Antônio Tupinambá de Araújo

antonio-tupinambaAntônio Tupinambá de Araújo nasceu no dia 17 de outubro de 1913 no Município de Independência, que está localizado no Sertão de Crateús, distante 310 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo o segundo filho de Sebastiana Abreu Lima.
Ainda não sabemos o motivo que fez com que a sua família viesse vir a residir na cidade de Boa Viagem.
Depois de estabelecido passou parte de sua adolescência ajudando no caminhão de horário pertencente ao Sr. Luiz Araújo, que logo se afeiçoou a ele e o tinha como um filho.
Trabalhando nesse caminhão de horário, depois de muitos anos de serviço, conseguiu juntar uma pequena quantia em dinheiro, que logo foi investida na compra do veículo em que trabalhava, onde também passou a fazer a rota para cidade de Fortaleza.

“Uma vez por outra, alguns marchantes retornavam à Boa Viagem no final da tarde de sexta-feira, no caminhão do Luiz Araújo ou do Tupinambá, chegando à cidade no amanhecer do sábado. Muitas vezes, utilizando esse meio de transporte. O normal era a volta pelo trem da manhã do sábado até Quixeramobim, rumando a seguir para Boa Viagem, no lombo de um burro, na época de chuva; e, na estiagem, num caminhão.” (CARVALHO FILHO, 2008: p. 21)

Segundo informações existentes no livro B-09, pertencente à secretaria da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, tombo nº 51, página 84v, no dia 26 de julho de 1939, diante do Mons. José Gaspar de Oliveira, contraiu matrimônio civil com Lindalva Ribeiro Tupinambá, que nasceu no dia 18 de junho de 1923, sendo filha de Luiz Ribeiro e Silva com Eulália Camurça Ribeiro.
Mais tarde, de acordo com o livro B-08, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 569, folha 42, no dia 21 de setembro de 1942, confirmou os seus votos em uma cerimônia de matrimônio civil.
Desse matrimônio foram gerados dez filhos, oito homens e duas mulheres, sendo eles: Geová Abreu Ribeiro, Eulália Maria Ribeiro, Antônio Ubiratan Ribeiro Tupinambá, Antônio Tupinambá Filho, Antônio Ubirajara Ribeiro Tupinambá, Maria Iracema Tupinambá Santiago, Antônio Irapuam Ribeiro Tupinambá, Antônio Camurça Ribeiro Tupinambá, Antônio Moacyr Ribeiro Tupinambá e Antônio Caubi Ribeiro Tupinambá.
No dia 28 de dezembro de 1946, por volta das 20h30min, em sua calçada, ouviu o disparo que ceifou à vida do Coronel José Inácio de Carvalho e produziu grandes transformações políticas no Município de Boa Viagem.
Nessa noite, que parecia tranquila, duas rodas de amigos debatiam sobre o destino da política estadual quando o tom da conversa subitamente foi interrompido pelo eco de um disparo.
O primeiro grupo, sentado em sua calçada, estavam os partidários do Senador Olavo Oliveira, no segundo grupo, a 100 metros desse, os partidários do General Onofre, que estavam sentados vizinho à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, na calçada do Coronel José Inácio de Carvalho:

“Ouviu-se um estrondo na direção da igreja. Todos se levantaram e instintivamente olharam na direção da torre da igreja, escassamente iluminada, notando, porém, que a mesma não caíra. Segundos após, passou um rapaz vindo da casa de José Inácio, correndo e avisando que ele fora assassinado com um tiro.” (CAVALCANTE MOTA, 1996: p. 56)

Poucos dias depois desse assassinato, no dia 2 de fevereiro de 1947, querendo fazer a alegria da garotada da cidade, algo que desejaria que fosse feito em sua infância, encheu o seu caminhão de crianças para dar uma pequena volta pela cidade, mas sem querer se envolveu em um grave acidente automobilístico que o acompanhou como trauma para o resto de sua vida:

“O caminhão, dirigido pelo senhor Antônio Tupinambá, transportando quarenta e duas crianças, capotou. Dos quarenta e dois meninos acidentados, dois morreram praticamente no momento do acidente.” (NASCIMENTO, 2002: p. 188)

Sendo bastante conhecido em nossa região, no pleito eleitoral que ocorreu no dia 3 de outubro de 1950, decidiu apoiar ao coletor estadual Aluísio Ximenes Aragão, candidato que havia sido indicado pela “Oligarquia Araújo” ao Poder Executivo.
Nessa mesma eleição ajudou ao seu irmão, João Abreu Lima, que militava dentro dos quadros políticos do PSP, o Partido Social Progressista, a ser eleito a uma das cadeiras do Poder Legislativo municipal.

