Adalcina Vieira de Freitas

Adalcina Vieira de Freitas nasceu no dia 10 de janeiro de 1934 no Município de Catolé do Rocha, que está localizado no Sertão do Estado da Paraíba, distante 411 quilômetros da cidade de João Pessoa, sendo filha de José Vieira de Freitas Filho e de Maria Floriana Vieira.
Os seus avós paternos se chamavam José Vieira de Freitas e Antônia Egíbia do Nascimento, já os maternos eram Cícero Vieira de Freitas e Rosa Vieira Carneiro.
Os primeiros anos de sua infância e juventude foram vividos na localidade de Brejo dos Santos, onde havia um pequeno núcleo de confissão protestante que sofria por conta de intolerância religiosa.

“A perseguição aos protestantes de Brejo dos Cavalos, atual Brejo dos Santos, não se limitou à derrubada dos templos evangélicos, mas também às ameaças de morte e espancamentos que deixaram sequelas e, por conseguinte, até a morte. Todas as ações eram comandadas por um sacerdote católico chamado Padre Otaviano. Dentre as ações temerárias, só para deixar patente o nível rasteiro da perseguição imposta aos protestantes, o referido sacerdote chegou a disseminar entre toda a população que o batismo dos crentes se dava da seguinte forma: ‘o indivíduo ficava de ponta-cabeça, berrando igual a um bode, com uma vela preta na mão e um punhado de sal grosso no ânus’. Por esse motivo o pastor protestante da época, Rev. Briault, realizou, no final do ano de 1926, vários batismos no pátio externo da congregação, com o fito único de desmistificar o ardil montado pelo padre.” (CARNEIRO FILHO, 2008: p. 01)

Em sua adolescência, sendo uma garota temente a Deus e ouvindo os sermões dos missionários, acalentava o desejo de seguir para o Instituto Betel Brasileiro no intuito de servir como missionária.

“Em 1935, a missão UESA, sob direção da Missionária canadense Ernestine Horne, funda em 22 de Dezembro de 1935, o Instituto Bíblico Betel que, fundamentado nos padrões éticos morais e religiosos das Sagradas Escrituras, tinha o propósito de treinar moças para obra de evangelização mundial.” (BETEL BRASILEIRO, 2010: Disponível em https://betelbrasileiro.com.br/historia/. Acesso no dia 11 de janeiro de 2024)

Nessa época, sendo garota prendada, tomou aulas de costura com Cícero Fragoso Vieira, bem como algumas aulas de culinária, o que lhe fez uma excelente cozinheira.
Mais tarde, no dia 15 de fevereiro de 1950, segundo informações existentes no Cartório de Registro Civil de Catolé do Rocha, tombo nº 1.402, folha 159v, contraiu núpcias com um de seus primos, David Vieira da Silva, nascido em 20 de janeiro de 1928, sendo filho de
Ariamiro José da Silva e de Isaurina Isabel do Amor Divino.
Desse casamento foram gerados sete filhos, quatro homens e três mulheres, sendo eles: Deonete Vieira da Silva, Nilzete Vieira da Silva Carneiro, Dezuel Vieira da Silva, Adonias Vieira da Silva, Maria Floriana Vieira Neta, Rosemary Vieira da Silva Uchôa e Mário Vieira da Silva.
Depois de seu casamento, desejando melhores condições de sobrevivência, decidiu seguir para o Município de Boa Viagem, no Estado do Ceará, local onde outros parentes já residiam e começavam a prosperar.

“Após oito meses, já esperando o primeiro filho, deixou pais e irmão no referido Estado e vem com a esposa e familiares para o Município de Boa Viagem, no Estado do Ceará.” (MARINHO, 2014: p. 61)

Nessa época, passou a habitar em uma localidade denominada de Olho d’Água dos Facundos, na zona rural desse Município onde, sem condições financeiras de edificar um templo, essa pequena família fazia de sua residência um ponto de pregação e costumava frequentar às atividades religiosas que eram promovidas pela Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira nas localidades vizinhas

“Ao chegarem a este Município, adquiriram uma propriedade de 500 ha., localizado nas proximidades da vila de Olho d’Água dos Facundos… Antes da vinda de seu pai, já estivera no Município de Boa Viagem com a sua esposa e alguns de seus filhos, quando passou curtas temporadas em Pitombeira, Pedra Branca, Lembranças e Cachoeira.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 195)

Mais tarde, nos primeiros dias de janeiro de 1958, diante das circunstâncias políticas locais, decidiu estabelecer-se com toda a sua família na cidade de Boa Viagem, onde seu esposo e seu pai abriram uma loja de tecidos e aviamentos em sociedade, passando a residir nesse primeiro momento em uma casa que está situada na Rua Antônio Domingues Álvares, n° 221, Centro.

