Manoel Mendes Correia Lima

Manoel Mendes Correia Lima nasceu no dia 13 de março de 1845 no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de João Nunes Leitão e de Maria Rodrigues da Silva.
Na época do seu nascimento a cidade de Boa Viagem, que também era conhecida pela alcunha de “Cavalo Morto”, era apenas um pequeno povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2010: Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017).

Por volta de 1856, quando tinha apenas 11 anos de idade, juntamente com os seus familiares, foi surpreendido pela triste notícia do falecimento de sua mãe, até que, no ano seguinte, foi a vez de perder o seu pai, passando a ser cuidado por um dos seus tios.
Mais tarde, no dia 27 de abril de 1865, de acordo com as informações existentes na página 30v do livro B-01, destinado ao tombo dos casamentos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, em uma cerimônia que foi celebrada pelo Pe. João Antônio do Nascimento e Sá, contraiu matrimônio com Isabel Maria de Sousa, nascida em 1843.
Desse matrimônio foram gerados vários filhos, dentre eles destacamos Gonçalo Mendes Correia Lima, Isabel Correia Lima e João Nunes Leitão.
De acordo com as informações fornecidas pelo escritor José Aurélio Saraiva Câmara, no livro “Fatos e Documentos do Ceará Provincial”, página nº 289, foi escolhido como um dos eleitores de Província para o pleito eleitoral que ocorreu em 1870, que escolheu os representantes cearenses para o Senado do Império:

“A Constituição do Império, no seu Artigo 94, impunha aos eleitores de senadores uma expressão econômica que se traduzia pela renda liquida anual minima de 200$000 ‘por bens de raiz, indústria, comércio ou emprego’.” (CÂMARA, 1970: p. 281)

Na disputa eleitoral que aconteceu no dia 1º de outubro de 1876, desejando entrar na vida pública do Município, colocou o seu nome na disputa por uma das vagas da Câmara Municipal de Vereadores, ficando em uma de suas suplências e assumindo a função quando requisitado.
Nessa legislatura, que se estendeu entre 1877 a 1881, enfrentou grandes desafios, dentre elas uma grande seca, que ficou conhecida como a “seca dos 1000 dias”, ocorrida entre 1877 e 1879.

“Todas as correspondências enviadas do interior da província nos primeiros anos de seca tinham em comum os espantosos relatos acerca da terrível condição dos moradores do sertão, mesmo os que podiam ser chamados de pessoas de posse… a solução foi a emigração em massa. Os pequenos e médios proprietários abandonaram terras e venderam ou trocaram seus escravos.” (FERREIRA NETO, 2006: 2006)

No dia 15 de janeiro do primeiro ano de sua gestão, por conta da seca, alguns vereadores solicitaram o adiamento de suas posses, sendo que muitos deles não compareciam às reuniões, passando a Câmara de Vereadores 2 anos sem funcionar, quando até as arrematações dos impostos camarários foram desprezadas diante da falta de interessados, deixando as contas e outras responsabilidades do Município em atraso.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem, fim da década de 1940.

Mais tarde, no dia 28 de outubro de 1881, por meio de ofício, o Governo da Província, preocupado com a capacidade hídrica da região, solicitou o número de açudes públicos existentes, bem como os seus proprietários.
Pouco tempo depois, no dia 8 de julho de 1883, consta que passou uma temporada no Município de Pedra Branca, ocasião em que participou da reunião da Sociedade Libertadora Pedra-branquense que declarou livres todos os escravos daquele Município.
Nessa reunião consta que foi eleito como um dos 24 diretores da referida sociedade, ocasião em que conferiu liberdade a uma escrava de sua propriedade por nome de Faustina.
A Sociedade Libertadora Pedra-branquese tinha por presidente Francisco Borges d’Aquino e o seu vice-presidente era Leonardo Ferreira da Mota, pai do escritor Leonardo Mota, tendo entre os seus membros o Pe. João Antônio do Nascimento e Sá, oficiante de seu casamento, que contribuiu com 25 mil réis para ajudar no pagamento da alforria dos escravos.
No dia 18 de setembro de 1883, na qualificação do conselho dos guardas ativos do 52º Batalhão da Guarda Nacional de Boa Viagem, o seu nome figurou com a matrícula nº 65 no “Quarteirão da Vila”, onde foi designado como guarda de linha.

