Olho d’Água do Bezerril

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

O Olho d’Água do Bezerril é uma vila existente na zona rural do Município de Boa Viagem, sendo a sede do Distrito de Olho d’Água do Bezerril, distante pouco mais de 52 quilômetros do Centro da cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Imagem da placa de identificação da vila, em 2020.

Dentro da divisão politico-geográfica, em relação ao Marco Zero, essa vila está localizada na região oeste do Município de Boa Viagem.

A ORIGEM DE SEU TOPÔNIMO:

Designação toponímica classificada como complexa, o nome dessa localidade é a junção de duas palavras, onde a primeira delas indica a existência, em um passado distante, de uma nascente que serviu para abastecer os agregados do Capitão José Custódio Bezerril, de quem recebeu o sobrenome como complemento.

AS SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

Nos primeiros anos do século XVIII, depois de um bárbaro crime cometido na região dos Inhamuns, uma família vinda daquela região se estabeleceu nesse local, que estava dentro do território do Município de Quixeramobim, onde fincou suas raízes e os seus descendentes permanecem até o presente ainda mantendo relações de parentesco com pessoas do Ibuaçu, Cachoeira dos SilvestresConceição e outras localidades em suas proximidades.

“O Capitão José Custódio Bezerril, mandante e arquiteto do crime horroroso, em vez de ir para o Ico, que era a sede do desenvolvimento no interior cearense e lugar com polícia e juiz, veio juntamente com alguns pajens (agregados) parentes, para o Município de Boa Viagem, que na época era chamado de Cavalo Morto, escondendo-se no lugar que passaria a ser chamado de Olho d’Água do Bezerril, então ermo e difícil. O capitão veio acompanhado de um parente e filhos deste, chamado Silvestre Martins Chaves, que era casado com Maria, filha de Manoel Raulino. O casal teve 11 filhos… Note-se que o Capitão José Custódio Bezerril não assinava com Feitosa, mas era Feitosa, também os Martins Chaves, que o acompanhavam não assinavam, mas eram Feitosas… Hoje, vê-se que a estratégia foi parecida com a de Lampião. Os seus agregados não ficaram juntos em um só lugar, mas em pontos estratégicos de proteção ao Olho d’Água, onde se fixou o Capitão José Bezerril: Silvestre Martins Chaves ficou ao poente, ao pé da Serra do Jacampari, onde havia acesso para o Crateús e deu nome ao lugar Cachoeira dos Silvestres; outro olheiro deve ter ficado no lugar chamado Conceição, onde havia acesso ao lugar Cavalo Morto (Boa Viagem). Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Cococi, era a devoção dos Feitosas, desde o primeiro Feitosa, Francisco Alves Feitosa, construtor da capela do Cococi; era um apelo patrocínio da Santa Mãe de Deus; outro olheiro ficou no lugar Socorro, hoje Ibuaçu, passagem para Várzea Queimada, hoje Madalena, com acesso para Canindé e Quixeramobim. Em Ibuaçu também prevaleceram os Martins. Ao sul, o capitão estava protegido pela Serra da Guia, que já tomou o nome porque servia de guia aos constantes emissários secretos do capitão aos Inhamuns, para, na volta, acertarem com o Olho d’Água.” (FEITOSA, 2004: p. 4-5)

Estabelecidos em fazendas para criação de gado destinados ao corte, alguns sertanejos de outras famílias também fixaram residência nessa região, onde existiam centenas de hectares de terras que eram classificadas como devolutas.
Alguns anos depois, nos últimos meses de 1864, depois da autonomia concedida ao Município de Boa Viagem, essa localidade figurou dentro de seu território e posteriormente, com  divisão desse Município em Distritos, no Distrito de Ibuaçu.
Nessa localidade, aos poucos, por conta do número de habitantes na região e a distância dos principais centros urbanos, algumas pessoas resolveram investir em pequenos estabelecimentos comerciais, indo de mercearias, que eram denominadas na região de “bodegas”, bares e outros ramos de serviço.

