Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem (História)

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

O templo da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem está localizado na Rua 26 de Junho, nº 253, no Centro da cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Imagem do altar da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1982.

Imagem do altar da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1982.

O estabelecimento dessa confissão protestante na cidade de Boa Viagem não foi algo fácil, essa abertura passou por vários momentos de aflição por conta da intolerância religiosa existente, que podem ser descritos pela construção de seu principal equipamento.

A SUA HISTÓRIA:

A Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem iniciou a sua vida eclesiástica como uma simples congregação, sendo mantida com recursos financeiros e humanos provenientes da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira, a primeira igreja de confissão protestante existente no Município de Boa Viagem.
Nessa época, por conta do constante êxodo rural em busca de melhores condições de vida, alguns protestantes saíram da zona rural e fixaram residência na cidade, onde passaram a ser comerciantes ou prestadores de serviços:

“No ano de 1946, o jovem João Fragoso Vieira, membro da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira, vem para cidade e começa, sozinho, o trabalho de evangelização. Enfrentou ameaças e zombarias.” (NASCIMENTO, 2002: p. 105)

Algum tempo antes desses fatos, já haviam sido feitas algumas tímidas tentativas de evangelização na cidade, a primeira delas por Manoel Antero da Silva, Alexandre José dos Santos e José Santos Filho, que não lograram o êxito esperado e por pouco não ocorreu uma tragédia:

“O trabalho evangélico se desenvolvia no Município de Boa Viagem. Na cidade não havia nenhum crente. A comunidade boa-viagense não conhecia o Evangelho. Foi o Rev. Harry George Briault que fez a primeira penetração nesta cidade, ainda antes da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira. Veio visitar Manoel Antero da Silva e alguns outros crentes… O culto foi interrompido pelos perseguidores e o missionário teve de deixar a cidade, enfrentando emboscadas e ameaças de morte.” (FRAGOSO VIEIRA, 1997: p. 3)

Felizmente esse grave incidente de intolerância religiosa só não teve um desfecho trágico graças a firme e bondosa intervenção do esclarecido farmacêutico da cidade, Antenor Gomes de Barros Leal:

“Revelou que, anos antes, final de 1928, quando se dirigia à cidade de Sobral, visitara um grupo de protestantes que se estabeleceu em nosso Município, na localidade de Marmilona, a 10 quilômetros da cidade de Boa Viagem, e tentou evangelizar na zona urbana da cidade juntamente com José Santos Filho, Alexandre José dos Santos e Manoel Antero da Silva… o culto foi celebrado em frente à Farmácia Cruz Vermelha… Por pouco essa tentativa não lhes custou muito caro, uma turba desordeira interrompeu o culto atirando pedras, ovos, madeira e tudo o que tinha disponível à mão contra o pequeno grupo…” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 183 – 184)

Algum tempo depois desse infeliz acontecimento, ocorrido com o Rev. Harry George Briault, vários núcleos de confissão protestante se estabeleceram na zona rural do Município e às relações sociais, aos poucos, contribuíram para em alguns momentos diminuir e em outros intensificar a discriminação religiosa que existia até que, no final da década de 1940, como mencionamos anteriormente, alguns protestantes passaram a residir na cidade.
Nessa época os cultos ocorriam regularmente na residência de Cícero Fragoso Vieira, que era filho de Manoel Maria de Jesus, o patriarca de uma grande família que há pouco tempo havia migrado do Estado da Paraíba:

“Em 1947, Cícero Fragoso Vieira deixa Cachoeira e vem para a cidade. Éramos a primeira família evangélica em Boa Viagem. Começamos a fazer cultos em nossa residência. O ambiente era perigoso. Éramos perseguidos e odiados. Em 1950, a perseguição se tornou intensa, contando com o apoio do prefeito e demais autoridades da cidade.”

Essa pequena casa estava localizada na Rua José Rangel de Araújo, nº 27, no Centro da cidade, tida por alguns como local onde “as pessoas de bem” deveriam até evitar pisar em sua calçada.

