Francisco Braga do Nascimento

Francisco Braga do Nascimento nasceu no dia 12 de julho de 1916 no Município de Redenção, que está localizado na encosta da Serra do Baturité, na região Norte do Estado do Ceará, distante 55 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Manoel Joaquim do Nascimento e de Virginia Braga de Oliveira.
Na época do seu nascimento o local onde veio ao mundo era conhecido pelo topônimo de “Cala Boca”, que mais tarde veio a se chamar de Acarape, ganhando e perdendo a sua autonomia política algumas vezes:

“Elevado à categoria de vila com a denominação de Acarape, pela lei provincial nº 1.255, de 28 de dezembro de 1868, desmembrado de Baturité. Sede no atual Distrito de Acarape. Instalado em 21 de agosto de 1841, pelo ato provincial de 27 de dezembro de 1883, e o Distrito de Cala Boca é anexado ao Município de Redenção. Elevado à condição de cidade com a denominação de Redenção, pela lei provincial nº 2.167, de 17 de agosto de 1889. Pela lei estadual nº 2.396, de 21 de outubro de 1926, o Distrito de Cala Boca passou a denominar-se Acarape. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o Município é constituído 2 distritos: Acarape e Cala Boca. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, Acarape figura como Distrito de Redenção Assim permanecendo divisão territorial datada de 1º de junho de 1960. Elevado à categoria de Município com a denominação de Acarape, pela lei estadual nº 6.432, de 16 de junho de 1963, desmembrado de Redenção. Sede no antigo Distrito de Acarape.” (IBGE, 2010: Histórico de Acarape. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230015&search=ceara|acarape|infograficos:-historico. Acesso no dia 12 de julho de 2017)

Alguns anos antes, ainda pertencendo aos limites geográficos do Município de Redenção, essa localidade repentinamente sentiu os ares do progresso graças à construção de uma estação de passageiros da Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité S.A., que tinha por objetivo primordial escoar a produção serrana para o Porto do Mucuripe, na cidade de Fortaleza:

“Em 1879 foi construída um estação de trem na localidade de Cala Boca e com isso todos os comerciantes de Redenção mudaram os seus estabelecimentos para lá. No dia 26 de outubro de 1879 Cala Boca foi desmembrada de Redenção e passou a ser um Município. Em honra as suas origens Cala Boca passou a chamar-se de Acarape a partir do dia 18 de setembro de 1926.” (S.N.T)

Por conta dessa construção, o acanhado povoado de Cala Boca gradativamente conseguiu se destacar como centro urbano e somado ao seu potencial hídrico, que favorecia ao plantio da cana-de-açúcar, recebeu também a instalação de engenhos, alambiques e posteriormente recebeu a sua autonomia política.

Estação de Acarape.

Imagem da estação de Acarape.

Sendo o primogênito entre cinco irmãos, logo que nasceu, inconscientemente partilhou dessas mudanças sociais e políticas que ocorriam em seu Município.
Nessa época, mesmo morando no Sítio Guarani, teve o grato privilégio de receber instrução formal de professores particulares, que lhe deram às noções primárias da cartilha de ABC e das quatro operações matemáticas.
Nos primeiros meses de 1922, quando tinha apenas 6 anos de idade, algo incomum e extraordinário aconteceu nas proximidades de sua casa, fato que exerceu forte influencia em sua vida, nesse ano uma guarnição do Exército Brasileiro realizou manobras militares em seu Município, determinando um de seus desejos na juventude, prestar o serviço militar.
Nos anos que se seguiram uma série de crises políticas e sociais assolaram o Brasil, sendo elas: a Coluna Prestes, o Comunismo, o Tenentismo, a Revolução Constitucionalista, influenciaram ainda mais essa decisão juvenil.
Em 1934, ao completar dezoito anos de idade, dirigiu-se à capital cearense e alistou-se nas forças armadas, sendo encaminhado para prestação do serviço militar no 23º BC, o Batalhão de Caçadores, denominado de Batalhão Marechal Castello Branco, unidade do Exército Brasileiro que está localizado na Avenida 13 de Maio, nº 1.589, no Bairro de Fátima:

