Antônio Marinho Falcão

Antônio Marinho Falcão nasceu no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza.
Na época do seu nascimento a cidade de Boa Viagem, que era denominada pela alcunha de “Cavalo Morto”, era apenas um pequeno povoado pertencente ao Município de Quixeramobim.
Conseguiu ser eleito suplente de vereador do Município de Boa Viagem na legislatura que ocorreu de 1873 a 1877.
Segundo informações existentes do periódico “A Constituição”, edição do dia 1º de novembro de 1874, sem poder acumular funções públicas, foi demitido de sua função de subdelegado:

“O Presidente da Província, tendo na maior consideração o quanto informa o Dr. chefe de polícia em ofício de 29 do corrente mês sob o nº 781, com referência ao procedimento irregular do 3º suplente de delegado de polícia do Quixeramobim, Manoel José Jacinto Pimentel, e subdelegado de Boa Viagem, Antônio Marinho Falcão, resolve demiti-los, a bem do serviço público, e ordena que sejam responsabilizados; para que se expedirão as necessárias ordens: o que cumpra-se.”

Por diversas vezes chegou a assumir as suas responsabilidades de suplente de vereador no plenário da Câmara Municipal de Vereadores, quando havia a ausência do titular da cadeira.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem, fim da década de 1940.

Nessa legislatura, que teve início em julho de 1873, o Município passou por uma estiagem e os produtores sofreram com graves problemas financeiros, mesmo assim, no exercício de seu mandato, deu apoiou a execução das seguintes ações: O recebimento de um imóvel para servir de cadeia, uma doação que foi realizada por José Duarte de Araújo; O recebimento de doação financeira feita por Ana Gonçalves Leal para construção de uma Casa de Cadeia e Câmara; O acompanhamento da arrematação e aplicação dos impostos camarários, entre eles o da décima urbana; O acompanhamento da adequação do comércio do Município ao novo sistema de pesos e medidas determinado pelo Governo Imperial; A aprovação do orçamento para manutenção da escola existente na vila; O acompanhamento da comunicação com o Governo da Província sobre os produtos cultivados no Município; O acompanhamento da resolução do litígio de limites com o Município de Tamboril, quando Boa Viagem perdeu autonomia sobre o perímetro do povoado de Telha, atual cidade de Monsenhor Tabosa.
Foi casado com Maria Ignácia de Jesus, com quem gerou vários filhos, entre eles citamos: Francisco de Assis Marinho, Manoel de Assis Marinho, João de Assis Marinho e Maria Amélia de Araújo, que foi esposa de Manoel Duarte de Araújo, um importante líder político do Município de Boa Viagem no início do século XIX.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará (1889-1930). ABC: Fortaleza, 1996.
  2. FERREIRA NETO, Cicinato. A Tragédia dos Mil Dias: A seca de 1877-79 no Ceará. Premius: Fortaleza, 2006.
  3. PEIXOTO, João Paulo M.; PORTO, Walter Costa. Sistemas Eleitorais no Brasil. Brasília: Instituto Tancredo Neves, 1987.
  4. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2004.