Imagem do santuário da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 2015.

Como nos referimos anteriormente, na cidade de Boa Viagem, o protestantismo ainda era tido como algo execrável, a sua expansão foi lenta, gradual e contou com muitos e difíceis obstáculos:

“Em 1983, vindo do Canadá para uma visita ao Brasil, esteve o Rev. Cecil Flechtel. Pediu-me para levá-lo à casa onde foram realizados os primeiros cultos. Em frente a casa, ele lembrou: ‘Aqui eu pregava enquanto os inimigos atiravam pedras e ovos sobre nós’. Acrescentou que com a roupa suja de ovos, foi a Fortaleza falar com o governador do Estado do Ceará sobre a perseguição religiosa em Boa Viagem e pedir garantias para os crentes, pois estavam em perigo.” (FRAGOSO VIEIRA, 1997: p. 4)

O resultado dessa importante reunião com o governador do Estado, o Dr. Faustino de Albuquerque de Sousa, resultou, poucos dias depois dessa audiência, na transferência do Pe. Francisco Clineu Ferreira do comando da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Depois disso, por volta de 1954, necessitando de um pastor residente, a Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira recebeu a indicação da Convenção Regional das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Nordeste do nome do Rev. Manoel Bernardino de Santana, que foi o primeiro pastor a residir na cidade de Boa Viagem.
Nessa época, aos poucos, um considerável número de protestantes já residiam na cidade e a pequena congregação ganhou o suporte financeiro para construir o seu próprio templo, bem como solicitar a sua independência eclesiástica:

“A primeira sessão da igreja foi presidida pelo Rev. Antônio Francisco Neto no dia 24 de junho de 1956, inaugurando, naquele mesmo dia, o humilde templo… O Rev. Antônio Francisco Neto continuou dando assistência pastoral até 1957, quando o Licenciado José Borba da Silva Neto foi consagrado pastor e assumiu o pastorado da igreja, permanecendo até o meio de 1959.” (FRAGOSO VIEIRA, 1997: p. 4 – 5)

Pouco tempo depois desses fatos, logo após a transferência do Rev. Bernardino por problemas de saúde, o Rev. José Borba da Silva Neto, que nesse tempo auxiliava o Rev. Antônio Francisco Neto, assumiu esses trabalhos e habilidosamente conciliava as suas atividades na zona rural e urbana do Município.
Na transição desses dois pastorados, ocorrido no dia 24 de junho de 1956, foi criado um dos principais departamentos dessa igreja, a UAF, sigla que significa União Auxiliadora Feminina, que teve como sua primeira presidente a Srª Leolina Vieira Figueiredo.

Imagem da União Auxiliadora Feminina.

Em seu pastorado a comunidade protestante residente na cidade voltou a passar por duras perseguições, que eram ardilosamente incitadas pelo Pe. José Patrício de Almeida:

“Durante o seu pastorado, houve um período de perseguição, tendo os inimigos da causa evangélica tentado derrubar o templo.” (FRAGOSO VIEIRA, 1997: p. 5)

Nesse tempo, o primeiro templo da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem foi construído na Rua Antônio Domingues Álvares, nº 374, esquina com a Rua Padre Mororó, no Centro da cidade de Boa Viagem:

“Com o decorrer dos anos, a congregação na sede prosperou e foi organizada em igreja no dia 24 de julho de 1956, também na mesma data foi inaugurado o humilde templo, que foi edificado em 1955… À frente dos trabalhos esteve o Pastor Antônio Francisco Neto.” (NASCIMENTO, 2002: p. 105)

Antes disso, para que esse pequeno templo fosse edificado, os cristãos de confissão protestante tiveram de burlar a sua intenção diante da secretaria paroquial, cartório responsável pela emissão do laudêmio, o documento necessário para comprovar a posse da propriedade.

Imagem do templo da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, década de 1970.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, década de 1970.

