Manoel Hermínio de Sousa Leitão

Manoel Hermínio de Sousa Leitão nasceu no dia 27 de setembro de 1845 no Município Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Manoel de Sousa Leitão e de Anna Theresa da Silva Sousa.
Na época do seu nascimento a vila de Boa Viagem, que também era conhecida pelo topônimo de “Cavalo Morto”, era apenas um pequeno povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim:

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2010: Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Foi um agropecuarista de muitas posses, fato que o credenciou a ser um dos eleitores de província na região, como também a executar a função de Coletor Estadual no Município de Boa Viagem.
De acordo com as informações fornecidas pelo escritor José Aurélio Saraiva Câmara, no livro “Fatos e Documentos do Ceará Provincial”, página nº 289, foi escolhido como um dos eleitores de Província do Ceará para o pleito eleitoral ocorrido em 1870, que escolheu os representantes cearenses para o Senado do Império:

“A Constituição do Império, no seu Artigo 94, impunha aos eleitores de senadores uma expressão econômica que se traduzia pela renda liquida anual mínima de 200$000 ‘por bens de raiz, indústria, comércio ou emprego’.” (CÂMARA, 1970: p. 281)

Pouco tempo depois, conforme os dados existentes no livro B-01, página 127, destinado ao tombo dos casamentos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, no dia 6 de fevereiro de 1875, na Fazenda Salgado, com o ofício celebrado pelo Pe. Francisco Ignácio da Costa Mendes, contraiu matrimônio com Luzia Pires de Oliveira, nascida em 1860, sendo filha de José de Oliveira Teves e de Maria Francisca do Espírito Santo.

Imagem da casa da Fazenda Salgado, em 2017.

Desse matrimônio foram gerados vários filhos, dentre eles destacamos: João Elpídio de Sousa Pires, Cecília Leitão, Salviano de Sousa LeitãoJosé Leorne Leitão e Manoel Herminio de Sousa Leitão Filho.
No pleito eleitoral acontecido no dia 1º de outubro de 1876, desejando conseguir uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores, foi escolhido como um dos vereadores para legislatura de 1877 a 1881, sendo o segundo mais bem votado entre os seus pares, recebendo nessa oportunidade a confiança de 139 dos 258 eleitores aptos a votarem.
Nessa legislatura, que se estendeu entre 1877 a 1881, enfrentou grandes desafios, dentre elas uma grande seca, que ficou conhecida como a “seca dos 1000 dias”, ocorrida entre 1877 e 1879.

“Todas as correspondências enviadas do interior da província nos primeiros anos de seca tinham em comum os espantosos relatos acerca da terrível condição dos moradores do sertão, mesmo os que podiam ser chamados de pessoas de posse… a solução foi a emigração em massa. Os pequenos e médios proprietários abandonaram terras e venderam ou trocaram seus escravos.” (FERREIRA NETO, 2006: 2006)

No dia 15 de janeiro do primeiro ano de sua gestão, por conta da seca, alguns vereadores solicitaram o adiamento de suas posses, sendo que muitos deles não compareciam às reuniões, passando a Câmara de Vereadores 2 anos sem funcionar, quando até as arrematações dos impostos camarários foram desprezadas diante da falta de interessados, deixando as contas e outras responsabilidades do Município em atraso.
Mais tarde, no dia 28 de outubro de 1881, por meio de ofício, o Governo da Província, preocupado com a capacidade hídrica da região, solicitou o número de açudes públicos existentes, bem como os seus proprietários.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem, fim da década de 1940.

Pouco tempo depois, no dia 18 de setembro de 1883, na qualificação do conselho dos guardas ativos do 52º Batalhão da Guarda Nacional de Boa Viagem, o seu nome figurou com a matrícula nº 500 no “Quarteirão do Salgado”, onde foi designado como soldado de linha.
O 52º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional foi criado através do decreto nº 4.520, de 28 de abril de 1870, sendo desmembrado do Município de Quixeramobim e tinha como comandante o Tenente Coronel José da Silva Bezerra.

“A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831, para servir de ‘sentinela da constituição jurada’, e desmobilizada em setembro de 1922. No ato de sua criação lia-se: ‘Com a criação da Guarda Nacional foram extintos os antigos corpos de milícias, as ordenanças e as guardas municipais.’ Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve as suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província. Em 1873 ocorreu nova reforma que diminuiu a importância da instituição em relação ao Exército Brasileiro. Com o advento da República a Guarda Nacional foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército.” (S.N.T)

No dia 20 de dezembro de 1904, juntamente com os seu familiares, partilhou da notícia do inesperado falecimento de sua mãe, que faleceu aos 78 anos de idade.
Segundo as informações contidas no relatório do Recenseamento dos Estabelecimentos Rurais do Estado do Ceará, documento que foi publicado no dia 1º de setembro de 1920 pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, página 35, era agropecuarista e a sua propriedade estava localizada em um local denominado de Salgado.

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA:

  1. CARVALHO, José Murilo de. Sistemas Eleitorais no Brasil. Instituto Tancredo Neves: Fortaleza, 1987.
  2. FERREIRA NETO, Cicinato. A Tragédia dos Mil Dias: A seca de 1877-79 no Ceará. Premius: Fortaleza, 2006.
  3. MOTA, José Aroldo Cavalcante. História Política do Ceará (1889-1930). ABC: Fortaleza, 1996.
  4. SARAIVA CÂMARA, José Aurélio. Fatos e Documentos do Ceará Provincial. Imprensa Universitária da Universidade Federal: Fortaleza, 1921.
  5. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2004.