Maria Eviza de Carvalho Machado

Maria Eviza de Carvalho Machado nasceu no dia 24 de julho de 1927 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filha de João Antônio de Carvalho e de Maria Eleniza de Carvalho.
Os seus avós paternos se chamavam João Antônio de Carvalho e Maria de Jesus do Espírito Santo, já os maternos eram Vicente Jorge e Francisca Maria.
Na época em que nasceu a cidade de Boa Viagem não dispunha de uma casa de parto, fato que obrigou aos seus pais a contar com os valiosos serviços de uma parteira em uma localidade denominada de Poço Grande, onde passou grande parte de sua infância e juventude.

“Durante muitos anos, os únicos profissionais de saúde existentes em nossa região foram às parteiras, mulheres que normalmente recebiam esse aprendizado de forma hereditária, ou seja, a filha de uma parteira acompanhava a sua mãe no atendimento às mulheres em trabalho de parto auxiliando-a de acordo com as necessidades do momento, possibilitando, assim, após algum tempo de prática, o aprendizado para continuidade do ofício.” (SILVA JÚNIOR, 2016: A História da Saúde no Município de Boa Viagem. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/saude/. Acesso em 25 de outubro de 2016)

Quando chegou a sua época de estudar deu inicio a sua vida escolar no dia 1º de julho de 1937, quando foi matriculada, juntamente com alguns de seus irmãos, em uma escola municipal que possuía turmas multisseriadas e que era localizada nas proximidades de sua casa, na comunidade de Sabonete, na zona rural do Município de Boa Viagem.
Mais tarde, ainda bem jovem, contando 18 anos de idade, contraiu matrimônio religioso com Luiz Rodrigues de Sousa, nascido em 1921, passando a residir com ele na zona rural do Município de Crateús até que, seis meses depois de sua união, no dia 28 de dezembro de 1945, o seu esposo faleceu inesperadamente por conta da temida febre tifoide, não chegando sequer a gerar filhos.

Imagem do velório de seu primeiro esposo.

Pouco tempo antes disso, estando recém casada, o seu marido passou dias embrenhado no mato campeando o gado e fazendo as demais atividades corriqueiras de sua propriedade, quando passou a sentir febre e fortes dores abdominais, motivo que os levou a fixar residência na cidade de Crateús.
Nesse período, certas horas da noite, já recolhidos em seu leito, percebeu alterações na respiração de seu marido que estava em agonia, desesperadamente pediu ajuda de todos os vizinhos, entre eles do seu sogro, que pouco conseguiram fazer para reanimar o convalescente.
Mais tarde, desconsolada pela perca, depois das exéquias fúnebres de seu esposo, por carta, comunicou aos seus pais o triste ocorrido, que imediatamente providenciaram meios para lhe trazer para o Poço Grande.
Poucos meses depois, retomando a sua rotina de quando solteira, conheceu João Rodrigues Machado, que nessa época era vaqueiro de José Rangel de Araújo, confinante da propriedade de seu pai.
Dessa bela amizade logo surgiu um mutuo interesse pelo casamento, algo que de início não foi aceito de bom grado pelos seus pais, atitude que motivou aos dois a planejarem uma fuga.
Ao fugir de sua casa foi imediatamente acolhida pelo patrão de seu amado, que no dia seguinte comunicou o ocorrido aos seus pais e em seguida os convenceu a permitir o tão desejado casamento.
O seu matrimônio religiosos ocorreu às 10h do dia 17 de agosto de 1946 no santuário da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, tendo como celebrante o Mons. Pedro Vitorino Dantas.
Poucos dias depois, em 24 de setembro, segundo informações existentes no livro B-10, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 1.091, folha 120v, em uma cerimônia que foi presidida pelo juiz Dr. Plínio Ramos Pinto, confirmou os seus votos conjugais com João Rodrigues Machado, nascido no dia 27 de dezembro de 1918, sendo filho de Manoel Rodrigues Machado e de Raimunda Ferreira Gomes.

Imagem de Dona Eviza e de seu esposo.