Pelas atitudes da época acreditavam que o vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, o Pe. José Patrício de Almeida, não permitiria que a Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira possuísse um templo na cidade e a única alternativa encontrada pelos protestantes foi colocar a propriedade em nome do jovem Noemias Fragoso Vieira, que alguns anos depois foi consagrado pastor presbiteriano.
Antes disso, depois da edificação do templo, segundo registros contidos no livro de atas da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, no dia 2 de julho de 1956, temos conhecimento daqueles que se envolveram diretamente com a organização de alguns de seus equipamentos:

“Logo após, foi sugerido pelo Lic. José Borba da Silva Neto um voto de louvor ao irmão Ademar Carvalho, pelos seus trabalhos de artífice na fabricação do púlpito; estendendo-se o voto de louvor ao irmão Cirilo Fragoso Vieira pelo seu esforço na preparação das cadeiras da igreja.”

Pouco tempo depois, no dia 22 de julho de 1957, conforme registro desse livro de atas, outras pessoas também investiram na melhoria dos serviços e dos equipamentos da igreja:

“Foi proposto um voto de louvor para o nosso irmão Cirilo Fragoso Vieira, pelo presente de um bom e potente harmônio à nossa igreja, como também ao nosso irmão Samuel Alves da Silva, que presenteou a nossa igreja com um bom relógio de parede. Louvamos também a atitude de nossa irmã, Adelita Vieira de Freitas, que presenteou a igreja com um bom almofadão. A estes irmãos houve voto de louvor de toda e por toda a igreja. A estes irmãos a Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem fica grata.”

Na transição desses dois pastorados, ocorrida no dia 13 de julho de 1958, foi criado um outro departamento, a União Juvenil Congregacional, que tempos mais tarde passou a ser conhecida pela sigla UMEC, a União de Mocidade da Igreja Evangélica Congregacional, que teve como sua primeira presidente a irmã Margarida Lins Vieira, esposa do Vereador Joaquim Veira da Silva.

Uma das primeiras imagens da União de Mocidade na década de 1960.

Pouco tempo mais tarde, no pastorado do Rev. Francisco Souto Maior, outras melhorias foram realizadas no templo, muitas delas executadas em sua parte exterior, conforme ata do dia 3 de novembro de 1960:

“Foi apresentada a necessidade de limpeza e pintura geral da igreja, bem como a construção da calçada ao redor do templo, cujo plano foi por todos aprovados.”

Mesmo com esses pequenos, mas importantes investimentos, temos de nos lembrar que a maioria de seus membros e congregados eram pessoas bastante pobres, mas não mediam esforços em transformar o pequeno templo em um local agradável e acolhedor.
As acomodações do templo eram bem rústicas: as paredes internas inicialmente eram brancas e no altar existia uma bela cortina; na parte externa as paredes eram cinza com pequenos detalhes brancos; as portas não possuíam um acabamento refinado; o piso era de cimento queimado; as cadeiras e o púlpito era envernizado e o único luxo estava na bela toalha e um vaso postos sob à mesa da comunhão.
O templo, que era de esquina, possuía um pequeno recuo e não seguia ao alinhamento da rua, o que lhe dava um pequeno destaque, nele cabiam aproximadamente 80 pessoas, mas algumas preferiam assistir aos cultos do lado de fora através de suas janelas, onde o clima era mais fresco.
No telhado da igreja havia uma radiadora, um potente equipamento de som que era diariamente utilizado pelo pastor para evangelismo e causava muitas polêmicas entre os moradores da cidade por conta das discussões ao vivo com o padre:

“Em seu paroquiato ficou marcado na memória popular os embates diários levados ao público, através do serviço de som da igreja, contra um equipamento semelhante existente na Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, na época pastoreada pelo Rev. Francisco Souto Maior.”

