João de Araújo da Costa Mendes

João de Araújo da Costa Mendes nasceu no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Ignácio Mendes Guerreiro e de Joana Gomes da Silva.
Os seus avós paternos se chamavam José da Silva Bezerra e Joanna Baptista Guerreiro, já os maternos eram Luciano Alves da Costa e Anna Alves da Costa.
Na época de seu nascimento veio ao mundo pelas mãos de uma parteira na vila de Boa Viagem, que também era conhecida pela alcunha de “Cavalo Morto” e era apenas um pequeno povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2010: Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Sabemos pouca coisa de sua infância e que durante algum tempo morou na cidade de Salvador, capital da Província da Bahia, onde teve a grata oportunidade de trabalhar como professor no Ginásio Baiano, que nesse tempo era dirigido pelo Professor Abílio César Borges, o Barão de Macaúbas:

“Em Salvador, ainda sem o baronato, Abílio César Borges fundou o Ginásio Baiano no ano de 1858. Ali, mais que um professor e diretor, aplicava as novidades pedagógicas que incorporava em seus estudos. Esta instituição, assim como o também famoso e contemporâneo ‘Colégio Sebrão’, foi o responsável pelos fundamentos educacionais de futuras genialidades da Bahia, como Rui Barbosa, Aristides Spínola, Castro Alves, Plínio de Lima, Cezar Zama, dentre outros. Conservou-se à frente da instituição por quase quatorze anos, quando viajou ao Velho Mundo com o proposito de melhorar os seus conhecimentos sobre os problemas pedagógicos… As suas ideias, na época, eram inovadoras na educação brasileira: abolia completamente qualquer espécie de castigo físico; realizava torneios literários; culto ao civismo, etc. Imaginou um método de aprendizagem de leitura que denominou de Leitura Universal, para facilitar o estudo das primeiras letras, abriu vários cursos públicos gratuitos de leitura, convencido de que assim prestava o melhor serviço ao país.” (S.N.T)

Algum tempo depois de regressar à Província do Ceará, segundo informações existentes no periódico Gazeta Official, ano I, nº 42, edição do dia 6 de dezembro de 1862, foi nomeado inspetor de aulas do Município de Fortaleza.
Percebendo a carência cearense nesse nicho de mercado, juntamente com um de seus irmãos, Manuel Teófilo da Costa Mendes, resolveu investir na abertura de uma escola.
Segundo informações fornecidas pelo Barão de Studart, no dia 8 de janeiro de 1863 o Ateneu Cearense passou a funcionar, inicialmente estando localizada na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, mudando algum tempo depois para outros endereços:

“No dia 8 de fevereiro de 1863 foi fundado o Atheneu Cearense, do Professor João de Araújo Costa Mendes, primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário do Ceará, com aulas de catecismo, primeiras letras, gramática, latim, francês, inglês, geografia, história, geometria, filosofia e retórica. Mantinha externato e internato. Instalado na Praça do Ferreira, foi transferido seguidamente para as Ruas Senador Pompeu, Formosa, Sena Madureira e, novamente, Formosa (outra casa). Teve como diretores, além do fundador, o seu irmão Manoel Teófilo, o Padre Urbano Monte e Torres Portugal.” (STUDART, 2012: p. 450)

As aulas só tiveram início no dia 11 de janeiro, mas o jornal Gazeta Official, nº 52, edição publicada no dia 21 de janeiro de 1863, o governo da Província só deu publicidade a matéria 10 dias depois do início de seu funcionamento, que recebeu a presença do Presidente da Província e das figuras mais ilustres da capital em sua aula inaugural:

“João de Araújo Costa Mendes propõe-se a fundar n’esta capital um estabelecimento de instrucção primária e secundária com o titulo de Atheneu Cearense… Esse estabelecimento particular, com a finalidade de receber allunos internos e externos, dando-lhes a instrucção primária e secundária, foi inaugurado no dia 11 do corrente, na presença do Exm. Sr. Presidente da Província, e com assistência de um concurso numeroso em que notavam as principais pessoas da capital… e passou a mostrar… os cômodos do estabelecimento, que já conta com um crescido número de allunos. Este facto já é de bom agouro para a instituição, cuja prosperidade sinceramente desejamos.” (STUDART, 2012: p. 450)

