Enoque Antero da Silva

Enoque Antero da Silva nasceu no dia 3 de março de 1930 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Manoel Antero da Silva e de Porcina Luíza dos Santos.
Os seus avós paternos se chamavam Antero José da Silva e Maria Rachel do Espírito Santo, já os maternos eram Alexandre José dos Santos e Luíza Maria do Espírito Santo.
Na época em que nasceu o Município de Boa Viagem não dispunha de uma casa de parto, fato que obrigou aos seus pais a contar com os valiosos serviços de uma parteira na localidade de Santa Cruz, próximo do povoado que deu origem à vila de Domingos da Costa, onde passou os primeiros anos de sua infância.

“Durante muitos anos, os únicos profissionais de saúde existentes em nossa região foram às parteiras, mulheres que normalmente recebiam esse aprendizado de forma hereditária, ou seja, a filha de uma parteira acompanhava a sua mãe no atendimento às mulheres em trabalho de parto auxiliando-a de acordo com as necessidades do momento, possibilitando, assim, após algum tempo de prática, o aprendizado para continuidade do ofício.” (SILVA JÚNIOR, 2016: A História da Saúde no Município de Boa Viagem. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/saude/. Acesso em 28 de novembro de 2017)

Mais tarde, nos  primeiros meses de 1932, por conta de uma feroz estiagem que se abateu sobre o Sertão, os seus pais resolveram migrar com a sua família para o Estado do Pará, local que foi habitado pelo seu avô materno na juventude.

“Esse grupo permaneceu na localidade de Marmilona durante cinco anos, e ali testemunhavam publicamente de sua fé até que, em 1932, desanimados pela seca, decidiram vender as suas posses para Francisco Deoclécio Ramalho, por 120 contos de réis, o equivalente ao preço de três vacas na época. Quando estavam prestes a viajar para Região Norte, a situação climática se modificou. Começou a chover e o comprador do terreno quis abrir mão de sua aquisição, pois havia como recuperar parte da plantação, mas o grupo não desistiu do seu propósito.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 209)

Depois da efetivação desse negócio, seguiu com a sua família para cidade de Quixeramobim e de trem partiram para cidade de Fortaleza, onde embarcaram em um navio com destino à cidade de Capanema, que na época era chamada de “Siqueira Campos”, estando localizada na região nordeste desse Estado.

“Antes de tomarem o navio, na cidade de Fortaleza, resolveram procurar o auxílio do Rev. Natanael Cortez, pastor presbiteriano e deputado estadual, mas esse pouco os ajudou, e isso lhes causou uma grande decepção. Nessa época, para embarcarem no navio que os levou à cidade de Belém, foram para a Ponte dos Ingleses, onde tomaram um bote que os levou ao alto mar, onde subiram a bordo.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 210)

Em Capanema, o seu pai logo conseguiu um emprego na construção de uma estrada de ferro, onde foi infectado pela febre amarela, que por muito pouco não provocou o seu óbito, fato que, juntamente com a sua família, o fizeram decidir voltar para o Estado do Ceará.
Nesse mesmo tempo, o seu avô materno, que ao se estabelecer nessa cidade cuidou em plantar um enorme campo de mandioca, tentou a todo custo se desfazer de sua produção para levantar o dinheiro da passagem de retorno.

“Quando estavam se organizando para retornar ao Estado do Ceará, procuraram, a todo custo, vender a grande plantação de mandioca que tinham feito no intuito de conseguir dinheiro para as passagens. Lamentavelmente, ninguém quis comprar, haja vista a grande quantidade desse produto na região.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 210)

Passando algum tempo, o regresso para o Estado do Ceará só foi possível por conta da sensibilidade de um pastor batista, ao qual não sabemos o nome, que por sua influência e amizade com o capitão de um navio os conseguiu embarcar para o destino desejado.
A viagem de retorno durou onze longos dias e ao chegarem ao Porto do Mucuripe, na cidade de Fortaleza, seguiram direto para estação de trem, onde tomaram destino para cidade de Quixeramobim e de lá, sem dinheiro para uma condução, colocaram as suas poucas bagagens no comboio de um tropeiro conhecido pelo apelido de “Chico Grande”.
Depois dessa “aventura pelo Norte”, se estabeleceram durante algum tempo em uma localidade que é denominada de Fazenda Pitombeira, na zona rural de Boa Viagem, que nessa época havia perdido a sua autonomia política, voltando a pertencer ao Município de Quixeramobim.

