Imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

A imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem está localizada na Rua Dr. Solon Ximenes Araújo, s/nº, próxima da Rodovia Federal Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, a BR-020, no Bairro Boaviaginha, na cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, em 2012.

Essa imagem é uma reprodução artística que faz parte do circuito de imagens sacras que foi colocado nos Caminhos de Assis, que levam ao Município de Canindé.

“Arte sacra é o nome dado a toda produção artística qualificada e destinada ao culto sagrado. Deve-se distinguir entre arte religiosa e arte sacra. A diferença está fundada não tanto nos caracteres intrínsecos de ambos e na inspiração de cada uma, mas no destino da obra artística. Existem obras de profunda inspiração religiosa e que, não obstante isto, não são destinadas ao culto, e portanto, não devem ser consideradas propriamente como sendo arte sacra.” (S.N.T)

A HISTÓRIA DE SUA CONSTRUÇÃO E A SUA FINALIDADE:

Essa imagem foi construída em 1999, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, e é reconhecida como ponto de turismo religioso pela Secretaria do Turismo do Estado do Ceará e pelo Ministério do Turismo.

Imagem da missa inaugural, em 1999.

A sua construção teve por finalidade colocar a cidade de Boa Viagem no roteiro dos romeiros que diariamente transitam pela BR-020 e segundo a matéria do periódico Folha de Boa Viagem, ano I, edição nº 1, de maio de 2003, o Instituto Brasileiro de Turismo, a EMBRATUR, reconheceu a potencialidade turística de nosso Município.

“Em solenidade realizada no Centro de Convenções Edson Queiroz, no final do mês de março, em Fortaleza, a EMBRATUR reconheceu as potencialidades turísticas do Município de Boa Viagem. Presente a solenidade o Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef recebeu das mãos do Governador Dr. Lúcio Gonçalo de Alcântara o Selo do Município com potencial turístico, outorgado a Boa Viagem após minucioso estudo do Ministério do Esporte e Turismo. O segundo passo, segundo o prefeito, é viabilizar recursos junto ao Governo Federal para investir no desenvolvimento do turismo no Município. A boa conservação dos monumentos históricos, tal qual o Obelisco e a Lagoa do Cavalo Morto; a variedade do artesanato local; as edificações antigas existentes, aliadas as belas praças de lazer e a riqueza natural que é o Cachoeirão das Almas, bem como a divulgação que o Boa Viagem Esporte Clube propicia ao Município, seguido de outros fatores de logística, contribuíram para a qualificação e o reconhecimento das potencialidades turísticas do Município.”

Sobre a construção dessa imagem sacra, segundo o periódico Jornal de Boa Viagem, ano I, nº 2, edição de junho/julho, página nº 7, esse monumento foi construído “para atender os apelos da comunidade católica, que há anos sonhava com esse projeto“.

“No local da estátua a Secretaria de Obras, que tem à frente o Dr. George Dantas da Costa, engenheiro civil, foi instalado bancos e luminárias, oferecendo segurança, comodidade e condições ideais aos visitantes.”

A sua construção foi totalmente financiada pelo Governo do Município através do projeto de lei nº 680/99, que trata sobre a construção de um monumento histórico da imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Solenidade de Inauguração.

Imagem da solenidade de Inauguração, em 1999.

A inauguração aconteceu em junho de 1999 com a celebração de uma Missa Campal em Ação de Graças que foi celebrada pelo bispo da Diocese de Quixadá, Dom Adélio Giuseppe Tomasin.
Pouco tempo depois de sua edificação, no entorno dessa imagem sacra, foi edificada a Praça da Imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, que valorizou ainda mais o ambiente.

AS CONTROVÉRSIAS EM TORNO DE SUA CONSTRUÇÃO:

Na época em que foi construída, mesmo com a justificativa de ser um equipamento turístico, essa imagem gerou uma grande polêmica entre os habitantes do Município de Boa Viagem.
Os cristãos de confissão católica e protestantes se dividiram em dois blocos, que divergiam sobre esse assunto e que se tornou em mais um momento de grande intolerância religiosa ocorrido na história religiosa da cidade.
No plano político todos concordavam que a sua construção não passava de uma artimanha movida pelo prefeito, que lograva conseguir ser reeleito no pleito eleitoral que se aproximava.

Imagem da base da imagem de Nossa Srª da Boa Viagem, em 1999.

Em meio a esses comentários os cristãos de confissão católica se sentiam prestigiados por ter um equipamento desse tipo, algo existente apenas em cidades com fluxo de turismo religioso, e o melhor, sem gastar nada com isso!
Já os protestantes, que acreditavam nas garantias constitucionais de um pais laico, não aceitavam o fato do Governo Municipal utilizar fundos do erário municipal em algo privativo de um grupo confessional.

“Um país laico é aquele cujo a religião não interfere no Estado. Em um país laico: nunca um padre, que nunca se quer pegou em um microscópio, interferiria em uma pesquisa que leva anos, como as células troncos; Nunca haveria uma estátua religiosa (Cristo Redentor) em locais públicos. A igreja não faria leis contra o aborto, e ousaria a aprovar leis como a que proíbe estúdios de tatuagem a atuarem na cidade de São Paulo; Nunca um criminoso ao alegar ser evangélico teria sua pena reduzida, ou até mesmo não ser preso.” (S.N.T)

Consciente desse grave deslise, e temendo a perda de eleitores entre os protestantes, o gestor municipal, Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, convocou uma reunião de esclarecimento com as lideranças de confissão protestante da cidade no Centro Administrativo Governador Virgílio de Morais Fernandes Távora.
Nessa reunião, sem uma assessoria que soubesse lhe orientar, o gestor cometeu a gafe de prometer recompensar os protestantes insatisfeitos com a construção de uma praça que faria referência a Bíblia Sagrada, algo que foi recusado pela maioria dos componentes do grupo por entender que um erro estaria sendo justificado com outro.

Imagem da montagem da Imagem de Nossa Srª da Boa Viagem, em 1999.

Vale mencionar ainda que, entre os pastores presentes nessa reunião, também havia divergência, principalmente entre aqueles que seguiam o pensamento do Rev. Josafá Vieira, pastor da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, que fez um pequeno, mas significativo movimento de oposição a essa construção, que só gerou discórdia entre os munícipes.
Sobre esse polêmico assunto, que se tornou corriqueiro nas demais cidades do Estado do Ceará, visto que outros prefeitos também fizeram o mesmo, Francisco de Andrade Barroso, escritor de formação católica, faz um esclarecido comentário sobre o assunto:

“Como os nossos prefeitos não tem muita noção do que é mais útil aos seus jurisdicionados, vão imitando uns aos outros, nas desimportantes iniciativas que surgem, em uma delas, no momento é erguer uma estátua de padroeiro(a) em cada cidade, em ponto de destaque, seja na entrada, seja na praça principal das suas sedes, o que, enfim, pode até contribuir para o desenvolvimento da arte escultória em nosso Estado, ficando, porém, muito longe de incrementar o turismo, como as administrações municipais pretendem que seja seu objetivo.” (BARROSO, 2005: p. 341-342)

AS SUAS CARACTERÍSTICAS:

Administração: Governo Municipal.
Altura:
Iluminação: Sim.
Informações: 88.3427-2426.
Material: Concreto armado.
Peso:
Responsável: Secretaria de Cultura, Turismo e Lazer.
Tipo: Pública.
Vigilância: Sim.