Epitácio Fragoso Vieira

Epitácio Fragoso Vieira nasceu no dia 19 de fevereiro de 1943 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Cícero Fragoso Vieira e de Maria Vieira de Andrade.
Os seus avós paternos se chamavam Manoel Maria de Jesus e Antônia Vieira de Freitas, já os maternos eram Lucas Vieira de Freitas e Raquel Vieira de Andrade.
Para compreendermos um pouco de sua trajetória de vida, além de sua origem familiar, faz-se necessário sabermos também um pouco do contexto histórico e das motivações que trouxeram os seus ancestrais para o Estado do Ceará.
Nos primeiros anos da década de 1930 muitos paraibanos deixaram o seu Estado natal no intuito de encontrar um local com melhores condições para se viver, tendo em vista que a Paraíba é um Estado com pouca extensão territorial e com uma alta taxa de habitantes, fator que na época gerava uma forte especulação sobre as terras agricultáveis daquela região.
Nessa época, além das poucas terras disponíveis, havia ainda uma intensa intolerância contra os cristãos de confissão reformada, algo que fortalecia ainda mais a onda de migração para o Estado vizinho nas décadas que se seguiram:

“Corria a década de 1920, quando o irmão José da Silva Filho, novo convertido, deixa Brejo dos Santos e passa a residir em Jacu, um sítio no Município de Pombal, no Estado da Paraíba. Cheio de entusiasmo e fervor, começa aí a fazer um trabalho de evangelização pessoal, surgindo, como fruto de suas atividades evangelísticas, uma congregação daquele lugar. O missionário inglês Rev. Harry G. Briault, que residia em Patos, dava boa assistência a Jacu e a congregação prosperou, sendo organizada em igreja, com o nome de Igreja Evangélica de Jacu, no dia 21 de fevereiro de 1937.” (VIEIRA, 1990: p. 1)

O Estado do Ceará, que nessa época possuía muitas terras devolutas, começou a receber vários paraibanos, que além de manterem os laços de parentesco mantinham também os laços de fé.
Foi nesse contexto de época que no ano de 1941 os seus pais saíram do Sítio Jacu, que está distante 6 quilômetros da cidade de Pombal, e migraram para o Estado do Ceará, se estabelecendo definitivamente na zona rural do Município de Boa Viagem em um local denominado de Cachoeira.
Esse sítio, que está distante 18 quilômetros da cidade de Boa Viagem, era popularmente conhecido como Cachoeira do Ten. José Felipe Ribeiro da Silva e pouco tempo depois da fixação dessas pessoas teve a sua nomenclatura alterada para “Cachoeira dos Crentes”, ou ainda “Cachoeira dos Fragosos”:

“Pressionado pela família, que se dedicava à agricultura e precisava de mais terras para as suas plantações, Manoel Maria de Jesus vende a sua propriedade, o Jacu, e compra Cachoeira, uma propriedade bem maior que está localizada no Município de Boa Viagem, no Estado do Ceará. Os evangélicos deixaram o Jacu e passaram a residir e trabalhar na nova fazenda de Manoel Maria de Jesus.” (VIEIRA, 1990: p. 1)

Essa repentina mudança de identidade do local aconteceu em virtude de que, no dia 12 de dezembro de 1941, pouco tempo depois dessa fixação, em uma assembleia dirigida pelo Rev. Paulo Moody Davidson, ficou definida a construção de um templo de uma confissão religiosa alheia a estabelecida na região, igreja com o modo de governo democrático, que mais tarde passou a ser conhecida como Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira.
Nessa mesma assembleia outra importante decisão administrativa foi tomada quando foi deliberado sobre o corpo de oficiais que conduziriam o rebanho na ausência do pastor, caindo sobre os ombros do seu pai a responsabilidade pelo diaconato.
Antes do início da construção desse templo às atividades religiosas eram regularmente celebradas em um dos cômodos da residência de seu avô paterno e costumavam receber pessoas das localidades de Cachoeira, Pitombeira e Madeira Cortada, outros sítios da zona rural boa-viagense.
Ainda nessa época, dependendo da quadra invernosa, a sua família conservava uma dupla residência, no inverno cuidavam da roça morando no sítio, e no verão, após a colheita, se estabeleciam na cidade mantendo-se à custa de um pequeno atelier de costura:

“Cícero Fragoso, o pai do Rev. Ezequiel, trabalhava na agricultura, mas era também alfaiate, por esta razão teve que dividir a sua moradia entre a cidade de Boa Viagem e o Sítio Cachoeira, ficava no sítio até a colheita e depois mudava-se para a sua casa na cidade, onde mantinha a sua confecção de roupas.” (COSTA, 1997: p. 13)

