O Cinema do Cego Aderaldo

O CINEMA DO CEGO ADERALDO.

Daniel Capistrano da Costa

O cenário era o grande Sertão, meados da década de 1930. Uma grande caravana, puxada a cavalo, levava a cantoria e o cinema mudo até mesmo às pequenas localidades mais distantes. Quando chegavam aos povoados era aquele alvoroço. A notícia logo corria de casa em casa com a novidade dos cantadores.

Imagem do Cego Aderaldo em uma de suas apresentações.

Os fazendeiros da região imediatamente faziam os convites para cantarem em seus terreiros. A caravana permanecia em cada localidade em torno de uma semana, dependendo da acolhida do povo. Armavam tendas como as de circo. A arquibancada não existia. Quem quisesse sentar, trazia de casa. Era tamborete, cadeira, cangalha, banco, todos davam um jeito, mas assistiam ao espetáculo.
Cantoria num dia e cinema no outro. Mas a multidão não faltava. Eu, Daniel Capistrano, fui um dos meninos que viram essas cenas junto com os meus pais e meus irmãos, quando o Cego Aderaldo e sua caravana chegaram a vila de Águas Belas, nos dias de hoje a sede de um dos Distritos do Município de Boa Viagem, no sertão do Estado do Ceará.
Num desses espetáculos de cinema mudo, aconteceu um episódio pitoresco. A noite estava animada, uma grande multidão assistia um filme.
A fita que estava em exibição era a “Paixão de Cristo”. As cenas estavam fortes e um espectador indignado com o que estava assistindo, vendo os soldados surrando Jesus, levantou-se e sacou da cintura um revólver 38 e meteu bala na tela dizendo que “uns cabras ruins desses não podiam ficar vivos”.

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