Sob o telhado da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem havia um equipamento semelhante, e o seu programa tinha o nome de “A Voz da Imaculada”; já o programa da Igreja Evangélica Congregacional tinha o nome de “A Voz Congregacional”.
Pelo microfone, quase todos os dias, o povo assistia atento ao pastor ser carinhosamente chamado de “careca safado”, já o pastor, para não passar por baixo, chamava o padre de “idolatra e mentiroso”.
No dia 3 de setembro de 1961, ainda no pastorado do Rev. Francisco Souto Maior, a igreja foi despertada para necessidade de ampliar o seu templo, bem como melhorar as acomodações do Instituto de Educação Paulo Moody Davidson, que na época funcionava nas dependências da igreja.
Nessa sessão, os membros tomaram conhecimento de um convênio para manutenção da escola e dos equipamentos que foram doados pelo Deputado Luiz Bezerra da Costa, que era um pastor da Assembleia de Deus:

“Foi apresentada a necessidade urgente de ampliar o salão de cultos desta igreja e construir um salão anexo ao templo, na parte anterior ao mesmo, apropriado para o uso da escola de alfabetização que a igreja vem mantendo. O assunto foi bem discutido e aceito por todos. O Deputado Luiz Bezerra da Costa encaminhou oferta à nossa igreja. Foi proposto, apoiado e aceito por unanimidade de que consta em ata valiosa oferta do irmão acima citado feita a esta igreja enriquecendo assim o seu patrimônio, constando a oferta de vinte carteiras, um quadro negro, uma mesa de escrivaninha no valor de oitenta mil cruzeiros, bem como um auxílio mensal de C$ 1.500,00 para fins educacionais da igreja, isso temporariamente. A presente assembleia, tomando conhecimento, registra uma palavra de gratidão nesta ata aquele irmão e autoriza ao Sr. Secretário escrever uma carta de agradecimento aquele irmão. Ficou resolvido nesta assembleia aumentar o salário da professora de alfabetização, de C$ 1.200,00 para C$ 2.000,00.”

No dia 1º de outubro de 1964, poucos meses depois de retornar ao pastorado, o Rev. Ezequiel Fragoso Vieira, em assembleia, expôs aos membros a urgente necessidade de adquirir mais bancos para igreja.
Nesse mesmo período a Escola Dominical já costumava reunir oitenta alunos na classe de adultos, sem contar as crianças e os adolescentes que congregavam.

Imagem da comemoração de jubileu de 25 anos da Igreja Evangélica Congregacional de Voa Viagem.

Imagem da comemoração de jubileu de 25 anos da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem.

Em 1965, dez anos depois de sua organização eclesiástica, a igreja passou a ter uma sociedade missionária, que foi denominada de Missão Cristã Evangelizadora Cearense, e o seu templo passou por uma pequena remodelação em sua estrutura, conforme ata do dia 1º de maio:

“Logo após o Presidente do Patrimônio José Vieira de Freitas Filho, tendo em vista o aniversário da igreja, apresenta o plano de remodelação da igreja, como seja, o púlpito, o piso, etc. O que foi aceito por todos.”

Nessa época, em acordo com o teor da ata do dia 6 de novembro de 1965, a Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem começou a investir esforços para abertura de uma congregação na cidade de Fortaleza:

“Em seguida o pastor lê uma ata que lhe foi endereçada pelo Senhor Presidente da Junta, cujo assunto era pedir uma ajuda à igreja de Boa Viagem no sentido de fundar um trabalho congregacional em Fortaleza.”

Em 1966, por conta do aumento do número de membros e congregados, sentiu-se a urgente necessidade de ampliar o seu templo. Diante desse problema a igreja investiu esforços para comprar uma propriedade que pertencia ao comerciante Walkmar Brasil Santos, nas proximidades do Cemitério Parque da Saudade:

“Ouve-se a palavra do presidente do patrimônio falando sobre a necessidade da construção de um novo templo, sugerindo a ideia de adquirir logo a planta, o que é resolvido pela igreja que nomeia uma comissão para tratar do assunto. Os componentes da referida comissão são os próprios oficiais da igreja.”

