Manuel Teófilo da Costa Mendes

Manuel Teófilo da Costa Mendes nasceu em 1841 no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Ignácio Mendes Guerreiro e de Joana Mendes da Silva.
Os seus avós paternos se chamavam José da Silva Bezerra e Joanna Baptista Guerreiro, já os maternos eram Luciano Alves da Costa e Anna Alves da Costa.
Na época de seu nascimento, veio ao mundo pelas mãos de uma parteira na vila de Boa Viagem, que também era conhecida pela alcunha de “Cavalo Morto” e era apenas um pequeno povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2010: Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Sabemos pouca coisa de sua infância e juventude, sendo que o primeiro registro ao seu respeito ocorreu no dia 8 de janeiro de 1863, quando juntamente com um de seus irmãos, João de Araújo da Costa Mendes, fundou o Ateneu Cearense, unidade escolar que era localizada na Praça do Ferreira, no Centro da cidade de Fortaleza, e que deu forte contribuição com a formação de nomes ilustres da história cearense:

“No dia 8 de fevereiro de 1863 foi fundado o Ateneu Cearense, do professor João de Araújo Costa Mendes, primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário do Ceará, com aulas de catecismo, primeiras letras, gramática, latim, francês, inglês, geografia, história, geometria, filosofia e retórica. Mantinha externato e internato. Instalado na Praça do Ferreira, foi transferido seguidamente para as Ruas Senador Pompeu, Formosa, Sena Madureira e, novamente, Formosa (outra casa). Teve como diretores, além do fundador, o seu irmão Manoel Teófilo, o Padre Urbano Monte e Torres Portugal.” (STUDART, 2001: p. 174)

Pouco tempo depois, no dia 30 de novembro de 1867, juntamente com os seus familiares, esteve presente na solenidade de ordenação de seu irmão, o Pe. Francisco Ignácio da Costa Mendes, que logo foi designado pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Merece destaque outro de seus irmãos, sendo ele José Gomes da Costa Mendes, que exerceu um mandato eletivo na Câmara Municipal de Vereadores de Boa Viagem.
No dia 3 de novembro de 1874, na cidade de Fortaleza, juntamente com os seus familiares, foi surpreendido pelo falecimento de seu irmão João de Araújo da Costa Mendes, passando depois disso a ser o diretor do Ateneu Cearense.
De acordo com os estatutos dessa escola, publicado no periódico Gazeta do Norte, edição do dia 21 de dezembro de 1880, página 4, essa escola, que funcionava também na modalidade de internato, foi criada com a finalidade de complementar as ações do Liceu do Ceará, oferecendo outras opções de estudo para os jovens da capital e do interior da Província:

“Art. 1º – O Atheneu Cearense, dirigido por Manuel Theophilo da Costa Mendes e um estabelecimento destinado a educação civil e religiosa da mocidade e a sua preparação para academias e seminários do Império e para o commercio.”

Quando assumiu a direção do Ateneu Cearense, sempre que tinha oportunidade, falava aos seus alunos da barbárie humana chamada escravidão, e semelhante ao seu irmão Joaquim Inácio da Costa Mendes, destacou-se na causa abolicionista:

“Durante a sua direção fundaram-se no colégio varias associações como A Libertadora (1869) e o Recreio Instrutivo, e vários jornaizinhos entre os quais o Atheneu Cearense. Cumpre registrar que Manuel Theophilo foi também um apóstolo convencido da emancipação e que nas comemorações de datas festivas celebradas em seu colégio havia sempre manumissões de escravos.” (STUDART, 2001: p. 174)

No dia 31 de agosto de 1882, depois de muitos anos a frente do Ateneu Cearense, resolveu vender a sua propriedade, fato que recebeu significativa publicidade do periódico Gazeta do Norte, página 3 e 4, nº 192:

“O Sr. Manuel Theophilo da Costa Mendes, diretor desse antigo e acreditado estabelecimento de instrucção primária e secundária, passou a propriedade do mesmo ao Dr. Manuel Ambrósio da Silveira Torres Portugal. Fatigado das longas e penosas lides que obriga o cargo de diretor de um estabelecimento de tal natureza, o Sr. Costa Mendes retira-se a vida particular, onde no repouso que lhe podem deixar outras ocupações menos pesadas, vai restabelecer as forças debilitadas e recobrar a saúde comprometida… Consagrado desde aos mais verdes anos ao magistério particular o Sr. Costa Mendes, além de uma longa prática e muita inteligencia tem aptidões especiais para educador, que ninguém lhe leva vantagem. Infelizmente o mestre brasileiro é uma entidade que vive na penumbra do esquecimento e em regra morre nos braços da penúria. Os serviços do educador são desconhecidos assim pelos governos, como pela sociedade. O Sr. Costa Mendes vai residir no Acaraú, para onde segue hoje.”

