Rev. Francisco Souto Maior

Rev. Francisco Souto MaiorFrancisco Souto Maior nasceu no dia 3 de junho de 1921 no Município de Areia, que está localizado no Brejo Paraibano, distante 130 quilômetros da cidade de João Pessoa, sendo filho de Vicente Soares Souto e de Sebastiana Souto Maior.
Temos pouco conhecimento de sua infância, mas descobrimos que inicialmente teve contato com a confissão protestante ainda bem jovem na cidade de Campina Grande, quando foi evangelizado por membros da Igreja Evangélica Congregacional daquela cidade.
Mais tarde, não sabemos o motivo, se estabeleceu na cidade de Pombal, onde por recomendação se envolveu nas atividades religiosas que eram promovidas pela Igreja Presbiteriana, nessa época pastoreada pelo Rev. Ageu Lídio Pinto, quando recebeu o convite do Rev. Leonardo Harris para aprimorar os seus conhecimentos no Instituto Teológico Presbiteriano da Barra da Corda, no Estado do Maranhão, entendendo esse convite como um despertamento vocacional.
Mais tarde, por volta de 1942, regressando para cidade de Campina Grande, comprometido novamente nas atividades da Igreja Evangélica Congregacional, um novo convite ao ministério lhe foi formalizado, servindo como uma confirmação daquilo que já sentia.
Depois de algum tempo, servindo como evangelista nas congregações dessa igreja que eram espalhadas pelo Sertão, provando a sua vocação ao ministério, foi encaminhado recomendação aos estudos eclesiásticos pelo Rev. João Clímaco Ximenes.
Nesse tempo, depois de uma Convenção de Igrejas Congregacionais do Nordeste ocorrida na cidade de Guarabira, que ajustou o seu sustento e manutenção nos estudos, foi encaminhado por um telegrama no dia 30 de abril de 1945 ao ingresso no Instituto Bíblico Nordestino, que nessa época funcionava na cidade de Fortaleza e era dirigido pelo Rev. Percy Bellah.

“Havia quatro anos me sentia vocacionado ao Santo Ministério. E somente em 8 de maio de 1945 vi concretizar esse ideal. Essa demora foi providencial […] Considero hoje, aquele período a escola primária da experiência, ou seja, a minha prévia preparação para o Seminário. Foi por esse tempo, quando a angústia da alma, a incerteza e a dúvida se apoderaram de mim, relativamente ao plano d estudar, que aprendi a orar com fé e humildade […] Ao traspor do limiar das portas de um Seminário, seria quimera se não fora a fé que existia na alma.” (O EMBAIXADOR, 1950: p. 01-02)

Depois disso, nos primeiros meses de 1949, diante dos ajustes na instituição que estudava, ingressou em uma das turmas do Seminário Teológico Congregacional do Nordeste, que está localizado na Rua Arealva, nº 19, no Bairro Tejipió, na cidade do Recife:

“Em 1937 o campo evangélico do Sertão paraibano florescia bastante, a despeito das muitas perseguições religiosas, o Rev. Harry George Briault e outros missionários da UESA americana, dentre eles o Rev. Paulo Moody Davidson e o Rev. Percy Bellah, criaram na cidade de Patos o Instituto Bíblico de Patos que, em 1944 transferiu-se para a cidade de Fortaleza com o nome de ‘Instituto Bíblico Nordestino’. Em 1949 tomou-se a resolução de que o Instituto de Fortaleza fosse transferido para a cidade do Recife e oficializado como Instituição denominacional. Ajustadas as condições entre a UESA e a Junta Regional do Nordeste, foi instalado o Seminário na Avenida 17 de agosto, no Bairro do Monteiro. Naquela oportunidade a direção era exercida pelo Rev. Paulo Moody Davidson, obreiro de excelente formação, mestre em Teologia e de profundos conhecimentos.” (SEMINÁRIO TEOLÓGICO CONGREGACIONAL DO NORDESTE. Disponível em http://stcne.com.br. Acesso no dia 17 de julho de 2015)

Conseguiu realizar os estudos necessários ao exercício do ministério pastoral entre os meses de março de 1944 e novembro de 1950, época em que essa instituição era dirigida pelo Rev. Paulo Moody Davidson.

