Jantar

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

O Jantar, ou Fazenda Jantar, é uma localidade existente na zona rural do Município de Boa Viagem, distante pouco mais de 9 quilômetros do Centro da cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Imagem da casa de José Vieira Filho, na Fazenda Jantar, local de onde emanou diversas decisões que conduziram o Município de Boa Viagem, em 2008.

Dentro da divisão politico-geográfica, em relação ao Marco Zero, essa localidade está na região oeste do Município, dentro dos limites geográficos do território do Distrito de Boa Viagem.

A ORIGEM DE SEU TOPÔNIMO:

Designação toponímica classificada como simples, a nomenclatura dessa localidade se refere ao nome da principal refeição noturna, podendo indicar também uma expressão jocosa do fato de se levar vantagem em algo, em algum negócio, por exemplo: “jantou o adversário nos últimos minutos.”
Sobre a origem de seu nome o livro Boa Viagem: Conhecer, Amar e Defender nos traz a seguinte informação:

“Segundo os mais velhos, há muito tempo, chegando o horário da noite, um família nômade que vinha passando resolveu acampar neste local. Ao amanhecer, exploraram todo o território, perceberam então que a terra era fértil, e melhor ainda, não havia ninguém; provavelmente não tinha dono. Então se apossaram da terra e se multiplicaram e sempre que saiam das terras, ao voltar, diziam: ‘vamos voltar para o jantar’, visto que foi o local onde inicialmente pararam para fazer esta refeição.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 186)

AS SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

Em um passado bem recente essa localidade possuía algumas casas distantes umas das outras, servindo às famílias dos trabalhadores rurais que eram moradoras das várias fazendas existentes na região, que desde essa época já viviam da criação extensiva de gado e do plantio de culturas como milho, feijão, algodão, mandioca e outras em terras irrigadas por pequenos riachos que nascem na Serra do Sítio e na Serra do Aberto.
Na obra já mencionada somos informados de algumas características geográficas de sua região, sendo elas:

“O relevo da região do Jantar é formado por rochas granitoides e tem as evoluções da Serra da Ponte, no Sítio Ponte, e a Serra dos Tanques. Na localidade do Jantar o solo é bastante acidentado, possui formação argilosa, é bastante pedregoso, o seu clima é semi-árido, a temperatura varia de 28ºC a 32ºC e a sua vegetação é de caatinga hiperxerófita.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 187)

No presente, por conta das divisões em herança ou venda, essa localidade possui uma divisão que dificulta a compreensão de quem não a conhece, pois não se entende o critério para definir onde é o “Jantar de Cima” e onde é o “Jantar de Baixo”, como alguns costumam falar.
Quanto as primeiras famílias a se estabelecerem nessa região Cristiano Amaro Angelim, um pesquisador dos fatos ligados aos seus ancestrais nos forneceu o seguinte comentário:

“A casa pertencia ao casal João Amaro da Costa e Isabel Rodrigues dos Reis. Nossos trisavós, que futuramente será reconstruída… A Fazenda é um grande complexo e há inúmeras construções… foi construída por João Amaro da Costa, o Dindinho, patriarca da família Amaro de Boa Viagem. A casa velha dos Amaros na Fazenda Jantar foi berço de nossa história, hoje está em ruínas. A casa possui mais de 200 anos, o telhado de madeira era de cedro, todo retirado na própria fazenda. As colunas, paredes e pilares da casa antiga eram feitos de tijolo comum. A casa grande com os olhares de madeira da fáscia elegantes ao mesmo tempo bastante velha… os Amaros, vindos da Paraíba, inicialmente se estabeleceram na Serra Grande e logo depois no Jantar… ao chegarem inicialmente se estabeleceram em uma tenda, próximo ao rio, enquanto iniciam os trabalhos da construção da casa grande e de todo o complexo da fazenda. Com eles traziam muitos bens, vários carros de bois e os escravos tangiam as manadas de animais.”

Diante da distância do tempo em que começou a ser habitada e os dias de hoje muitas informações infelizmente foram perdidas, fazendo com que certas afirmações sejam construídas em cima de deduções românticas e sem comprovação documental.

Imagem dos escombros do casarão da família Amaro, em 2020.

Entre os anos de 1884 e 1888 essa localidade foi habitada pela família do Pe. Raimundo Teles de Sousa, possivelmente em regime de comodato dentro da propriedade da família Amaro, onde conciliava sua atividade de sacerdote com a de criador.