“O Olho d’Água do Bezerril é uma localidade rural, pertencente ao Distrito do Ibuaçu… tendo como principal fonte de renda dos moradores a agricultura e pequenos comércios. Na comunidade existe uma pequena capela, cujo padroeiro é São Francisco das Chagas, regida pela Paróquia de Nossa Senhora da Guia. Existe uma escola com 113 alunos no Ensino Fundamental cuidados por 10 professores; um posto de saúde de atenção primária. No campo da comunicação possui um orelhão da Telemar e o abastecimento d’água é feito por um açude público. Lá também são desenvolvidas manifestações culturais, destacando-se: quadrilhas, reisados, precisões, novenários em honra a São Francisco, Santo Antônio, São João e São Pedro, cantorias, dramas, coroações de Nossa Senhora e apresentações natalinas.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 191-192)

Mais tarde, depois de várias campanhas de arrecadação, os moradores do povoado se mobilizaram para construção de sua capela, que nos primeiros anos da década de 1970 estavam dentro dos limites da Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de Madalena.

“Nos primeiros anos da década de 1970, despertado o interesse de seus moradores em construir um espaço adequado para essas celebrações religiosas, depois de vários meses de campanhas de arrecadação, esse desejo tornou-se realidade no dia 21 de julho de 1972 em uma missa presidida pelo Pe. Vital Elias Filho, que promoveu a benção da capela.” (SILVA JÚNIOR, 2012: Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/capela-de-sao-francisco-das-chagas-olho-dagua-do-bezerril/. Acesso do dia 12 de setembro de 2019)

Nos primeiros anos da década de 1990, com a reformulação dos territórios paroquiais da região, essa capela passou aos cuidados da Paróquia de Nossa Senhora da Guia, a quem o patrimônio dessa capela passou a pertencer.
Antes disso, por volta de 1986, na gestão do Prefeito José Vieira Filho – o Mazinho, os moradores dessa localidade receberam a construção de sua unidade de ensino, que posteriormente perdeu a sua autonomia administrativa por conta do baixo número de estudantes.

“No primeiro semestre de 2005, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, por meio da lei nº 913, de 27 de junho, seguindo o plano de redimensionamento geográfico do Município, essa unidade de ensino passou a figurar dentro do território do Pólo Três.” (SILVA JÚNIOR, 2012: Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-de-ensino-fundamental-manoel-saraiva-de-sousa/. Acesso do dia 2 de abril de 2021)

Mais tarde, no dia 2 de outubro de 2008, através da lei municipal nº 1.003, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, essa região foi designada como um dos novos Distritos do Município, sendo esse povoado elevado à condição de vila.

AS LOCALIDADES DE SUA VIZINHANÇA:

O principal acesso para Vila do Boqueirão, saindo da cidade de Boa Viagem, é feito por via terrestre através da Rodovia Federal Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, a BR-020, seguindo pela Rodovia Estadual CE-265, depois por rodovias municipais, que lamentavelmente não possuem nomenclatura que facilitem a sua identificação.

Imagem do mapa da região.

A vila do Olho d’Água do Bezerril tem em sua vizinhança as seguintes localidades: Gurupi, São Clemente, São Jorge e Umburanas.

OS EQUIPAMENTOS EXISTENTES NA VILA:

Na vila do Olho d’Água do Bezerril, que no presente possui pouco mais de 7 ruas, os seus habitantes possuem alguns equipamentos para facilitar as suas vidas, bem como a dos moradores de sua vizinhança, sendo eles:

  1. Capela de São Francisco das Chagas;
  2. Escola de Ensino Fundamental Manoel Saraiva de Sousa;
  3. Praça Francisco Martins Chaves;
  4. O Cemitério de São Francisco das Chagas;
  5. O Posto da Saúde Antônio Sebastião de Paiva;
  6. O Posto dos Correios.

BIBLIOGRAFIA:

  1. FEITOSA, Neri. História do Povoado de Olho d’Água do Bezerril. Canindé: Instituto Memorial de Canindé, 2004.
  2. FRANCO, G. A. & CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. PELOSI FALCÃO, Marlio Fábio. Dicionário Toponímico, Histórico e Geográfico do Nordeste. Fortaleza: Artlaser, 2005.
  5. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Capela de São Francisco da Chagas. Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/capela-de-sao-francisco-das-chagas-olho-dagua-do-bezerril/. Acesso do dia 2 de abril de 2021.
  6. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Escola de Ensino Fundamental Manoel Saraiva de Sousa. Disponível em https://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-de-ensino-fundamental-manoel-saraiva-de-sousa/. Acesso do dia 2 de abril de 2021.
  7. SIMÃO, Marum. Madalena: Reconstruindo a história. Ed. Paradidático. Fortaleza: RDS, 2010.
  8. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.