Deonete Vieira da Silva

deonete-vieira-da-silva-684x1024Deonete Vieira da Silva nasceu no dia 26 de fevereiro de 1951 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo o filho primogênito de David Vieira da Silva e de Adalcina Vieira de Freitas.
Os seus avós paternos se chamavam Ariamiro José da Silva e Isaurina Isabel do Amor Divino, já os maternos eram José Vieira de Freitas Filho e Maria Floriana Vieira.
Era descendente dos primeiros cristãos de confissão protestante que se estabeleceram no Município de Boa Viagem no fim da década de 1940:

“Em novembro de 1949, a família vendeu a pequena propriedade que tinha em Jacu e mudou-se para Brejo dos Santos, na época Distrito de Catolé do Rocha. Após oito meses, já esperando o primeiro filho, deixou pais e irmão no referido Estado e vem com a esposa e familiares para o Município de Boa Viagem, no Estado do Ceará.” (MARINHO, 2015: p. 61)

Depois que nasceu, passou os seus primeiros anos de infância em uma propriedade pertencente aos seus pais, que está localizada nas proximidades da vila de Olho d’Água dos Facundos.
Mais tarde, no dia 5 de abril de 1957, conforme informações existentes no livro de atas da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, o seu pai foi eleito diácono da Congregação de Pitombeira, sendo consagrado no dia 24 de junho pelo Rev. José Borba da Silva Neto:

“Considerando a necessidade que tem a Congregação de Pitombeira de um diácono local, resolveu a Igreja separar, por voto unânime, o irmão David Vieira da Silva, para o diaconato, ficando o dia da sua consagração a critério do pastor da igreja.”

No ano seguinte, quando tinha apenas sete anos de idade, os seus pais decidiram abandonar o campo e se estabeleceram em definitivo na cidade de Boa Viagem, onde, em sociedade com o seu avô materno, passaram a comercializar tecidos e aviamentos em um ponto comercial que está localizado na Rua Agronomando Rangel, nº 365, esquina com a Rua José Leorne Leitão, no Centro da cidade.
Durante toda a sua vida conseguiu desenvolver atividades de agropecuarista, especialmente em sua propriedade, que era localizada na vila de Olho d’Água dos Facundos, onde recebeu o apelido de “Netinho”.
No dia 15 de novembro de 1970, com apenas 21 anos de idade, militando nos quadros políticos da ARENA, a Aliança Renovadora Nacional, recebendo o incondicional apoio do seu pai, foi lançado na vida pública disputando uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores, conseguindo ser eleito ao receber a confiança de 756 eleitores, sendo a segunda maior votação desse pleito.
Essa legislatura, que teve início no dia 25 de março de 1971 e se estendeu até o dia 30 de janeiro de 1973, ficou conhecida em nossa história política como o “Mandato Tampão” e tinha o seu pai como vice-prefeito do Município de Boa Viagem:

“Visando unificar o período das eleições majoritárias e proporcionais no país, a Justiça Eleitoral, baseada na nova legislação em vigor, determinou que os candidatos, eleitos em 15 de novembro de 1970, deveriam ter um mandato mais curto de maneira que, na próxima eleição, fossem eleitos do presidente da república ao vereador no mesmo pleito.” (COSTA, 2002: p. 357)

Nessa legislatura, não fez nenhuma indicação ou encaminhou projeto de relevância para comunidade, apoiando apenas os projetos encaminhados pelo gabinete do Prefeito Osmar de Oliveira Fontes, sendo eles: A aquisição de máquinas e equipamentos para manutenção das estradas municipais e aquisição de equipamentos para o Hospital e Casa de Saúde Adília Maria de Lima.
Segundo informações existentes no livro B-24, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 6.156, folha 82, no dia 25 de janeiro de 1975 contraiu matrimônio
com Alineiry Macêdo da Silva, que nasceu no dia 3 de novembro de 1953, sendo filha de Francisco Marques de Macêdo e de Aline Morais de Macêdo.
Desse matrimônio foram gerados quatro filhos, todos homens, sendo eles: Davi Vieira da Silva Neto, Danilo Macêdo Vieira, Délio Macêdo Vieira e Deonete Vieira da Silva Júnior.
Pouco tempo depois do fim do seu mandato, no dia 17 de janeiro de 1976, uma trágica notícia causou-lhe forte tristeza, o seu pai faleceu vítima de um acidente com um trator em sua propriedade.
Mais tarde, no pleito eleitoral ocorrido no dia 15 de novembro de 1982, envolvido em uma acirrada campanha, apoiou ao seu irmão, Adonias Vieira da Silva, que concorreu por uma das vagas do Poder Legislativo.

