Narsales de Oliveira

Narsales OliveiraNarsales de Oliveira nasceu no dia 14 de dezembro de 1903 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de José Sales de Oliveira e de Maria Ortulina do Vale.
Pouco sabemos de sua infância, dessa época descobrimos apenas que recebeu instrução elementar da Profª. Anna Alexandrina de Hollanda, que nessa época exercia a função de professora pública na cidade de Boa Viagem.
Durante a sua adolescência trabalhou como comerciário na loja pertencente ao Sr. José Leorne Leitão, sendo testemunha de muitos episódios que ocorriam na cidade até que, a
inda muito jovem, no dia 3 de abril de 1920, prematuramente perdeu a sua mãe, passando depois disso por momentos muito difíceis, dedicando-se aos cuidados de seus sete irmãos, sendo eles: Iraydes Oliveira Guerreiro, Ildegardes Oliveira, Guiomar Oliveira Sampaio, Plausides Oliveira, Wilson Oliveira, Rainildes Oliveira, Elionides Oliveira e Aldegundes Oliveira.
Mais tarde, no dia 18 de janeiro de 1939, contando com o apoio do Mons. José Gaspar de Oliveira, juntamente com outros músicos da cidade, participou da fundação da 2ª composição da banda filarmônica pertencente à Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem.

“Participaram dessa banda, dentre outros, os abnegados músicos: Raimundo Avelino Pinheiro, Francisco Ribeiro da Silva (Chico Doth), Sebastião Ribeiro da Silva, Franciné Ribeiro da Silva, Antônio dos Santos, João Xavier Guerreiro, Antônio Lopes de Freitas, Narsales de Oliveira, Antônio Bezerra do Vale, Luiz Ribeiro da Silva, José dos Santos (Galêgo), Raimundo Rosa, Jaime Oliveira e Silva, mais tarde Dr. Jaime Ribeiro e Hermenegildo Oliveira.” (NASCIMENTO, 2002: p. 166)

No dia 30 de dezembro de 1945, segundo informações existentes no livro B-11, pertencente à secretaria da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, tombo nº 175, página 68, diante do Mons. Pedro Vitorino Dantas, contraiu matrimônio religioso com Etelvina Pereira de Oliveira, que era nascida no dia 5 de maio de 1924, sendo filha de José Pereira de Sousa com Joana de Almeida Braga, residindo com a sua família nas proximidades da Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, s/nº, Centro.
Desse relacionamento conjugal foram gerados seis filhos, três homens e três mulheres, sendo eles: Adroaldo Pereira de Oliveira, Francisca Maria Pereira de Oliveira, Simone Pereira de Oliveira, Josafá Pereira de Oliveira, Marlene Pereira de Oliveira e Giovane Pereira de Oliveira.
Durante a sua existência, sendo um exímio auto-didata, desenvolveu diversas atividades, entre elas destacamos a de comerciante, professor e músico, tendo preferência pelo saxofone, embora tocasse violão, bandolim, flauta e até sanfona, tudo pelo rigor da partitura:

“Esse nobre amigo, além de músico de invejáveis méritos, foi um excelente professor. Deu aulas particulares, ensinou na Legião Brasileira de Assistência e na Escola Paroquial. Foi, sem dúvida, detentor de vastos conhecimentos, sobretudo de Matemática, Geografia e Português, tendo ainda boas noções de Inglês e Francês. Contribuiu, de maneira notável, com o progresso e o desenvolvimento de sua terra, sendo ainda o seu primeiro fotógrafo, comerciante, secretário da paróquia, ministro da Eucaristia, haja vista ser um bom católico.” (NASCIMENTO, 2002: p. 133)

Nos primeiros meses de 1942, na gestão do Interventor José Rangel de Araújo, a convite de Maria Queiroz Marinho, nessa época diretora da LBA, a Legião Brasileira de Assistência, foi contratado para lecionar para as crianças carentes.
Entre os anos de 1947 e 1948, a convite do Pe. Francisco Clineu Ferreira, foi convidado para lecionar aos alunos interessados em ingressarem na vida sacerdotal em uma escola sustentada pela Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Muitos anos depois, nos primeiros meses de 1965, a convite do Pe. José Patrício de Almeida, voltou a lecionar na escola paroquial que funcionava no Salão Paroquial Mons. José Gaspar de Oliveira.