“Nela, esse sacerdote morou com a sua mãe e irmãos, cuidando também de atividades agrícolas e do criatório de ovelhas.” (NASCIMENTO, 2002: p. 40)

Muitos anos depois, já nos primeiros anos da década de 1920, essa localidade ganhou projeção das demais de sua região quando passou a ser propriedade de José Vieira de Lima, um paraibano que fincou raízes no Município de Boa Viagem e conseguiu dar o primeiro impulso de sua família dentro da política local ao enfrentar aquilo que ficou conhecido no Município de Boa Viagem na década de 1950 como a “Oligarquia dos Araujos”:

“Os Araújos, família rica e filiada a outras das mais antigas do norte do Ceará, vivia na mesma região [Sertão de Canindé], tendo como sede principal a povoação de Boa Viagem.” (SIMÃO, 1996: p. 190)

Alguns anos depois, os primeiros da década de 1960, seguindo os passos de seu pai, ingressou na política local José Vieira Filho, conhecido como “Mazinho”, que conseguiu construir respeitável projeção no Sertão Central depois de firmar acordos de apoio com o núcleo de paraibanos estabelecidos no Município, principalmente do meio protestante; e de sangue com uma das principais lideranças politicas de Monsenhor Tabosa, o Prefeito Valdemar Dias Cavalcante.
O resultado dessas alianças politicas lhe rendeu o prestígio de conseguir vários mandatos eletivos como prefeito e deputado estadual, bem como um mandato na Assembleia Legislativa para sua esposa, a Profª Maria Dias Cavalcante Vieira.
A esfera de sua influência permaneceu viva na preferência política municipal até a sua morte, ocorrida em 2010, e nesse percurso projetou o nome de um de seus irmãos, o Dr. Francisco Vieira Carneiro, bem como o nome de alguns aliados, sendo eles Osmar de Oliveira Fontes e Benjamim Alves da Silva, algo que fortaleceu ainda mais o que ficou conhecido nesses anos como a “Oligarquia dos Paraibanos”.

“Atribuímos a essa mudança no nosso cenário político a três fatores: a família Araújo, conhecida mais tarde como ‘Oligarquia Araújo’, não tinha um nome da família para a sucessão municipal; novos quadros de eleitores chegaram ao Município, os paraibanos, que aos poucos foram se aliando ao principal adversário da família Araújo, José Vieira Filho (*1939 †2010), o Mazinho, e por fim o desgaste natural da legenda. Com o fim da ‘Oligarquia Araújo’, o nome que ocupou esse espaço vazio foi, como já falamos, o de José Vieira Filho, que ganhou significativa projeção de sustentação política, graças à adesão dos paraibanos e de seus descendentes, na maioria de confissão protestante. O Sr. José Vieira Filho, um agropecuarista, também descendente de paraibano, com muito esforço conseguiu ser o nome de maior projeção do Município de Boa Viagem no cenário político de nosso Estado. Conseguiu, inclusive, algumas vezes, uma das cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado. Essa destacada atuação política foi incontestável até o fim de 1988, quando rompeu com Benjamim Alves da Silva e perdeu significativa parte de seus aliados. Entre eles, alguns protestantes, deixando o fim de sua carreira política oscilar entre altos e baixos.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 167)

Depois de tudo isso essa localidade permaneceu em evidência por conta de Aline Cavalcante Vieira, a herdeira política do velho oligarca, que investiu na possibilidade em criar um novo distrito e fazer da sede de sua propriedade uma vila, algo que não foi feito por não existir um povoado suficiente para fortalecer o seu intento.
Pouco tempo antes disso, por ser cortada por uma rodovia estadual, a sua potencialidade foi explorada com a implantação da Triunfo Agroindustrial, uma empresa com especialidade na criação e abate de ovinos, suínos e caprinos.

AS LOCALIDADES DE SUA VIZINHANÇA:

O acesso para localidade do Jantar, saindo da cidade de Boa Viagem, é feito por via terrestre por meio da CE-266, a Rodovia Estadual Senador Fernandes Távora.

Imagem do mapa da região.

O Jantar tem em sua vizinhança as seguintes localidades: Croatá, Ponte, Santa Úrsula, Sítio, Triunfo e Várzea do Touro.

OS EQUIPAMENTOS EXISTENTES NA LOCALIDADE:

Na localidade do Jantar os seus habitantes possuem alguns equipamentos para facilitar as suas vidas, bem como a dos moradores de sua vizinhança, sendo eles:

  1. A Capela de São Sebastião;
  2. A Escola de Ensino Fundamental Ministro Alcides Vieira Carneiro;
  3. Igreja Evangélica Congregacional do Jantar.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BRAGA, Renato. Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Ceará. v. 1º. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1964.
  2. FRANCO, G. A.; CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão. A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Fortaleza: PREMIUS, 2015.
  5. SIMÃO, Marum. Quixeramobim – Recompondo a História. Fortaleza: Multigraf, 1996.
  6. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.