Ana Gonçalves Leitão

ana-goncalves-leitaoAna Gonçalves Leitão nasceu no dia 7 de dezembro de 1875 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filha de Francisco Nunes de Rezende Oliveira e de Maria Ditosa do Vale Oliveira.
O seu avô paterno se chamava Manoel Nunes de Oliveira, já os maternos eram Antônio Bezerra do Vale e Maria dos Prazeres de Jesus.
Durante toda a sua infância residiu com a sua família na Fazenda Almas, que está localizada na zona rural do Município de Boa Viagem.
Segundo as informações existentes no livro B-02, destinado ao registro dos casamentos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, tombo nº 38, página 104v, no dia 15 de novembro de 1899, aos 24 anos de idade, diante do Mons. José Cândido de Queiroz Lima, contraiu matrimônio com Salviano de Sousa Leitão, que tinha 23 anos de idade, sendo filho de Manoel Hermínio de Sousa Leitão com Luzia Pires de Oliveira.
Desse curto e feliz enlace matrimonial foram gerados dois filhos, uma mulher e um homem, sendo eles: Laídes de Sousa Leitão e Oscar Leonardo Leitão.
Depois de casada, juntamente com o seu esposo, passou a residir e a comercializar na Rua Agronomando Rangel, nº 443, no Centro da cidade de Boa Viagem.

Imagem da residência de Salviano de Sousa Leitão, em 2011.

Imagem da residência de Ana Gonçalves Leitão, em 2013.

Fontes de sua época nos relatam que era uma companheira fiel e que conseguia dar forte ânimo aos negócios comerciais de seu esposo, que eventualmente gostava de trazer para casa as novidades da tecnologia de seu tempo:

“Salviano construiu o primeiro sobrado da cidade de Boa Viagem, montou a primeira padaria, comprou o primeiro gramofone, o primeiro cofre, a primeira máquina de datilografia, a primeira câmara de tirar retratos, a primeira bicicleta e organizou a primeira banda de música, com o mestre Raimundo Avelino Pinheiro.” (BARROS LEAL, 1983: p. 140)

Foi à primeira-dama do Município de Boa Viagem em duas oportunidades, a primeira delas, do dia 8 de fevereiro ao dia 28 de setembro de 1912, e a segunda, do dia 11 de outubro de 1914 ao dia 24 de setembro de 1918, quando o seu esposo repentinamente veio a óbito:

“O desaparecimento prematuro do Coronel Salviano, quando havia completado 42 anos de idade, foi uma perda irreparável. Morreu de repente, vítima da aplicação da celebre injeção 914, para o tratamento de sífilis.” (BARROS LEAL, 1983: p. 140)

Mesmo viúva, não se afligindo com os avultados desafios comerciais deixados pelo seu esposo, tomou a frente dos negócios e se tornou uma das principais agropecuaristas de nossa região.
No dia 17 de janeiro de 1927, nove anos depois da prematura perda de seu esposo, outra tragédia se abateu sobre a sua vida, quando prestes a completar 16 anos de idade, o seu filho veio a óbito na flor da adolescência vítima de afogamento.
Poucos meses depois dessa tragédia pessoal, no dia 27 de maio de 1927, o seu cunhado, José Leorne Leitão, também veio a óbito pegando a todos de surpresa e deixando toda a família desolada.
Alguns anos depois, em 1954, quando vinha da cidade de Fortaleza, ao descer do veículo na cidade de Canindé, por descuido caiu e fraturou uma das pernas, sendo imediatamente socorrida e encaminhada para o hospital estadual da capital, vindo a óbito poucos dias depois.
De acordo com as informações fornecidas por Cristóvam de Queiroz Sampaio ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, livro C-07, tombo nº 2.035, página 17v, faleceu aos 79 anos de idade na cidade de Fortaleza, às 23 horas do dia 18 de junho de 1954.
Logo após o seu trágico falecimento o seu corpo foi imediatamente trazido para cidade de Boa Viagem e depois das despedidas de costume foi sepultado junto ao corpo do seu esposo, no jazigo pertencente a família, no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, no Centro.

Imagem do jazigo de Salviano de Sousa Leitão e de sua esposa, em 2013.

Imagem do jazigo de Ana Gonçalves Leitão, em 2013.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BARROS LEAL, Antenor Gomes de. Avivando Retalhos – Miscelânea. 2ª Edição. Fortaleza: Henriqueta Galeno, 1983.
  2. NASCIMENTO, Cícero Pinto de. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  3. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão: A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Boa Viagem, CE: Premius, 2010.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 139, de 12 de março de 1970, uma das ruas do Bairro de Nossa Srª de Fátima, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.