“Em 1919 o 46° Batalhão de Caçadores recebeu a nova denominação de 23° Batalhão de Caçadores, 23°BC, que se mantém até hoje pelo Decreto n° 13.916, de 11 de dezembro de 1919. Teve como primeiro comandante o Coronel Felipe Antonio da Fonseca, numeração que passou a contar de 1° de janeiro de 1920, ano este que recebe ordem de realizar manobras e acampamentos em diversas localidades do Nordeste que cito: 1920 – Vila de Mecejana (atual Bairro de Fortaleza-CE), 1921 – povoado de Cajazeira – PB (região de fronteira entre Estados) e 1922 – cidade de Acarape – CE.” (CARACAS NETO, 2009: p. 4)

Na caserna, mesmo vagando com a sua unidade militar por várias unidades da Federação, teve a oportunidade de aprender o ofício de motorista, fato que foi o determinante para a sua subsistência e de sua família logo após a sua baixa.
No dia 9 de junho de 1950, não sabemos por qual motivo, provavelmente por alguma cena assistida em uma dessas incursões, entre elas o cerco ao Sítio Caldeirão, decidiu pedir baixa da caserna e voltar ao convívio civil:

“Em 1936 o 23° BC deslocou-se para realizar um cerco na região de Santa Cruz, no Município do Crato, por determinação do ministro da guerra. Coube a Polícia Militar e a Força Aérea a efetiva atuação no Sítio Caldeirão, que estava de posse do Beato José Lourenço e de seus seguidores. Retornou para a sede logo após a desocupação da área e destruição da célula comunista que ali se encontrava instalada.” (CARACAS NETO, 2009: p. 6)

Nessa época, o Brasil já começava a investir na expansão de sua malha viária e o Ministério dos Transportes, na época Ministério da Viação e Obras Públicas, já se estruturava de forma embrionária para criar o futuro DNER, o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem:

“DNER é a sigla de Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, que é um órgão federal e está vinculado ao Ministério dos Transportes. Em 2001 o DNER foi substituído pelo DNIT, que significa Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. O DNER mudou de nome quando houve uma reestruturação do sistema de transportes terrestres e aquaviários do Brasil. O DNER, agora DNIT, é responsável pela manutenção, ampliação, construção, fiscalização, e elaboração de estudos técnicos de qualquer problema relacionado ao tráfego nos transportes terrestres e aquáticos do pais.” (S.N.T)

Mais tarde, na cidade de Fortaleza, caminhando por Mecejana, conheceu a jovem Maria da Conceição do Nascimento, que nasceu no dia 31 de julho de 1934, sendo filha de Antônio Ferreira da Silva e de Luiza Vicente da Silva, com quem, depois de algum tempo de convivência em união estável, no dia 22 de maio de 1962, segundo informações existentes no livro 5, pertencente ao Cartório de Registo Civil da cidade de Chorozinho, tombo nº 140, folha 195, contraiu matrimônio.
Desse consórcio matrimonial foram gerados dezessete filhos, sendo que seis faleceram ainda na infância, conseguindo sobreviver onze, três homens e oito mulheres, sendo eles: Maria do Socorro Braga, Maria Luzanira Braga, Maria Eunice Braga, Francisco Braga Filho, Maria Célia Braga, Maria Suzana Braga, Helena Braga do Nascimento, Maria Luzia do Nascimento, Hélio Braga do Nascimento, Edson Braga do Nascimento e Maria Eurenice Braga.
Alguns anos antes disso, por volta de 1953, conseguiu uma vaga de motorista no Ministério de Viação e Obras Públicas, tendo conseguido a sua carteira nacional de habilitação no dia 22 de janeiro de 1951.
Em seu novo emprego o seu veículo era um Alfa Romeu, considerado na época como um dos maiores veículos de carga, que costumava levar também as turmas de trabalhadores aonde as novas estradas federais estavam sendo abertas.
Depois disso, em 1962, com o início das obras da Rodovia Federal Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, a BR-020, instalou-se com a sua família na cidade de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza.
Nessa época, a residência e a usina do DNER foi instalada na Rua José Natal de Araújo, s/n°, no Bairro Floresta, onde mantinha também os escritórios e estacionamento dos veículos.
Enquanto morou na cidade de Boa Viagem residiu com a sua família na Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, s/n°, depois na Avenida França Mota, s/nº, e por fim na Rua Agronomando Rangel, s/nº, Centro.
Apaixonado por futebol, logo que chegou ao Município de Boa Viagem, tratou de criar um time formado pelos funcionários do DNER e sempre que podia interpelava junto aos engenheiros da firma para que estes permitissem a terraplanagem de áreas que servissem como campo de futebol.