“A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831, para servir de ‘sentinela da constituição jurada’, e desmobilizada em setembro de 1922. No ato de sua criação lia-se: ‘Com a criação da Guarda Nacional foram extintos os antigos corpos de milícias, as ordenanças e as guardas municipais.’ Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve as suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província. Em 1873 ocorreu nova reforma que diminuiu a importância da instituição em relação ao Exército Brasileiro. Com o advento da República a Guarda Nacional foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército.” (S.N.T)

O 52º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional foi criado através do decreto nº 4.520, de 28 de abril de 1870, sendo desmembrado do Município de Quixeramobim e tinha como comandante o Tenente Coronel José da Silva Bezerra.
No dia 22 de fevereiro de 1885, conforme registro no Jornal Pedro II, juntamente com Manoel Honor da Costa Mendes, empreendeu uma viagem à capital do Estado do Ceará, fazendo-nos supor que era conservado e monarquista, fato confirmado no dia 24 de outubro de 1888, quando assinou um protesto no referido periódico.

“Chegou-nos às mãos e damos publicidade abaixo, a mais um protesto de membros do partido conservador contra a nefasta administração do Sr. Caio Prado no Ceará; e fazemol-o com tanto melhor vontade, quanto os sentimentos dos signatarios de tal documento exprimem a verdade do que ha occorrido na província, levantando ao mesmo tempo o animo dos bons cearenses para a justa defeza dos seus direitos. Eis o Protesto: A attitude energica e criteriosa que ha tomado o Pedro II, orgão do partido conservador, a que temos a honra de pertencer, na defeza do bem estar da provincia, e dos direitos dos opprimidos, por demissões injustas e acintosas, está de perfeito accordo com a dignidade proverbial do nosso partido, educado na eschola politica que não conhece, nem o systema das transacções em epocha adversa, nem o da cobardia, quando no poder, é desconsiderado. É isto, sem duvida, devido aos seus chefes, porque incontestavelmente é a cabeça responsavel pelos actos ou movimento do corpo. O Exm. Sr. Barão de Aquiraz, exacto continuador da politica sincera e desinteressada dos primeiros tempos, não podia ter outro procedimento ante os desmandos da administração, aggravados pela reacção surprehendedora contra os nossos amigos. Continúe o Pedro II a lidar, como tem feito, e está fazendo, em favor dos interesses da nossa chara provincia e do nosso partido, e merecerá sempre os nossos bravos; e o Exm. Sr. Barão de Aquiraz, na qualidade de chefe supremo do grande partido conservador, a nossa veneração e constante dedicação. Bôa-Viagem, 25 de Agosto de 1888. Manoel Mendes Correia Lima, Eleitor.”

No dia 14 de fevereiro de 1890, pouco tempo depois da Proclamação da República, foi indicado pelo Presidente do Estado para ocupar uma das cadeiras do Conselho de Intendência do Município de Boa Viagem, função exercida até o dia 11 de agosto desse mesmo ano, quando por incompatibilidade do cargo, conforme noticiou o periódico o Libertador, foi substituído por José Targino da Silva.

“Foi a seu pedido exonerado do cargo de coletor do Município de Boa Viagem, José Ludjero Ribeiro e nomeado para substituí-lo Manoel Mendes Correia Lima.”

Pouco tempo depois, conforme as informações existentes no periódico republicano o Libertador, ano X, nº 193, página 2, edição do dia 28 de agosto de 1890, foi substituído da função de coletor estadual de renda por Manoel Benício Bezerra de Menezes:

“Foi exonerado do cargo de coletor de rendas do Estado Município de Boa Viagem, Manoel Mendes Correia Lima e nomeado para substituí-lo Manoel Benício Bezerra de Menezes.”

No dia 29 de julho de 1904, depois de enfrentar algumas secas, juntamente com alguns dos seus familiares decidiu migrar para cidade de Castanhal, no Estado do Pará, tendo a sua passagem na cidade de Fortaleza sido noticiada no periódico Jornal do Ceará.

“Acham-se nesta capital, de viagem para Castanhal, no Pará, com suas exmas. familias, os nossos distinctos amigos Manoel Mendes Corrêa Lima, Gonçalo Correia Lima e João Nunes Leitão, a quem desejamos prospera viagem e larga messe de felicidade nos seus negocios.”

Depois dessa notícia não regressou mais para o Ceará, sendo provável que tenha falecido no Estado do Pará.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CARVALHO, José Murilo de. Sistemas Eleitorais no Brasil. Instituto Tancredo Neves: Fortaleza, 1987.
  2. FERREIRA NETO, Cicinato. A Tragédia dos Mil Dias: A seca de 1877-79 no Ceará. Premius: Fortaleza, 2006.
  3. IBGE. Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017.
  4. MOTA, José Aroldo Cavalcante. História Política do Ceará (1889-1930). ABC: Fortaleza, 1996.
  5. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2004.