José Jôfre da Silva

José Jôfre da Silva nasceu no dia 8 de dezembro de 1931 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Francisco Afonso da Silva e de Francisca Alves de Morais.
Os seus avós paternos se chamavam José João da Silva e Maria Carolina da Conceição, já os maternos eram Vicente Alves de Morais e Maria Franco Alves de Morais.
Pouco tempo depois do seu nascimento, de forma inesperada, passou pela triste experiência de perder o seu pai, que cometeu suicídio por conta de um crime motivado pela posse de uma pequena faixa de terra:

“Andavam ligeiros os últimos meses de 1931… Os dois homens se bateram, corpo a corpo com afiados facões. Um estampido aumentou o horror do drama. O sangue quente escorria dos corpos feridos. Os gritos das mulheres e dos filhos tomaram conta daquela tarde tomada pelo luto. Encontrei o Evangelista Amaro em sua casa. Estava ofegante, perto de exalar o seu último suspiro. O projétil havia varado o pulmão, que expulsava o sangue a cada movimento respiratório. Segurei a sua mão, apertou levemente e disse: – ‘Agora vá ver o seu compadre, que também está ferido. Diga-lhe que peço perdão; eu, por minha parte, já o perdoei’… Saí para casa de Chico Afonso. Infelizmente os seus ferimentos não o mataram. Não o vi… havia fugido… Infelizmente, torno a dizer… Minha comadre Chicuta, junto com os filhos, cortavam corações… Meses depois veio entrega-se à justiça, embora o prefeito e o delegado, Teodoro e Joaquim, fossem irmãos da vítima. Chico foi transferido para a cadeia de Quixeramobim. Fui visitá-lo, era apenas um resto de homem, magro, pálido e triste. – ‘Compadre Antenor, não posso viver… quero morrer. Evangelista não me sai da lembrança. É horrível, meu compadre’… e de cabeça baixa estendeu a mão. Poucos dias depois tentou suicídio cortando o pescoço com um canivete. O meu pai chamou o Dr. Álvaro Fernandes, que fez o tratamento de urgência. ‘Olhe seu Afonso, o senhor só não morreu porque não cortou a carótida. Foi o bastante, Á noite, quando os outros presos dormiam, os pontos foram cortados com gilete, assim como a carótida. Pela manhã, misturado com o sangue, jazia o cadáver de um desventurado.” (BARROS LEAL, 1981: p. 96-97)

Algum tempo depois desse triste fato, no dia 18 de janeiro de 1936, a sua mãe contraiu um novo matrimônio, dessa vez com o agropecuarista Francisco Alves Filho, que era conhecido pelo apelido de “Chico Boa Hora”.
Nos últimos anos da década de 1940, pouco tempo depois de completar 17 anos de idade, seguiu para cidade de Fortaleza, onde depois de alistado no Exército passou a servir no 23º BC, o Batalhão de Caçadores, sendo transferido algum tempo depois para o Estado de Mato Grosso.
Mais tarde, nos primeiros anos da década de 1950, desejando melhor qualidade de vida, residiu durante algum tempo na cidade de Brasília, onde trabalhou na construção da Capital Federal.
Nessa época, segundo alguns contemporâneos, envolveu-se em uma briga e praticou um homicídio, fato que o fez fugir a pé de Brasília, até que,  alguns meses depois, chegando ao Município de Boa Viagem, se escondeu entre os parentes de sua mãe e dentro de pouco tempo tornou-se marchante e em um pequeno agropecuarista.
Mais tarde, depois de algum tempo de namoro, contraiu matrimônio com Maria Nilce Ramalho da Silva, que era nascida no dia 20 de novembro de 1939, sendo filha de Francisco Deoclécio Ramalho com Maria Letícia de Queiroz Ramalho.
Desse matrimônio foram gerados quatro filhos, dois homens e duas mulheres, sendo eles: Éder Jôfre Ramalho da Silva, Jarbas Ramalho da Silva, Cristiane Ramalho da Silva e Rejane Ramalho da Silva.

Imagem de José Jôfre acompanhado de sua família.

Imagem de José Jôfre acompanhado de sua família.

Na eleição municipal ocorrida no dia 15 de novembro de 1966, desejando entrar na vida pública por meio de uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores, militando nos quadros políticos da ARENA 1, a Aliança Renovadora Nacional, conseguiu ser eleito depois de receber a confiança de 316 eleitores, obtendo a segunda maior votação de sua coligação.
Algum tempo depois, no dia 3 de novembro de 1967, no exercício de sua função no Poder Legislativo, apresentou projeto de indicação para o benefício das seguintes localidades: Pavimentação da Rua Alfredo de Sousa Terceiro, na cidade de Boa Viagem; Pavimentação da rua principal da localidade de Águas Belas; Instalação de um sifão no Açude Zagreb, na vila de Guia; Pavimentação em pedra tosca da rua principal da vila de Guia e o encaminhamento de ofício ao gabinete do Dep. Gervásio de Queiroz Marinho solicitando perfuração de um poço artesiano e a instalação de um chafariz na vila de Guia.
Mais tarde, no dia 18 de novembro de 1969, solicitou no plenário da Câmara Municipal a construção de dois chafarizes, um na Rua Alfredo de Sousa Terceiro, próximo da Escola de Ensino Médio Dom Terceiro, e outro na Rua Padre Antônio Correia de Sá, ao lado da Associação Atlética Boa-viagense.
Nessa legislatura, dando apoio aos projetos encaminhado pelo gabinete do Prefeito José Vieira Filho, aprovou dotação orçamentaria para implantação de um tiro de guerra no Município de Boa Viagem; Aprovou a aquisição de uma propriedade e a posterior construção do Hospital e Casa de Saúde Adília Maria de Lima; Aprovou a doação da propriedade em que foi construída a Agência do Banco do Estado do Ceará e a implantação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto na cidade de Boa Viagem.
No pleito seguinte, que ficou conhecido no meio político como “Mandato Tampão”, ocorrido no dia 15 de novembro de 1970, ainda compondo à bancada da ARENA, desejando a sua reeleição, conseguiu ser reeleito depois de receber 472 votos, a terceira maior votação dessa disputa:

“Visando unificar o período das eleições majoritárias e proporcionais no país, a Justiça Eleitoral, baseada na nova legislação em vigor, determinou que os candidatos, eleitos em 15 de novembro de 1970, deveriam ter um mandato mais curto de maneira que, na próxima eleição, fossem eleitos do presidente da república ao vereador no mesmo pleito.” (COSTA, 2002: p. 357)

No dia 21 de dezembro de 1971, necessitando de tratamento médico, solicitou da mesa diretora da Câmara Municipal uma licença pelo prazo de seis meses, sendo substituído nessa ocasião pelo suplente, o Vereador Valdemar de Paiva Bezerra.
Algum tempo depois, estando reintegrado aos quadros políticos da Câmara Municipal, no dia 2 de setembro de 1972, segundo informações que estão registradas na página 53 do livro de atas, juntamente com o Vereador João Inácio de Sousa, encaminhou requerimento ao gabinete do Prefeito Osmar de Oliveira Fontes solicitando a urgente limpeza do Mercado Público Municipal Jessé Alves da Silva e a construção da praça do Bairro Vila Azul.
Pouco tempo depois, em uma sessão ordinária ocorrida no dia 4 de novembro de 1972, encaminhou requerimento à mesa diretora da Câmara Municipal solicitando ao gabinete do prefeito a construção de um grupo escolar na localidade de Trapiá.
Nessa legislatura, apoiou os projetos encaminhados pelo gabinete do prefeito, sendo eles: A aquisição de máquinas e equipamentos para manutenção das estradas municipais e aquisição de equipamentos para o Hospital e Casa de Saúde Adília Maria de Lima.
Depois disso, na eleição que ocorreu no dia 15 de novembro de 1972, ainda na bancada da ARENA, conseguiu ser reconduzido ao seu terceiro mandato depois de receber a confiança de 535 eleitores.
Nessa época, sendo conhecido pelo seu temperamento e coragem, sempre compunha à presidência da comissão de polícia, ocorrendo um episódio na Praça Antônio de Queiroz Marinho que ainda é lembrado pelos seus contemporâneos.
Nesse dia, um desordeiro embriagado e com uma faca causava pânico aos moradores da cidade, que haviam chamado aos policiais e estes não tiveram a coragem de tomar-lhe à arma.
Sem alternativas chamaram José Jofrê, que depois de abotoar a camisa e com um simples tamborete desarmou o desordeiro, imobilizou-lhes as mãos para em seguida ser preso pelos policiais, que receberam o nome de “frouxos” pelos populares.
A comissão de polícia era responsável pela fiscalização da ordem e a manutenção da boa convivência entre os moradores do Município, que sempre o chamavam para julgar e resolver os problemas ligados aos limites das propriedades rurais.
Em uma dessas causas, dando parecer contrário aos interesses do General Wicar Parente de Paula Pessoa, que era conhecido em nossa região por tomar as terras dos pequenos camponeses, conquistou a inimizade de um poderoso inimigo.
Nessa legislatura, apoiou aos projetos encaminhados pelo gabinete do Prefeito Dr. Francisco Vieira Carneiro, foram eles: A criação do plano rodoviário municipal; A construção do Centro Comunitário Dep. José Vieira Filho; A construção da Escola de Ensino de Fundamental David Vieira da Silva; A construção do Centro de Abastecimento Municipal Walkmar Brasil Santos; A reforma da Praça Vereador José Vieira de Lima; A instalação da CODAGRO, a Companhia de Desenvolvimento Agronômico e Pecuário do Ceara, entre outros.
Depois de executar um bom mandato, se projetou popularmente como um dos virtuais candidato ao Poder Executivo na eleição municipal que ocorreu no dia 15 de novembro de 1976.
Nessa época, essa destacada projeção política lhe rendeu grande evidência social até que, no dia 29 de julho de 1976, segundo informações existentes no portal de notícias da história do Ceará, quando estava em sua casa na cidade de Fortaleza, foi covardemente assassinado pelo soldado da Polícia Militar Raimundo Nonato dos Santos, contando apenas 45 anos de idade.
Esse bárbaro crime, que até os dias de hoje não revelou os seus mandantes, segundo pessoas do meio político dessa época, garantem que ele foi motivado por conta da sucessão política ao pleito eleitoral de 1976.
Depois do seu falecimento, tomou assento em sua cadeira na Câmara Municipal de Vereadores o suplentes, Manuel Magalhães Gomes.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 270, de 4 de setembro de 1976, uma das ruas do Bairro Tibiquari, na cidade de Boa Viagem,  recebeu a sua nomenclatura;
  2. Em sua memória, na administração do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 718, de 23 de março de 2000, uma das dependências da Câmara Municipal de Vereadores recebeu o seu nome.