Imagem de um dos times formados pelo Sr. Braga.

Esse time do DNER, dentro de pouco tempo, passou a representar também o Município de Boa Viagem nos amistosos que eram convidados nos Municípios vizinhos.
Nessa época, entre esses campos beneficiados pela terraplanagem, o campo onde hoje se encontra o Estádio Municipal Dr. Francisco Segismundo Rodrigues dos Santos Neto também é fruto de seus esforços, sendo inclusive um dos entusiastas para criação de uma seleção que representasse o Município de Boa Viagem no Campeonato Intermunicipal promovido pela APCDEC, a Associação Profissional dos Cronistas Desportivos do Estado do Ceará.

“Rasgar o Estado do Ceará quase de ponta a ponta com o seu time de futebol era a sua grande paixão, como também elevar o nome de Boa Viagem, terra que logo de início se tornou o seu lugar de coração. Mesmo enfrentando muitas dificuldades financeiras e de tempo, pois todos são sabedores que Braguinha pertencia aos quadros funcionais do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem.” (NASCIMENTO, 2012: p.2)

Nos primeiros meses de 1977, depois de receber um comunicado de transferência, deu uma pausa nas atividades de seu time de futebol e contrariado seguiu para cidade de Fortaleza, onde passou pouco tempo, sendo transferido para o Município de Canindé, onde reativou o seu time de futebol.

“Em Canindé foi bastante reconhecido pelo meio esportivo daquela cidade, aonde deu sequência aos trabalhos esportivos iniciado na cidade vizinha de Boa Viagem.” (NASCIMENTO, 2012: p. 2)

Nos primeiros anos da década de 1980, enfim recebeu uma tão desejada notícia, conseguiu regressar para o Município de Boa Viagem, cidade a qual havia se apaixonado, até que, em maio 1985, foi comunicado de seu afastamento por conta de sua aposentadoria por tempo de serviço.

“Deixou um convívio profissional que durou 35 anos de serviços marcados por muito trabalho pelo Brasil afora, e sendo condecorado, em Brasília, com o título de honra ao mérito, pelo reconhecimento da nação de um funcionário que deixava a sua função sem uma falta sequer e muita paixão pelo que fazia.” (NASCIMENTO, 2012: p. 2)

Popularmente conhecido como “Braguinha”, era a forma diminutiva e carinhosa de sua designação de guerra, nome que os seus amigos mais achegados costumavam lhe chamar desde a época em que era militar.
Era um torcedor apaixonado pelo alvinegro de Poramgabussu, o Ceará Sporting Club, sendo por muitos anos um dos sócios torcedores do “Glorioso” time cearense, costumando acompanhar os seus jogos com um grande rádio no colo, sentado na calçada de sua casa.

“O brilho de Braguinha permanece vivo até hoje, pois quem fez jamais poderá ser esquecido, Francisco Braga do Nascimento, 11 filhos, 26 netos, 12 bisnetos e mais de 50 mil irmãos boa-viagenses.” (NASCIMENTO, 2012: p. 2)

Segundo informações existentes no livro C-5, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 3.536, folha 217, faleceu às 20 horas na cidade de Boa Viagem, aos 83 anos de idade, no dia 7 de março de 1999, tendo o seu óbito sido atestado no Hospital e Casa de Saúde Adília Maria de Lima pelo Dr. Henrique José Bastos Pinheiro.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, Centro.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 818, de 12 de dezembro de 2002, uma das ruas do Bairro Tibiquari, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.