Depois de 20 anos envolvido com a educação fortalezense, passou a residir no Município de Acaraú, que está localizado no litoral de Camocim, na região Noroeste do Estado do Ceará, distante 253 quilômetros da cidade de Fortaleza, aonde passou a ser comerciante e a participar da Sociedade Libertadora do Acaraú, uma agremiação antiescravagista desse Município.
Foi casado em primeiras núpcias com Torquata Rodrigues Mendes, que era nascida no Município de Acaraú, sendo filha de um capitão de origem espanhola chamado José Manoel Rodrigues com Maria Tereza Brandão Rodrigues:

“D. Torquata Rodrigues era viúva do espanhol João Luero, um dos náufragos sobreviventes do navio Guajará, soçobrado na baía que lhe tomou o nome, em frente à barra do Acaraú. Desse casal nasceu apenas uma filha, D. Sinhá Luero, casada com João Ribeiro Mendes. Luero era um dos maiores proprietários do Acaraú. A sua viúva, D. Torquata, contraiu novas núpcias com o Sr. Manoel Teófilo da Costa Mendes, que continuou os negócios do seus antecessor. Falecendo D. Torquata, Costa Mendes casou-se com uma sobrinha desta, D. Nininha Gifone.” (FREITAS, 2013: p. 536)

Depois de algum tempo, já viúvo, contraiu um novo matrimônio, dessa vez com uma sobrinha de sua falecida esposa, Maria Gifone Mendes, conhecida como “Nininha”, também nascida no Município de Acaraú, sendo filha de um comerciante italiano chamado Vicente Gifone com uma descendente de espanhóis, Inês Brandão Rodrigues.
Desse consórcio matrimonial foram gerados três filhos, dois homens e uma mulher, sendo eles: Silvio Costa Mendes, Maria Mendes Silveira e Manuel Teófilo Costa Mendes.
Segundo matéria publicada no Jornal Gazeta do Norte, nº 122, página 3, edição do dia 3 de junho de 1882, embarcou enfermo para a cidade do Recife, provavelmente para resolver negócios ou em busca de consulta médica mais qualificada.

“Embarcou hontem para o Recife o Ilmo Sr. Manuel Theophilo da Costa Mendes, digno director do Atheneu Cearense. Incommodos de saúde o obrigaram a esta viagem. Que será breve. desejamos-lhe próspera viagem e feliz resultado.”

Meses mais tarde, já estabelecido no Município do Acaraú, segundo informações do correspondente da época do jornal Gazeta do Norte, nº 257, página 3, edição do dia 19 de novembro de 1882, foi o responsável pela introdução da cotonicultura nessa região, bem como da aquisição da primeira máquina de descaroçamento:

“Foi hoje inaugurada a machina a vapor do Sr. Manuel Theophilo da Costa Mendes para o serviço de descaroçamento do algodão. Houve extraordinário concurso nessa festa da indústria. O Sr. Costa Mendes, que foi quem introduziu no Município a cultura do algodão, contribui agora para aperfeiçoar o beneficiamento deste producto… Aproveitando o ensejo, sempre enthusiasta do progresso da instrucção pública promoveu uma subscripção em benefício do ensino no Município, montando logo a quantia inscripta a somma de 500$000, que vai constituir o fundo inicial de uma caixa escholar. todos os convidados de tão brilhante festa della sahiram satisfeitissimos pelo resultado altamente penhorado ao distincto cavalheirismo do Sr. Costa Mendes. Bem haja quem tanto se empenha pelo bem público.”

Em reconhecimento aos seus valorosos serviços prestados a educação cearense, conforme informações publicadas no jornal Gazeta do Norte, nº 30, página 2, edição do dia 8 de fevereiro de 1884, o Pe. José Albano Sobrinho, na época vigário da Paróquia de Arroches, atual Parangaba, lançou um prêmio com o seu nome aos alunos que se destacassem:

“O Rvd. vigário de Arronches, Pe. José Albano, instituiu n’aquela freguesia uma escola parochial na qual distribui gratuitamente instucção primária e secundária, e em honra do distincto educador da mocidade cearense, o Sr. Manuel Theophilo da Costa Mendes, creou o prêmio Costa Mendes para o alumno que mais se distinguir no corrente anno.”

Nos primeiros meses de 1890, conforme informações do periódico Gazeta do Norte, nº 35, pagina 3, edição do dia 12 de fevereiro de 1890, fundou uma escola na vila de Conceição, que está localizada no Município de Baturité.
De acordo com a matéria publicada no jornal O Cearense, ano XLV, nº 27, edição do dia 4 de fevereiro de 1891, página 2, faleceu na cidade de Fortaleza, com apenas 50 anos de idade, vítima de “pleuro-pneumonia”, no dia 21 de janeiro de 1891.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no Cemitério São João Batista, que está localizado na Rua Padre Mororó, s/nº, no Centro da cidade de Fortaleza.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 818, de 12 de dezembro de 2002, uma das ruas do Bairro Ponte Nova, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.