Imagem do dia de sua formatura.

Mais tarde, pouco tempo depois da conclusão do seu curso, sendo ordenado em fevereiro de 1951, foi indicado pela Convenção da 2ª Região das Igrejas Congregacionais do Nordeste para assumir os trabalhos religiosos da Igreja Evangélica Congregacional de Mamanguape, que está localizada na Rua Rodrigues de Carvalho, nº 60, no Município de Maranguape, no Estado da Paraíba.
Nessa ocasião, substituiu às funções eclesiásticas deixadas pelo Rev. José Emídio Sobrinho, que estava de partida para pastorear outra comunidade.

Imagem do Rev. Souto Maior em uma Convenção Regional das Igreja Congregacionais do Nordeste.

Imagem do Rev. Francisco Souto Maior, quinto à esquerda, em uma Convenção Regional das Igrejas Congregacionais do Nordeste.

Em 1952, deixando os cuidados da Igreja Evangélica Congregacional de Mamanguape aos cuidados do Rev. Djalma Araújo, assumiu o pastorado da Igreja Evangélica Congregacional de Patos, que está localizada na Avenida Doutor Pedro Firmino, s/nº, Centro, na cidade de Patos, também no Estado da Paraíba, onde permaneceu até 1954.
Na ocasião em que assumiu os trabalhos da Igreja Evangélica Congregacional de Patos deu continuidade aos trabalhos deixados pelo Rev. Jonathas Ferreira Catão e ao sair entregou-lhes nas mãos do Rev. Inácio Cavalcanti Ribeiro.
Segundo informações existentes no Cartório Santo Antônio, pertencente ao 2º Distrito Judiciário, tombo nº 54.843, folha 166, no dia 7 de julho de 1955 contraiu matrimônio civil com a Profª Maria Cicera da Silva Souto Maior, nascida em Alagoas no dia 15 de novembro de 1935, sendo filha de Antônio da Silva e de Geraldina Maria da Conceição.
Desse matrimônio foram gerados três filhos, um homem e duas mulheres, sendo eles: Franklin Sóstenes Souto Maior, Ana Patrícia da Silva Souto Maior e Mônica Maria Souto Maior.
Algum tempo depois, no dia 28 de janeiro de 1957, assumiu o pastorado da Igreja Evangélica Congregacional de Machados, que está localizada na Rua Manoel João, nº 79, no Centro da cidade de Machados, onde passou pouco tempo:

“A cerimônia de organização foi dirigida pelo Rev. Lidônio Fragoso de Almeida, presidente da Junta Regional do Nordeste.” (FERREIRA & SANTANA FILHO, 2015: p. 287)

Em 1958 assumiu o pastorado da Igreja Evangélica Congregacional de Guarabira,  que está localizada na Avenida Dom Pedro II, s/nº, no Centro da cidade de Guarabira, no Estado da Paraíba, ocasião em que substituiu o Evangelista José Veríssimo Barbosa Sobrinho, que regia às atividades dessa comunidade.
Permaneceu no comando desse trabalho até os últimos meses de 1959, quando foi substituído pelo Rev. Djalma Araújo, seguindo para o Estado do Ceará, de onde havia recebido um convite.
Nos primeiros meses de 1960 assumiu o pastorado da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, que nessa época estava localizada na Rua Antônio Domingues Álvares, nº 255, equina com à Rua Padre Mororó, Centro, na cidade de Boa Viagem, presidindo a sua primeira assembleia de membros nessa comunidade no dia 15 de maio de 1960.

Imagem do templo da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, década de 1970.

Imagem do templo da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, em 1970.