Essa pequena escola, que foi criada com a finalidade de complementar as ações do Liceu do Ceará, oferecia outras opções de estudo para os jovens da capital e do interior da Província, conseguindo dar forte contribuição para formação de nomes ilustres da história cearense.
Pouco tempo depois, logrando sucesso em seu empreendimento, no dia 26 de dezembro de 1863, ainda conforme matéria do periódico Gazeta Oficial do Ceará, ano II, nº 115, temos conhecimento de que encaminhou um projeto à Assembleia Legislativa da Província solicitando um empréstimo aos cofres públicos:

“Autorizando a presidência a fazer pelo cofre provincial um empréstimo de doze contos de réis a João de Araújo da Costa Mendes, director do Atheneu Cearense, para auxílio da edificação de um prédio para o mesmo estabelecimento.”

No dia 24 de maio de 1864, contraiu matrimônio com Maria Magdalena da Justa Mendes, que havia nascido em 1847, sendo filha do português Antônio Gonçalves da Justa e de Francisca Maria da Justa.
Desse consórcio matrimonial foram gerados seis filhos, dois homens e quatro mulheres, sendo eles: Francisca da Justa Mendes, Maria Justa Mendes, João de Araújo Justa Mendes, Antônio Justa Mendes, Amélia Justa Mendes e Mariana da Justa Mendes.
No dia 30 de novembro de 1867, juntamente com os seus familiares, esteve presente na solenidade de ordenação de seu irmão, o Pe. Francisco Ignácio da Costa Mendes, que logo foi designado pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Merecem destaque outros de seus irmãos, sendo eles: Joaquim Inácio da Costa Mendes, que foi o abolicionista e comerciante na cidade de Mossoró; como também José Gomes da Costa Mendes, que exerceu um mandato eletivo na Câmara Municipal de Vereadores de Boa Viagem.
De acordo com o anúncio publicado no dia 6 de maio de 1886 no periódico Gazeta do Norte, nº 99, paralelo as atividades docentes, era possuidor de uma considerável propriedade nas proximidades da capital cerense:

“Vende-se uma propriedade a margem do Rio Maranguapinho, a meia légua de distância da estação do Arronches, que foi do finado Major João de Araújo da Costa Mendes, por preço razoável. Tem uma magnífica e confortável vivenda, um açude, baixa para canna, capim etc… e mattas de boa madeira, excelente barro para tijolo e telhas, telheiro e forno para o fabrico dos mesmos e uma bem espaçosa casa de farinha. Presta-se muito bem para criação de gado vaccum e criação miúda.”

Nessa propriedade, conforme matéria publicada no periódico Jornal do Ceará, ano I, nº 84, edição do dia 18 de abril de 1868, mantinha a exploração de uma olaria que fabricava telhas e tijolos:

“Com a cópia inclusa do ofício da Câmara Municipal d’esta capital, respondo o do dia 17 de fevereiro último… mostra a conveniência de ser feita a cobertura do paço da Assembleia provincial, com as telhas da fábrica de João de Araújo da Costa Mendes.”

Em outro edital, publicado nesse mesmo periódico, temos conhecimento de que essa propriedade lhe dava ainda outros rendimentos:

“De ordem do Sr. Dr. engenheiro chefe da direcção das obras públicas, declara-se para o conhecimento dos interessados, que a proposta mais vantajosa relativa ao fornecimento de pedra para o calçamento complementar da estrada de Arronches e a que apresentou o Sr. João de Araújo da Costa Mendes…”

Faleceu repentinamente na cidade de Fortaleza, no dia 3 de novembro de 1874.

BIBLIOGRAFIA:

  1. GIRÃO, Raimundo. História da Faculdade de Direito do Ceará. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1960.
  2. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  3. STUDART, Guilherme. ANTONIO CUNHA MENDES In: Dicionário Bibliográfico Cearense. 1º v. Edição Fac-simile. Fortaleza: SECULT, 2012, p. 72.
  4. STUDART, Guilherme. JOÃO DE ARAÚJO DA COSTA MENDES In: Dicionário Bibliográfico Cearense. 1º v. Edição Fac-simile. Fortaleza: SECULT, 2012, p. 450 – 451.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 818, de 12 de dezembro de 2002, uma das ruas do Bairro Ponte Nova, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.