Imagem de outubro de 1978, quado recebeu a ordem de Ministro da Eucaristia.

Atento às mudanças do tempo, nos deixou um precioso relato da cidade de Boa Viagem no período de sua infância e juventude:

“Vou fazer nesta narrativa alguns comentários a respeito da vida em Boa Viagem no meu tempo de adolescente. Mais ou menos nos anos de 1920 até 1950 se tinha uma vida mais tranquila a respeito da vida familiar entre os habitantes dessa terra. Era raro um crime de morte, somente alguns ferimentos leves ou pancadas com cacete; o nosso povo procurava se entender mais para evitar certas desavenças. O nosso vigário, o Mons. José Cândido… era o primeiro a dar razão a quem tivesse e castigo de cadeia a quem merecesse. Só havia na cidade uma festa animada naqueles tempos, que era a festa de natal, no fim do ano. Os encarregados da festa contratavam uma banda de música de Quixeramobim ou Canindé e durante os 8 ou 10 dias de festa tinha que haver um baile em cada noite, onde as moças e rapazes aproveitavam para dançar. Nós tivemos um delegado militar muito enérgico, que entendeu de prender todos os criminosos de morte que perambulavam ainda pelo Município. Trata-se do Capitão Raimundo Bezerra de Maria, que não precisava ir atrás deles, bastava mandar uma intimação, uma ordem por escrito, e eles se apresentavam logo… Na minha adolescência fui empregado na casa de um irmão de Salviano de Sousa Leitão, que já era falecido, que se chamava José Leorne Leitão… Salviano era um grande comerciante e chefe político de muito prestígio. No tempo de juri, para fazer o julgamento dos presos, o juiz, promotor e advogados hospedavam-se em sua casa, pois ele era muito hospitaleiro. As casas comerciais que vendiam tecidos naquele tempo eram poucas, pois só me lembro de Salviano de Sousa Leitão, José Cândido de Carvalho, Manoel Araújo Marinho e Antônio Ximenes de Aragão, cujos estabelecimentos tinham muitos fregueses, pois compravam algodão, mamona, peles e outros produtos que eram vendidos em Fortaleza. A viagem para fortaleza era problemática. O primeiro automóvel foi comprado pelo Coronel José Cândido de Carvalho, cuja viagem tinha que se ir primeiro para Quixeramobim para pegar o trem para Fortaleza… Já ia me esquecendo de falar de um tipo muito engraçado e interessante da cidade, o Zé Costa… Era alto, magro, moreno, apresentando por volta dos 40 anos, muito simpático, vestindo calça e camisa simples, feitas por ele mesmo, e alpercata de um só furo. Na juventude, passou uma temporada em Maranguape e lá aprendeu algumas artes, entre elas mecânico, que era bom mesmo, consertava tudo que estava desmantelado. Era bom enfermeiro, quando alguém quebrava o braço ou perna, era ele quem encanava. Quando o Zé Costa contava uma anedota, velha ou nova, todo mundo sorria porque ele sabia temperar de uma forma que tinha muita graça. Era inimigo do casamento, andara por aqui umas moças do Monsenhor Tabosa, ainda parentes e de certa posição, que insistiram muito para ele mudar de ideia, mas ele não aceitou. Ele faleceu nesta cidade no ano de 1932, sendo encontrado com uma garrafa de cachaça na mão.” (BEZERRA DE MELO, 2002: p. 14-16)

Segundo informações existentes no livro C-05, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 2.749, folha 20v, faleceu na cidade de Boa Viagem, aos 91 anos de idade, no dia 18 de julho de 1994.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, no Centro da cidade de Boa Viagem.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BEZERRA DE MELO, Maria José. Ex-Educadores de Boa Viagem. Monografia apresentada ao departamento de pós-graduação e pesquisa da Universidade Estadual Vale do Acaraú, 2002.
  2. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. Boa Viagem, Realidade e Ficção. Fortaleza, MULTIGRAF, 1996.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão. A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Fortaleza: PREMIUS, 2015.
  5. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Delfino de Alencar Araújo. Disponível em www.historiadeboaviagem.com.br. Acesso em 18 de setembro de 2016.
  6. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 818, de 12 de dezembro de 2002, uma das ruas do Bairro Osmar Carneiro, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.

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