Desse matrimônio foram gerados doze filhos, dos quais sobreviveram apenas sete, sendo eles: Francisco Rodrigues Machado, Francisca Carmoniza Carvalho Machado, Francisco Osmany Machado, Francisca Lurdeniza Carvalho Pereira, Francisca Audeniza Carvalho Machado, Francisco Cleginaldo Machado, Mirna Estela Carvalho Mendes.
Pouco tempo depois de seu casamento, passando a residir na cidade de Boa Viagem, para ajudar nas despesas de seu lar, começou a lecionar em sua residência, que estava localizada na Rua Antônio Domingues Álvares, nº 299, no Centro da cidade de Boa Viagem, contribuindo assim para formação de várias crianças.
Mais tarde, morando de aluguel, passou a residir com a sua família nas proximidades da Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, nº 41, também no Centro da cidade, de onde assistia as noivas que entravam na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, o que despertou a sua atenção para confeccionar adornos para casamento e outros tipos de costura, dentre elas mortalhas.
Nos últimos meses de 1964, na gestão do Prefeito Dr. Manuel Vieira da Costa, o Nezinho, passou a prestar os seus serviços como enfermeira no Posto de Saúde Dr. Pontes Neto, instalado na cidade pelo Governo Municipal, onde prestou valiosos serviços nas campanhas de vacinação:

“O atendimento à saúde era realizado através de um pequeno posto de saúde, que distribuía escassos medicamentos aos pacientes, através da servidora D. Evisa Carvalho Machado. O médico da cidade, Dr. Solon Ximenes de Araújo, fazia o receituário. As cirurgias e os partos que as ‘cachimbeiras’ ou a D. Maria Assistente, a única parteira diplomada à época, não conseguissem resolver, as pacientes eram encaminhadas de jeep para os distantes Municípios de Quixadá ou Fortaleza, sempre acompanhadas pela D. Maria Assistente. Era um sofrimento muito grande e muitas mães não suportavam e morriam na viagem. Alguns anos depois, sob a direção do médico Dr. Pontes Neto, surgia o Hospital Regional de Quixeramobim, há 60 quilômetros da cidade de Boa Viagem.” (VIEIRA FILHO, 2008: p. 44-45)

Alguns anos depois, na gestão do Prefeito Benjamim Alves da Silva, esse pequeno posto foi instalado em uma das salas do Hospital e Casa de Saúde Adília Maria de Lima.
Mais tarde, nos primeiros anos da década de 1970, desejando aprimorar os seus conhecimentos, matriculou-se no “Curso Madureza”, uma espécie de ensino supletivo, onde com louvor conseguiu concluir o antigo 1º Grau.

Imagem de sua residência, em 2019.

Nesse período voltou a residir com os seus familiares na Rua Antônio Domingues Álvares, nº 88, Centro, até finalmente conseguir conquistar o sonho de possuir a sua casa, que estava localizada na Rua Padre Antônio Correia de Sá, nº 330, também no Centro, onde costumava no horário da noite reunir muitos amigos em prazerosas rodas de conversa.
Antes disso, nos últimos anos da década de 1970, percebendo um valioso nicho de mercado, passou também a ser comerciante explorando o ramo de ótica, funcionando inicialmente na Rua José Leal de Oliveira, s/nº, Centro, e algum tempo depois na Rua Antônio Domingues Alvares, nº 374, também no Centro, onde construiu a sua marca profissional junto a uma sólida e fiel clientela.

“Mulher destemida, trabalhadora, fiel aos seus princípios, alicerçados numa formação cristã católica, perseverou nela até o fim de sua valiosa vida. Em 1976, com ousadia e determinação, deu asas aos seus sonhos, vindo a abrir uma ótica, nesta cidade, tendo como razão social o nome de ‘Ótica Boa Viagem’. Com o passar dos anos, mudou o nome para ‘Eviza Ótica’, permanecendo até hoje.” (MARINHO, 2017: p. 178)

Segundo informações existentes no livro C-06, pertencente ao Cartório Geraldina, tombo nº 4.975, folha 277v, faleceu vítima de problemas cardíacos depois de ser atendida na emergência do Hospital e Casa de Saúde Adília Maria de Lima no dia 31 de maio de 2007, aos 80 anos de idade.
Logo após o seu falecimento o seu esquife foi trazido para cidade de Boa Viagem e depois das despedidas fúnebres que são de costume foi sepultado por seus familiares em um mausoléu existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, Centro.

BIBLIOGRAFIA:

  1. MARINHO, Antônia de Lima. A Filha do Nordeste e Frutos Nordestinos. Boa Viagem: Máximos Impressões Gráficas, 2015.
  2. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  3. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A História da Saúde no Município de Boa Viagem. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/saude/. Acesso em 25 de outubro de 2016.
  4. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Vila Azul, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.

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