Imagem do local onde residiram, em 2009.

No mesmo período, com a organização eclesiástica da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, o seu esposo foi escolhido em assembleia como um dos seus oficiais.

“Nessa época, o principal centro urbano do Município, a cidade de Boa Viagem, oferecia as melhores condições para se viver e educar os seus filhos, e era também o local onde se iniciava às atividades da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, onde foi um dos fortes cooperadores e mais tarde escolhido por sua assembleia de membros para servir como um de seus diáconos.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/david-vieira-da-silva/. Acesso no dia 10 de janeiro de 2024)

Depois disso, por volta de 1963, após o seu esposo liquidar a sociedade comercial, adquiriram uma propriedade em Olho d’Água dos Facundos, passando a se envolver diretamente com a política partidária local.

“Próspero agropecuarista, honesto comerciante, exemplo de chefe de família e detentor de destacadas virtudes morais, conseguiu a façanha de ser eleito vereador no dia 15 de novembro de 1966 depois de receber a confiança de 541 eleitores.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/david-vieira-da-silva/. Acesso no dia 10 de janeiro de 2024)

No pleito eleitoral seguinte, ocorrido no dia 15 de novembro de 1970, contando com o apoio do Prefeito José Vieira Filho – o Mazinho, seu esposo foi indicado ao cargo de vice-prefeito na chapa encabeçada pelo comerciante Osmar de Oliveira Fontes – o Osmar Carneiro.

“Depois disso, no dia 15 de novembro de 1970, logo após a abertura das urnas, o resultado confirmou a preferência popular para a chapa de Osmar Carneiro, que recebeu 4.707 votos contra os 3.089 votos da candidatura adversária.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/david-vieira-da-silva/. Acesso no dia 10 de janeiro de 2024)

Nessa mesma disputa eleitoral, prestou apoio ao projeto político de seu filho primogênito, Deonete Viera da Silva – o Netinho, em ingressar na vida pública de Boa Viagem por meio de um mandato no Poder Legislativo na Câmara Municipal de Vereadores, algo que voltou a ocorrer na eleição de 1983, dessa vez com Adonias Vieira da Silva – o Bigode, e novamente no pleito de 1988, com o Netinho.
Nos primeiros meses de 1973, desejando o desenvolvimento educacional de nossa população, em acordo com o seu esposo, realizou a doação de uma grande propriedade que está situada na Rua Alfredo de Sousa Terceiro, nº 742, no Bairro Tibiquari, onde pouco tempo depois foi construída uma escola que veio a ser uma referência no novo modelo de ensino adotado pelo Governo do Estado, o ensino através do televisor.
Pouco tempo depois, no dia 17 de janeiro de 1976, um sábado, poucos dias depois de completar 42 anos de idade, juntamente com os seus filhos, foi tomada de surpresa com a notícia do inesperado falecimento de seu esposo.

“Nessa mesma época, adquiriu para a sua propriedade um equipamento indispensável para o homem do campo, um trator. Naquele ano, iniciando a quadra chuvosa de 1976, empolgado com a sua nova aquisição, resolveu arar a sua propriedade na localidade de Olho d’Água dos Facundos não atentando para a falta de experiência no manuseio dessa ferramenta. Infelizmente, sem a habilidade suficiente para controlar a força da possante máquina, outras versões afirmam que o mesmo padeceu de um derrame ao volante, sofreu um terrível acidente na qual o trator tombou e esmagou o seu corpo.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/david-vieira-da-silva/. Acesso no dia 10 de janeiro de 2024)