“Mais tarde, na eleição ocorrido no dia 15 de novembro de 1982, desejando seguir o mesmo caminho de seu pai e de seu irmão entrando na vida pública por meio de um mandato eletivo, militando nos quadros do PDS, o Partido Democrático Social, conseguiu receber a confiança de 694 eleitores, ficando entre os seis vereadores de maior preferência entre os eleitores desse pleito.” (SILVA JÚNIOR, 2016: Adonias Vieira da Silva. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/adonias-vieira-da-silva/. Acesso no dia 10 de dezembro de 2016)

Depois desse pleito, tendo conseguido eleger o seu irmão, foi chamado a participar da nova administração como chefe de gabinete na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, sendo substituído depois de algum tempo por Antônio Joaquim de Sousa.

Imagem de Deonete entre alguns amigos.

Imagem de Deonete entre alguns amigos.

No dia 15 de novembro de 1988, depois de algum tempo fora da vida pública, figurando nessa época dentro dos quadros políticos do PMDB, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, com a legenda nº 15.660, foi reconduzido ao um mandato eletivo depois de receber 318 votos, estando entre os dezessete vereadores de melhor votação desse pleito.
No dia 5 de abril de 1990, depois de muitas discussões, no exercício de sua função como edil, participou da assembleia municipal constituinte como presidente da Comissão de Sistematização que deu origem a Lei Orgânica do Município de Boa Viagem.
Nessa legislatura, sendo indicado como líder do governo no dia 23 de janeiro de 1991, deu apoio aos projetos encaminhados pelo gabinete do Prefeito Benjamim Alves da Silva, foram eles: A construção do Camelódromo; A construção do Ginásio Poliesportivo Dirceu José dos Santos; A construção do Centro de Convivência do Idoso Olavo Bilac Brilhante; A construção do Hospital Infantil Sebastião Alves da Silva; A construção da Creche Comunitária Miriam Brito Fialho; A construção da Escola Agrotécnica Janival Almeida Vieira, além de várias casas populares.
Pouco tempo depois, em sua propriedade, sofreu um grave derrame cerebral e foi imediatamente encaminhado ao Hospital Batista Memorial, que está localizado na Rua Professor Dias da Rocha, nº 1.530, Aldeota, na cidade de Fortaleza, onde foi rapidamente operado por uma equipe de médicos que lhe aguardavam.
Depois de um longo e complicado procedimento cirúrgico, quando terminava o efeito da anestesia, por um grave descuido médico, o seu corpo não foi imobilizado quando já estava em observação em um dos leitos da enfermaria. Segundo o relato de algumas testemunhas, involuntariamente, passou a mover a sua cabeça de forma descontrolada e isso causou fortes complicações em sua cirurgia, fato que lhe levou ao óbito no dia 26 de agosto de 1994, com apenas 42 anos de idade.
Depois do seu falecimento o seu corpo foi trazido para cidade de Boa Viagem, onde recebeu as despedidas fúnebres que são de costume no Edifício Vereador Raimundo de Oliveira Mota, sendo depois levado ao mausoléu da família existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, Centro.

Imagem do túmulo da Família Vieira de Freitas, em 2010.

Imagem do túmulo da Família Vieira de Freitas, em 2010.

BIBLIOGRAFIA:

  1. COSTA, João Eudes Cavalcante. Retalhos da História de Quixadá. Fortaleza: ABC Editora, 2002.
  2. MARINHO, Antônia de Lima. A Filha do Nordeste e Frutos Nordestinos. Boa Viagem: Maximu’s Impressões Fráficas, 2000.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na administração do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 718, de 23 de março de 2000, uma das dependências da Câmara Municipal de Vereadores recebeu o seu nome;
  2. Em sua memória, na administração do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Recreio, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.