Essa compra, durante algum tempo, teve de ser mantida em absoluto sigilo, tendo em vista o temor de que à Secretaria Paroquial não efetuasse a transação comercial, problema que foi resolvido algum tempo depois graças a amizade conquistada pelo Rev. Ezequiel Fragoso Vieira do Pe. José Patrício de Almeida na Escola de Ensino Médio Dom Terceiro, onde eram professores.
Nesse época, como tinha acontecido anteriormente, o grande desafio encontrado pela membresia dessa igreja foi adquirir uma propriedade com a localização e na medida que desejavam para execução do projeto, que foi conseguido pelo Rev. Ezequiel Fragoso graças a gentileza dos missionários da UESA, a União Evangélica Sul Americana.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1980.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1980.

Esse projeto, que pouquíssimas pessoas sabem, seguiu o mesmo desenho da Igreja Batista da Capunga, um dos cartões postais da cidade do Recife, salvo algumas modificações que se adaptaram às necessidades locais, tais como: as medidas, as exigências topográficas do terreno e a faixada externa.
Na execução desse projeto de construção foram encontrados vários desafios, que foram cuidadosamente acompanhados pelo meticuloso Diácono Cirilo Fragoso Vieira, pessoa que dedicou grande parte de seu tempo com os empreiteiros da obra, que sentiam dificuldade de encontrar mão-de-obra qualificada, como também material que fosse apropriado para efetuar as suas exigências.
Nesse tempo, segundo registros da ata do dia 16 de setembro de 1973, em assembleia de membros, a igreja decidiu escolher uma comissão para se encarregar do assunto:

“A igreja resolve nomear uma comissão para fazer a construção do novo templo, os que compõem esta comissão são as seguintes pessoas: Jessé Alves da Silva, Misraim Fragoso Vieira, Adelmo Vieira de Freitas, José Vieira de Freitas Filho e Pompeu Fragoso Vieira.”

Ainda nessa época, além do desejo de possuir um novo espaço, as atas desse período nos revelam que a igreja continuava a investir no velho templo, quando decidiu adquirir alguns ventiladores, um luxo para essa época; mais bancos, para o santuário e para às classes infantis; e uma rural willys equipada com gerador e auto-falantes para o departamento de missões, sinal de que os seus trabalhos evangelísticos prosperavam.
Outro detalhe desse instante de sua história, embora pareça um momento de franco progresso e de calmaria, é o fato de que a igreja estava sendo constantemente assolada pelas ideias do movimento pentecostal, fantasias teológicas que motivaram diversas disciplinas, inclusive em suas congregações.
Em 1977, independentemente desses problemas, em assembleia, no intuito de aumentar as suas rendas para serem investidas na construção do templo, foi decidido que aos domingos seria retirada uma oferta especial para essa finalidade:

“O Rev. Ezequiel Fragoso Vieira apresenta o relatório das contribuições de domingo, para a construção do novo templo, com um saldo em caixa de Cr$ 38.981,20.”

Essa decisão, que foi algo temporário, posteriormente, depois da construção do templo, a igreja definiu que não seria mais tirado nenhum tipo de oferta nos cultos, salvo em casos especiais.
Depois de algum tempo, quando o templo já estava com a sua estrutura praticamente concluída, ele serviu como depósito para armazenamento de milho e algodão do Sr. Jessé Alves da Silva, uma das pessoas que muito contribuiu para sua edificação.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional na época de sua construção.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional na época de sua construção, período em que serviu como depósito.

Antes disso, pouco tempo depois da decisão de construir um novo templo, à comissão de construção decidiu criar um caixa paralelo ao da igreja, que tinha de continuar cumprindo as suas obrigações financeiras.
Mensalmente, como é comum em igrejas de governo congregacional, o Rev. Ezequiel Fragoso Vieira apresentava um relatório detalhado de seus gastos para assembleia de membros.
Em uma dessas assembleias, no dia 10 de janeiro de 1979, ficou constatada a insatisfação de alguns membros com o tamanho da torre, que no projeto tinha um tamanho bem inferior ao que conhecemos hoje. Depois disso essa anomalia do projeto foi corrigida.
Nessa época, em julho de 1980, novamente em assembleia, depois de várias campanhas de arrecadação, a igreja decidiu conscientizar-se da responsabilidade pelo dízimo, fato que perdura até os dias de hoje entre os seus membros:

“Resolve-se por maioria, que se lance a campanha do dízimo, que se realizará da seguinte maneira: a igreja suspende todas e quaisquer campanhas em prol da construção e também as ofertas que se faziam mensalmente, para que todos os membros e congregados entreguem os seus dízimos todo 1º domingo de cada mês.”