Estando viúva, para prover os seus filhos com dignidade, passou a trabalhar na loja de tecidos de seu pai como costureira, de onde por alguns anos tirou o seu sustento.
No ano seguinte, depois de retomar a sua vida escolar, enfrentou o ensino supletivo concluindo o 1º Grau em uma turma extensiva do Colégio Estadual Coronel Virgílio Távora, seguindo depois disso para concluir o curso de habilitação ao magistério na Escola de Ensino Médio Dom Terceiro nos últimos meses de 1980.
Nessa mesma época, percebendo o nicho de mercado, depois de fazer um curso de datilografia, conseguiu comprar algumas máquinas e a oferecer um curso na sala de sua casa.
No dia 27 de fevereiro de 1981, segundo informações existentes no livro B-20, pertencente ao Cartório João de Deus, folha 200, termo nº 11.561, diante do Dr. José Evandro Nogueira Lima, contraiu matrimônio civil com Geraldo Vieira do Nascimento, nascido em 24 de fevereiro de 1954, sendo filho de Francisco Vieira do Nascimento e de Maria do Carmo da Silva.
Dessa união não geraram filhos, porém adotaram como filha Débora Vieira do Nascimento.
Nessa mesma época, depois de muitas campanhas de arrecadação, juntamente com outros protestantes que habitavam na região, conseguiu edificar um pequeno templo na localidade do Olho d’Água dos Facundos, constituindo-se em uma das colunas desse trabalho.

“No final do ano de 1984, pensando em expandir o trabalho evangélico e doutrinário, bem como atender as necessidades de diversos membros, a Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem organiza oficialmente… A irmã Adalcina Vieira de Freitas inicia um trabalho em Olho d’Água dos Facundos, na zona rural do Município de Boa Viagem.” (FRAGOSO VIEIRA, 1997: p. 5)

Na localidade do Olho d’Água dos Facundos durante muito tempo foi uma das principais lideranças da região, presidindo a associação local e posteriormente a Federação das Associações Comunitárias do Município de Boa Viagem.
Mais tarde, em 14 de março de 1997, na gestão do Prefeito Antônio Argeu Nunes Vieira, depois de aprovada em concurso público, foi incorporada ao quadro de professores efetivos da Prefeitura Municipal de Boa Viagem, sendo lotada inicialmente na Escola de Ensino Fundamental Walkmar Brasil Santos, onde durante muitos anos serviu como sua diretora ou outra função dentro do Núcleo Gestor.
Nessa época, residindo novamente na cidade, passou a compor o quadro de membros da Igreja Evangélica Boa-viagense, onde foi consagrada em 2005 como diaconisa depois de eleita em assembleia, permanecendo nessa função até 2013.
Antes disso, no dia 19 de novembro de 1999, depois de 18 anos de convivência conjugal, por sentença judicial do Dr. Djalma Teixeira Benevides, foi homologada a sua separação consensual.
Nos últimos meses de 2000, depois de algum tempo de estudos em uma das turmas de extensão da UECE – a Universidade Estadual do Ceará, conseguiu concluir o curso de pedagogia.
Mais tarde, segundo informações existentes no livro C-16, pertencente ao Cartório Botelho, 5ª zona, folha 252, tombo nº 7.204, faleceu na Unidade de Pronto Atendimento do Bairro Edson Queiroz, na cidade de Fortaleza, no dia 7 de setembro de 2022, aos 88 anos de idade.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado no mausoléu da família que existe no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, Centro.

Imagem do túmulo da Família Vieira de Freitas, em 2010.

Imagem do túmulo da Família Vieira de Freitas, em 2010.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BETEL BRASILEIRO. Nossa História. Disponível em https://betelbrasileiro.com.br/historia/. Acesso no dia 11 de janeiro de 2024.
  2. CARNEIRO, Osmar de Lima. Fotografando o Amor. História de uma igreja perseguida. João Pessoa: JRC, 2006.
  3. FRAGOSO VIEIRA, Ezequiel. A História da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem. Boa Viagem: Sem Editora, 1997.
  4. FREITAS, Adalcina Vieira de. Memorial de Prática Educativa. Material apresentado como Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia da UECE. Boa Viagem: 2000.
  5. MARINHO, Antônia de Lima. A Filha do Nordeste e Frutos Nordestinos. Boa Viagem: Maximu’s Impressões Gráficas, 2015.
  6. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  7. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão: A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Boa Viagem, CE: Premius, 2015.
  8. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. José Vieira de Freitas. Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/jose-vieira-de-freitas/. Acesso no dia 11 de agosto de 2018.
  9. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. David Vieira da Silva. Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/david-vieira-da-silva/. Acesso no dia 10 de janeiro de 2024.
  10. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Carneiro Dantas Filho – o Régis Carneiro, através da lei nº 1.560, de 13 de dezembro de 2023, uma das ruas do Bairro de Nossa Srª de Fátima, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.