José Gomes da Costa Mendes

José Gomes da Costa Mendes nasceu no dia 19 de outubro de 1831 no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Ignácio Mendes Guerreiro e de Joana Gomes da Silva.
Os seus avós paternos se chamavam José da Silva Bezerra e Joanna Baptista Guerreiro, já os maternos eram Luciano Alves da Costa e Anna Alves da Costa.
Na época do seu nascimento a cidade de Boa Viagem, que também era conhecida pelo topônimo de “Cavalo Morto”, era apenas um pequeno povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim:

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2000: Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

No dia 6 de novembro de 1851, segundo informações existentes no livro B-05, página 149, pertencente à secretaria da Paróquia de Santo Antônio de Quixeramobim, na Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, diante do Pe. Luiz Teixeira da Fonseca, contraiu matrimônio com Joana Maria de Carvalho, sendo filha de Antônio Alves da Costa e de Maria Isabel das Neves.
Desse matrimônio foram gerados alguns filhos, dentre eles destacamos: Ana Gomes Mendes, Francisco Gomes Mendes, Vital Gomes Mendes e Joaquim Gomes Mendes.
Mais tarde, estando viúvo, contraiu matrimônio com Maria Francelina Mendes, com quem gerou vários filhos, entre eles destacamos: Ignácio Gomes da Costa Mendes, Ana da Costa Mendes e Manuel Honor da Costa Mendes.
No dia 30 de novembro de 1867, juntamente com os seus familiares, esteve presente na solenidade de ordenação de seu irmão, o Pe. Francisco Ignácio da Costa Mendes, que logo foi designado pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Merecem destaque outros de seus irmãos, sendo eles, Joaquim Bezerra da Costa Mendes, que foi abolicionista e destacado comerciante na cidade de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte; como também Manuel Teófilo da Costa MendesJoão de Araújo da Costa Mendes, renomados professores que fundaram uma escola denominada de Ateneu Cearense na cidade de Fortaleza.
Segundo informações existentes no jornal O Cearense, ano XXV, número 54, edição do dia 4 de julho de 1872, com a criação da agência dos Correios de Boa Viagem, foi nomeado como seu responsável.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem no fim da década de 1940.

Nos últimos meses de 1886, desejando entrar na vida pública, concorreu por uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores de Boa Viagem, desempenhando o seu primeiro mandato na legislatura que se seguiu entre 1887 e 1890, quando foi interrompida pela Proclamação da República.
Essa legislatura, por conta da pobreza produzida pelas secas na região, enfrentou muita dificuldade para honrar os seus compromissos, pois não conseguia encontrar quem arrematasse os impostos camarários, tendo seu ponto alto com a construção do Açude da Comissão de Socorros e Serviços Públicos.

“Esse pequeno açude foi construído nos últimos anos do século XIX, entre 1877 e 1888, utilizando a mão de obra das vítimas da seca nas frentes de trabalho, que eram patrocinadas pelo Governo do Estado. Sendo beneficiada pela lei Pompeu-Sinimbú, a Comissão de Socorros e Serviços Públicos do Município de Boa Viagem investiu a mão-de-obra dos desvalidos para sua construção.” (SILVA JÚNIOR. 2016: Disponível emhttp://www.historiadeboaviagem.com.br/acude-da-comissao/. Acesso no dia 26 de junho de 2020)

Nesse período, depois da Proclamação da República, ocorrida no dia 19 de novembro de 1889, com a finalidade de agregar adeptos e simpatizantes ao novo regime, logo tratou de reformular a política administrativa e financeira, determinando a dissolução das câmaras municipais em todo o país, cujos membros haviam sido eleitos pelo voto, com a publicação do Decreto nº 107:

“Art. 1º – Os governadores dos Estados são autorizados a dissolver as câmaras municipais e a organizar os respectivos serviços, adotando em tudo que lhes forem aplicáveis…” (RIBEIRO, 2005: p. 12)

Mais tarde, segundo informações existentes no livro C-01, pertencente à secretaria da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, tombo nº 13, página 61v, faleceu aos 77 anos de idade no dia 23 de abril de 1908 na localidade de Tocantins.

Imagem de seu obituário publicado no Jornal do Ceará, em 12 de maio de 1908.

Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado em um túmulo pertencente a sua família existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, n° 297, no Centro da cidade.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará (1889-1930). Fortaleza: ABC, 1996.
  2. IBGE. Histórico do Município de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. PARÓQUIA DE SANTO ANTÔNIO DE QUIXERAMOBIM. Livro de tombo de casamentos – 1844/1859. Livro B-05, Página 142.
  5. PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM. Livro de tombo de óbitos – 1893/1916. Livro C-01, Tombo nº 13. Página 61v.
  6. PEIXOTO, João Paulo M.; PORTO, Walter Costa. Sistemas Eleitorais no Brasil. Brasília: Instituto Tancredo Neves, 1987.
  7. RIBEIRO, Valdir Uchôa. Conselhos de Intendência no Ceará. Fortaleza: Premius, 2005.
  8. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. O Açude da Comissão de Socorros e Serviços Públicos. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/acude-da-comissao/. Acesso no dia 26 de junho de 2020.
  9. STUDART, Guilherme. ANTONIO CUNHA MENDES In: Dicionário Bibliográfico Cearense. 1º v. Edição Fac-simile. Fortaleza: SECULT, 2012, p. 72.
  10. STUDART, Guilherme. JOÃO DE ARAÚJO DA COSTA MENDES In: Dicionário Bibliográfico Cearense. 1º v. Edição Fac-simile. Fortaleza: SECULT, 2012, p. 450 – 451.