Ao chegar a sua adolescência, entre 1956 e 1957, recebeu forte influência do Rev. José Borba da Silva Neto, que foi quem lhe despertou à vocação pastoral e ao gosto pela literatura, passando a compor o quadro de membros da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem a partir do dia 29 de novembro de 1957.
Pouco tempo depois, nos primeiros anos da década de 1960, seguindo os passos de alguns de seus irmãos, foi encaminhado por sua comunidade aos estudos eclesiásticos no STCN, o Seminário Teológico Congregacional do Nordeste, que está localizado na Rua Arealva, nº 19, no Bairro Tejipió:

“Chegou de trem ao Recife em pleno carnaval de 1960. Fechado ainda o internato do Seminário Teológico Congregacional do Recife, dormiu em um velho colchão de palha do Colégio Americano Batista e andou uns três dias pela cidade do Recife, fascinado com as belezas da então capital do Nordeste.” (FRAGOSO VIEIRA, 1984: p. 2)

Depois disso, já estabelecido no internato, permaneceu no corpo discente dessa instituição por três anos até que, por divergência teológica quanto a forma de batismo, resolveu se transferir para o STBNB, o Seminário Teológico Batista do Norte Brasileiro, que está localizado na Rua Padre Inglês, nº 243, no Bairro da Boa Vista, onde concluiu o seu bacharelado nos últimos meses de 1967.

Epitácio Fragoso Vieira

Imagem de formatura de Epitácio Fragoso Vieira.

Nessa época, entre as suas colegas de estudo, conheceu a jovem Marluce de Souza Leão Vieira, que nasceu no dia 20 de dezembro de 1944, sendo filha do Rev. Alípio de Souza Leão, pastor batista, por quem se afeiçoou e pouco tempo depois contraiu matrimônio.
Desse matrimônio foram gerados três filhos, duas mulheres e um homem, sendo eles: Estela Souza Fragoso, Daniel Souza Fragoso e Helena Souza Fragoso.

Imagem do dia de seu matrimônio.

Antes disso, findos os estudos eclesiásticos e depois de ordenado, entre os anos de 1968 e 1969, assumiu a sua primeira experiência pastoral na Primeira Igreja Batista de Vitória de Santo Antão, comunidade que está localizada na Rua Desembargador Góes Cavalcante, nº 112, no Bairro do Livramento, onde passou pouco tempo, oportunidade em que substituiu o Rev. Silas da Silva Melo.
Logo depois, entregando o pastorado da Igreja Batista de Vitória de Santo Antão aos cuidados do Rev. Juarez Moisés Vieira, assumiu o pastorado da Igreja Batista Emanuel, que está localizada na Rua Maria Carolina, nº 500, no Bairro de Boa Viagem, na cidade do Recife.
Durante muitos anos lecionou em conceituadas instituições educacionais do Estado de Pernambuco, sendo eles: o Colégio Presbiteriano Agnes Erskine; o Colégio Americano Batista; o Colégio Agrícola Dom Agostinho Ikas; o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e na UNICAP, a Universidade Católica do Recife:

“É professor da UFPE e da UFRPE, é lotado no Departamento de Fundamentos Sócio-Filosóficos da Educação, onde já lecionou História Geral da Educação, Antropologia da Educação e Sociologia da Educação. Na UFRPE, pertence ao Departamento de Letras e Ciências Humanas, onde foi supervisor da área de letras…” (FRAGOSO VIEIRA, 1993: p. 130)

Nesses anos, conciliando com o magistério, conseguiu concluir o seu Bacharelado em Filosofia e depois a sua Licenciatura em Letras, ambos na Universidade Católica de Pernambuco.
No fim da década de 1980, desejando liberdade de pensamento e atraído pela Teologia de Libertação, passou a compor o quadro de membresia da Igreja Episcopal Anglicana, antes disso, em 1984, publicou a sua primeira obra em forma de romance, “O Cadilaque e o Beijo da Velhinha”.

Imagem de Epitácio Fragoso e de sua família.

Nesse tempo, por conta do enredo dessa obra, os seus familiares temiam que ele fosse alvo da ditadura militar, por entenderem que o texto tinha ideias comunistas:

“O Cadilaque e o Beijo da Velhinha se antecipa à Teologia de Libertação e pode ser dedicado a todos aqueles que, insatisfeitos com a atual polarização Capitalismo X Comunismo, lutam por uma terceira alternativa: um socialismo cristão, ecumênico, democrático e comunitário, esperança para o século XXI.” (FRAGOSO VIEIRA, 1984: p. 233)

Mais tarde, no dia 21 de março de 1996, por meio da portaria nº 126, que foi publicada no Diário Oficial da União, foi afastado por aposentadoria do quadro docente da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Algum tempo depois, no dia 7 de março de 2002, após concluir o seu Mestrado em Antropologia na Universidade Federal de Pernambuco, no Centro de Educação da UFPE, publicou a sua dissertação: “O Senso Antropológico em Jean-Jacques Rousseau”.
Nesse época, depois de algum tempo afastados da vida eclesiástica, voltou aos quadros de membresia da Igreja Batista, passando a regularmente frequentar a Igreja Batista da Capunga e dedicando grande parte do seu tempo a escrever.

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