Nessa época essa pequena comunidade estava temporariamente aos cuidados do Rev. Ezequiel Fragoso Vieira, que estava de mudança para o Município de Belo Jardim, no Estado de Pernambuco, aguardando posicionamento da Junta Regional do Nordeste para assumir o pastorado daquela cidade.
Antes de assumir o pastorado de Boa Viagem aceitou também, alguns dias antes, conforme ata do dia 23 de março em 1960, os trabalhos da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira, que está localizada na zona rural desse Município, presidindo a sua primeira assembleia no dia 9 de julho de 1961 e a última no dia 27 de outubro de 1963.
Em seu curto pastorado na Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira organizou o início da construção de seu templo.
Enquanto isso, na cidade, durante o seu pastorado, por conta da intolerância religiosa movida pelo Pe. José Patrício de Almeida contra os protestantes da cidade, sofreu dura perseguição, tendo inclusive de suportar a constante ameaça de ver o templo ser destruído.
Nessa época, altas horas da noite, sofreu um atentado a bala contra a sua vida na Casa Pastoral, que está localizada na Rua Padre Mororó, nº 276, esquina com a Rua 26 de Junho, Centro:

“No seu pastorado houve grande perseguição, chegando a sofrer um atentado, altas horas da noite, quando atiraram contra a casa pastoral.” (FERREIRA & SANTANA FILHO, 2015: p. 92)

Nesse tempo, percebendo o grande número de analfabetos dentro de sua comunidade e a grande dificuldade imposta por aqueles que estavam no poder em ceder vagas na escola da cidade para àqueles que frequentassem as atividades da igreja protestante, resolveu criar uma escola pastoral que era financiada com recursos da igreja, instituição que recebeu o nome de Instituto de Educação Paulo Moody Davidson.
Em seu pastorado, tentando fazer cumprir o estatuto da igreja, enfrentou graves problemas de relacionamento com os comerciantes de dentro de sua própria comunidade religiosa, que insistiam em vender bebidas alcoólicas e fumo, tendo o seu pastorado depois disso sido bastante desgastado.
Outro fator que contribuiu para esse desgaste foi a candidatura de dois membros de sua comunidade, que pleiteavam vagas na Câmara Municipal de Vereadores, algo que dividiu a membresia da igreja em duas correntes políticas.
Passando grave necessidade para sustentar a sua família, tendo em vista que a igreja não tinha como pagar o seu salário pelo fato dos comerciantes não entregarem os seus dízimos, costumava passar dias na propriedade do Diac. João Rodrigues da Silva, na vila de Boqueirão, onde era gentilmente acolhido.
Ao sair da cidade de Boa Viagem presidiu a última assembleia de membros no dia  6 de fevereiro de 1964, quando entregou os trabalhos das Igrejas Evangélicas Congregacionais de Boa Viagem e de Cachoeira aos cuidados do Rev. Ezequiel Fragoso Vieira.
Nesse mesmo período recebeu convite de uma Igreja Presbiteriana que está localizada no Município de Timbaúba, no Estado de Pernambuco, onde alguns anos depois, por volta de 1980, veio a óbito vítima de problemas cardíacos.

BIBLIOGRAFIA:

  1. FERREIRA, Jorge Marques; SANTANA FILHO, M.B. Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. Origens, Histórias e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: EDIGRÁFICA, 2016.
  2. MCGRATH, Alister. A Revolução Protestante: Uma provocante história do protestantismo contada desde o século 16 até os dias de hoje. Brasília: Editora Palavra, 2012.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. O EMBAIXADOR. O que o Senhor tem feito por mim. Ano III. nº 20. Órgão Interno do Seminário Cristão Congregacional do Nordeste: Recife, 28 de novembro de 1950.
  5. SEMINÁRIO TEOLÓGICO CONGREGACIONAL DO NORDESTE. Um Pouco de Nossa História. Disponível em http://stcne.com.br. Acesso em 17 de julho de 2015.
  6. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão: A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Boa Viagem, CE: PREMIUS, 2015.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Padre Paulo, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.