“Alguns anos depois, na eleição municipal ocorrida no dia 3 de outubro de 1950, desejando entrar na vida pública do Município de Boa Viagem por meio de um mandato eletivo na Câmara Municipal de Vereadores, militando nos quadros políticos do PSP, o Partido Social Progressista, conseguiu ser eleito depois de receber a confiança de 184 eleitores, ficando entre os nove vereadores de maior votação desse pleito.” (SILVA JÚNIOR, 2015: João Abreu Lima. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/joao-abreu-de-lima/. Acesso no dia 4 de janeiro de 2017)

Depois dessa legislatura, no pleito eleitoral ocorrido no dia 3 de outubro de 1954, sabendo da insatisfação de seu irmão em permanecer na vida pública, foi indicado como seu sucessor a uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores, ficando entre os cinco vereadores de maior votação dessa eleição.
Nessa legislatura, deu total apoio ao projeto do Prefeito Delfino de Alencar Araújo para construção do Açude Público José de Alencar Araújo, na localidade de Capitão-mor, represa que abasteceu a cidade de Boa Viagem por muitos anos.
No pleito eleitoral seguinte, que ocorreu no dia 3 de outubro de 1958, desejando prosseguir em sua vida pública, depois de uma acirrada campanha, não conseguiu ser eleito, ficando na primeira suplência de seu partido.
Pouco tempo depois, no dia 18 de maio de 1959, por conta de uma licença médica solicitada pelo Vereador José Vieira de Lima, foi convocado pela Câmara de Vereadores a tomar posse de sua cadeira por tempo indeterminado.
Nessa legislatura, em apoio ao governo do Prefeito Dr. Gervásio de Queiroz Marinho, votou em favor da realização de assinatura de convênio com o Governo Federal para fomentar o Ensino Primário e a instalação de água e esgoto na cidade de Boa Viagem.
Na eleição municipal seguinte, que ocorreu no dia 7 de outubro de 1962, militando nos quadros políticos da UDN, a União Democrática Nacional, ficou novamente na primeira suplência de seu partido.
Pouco tempo depois, no dia 25 de março de 1963, por conta de uma licença solicitada pelo Dr. José Maria Sampaio de Carvalho, foi convocado para assumir a sua cadeira, permanecendo nessa função até o dia 25 de março de 1967.
No dia 26 de junho de 1965, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, votou em favor da reimplantação do pagamento do subsídio dos vereadores, pouco tempo depois, no dia 28 de outubro, deu parecer contrário à consulta realizada pela Assembleia Legislativa do Estado sobre o interesse de entregar do Distrito de Jacampari ao Município de Monsenhor Tabosa.
Nessa legislatura, que foi bastante tumultuada pelo número de prefeitos, prestou apoio aos projetos que vieram do Poder Executivo, foram eles: Implantação do Posto de Saúde Dr. Pontes Neto; Implantação do sistema de telefonia que interligou à cidade de Boa Viagem às vilas de Guia e Ibuaçu; Implantação da Escola de Ensino Fundamental Osmar de Oliveira Fontes, que na época recebeu o nome do Presidente John Fitzgerald Kennedy; Projeto de organização da nomenclatura das ruas e da numeração das casas da cidade; Implantação de um matadouro público; Construção da Escola de Ensino Médio Dom Terceiro; Instalação do sistema d’água na cidade de Boa Viagem; Construção do Obelisco em comemoração do 1º centenário do Município de Boa Viagem; Reforma administrativa da Prefeitura de Boa Viagem; Instalação de energia elétrica na vila de Guia; Abertura e manutenção de rodovias municipais e construção do Açude Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima.
Algum tempo depois, findo o seu mandato eletivo, desejando dar uma melhor qualidade de vida aos seus filhos, resolveu se estabelecer na cidade de Fortaleza, onde os seus filhos construíram brilhantes carreiras.

“Nossa educação ficava essencialmente nas mãos de nossa mãe, que, com o suporte financeiro de meu pai, nunca economizou nenhum esforço para nos dar uma educação à altura de seus sonhos. Falo de uma família do interior de Boa Viagem, no Ceará, que por certo tempo desfrutou de status privilegiado na cidade, condição comprometida com a vinda para Fortaleza, em virtude dos custos do objetivo por eles de nos oferecer uma melhor educação.” (RIBEIRO TUPINAMBÁ, 2015: p. 14)

No dia 21 de novembro de 1983, juntamente com os seus familiares, foi surpreendido pela notícia do falecimento João Abreu Lima, que veio a óbito aos 72 anos de idade.
Alguns anos depois, no dia 3 de novembro de 1999, por meio da resolução nº 42, foi agraciado com o titulo de cidadania boa-viagense.

Imagem de Antônio Tupinambá Araújo juntamente com a sua esposa, seu irmão Alonso e outros amigos na cidade de Boa Viagem por volta de 2000.

No ano seguinte, foi a fez de lamentar o falecimento de outro irmão, que se chamava Alonso Abreu Lima, que faleceu aos 74 anos de idade.
Depois de algum tempo, passou a residir na cidade de Fortaleza, onde faleceu no dia 7 de março de 2007, prestes a completar 94 anos de idade.
Logo após a sua morte, depois das homenagens fúnebres que são de costume, o seu esquife foi sepultado por seus amigos e familiares no Cemitério Parque da Paz, que está localizado na Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, nº 4.454, no Bairro Passaré, na cidade de Fortaleza.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CARVALHO FILHO, José Cândido de. Boa Viagem da Minha Infância. Brasília: Thesaurus/Itiquira, 2008.
  2. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. Boa Viagem – Realidade e Ficção. Fortaleza: MULTIGRAF, 1996.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. RIBEIRO TUPINAMBÁ, Antônio Caubi. Memorial: Registro de uma Trajetória Acadêmico-Profissional. Fortaleza: Expressão, 2015.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Benjamim Alves da Silva, embora ainda sem amparo legal, uma das ruas do Bairro Osmar Carneiro, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.