senhora da Paz, na vila de Olho d’Água dos Facundos:

“Construiu a cisterna da casa paroquial, cuja capacidade é de 50 mil litros d’água; instituiu a Escola Paroquial com a finalidade de preparar meninos para o seminário e para outros campos da vida, sendo os professores ele próprio e o Senhor Narsales de Oliveira; forrou a igreja e, em dezembro de 1949, fez a instalação da nova luz elétrica da matriz e da casa paroquial.” (NASCIMENTO, 2002: p. 87)

Em seu paroquiato, por sua influência, a comunidade boa-viagense assistiu e participou de várias cenas de vandalismo e intolerância religiosa. Depois de sua posse, por conta de uma onda de perseguições religiosas acontecidas no Sertão do Estado da Paraíba, algumas pessoas, de confissão protestante, se instalaram na zona rural do Município de Boa Viagem, fato que quebrou a hegemonia da Igreja Católica Apostólica Romana no Município de Boa Viagem.
Gradativamente algumas dessas pessoas passaram a residir na cidade de Boa Viagem e costumeiramente passaram a receber assistência religiosa dos pastores estrangeiros que regularmente vinham visitar a Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira.
Insatisfeito com essa concorrência o Pe. Francisco Clineu Ferreira resolveu insuflar o coração do povo católico contra os visitantes estrangeiros, que eram missionários da UESA:

“A União Evangélica Sul-Americana, UESA, foi uma organização missionária fundada em 1911, depois da Conferência de Edimburgo, na Inglaterra. Essa sociedade missionária é fruto da fusão de várias outras agências, entre elas podemos citar: a Help for Brazil, criada em 1892 por iniciativa de Sarah Kalley; a South American Evangelical Mission e a Regions Beyond Missionary Union.” (S.N.T)

Segundo alguns contemporâneos, em um desses episódios, ao seu comando, o populacho ignorante arremessou sobre os ministros protestantes e algumas de suas ovelhas que estavam na rua uma “chuva de ovos e pedras”.
Um desses missionários, o Rev. Cecil Flechtel, era amigo pessoal do Deputado Dr. Perilo Teixeira, que conseguiu marcar uma audiência com o governador do Estado, o Dr. Faustino de Albuquerque de Sousa:

“Em 1983, vindo do Canadá para uma visita ao Brasil, esteve o Rev. Cecil Flechtel. Pediu-me para levá-lo à casa onde foram realizados os primeiros cultos. Em frente a casa, ele lembrou: ‘Aqui eu pregava enquanto os inimigos atiravam pedras e ovos sobre nós’. Acrescentou que com a roupa suja de ovos, foi a Fortaleza falar com o governador do Estado do Ceará sobre a perseguição religiosa em Boa Viagem e pedir garantias para os crentes, pois estavam em perigo.” (FRAGOSO VIEIRA, 1997: p. 4)

Depois desses episódios, após articulação do governador do Estado junto ao arcebispado de Fortaleza, o Pe. Francisco Clineu foi imediatamente transferido da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem para à Paróquia de Jesus, Maria e José, na cidade de Quixadá, aonde passou a ser coadjutor.
Nessa transição entregou imediatamente os trabalhos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem para o Pe. Alberto Nepomuceno de Oliveira.
Nos primeiros dias de 1952, depois de alguns meses de arrecadação para ereção de um busto em homenagem ao Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, juntamente com outras pessoas, sendo elas: Antenor Gomes de Barros Leal (vice-presidente e tesoureiro); José de Queiroz Sampaio (1º secretário); Ernesto Ferreira de Souza (2º secretário); Cristóvam de Queiroz Sampaio (3º secretário); Manoel Araújo Marinho, José Edmar Bezerra Costa e José Cândido de Carvalho (conselho de honra e consultivo), entregou esse equipamento aos moradores da cidade de Boa Viagem:

“No dia 1º de janeiro de 1952, realizou-se em Boa Viagem a inauguração, na Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, de um busto de bronze desse piedoso e santo sacerdote, que foi vigário dessa paróquia por muitos anos. A homenagem ao venerado apóstolo que tão santamente guiou o seu povo nesta terra de paz e copiosas bençãos, teve a cooperação de todos os boa-viagenses.” (BARROS LEAL, 1996: p. 148)

Pouco tempo depois, estabelecido em sua cidade natal, passou imediatamente a se envolver com o campo da educação e foi um dos principais articuladores para a sua melhoria naquele Município:

“Professor registrado de português e latim. Capelão do Colégio Sagrado Coração de Jesus e superintendente do Ensino Médio. Orador, batalhou ardorosamente para formação do patrimônio da Diocese de Quixadá.” (SILVEIRA, 2004: p. 461)

Nessa mesma época, conciliando com o exercício de seu ministério pastoral, deu forte apoio ao intento do Mons. Luiz Braga Rocha em criar uma escola confessional na cidade de Quixadá, o Ginásio Waldemar Alcântara:

“Outro nome, muito presente, é do Padre Francisco Clineu Ferreira, seu primeiro diretor, homem de invejável cultura e autoridade que a muitos orientou, na formação do caráter e na preparação para o futuro mercado de trabalho.” (S.N.T)

No dia 20 de março de 1969, na gestão do Prefeito José Linhares da Páscoa, depois de ser contratado pela Prefeitura de Quixadá, passou a dirigir também a Escola de Ensino Fundamental Deputado Flávio Portela Marcílio:

“A E.E.F. Dep. Flávio Portela Marcílio, sediada na Rua José de Queiroz Pessoa, nº 2.323, Centro, foi criada pela Lei 558, de 14 de maio de 1968, na administração de Exmo. Senhor Prefeito José Linhares da Páscoa. Iniciou as suas atividades educacionais no prédio do Ginásio Waldemar Alcântara e aos 20 de março de 1969 é inaugurada em seu prédio próprio pertencente a rede municipal de ensino e teve como primeiro diretor o Padre Francisco Clineu Ferreira.” (S.N.T)

No início da década de 1970, com apenas 53 anos de idade, foi vítima de uma trombose cerebral até que, no dia 10 de julho de 1971, veio a óbito.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado em um dos túmulos do Cemitério de Nossa Senhora do Carmo, que está localizado na Rua Eliseu Leles de Sousa, s/nº, no Bairro Planalto Universitário, na cidade de Quixadá.

Busto do Pe. Francisco Clineu Ferreira, em Quixadá.

Imagem do busto do Pe. Francisco Clineu Ferreira, na cidade de Quixadá.

BIBLIOGRAFIA:

  1. FRAGOSO VIEIRA, Ezequiel. A História da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem. Boa Viagem: Sem Editora, 1997.
  2. LIRA, João Mendes. Subsídios para a História Eclesiástica e Política do Ceará. Fortaleza: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1984.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto de. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão: A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Boa Viagem, CE: PREMIUS, 2010.
  5. SILVEIRA, Aureliano Diamantino. Ungidos do Senhor na Evangelização do Ceará (1700-2004). 1º Vol. Fortaleza: PREMIUS, 2004.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Uma biblioteca pública, que está localizada na Rua Coronel Nanan, s/nº, Centro, recebeu a sua nomenclatura no Município de Quixadá;
  2. O Pe. Francisco Clineu Ferreira é o patrono da Cadeira nº 23 da Academia Quixadaense de Letras;
  3. Em 1991, na gestão do Prefeito Francisco Martins de Mesquita, um busto foi colocado em uma praça no Município de Quixadá.

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