“Por volta de 1935, chegando do Estado do Pará, e por questões de parentesco, a família de Manoel Antero da Silva se instalou por um período nas terras de Martins José da Silva. Nesse tempo, José dos Santos Filho, seu cunhado, residia na Fazenda Pitombeira.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 191)

Mais tarde, a convite do Agropecuarista Theóphfilo da Costa Oliveira, a sua família passou a residir em uma propriedade na localidade de Olho d’Água Seco, onde durante dois anos o seu pai trabalhou como vaqueiro e por conta de boas colheitas conseguiu juntar alguns recursos.
Nos primeiros meses de 1938, desejando melhoras, os seus pais resolveram retornar para o Município de Catolé do Rocha, estabelecendo-se dessa vez no Sítio Brejinho, onde passaram pouco tempo, pois no ano seguinte novamente regressaram para o Ceará, instalando-se mais uma vez na Fazenda Pitombeira, perdendo uma de suas filhas, que se chamava Edite.
Depois disso, o seu pai adquiriu uma pequena propriedade em uma localidade denominada de “Pedra Branca”, nas proximidade da vila de Ibuaçu, onde havia outros paraibanos, entre eles Sebastião Alves da Silva
que mantinha um trabalho religioso em sua residência.
Nesse mesmo período, enfrentando outra seca, o seu pai foi alistado nas frentes de trabalho que foram patrocinadas pelo Governo do Estado na construção da represa denominada de Açude da Vazante, localizada nas proximidade da vila do Ibuaçu.

“Durante a semana, enquanto estava na construção do açude, a propriedade era cuidada por seus filhos e, aos domingos e todas as noites da semana, tiravam parte do tempo para insistir na plantação e verificar as necessidades mais urgentes da pequena propriedade.”  (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 191)

Nos últimos meses de 1946, depois de muitas economias, os seus pais passaram a residir com a sua família na localidade de “Barra das Aroeiras”, onde adquiriu uma pequena propriedade, constituindo-se em uma das colunas do trabalho protestante que se estabelecia na região.
Nessa localidade, juntamente com outros, fortaleceu o inicio dos trabalhos da Igreja Evangélica Congregacional de Várzea da Tapera, que antes funcionou na localidade de Sussuarana.

“Com o passar do tempo, o trabalho foi se desenvolvendo, e logo começaram a surgir os primeiros frutos. Sempre que os missionários da UESA estavam na cidade de Boa Viagem costumavam visitar essa alegre congregação. Nesse tempo, a Congregação de Lembranças estava aos cuidados da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira, que posteriormente a transferiu para os cuidados da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, na sede do Município.” (SILVA JÚNIOR: 2015: p. 216)

Nesse período, por conta das secas e da pouca quantidade de terras, alguns de seus irmão migraram para outras regiões do país, onde constituíram família e nunca mais regressaram.
No dia 18 de janeiro de 1956, na cidade de Quixadá, contraiu matrimônio com Miriam Maciel Silva, sendo filha de Vicente Maciel Filho e de Isabel Pinheiro da Silva.
Sem poderem gerar filhos, tomaram para si quatro crianças, um homem e três mulheres, sendo eles: Eliardo Rodrigues, Kátia Antero Facundo, Eirlys Maciel Rodrigues e Regina Pâmela Rodrigues.
Pouco tempo depois, estabeleceu-se como farmacêutico e dentista prático em uma bela casa nas proximidades da residência de seu pai, na localidade da Barra das Aroeiras.
No dia 1º de janeiro de 1966, juntamente com a sua esposa e duas de suas irmãs, Salomé Antero de Oliveira e Noeme Antero Lima, tiveram os seus nomes referendados ao batismo pela assembleia de membros da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, recebendo esse sacramento pelas mãos do Rev. Ezequiel Fragoso Vieira.
No dia 30 de novembro de 1977, juntamente com os seus familiares, partilhou da notícia do inesperado falecimento de uma de suas irmãs, Salomé Antero de Oliveira, que faleceu aos 36 anos de idade por conta de uma descarga elétrica de um raio.
Mais tarde, no dia 19 de novembro de 1983, foi a vez de partilhar com os seus familiares a dor da perda de sua mãe, que faleceu por conta de um câncer de útero pouco tempo depois de completar 67 anos de idade.
Muitos anos depois, no dia 25 de maio de 1994, foi a vez de lamentar a perda de seu pai, que faleceu quando estava prestes a completar 97 anos de idade.
Nos primeiros meses de 2010, atravessando problemas de saúde e desejando receber uma melhor assistência médica, passou a residir na Rua Agronomando Rangel, nº, no Bairro Boaviaginha, na cidade de Boa Viagem.
Mais tarde, no dia 11 de novembro de 2011, segundo informações existentes no livro, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº, folha, faleceu aos 81 anos de idade.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu  corpo foi sepultado por seus familiares em um mausoléu existente no Cemitério das Lembranças.

Imagem do túmulo de Enoque Antero da Silva, em 2017.