Joaquim Marinho Falcão

Joaquim Marinho Falcão nasceu no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza.
Na época do seu nascimento a vila de Boa Viagem, que também era conhecida pela alcunha de “Cavalo Morto”, era apenas uma minúscula localidade existente dentro dos limites geográficos pertencentes ao Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2010: Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Em conformidade com as informações existentes no jornal A Constituição, ano X, nº 170, edição do dia 22 de novembro de 1872, página 2, ocupou uma das cadeiras do Poder Legislativo do Município de Boa Viagem na segunda legislatura daquela casa, que foi de 1873 a 1877.
Nessa legislatura, através de um ofício emitido no dia 13 de agosto de 1874, um “fato desagradável” ficou registrado nos anais de nossa história política envolvendo o seu nome naquilo que consideramos o primeiro escândalo político.
Nessa data o escrivão da Câmara Municipal, que se chamava Delfino Alves Pinheiro e Lima, solicitou demissão de sua função por conta de sua mudança de domicílio e os vereadores prontamente propuseram a sua substituição.
Na ocasião, prontamente indicou o nome de José Targino da Silveira, que era seu genro e ao mesmo tempo cunhado de outro vereador, algo que não era permitido por conta do parentesco, sendo imediatamente advertido pelo presidente da mesa, o Vereador Vicente Alves da Costa, notícia que deu início a um grave tumulto.
Ficando insatisfeito com a recusa de sua proposta, fez inúmeros insultos ao presidente da casa, que temendo o pior imediatamente interrompeu a sessão e propôs a sua reabertura em outra data.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem, fim da década de 1940.

Depois disso, juntamente com outros, colocou o presidente da mesa diretora para fora do edifício da Câmara Municipal e em seguida reiniciou os trabalhos colocando a sua proposta em votação, que imediatamente foi aprovada:

“O Presidente da Câmara sofreu vários insultos, inclusive do 2º suplente de sub-delegado, Marcolino Pinto de Magalhães, que era ‘natural de Assaré, separado da esposa legítima e entregue a todos os vícios’.”

Nessa legislatura, que teve início em julho de 1873, o Município passou por uma estiagem e os produtores sofreram com graves problemas financeiros, mesmo assim, no exercício de seu mandato, deu apoiou a execução das seguintes ações: O recebimento de um imóvel para servir de cadeia, uma doação que foi realizada por José Duarte de Araújo; O recebimento de doação financeira feita por Ana Gonçalves Leal para construção de uma Casa de Cadeia e Câmara; O acompanhamento da arrematação e aplicação dos impostos camarários, entre eles o da décima urbana; O acompanhamento da adequação do comércio do Município ao novo sistema de pesos e medidas determinado pelo Governo Imperial; A aprovação do orçamento para manutenção da escola existente na vila; O acompanhamento da comunicação com o Governo da Província sobre os produtos cultivados no Município; O acompanhamento da resolução do litígio de limites com o Município de Tamboril, quando Boa Viagem perdeu autonomia sobre o perímetro do povoado de Telha, atual cidade de Monsenhor Tabosa.
No pleito seguinte, que aconteceu no dia 1º de outubro de 1876, colocou novamente o seu nome na disputa em busca da reeleição a uma das cadeiras do Poder Legislativo municipal, conseguindo receber a confiança de 125 eleitores, a terceira maior votação entre os seus pares.
Nessa legislatura, que se estendeu entre 1877 a 1881, enfrentou grandes desafios, dentre elas uma grande seca, que ficou conhecida como a “seca dos 1000 dias”, ocorrida entre 1877 e 1879.

“Todas as correspondências enviadas do interior da província nos primeiros anos de seca tinham em comum os espantosos relatos acerca da terrível condição dos moradores do sertão, mesmo os que podiam ser chamados de pessoas de posse… a solução foi a emigração em massa. Os pequenos e médios proprietários abandonaram terras e venderam ou trocaram seus escravos.” (FERREIRA NETO, 2006: 2006)

No dia 15 de janeiro do primeiro ano de sua gestão, por conta da seca, alguns vereadores solicitaram o adiamento de suas posses, sendo que muitos deles não compareciam às reuniões, passando a Câmara de Vereadores 2 anos sem funcionar, quando até as arrematações dos impostos camarários foram desprezadas diante da falta de interessados, deixando as contas e outras responsabilidades do Município em atraso.
Mais tarde, no dia 28 de outubro de 1881, por meio de ofício, o Governo da Província, preocupado com a capacidade hídrica da região, solicitou o número de açudes públicos existentes, bem como os seus proprietários.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará (1889-1930). ABC: Fortaleza, 1996.
  2. FERREIRA NETO, Cicinato. A Tragédia dos Mil Dias: A seca de 1877-79 no Ceará. Premius: Fortaleza, 2006.
  3. PEIXOTO, João Paulo M.; PORTO, Walter Costa. Sistemas Eleitorais no Brasil. Brasília: Instituto Tancredo Neves, 1987.
  4. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2004.

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