Josias Barbosa Maciel

Josias Barbosa Maciel nasceu no dia 9 de outubro de 1887 no Município de Baturité, que está localizado na região Norte do Estado do Ceará, distante 100 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Raimundo Barbosa Maciel e de Emília Barbosa Maciel.
Os seus avós paternos se chamavam Miguel Ferreira Maciel e Felícia Ferreira Maciel, já os maternos eram José Barbosa Lima e Francelina Barbosa de Lima.
Para sabermos sobre a sua infância precisamos montar o contexto de vida de seus pais, que foram prósperos agropecuarista e comerciantes que conseguiram juntar uma considerável fortuna:

“Incentivado pela mulher, que o ajudava em tudo, já situado no Sítio Brejo, o pacato Maciel passou a comprar paulatinamente os sítios vizinhos. Quando parou de adquirir mais terrenos o sítio já contava com mais de mil e duzentos hectares de extensão. No sertão, na sua Fazenda Volta, nos arrabaldes do Município de Boa Viagem, explorava o binômio boi-algodão, economia baseada no plantio de algodão mocó. Depois da apanha do algodão o gado era solto na capoeira para comer a rama da planta herbórea.” (MENDES JÚNIOR, 2014: p. 1)

Curiosamente, nessa mesma época, para conseguir conquistar toda essa fortuna, o seu pai utilizava a mão de obra escrava, mas depois de algum tempo passou a se envolver com a causa abolicionista, quando passou a ser conhecido nos círculos da intelectualidade da capital cearense como o “Escudo da Amizade”, e um dos “Doze Apóstolos da Santa Causa”, tendo sido eleito como um dos suplentes da diretoria da “Sociedade Libertadora Cearense”:

“O undécimo do valoroso grêmio, pelos próprios sócios denominado de ‘Escudo da Amizade’, foi Raimundo [Barbosa] Maciel. Residente na antiga povoação de Canoa, hoje cidade de Aracoiaba, num sítio denominado ‘Gitirana’. Aí nascera em 25 de novembro de 1851… Transferindo a residência para Baturité, levou o seu comércio, a que juntou as atividades agrícolas do Sítio Brejo, atualmente com o nome de Bela Vista, ainda no domínio da família. De pouca instrução… educou todos os seus filhos.. e chegou a exercer notável influência na política baturiteese, como um dos chefes do partido orientado pelo Conselheiro Rodrigues Júnior, em oposição ao Conselheiro Nogueira Accioly.”   (GIRÃO, 1956: p. 72)

Graças a esse envolvimento com os abolicionistas o seu pai, Raimundo Maciel, em Baturité, recebeu em sua casa a ilustre visita de José Carlos do Patrocínio, um destacado jornalista e ativista político que fora trazido pelo companheiro abolicionista João Cordeiro.

Imagem do sobrado da família Maciel, em Baturité.

Nessa ocasião festiva o grande líder mulato, em plena campanha contra a escravatura, proferiu o famoso discurso no qual denominou a Província do Ceará como “A Terra da Luz”.
Em sua juventude, pela região do Baturité, constantemente mantinha contato com moradores do Sertão Central, dentre eles com pessoas de Boa Viagem, local onde resolveu comprar uma propriedade.
No dia 21 de novembro de 1908, segundo informações existentes no livro B-03, pertencente à secretaria da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, tombo nº 40, página 79, aos 21 anos de idade, diante do Mons. José Cândido de Queiroz Lima, contraiu matrimônio com Maria Ercília Mendes Maciel, nascida em 1899, sendo filha de Francisco Mendes Machado e de Maria da Encarnação de Jesus.
Desse matrimônio foram gerados alguns filhos, dentre eles destacamos Francisco Mendes Maciel, Antônia Mendes Maciel, Emília Mendes Maciel e Raquel Mendes Maciel.
Mais tarde, logo após a Sedição de Juazeiro, acontecida no dia 21 de março de 1914, por indicação do Governador Fernando Setembrino de Carvalho, foi nomeado intendente do Município de Boa Viagem no lugar de Antônio Lopes de Mesquita Galvão, ficando nessa função até o dia 25 de abril de 1914, quando foi substituído por Benjamim Bastos.
Segundo as informações contidas no relatório do Recenseamento dos Estabelecimentos Rurais do Estado do Ceará, documento que foi publicado no dia 1º de setembro de 1920 pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Industria, página 35, era agropecuarista e a sua propriedade era localizada em um local denominado de Buenos Aires.
Mais tarde, no dia 6 de março de 1926, conforme matéria publicada pelo jornal A Imprensa, página nº 2, periódico do Partido Democrata Sobralense, insatisfeito com os rumos do partido do Dr. José Pompeu Pinto Accioly, pediu dispensa de forma pública de seus quadros políticos:

“Desligando-se do Partido Acciolyno, o Coronel Josias Maciel, prestigioso político, em Boa Viagem, dirigiu-se ao Sr. José Accioly em uma ‘Carta Aberta’ na qual disse: ‘não lhe ser possível continuar numa política de ingratidão, de hypocrisia e de má fé, armas estas que só dão victória fictícia, ficando os vencedores sempre enfiados e a descobertos, para novas decepções e a novas derrotas. Vê o prestigioso político que, ‘a política acciolyna vai surgindo com as mais graves faltas que, mais cedo ou mais tarde, conduzem-na a mais triste desmoralização e o mais inevitável e vergonhoso aniquilamento’. O Coronel Josias Maciel, que foi um dos fundadores do Partido Acciolyno, naquela villa, verbera, ainda, o modo exclusivista e ingrato, com que o Sr. Manoel Satyro, gerente do partido do Sr. José Accioly, trata aquelles que mais se esforçaram e se bateram pelo engrandecimento de sua facção política, em Boa Viagem. Concluiu o articulista dizendo ao Sr. José Accioly que: ‘abra os olhos, porque o povo do Ceará não está mais em condições de se fazer de boi manso, que docilmente entrega o pescoço ao ajoujo.”

Teve vários irmãos, dentre eles destacamos Godofredo Barbosa Maciel e Júlio Barbosa Maciel, destacados advogados cearenses, bem como José Bruno Maciel, com quem, alguns anos depois, ao sair do Município de Boa Viagem, deixou a sua fazenda.
Antes disso, nos primeiros anos da década de 1930, noticiou em um periódico de grande circulação um caso de invasão de terras em uma propriedade denominada de “Barra do Umari“, um grave problema que envolveu o Dr. Álvaro Fernandes e o seu irmão, o Dr. Godofredo Barbosa Maciel.
Embora ainda não saibamos a data, temos conhecimento de que faleceu no Estado de São Paulo.

BIBLIOGRAFIA:

  1. GIRÃO, Raimundo. A Abolição no Ceará. Fortaleza: A. Batista Fontenele, 1956.
  2. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  3. PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM. Livro de registro dos casamentos. 1903-1910. Livro B-03. Tombo nº 40. Página 79.
  4. STUDART, Guilherme. FRANCISCO BARBOSA MACIEL In: Dicionário Bibliográfico Cearense. 1º v. Edição Fac-simile. Fortaleza: SECULT, 2012, p. 275.
  5. STUDART, Guilherme. GODOFREDO MACIEL In: Dicionário Bibliográfico Cearense. 3º v. Edição Fac-simile. Fortaleza: SECULT, 2012, p. 257.