Manoel Benício Bezerra de Menezes

Manoel Benício Bezerra de Menezes nasceu por volta de 1852 no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central  do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza.
Na época de seu nascimento a vila de Boa Viagem, que era conhecida também pelo topônimo de “Cavalo Morto”, era apenas um minúsculo povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2000: Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Era agropecuarista e a sua esposa se chamava Maria Rabêlo Bezerra de Menezes, com quem gerou vários filhos, entre eles destacamos: Manoel Benício Bezerra de Menezes Filho, Adélia Bezerra de Farias, Ernestina Bezerra de Menezes e Maria Benícia Bezerra de Menezes.
Em acordo com uma matéria publicada no dia 28 de dezembro de 1885 no periódico A República, ano IV, nº 295, compunha o diretório do PRF – o Partido Republicano Federalista existente no Município de Boa Viagem.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem por volta de 1940.

Conforme as informações existentes no periódico republicano o Libertador, ano X, nº 193, página 2, edição do dia 28 de agosto de 1890, exerceu a função de coletor estadual de rendas do Município de Boa Viagem, assumindo a vaga deixada por Manoel Mendes Correia Lima:

“Foi exonerado do cargo de coletor de rendas do Estado Município de Boa Viagem, Manoel Mendes Correia Lima e nomeado para substituí-lo Manoel Benício Bezerra de Menezes.”

Outra informação pertinente sobre a sua vida foi registrada pouco tempo depois, no dia 20 de outubro de 1891 pelo jornal O Estado do Ceará, edição nº 349, quando por um ato do Governo do Estado, alegando motivos de incompatibilidade, foi designado a compor o Conselho de Intendência Municipal no lugar de José Rabêlo e Silva.
Nesse período, como membro do Conselho de Intendência, manteve constante correspondência com o Governo do Estado informando sobre a quantidade de escolas, igrejas e outros patrimônios públicos do Município; responderam relatório sobre obras públicas e a Comissão de Socorros; organizaram as mesas eleitorais para escolha dos deputados; reorganizaram a coleta de impostos.
Nessa legislatura os funcionários públicos passaram meses sem receber os seus pagamentos e ocorreu a autorização para formação de uma Guarda Municipal, ocorrendo também algumas intrigas relacionadas a sua presidência, que era assumida mensalmente por um dos membros da intendência.

“Art. 1º – Até definitiva Constituição dos Estados Unidos do Brasil e do Estado Confederado do Ceará, ou antes, se assim convier, o poder municipal nesse Estado será exercido por um Conselho de Intendência Municipal, composto de cinco membros, sob a presidência de um deles, eleito na primeira sessão de cada mês…” (RIBEIRO, 2005: p. 12)

Pouco tempo depois, no pleito eleitoral ocorrido em 1892, desejando permanecer na vida pública do Município, foi conduzido a uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores e ao ser eleito foi indicado pelos seus pares ao Poder Executivo, que nessa época era chamado de intendência, mandato que se estendeu até 1896.
No exercício da intendência, os seus principais feitos foram o acompanhamento da última fase da construção da Casa de Câmara e Cadeia Pública, onde também funcionava a escola da vila; o acompanhamento da construção da base do Mercado Público Municipal Jessé Alves da Silva, que só foi concluído por volta de 1919; o aterro de terrenos pantanosos e a abertura de novas ruas, bem como o melhoramento do saneamento e limpeza das poucas ruas já existentes; a organização da arrecadação dos impostos; a compra de equipamentos para Guarda Municipal, etc.
Mais tarde, no dia 28 de agosto de 1897, em acordo com uma matéria publicada pelo periódico A República, ano  VII, número 189, compunha uma das cadeiras do Conselho Municipal de Educação.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará. (1889-1930). ABC: Fortaleza, 1996.
  2. IBGE. Histórico do Município de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. RIBEIRO, Valdir Uchôa. Conselhos de Intendência no Ceará. Fortaleza: Premius, 2005.