Chegando ao fim da obra, os construtores dessa igreja buscaram inspiração em outros templos, uma dessas sugestões foram utilizadas em sua principal escadaria, que copiou o desenho das escadarias da Catedral Metropolitana de Fortaleza.
Outro detalhe que nos chama atenção está em seu piso, que foi todo extraído no Município de Boa Viagem em uma de suas minas de mármore, levado para o corte no Estado da Paraíba e polido depois de aplicado na igreja.
Depois disso, algumas generosas doações foram feitas para acelerar a sua inauguração: as esquadrias em alumínio das janelas foram doadas por Jessé Alves da Silva e Manoel Vaz; as esquadrias, porta de entrada e vitrôs da frente e torre foram doadas pelo Diácono João Fragoso e os vidros foram doados pelo Presbítero Adelmo Vieira de Freitas.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1980.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1980.

Depois de muitas campanhas de arrecadação, na noite do dia 24 de junho de 1982 o sonho finalmente se tornou em realidade:

“No dia 24 de junho em 1982, depois de 26 anos de organização eclesiástica, contando com a presença de autoridades civis e eclesiásticas da cidade, inaugurou solenemente um dos maiores templos protestantes do Brasil.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Ezequiel Fragoso Vieira. Disponível em www.historiadeboaviagem.com.br. Acesso em 10 de junho de 2016)

Nessa época, finda a sua edificação, essa igreja passou a ser considerada como um dos cartões postais da cidade.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1984.

Imagem da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1982.

Nos primeiros meses de 1993, essa igreja foi presenteada pelo Sr. Benjamim Alves da Silva com uma área de 8 hectares nas proximidades da bacia hidráulica do Açude Prefeito José Vieira Filho, onde aos poucos foi edificando o Acampamento Rev. Ezequiel Fragoso Vieira.

“Durante muitos anos os membros e congregados da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem sonharam em possuir um local aprazível onde pudessem se afastar do principal centro urbano do Município nos períodos das festas profanas, principalmente no Carnaval. Antes de sua construção essa igreja costumava realizar os seus piqueniques e os seus encontros de acampamento em outras cidades ou nas propriedades pertencentes aos seus membros, que nem sempre tinham uma estrutura apropriada para essa finalidade.” (SILVA JÚNIOR, 2014: O Acampamento Rev. Ezequiel Fragoso Vieira. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/acampamento-rev-ezequiel-fragoso-vieira/. Acesso no dia 24 de junho de 2018)

No dia 21 de março de 2000, por meio da lei municipal nº 716, diante da execução de suas atividades, essa igreja foi reconhecida pela Câmara Municipal de Vereadores como sendo de utilidade pública.

A ESTRUTURA FÍSICA DO TEMPLO:

O templo da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem é bastante confortável e está distribuído da seguinte forma:

  1. Auditório Presbítero Jonas Fragoso de Freitas: 1
  2. Banheiro: 4
  3. Berçário: 1
  4. Depósito: 2
  5. Salão Social Diácono José Gomes de Oliveira: 1
  6. Santuário: 1

A PROGRAMAÇÃO:

Os trabalhos da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem estão divididos durante a semana da seguinte forma:

  • CULTOS:
  1. Domingo ⇒ 19h30min.
  2. Sexta-Feira ⇒ 19h30min.
  3. Quarta-Feira ⇒ 19h30min.
  • REUNIÕES:
  1. Jovens: Sábado ⇒ 19h30min.
  2. Senhores:
  3. Senhoras:
  • ESCOLA DOMINICAL:
  1. Domingo ⇒ 10h.

2 ideias sobre “Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem (História)

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