Mons. Francisco José de Oliveira

Mons Fco. José de OliveiraFrancisco José de Oliveira nasceu no dia 4 de março de 1900 no Município de Quixeré, que está localizado no Vale do Jaguaribe, a 218 quilômetros da cidade de Fortaleza, no Estado do Ceará, sendo filho de Antônio Felismino de Oliveira e de Maria Madalena da Conceição.
Na época do seu nascimento a cidade de Quixeré, que era conhecida pelo topônimo de Tabuleiro, era apenas uma comunidade rural dentro dos limites geográficos do Município de Russas.
Pouco sabemos sobre os seus primeiros anos de vida, temos conhecimento apenas que conseguiu realizar os seus estudos necessários ao exercício do sacerdócio no Seminário Episcopal do Ceará, que está localizado na Rua Tenente Benévolo, nº 201, Centro, na cidade de Fortaleza.
Ingressou no Seminário da Prainha no dia 1º de março de 1922, sendo finalmente ordenado ao exercício do sacerdócio no dia 15 de agosto de 1931 pelo bispo diocesano, Dom Manuel da Silva Gomes.
Depois de ordenado, no dia 18 de agosto cantou a sua primeira missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Quixeré, até que, no dia 27 de agosto recebeu a sua primeira designação pastoral, a Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, que está localizada no Sertão Central do Estado do Ceará.
Tomou posse de sua provisão no dia 13 de setembro de 1931, oportunidade em que substituiu ao já experiente Mons. José Cândido de Queiroz Lima.
Em seu pastorado, nessa paróquia, inicialmente sentiu algumas dificuldades por conta de sua dimensão geográfica e aos poucos procurou partilhar parte das responsabilidades entre os seus paroquianos no intuito de dar uma melhor assistência ao seu rebanho:

“Fundou a Associação das Filhas de Maria Imaculada, em 7 de maio de 1932; a Cruzada Eucarística para crianças, em 20 de março de 1932 e a Conferência Vicentina de São José, em 24 de julho de 1932. Ainda Ampliou o cemitério e instituiu uma escola de Doutrina Cristã, sendo o ensino ministrado às crianças pelas Filhas de Maria.” (NASCIMENTO, 2002: p. 83)

Imagem do Mons. Francisco José de Oliveira, em 1932.

Imagem do Mons. Francisco José de Oliveira, em 1932.

Enquanto exerceu o paroquiato na freguesia de Boa Viagem acompanhou o final do ministério e da vida do Mons. José Cândido de Queiroz Lima, vigário que era muito querido por essa comunidade:

“Já pertinho de exalar o seu último suspiro de vida, o Pe. Francisco José pediu-lhe: ‘Padrinho Vigário, quando chegar no Céu, deixe a pontinha da batina para eu subir…’ – O Monsenhor logo lhe respondeu: – ‘Padre, não se confie… [o tecido] pode ser podre!…’.” (CAVALCANTE, 1968: p. 82)

Nessa paróquia, enfrentou tempos difíceis por conta das longas estiagens que se abateram sobre a região. Sem poder fazer nada assistiu a morte e a fuga de muitos dos seus paroquianos que migravam para outras regiões do país, sem nunca mais voltar.
Juntamente a esse problema climático, enfrentou também problemas ligados a baixa-estima da população que viu o seu Município ser suprimido por um simples ato do Governo do Estado:

“O interventor federal do Estado do Ceará, Dr. Manoel do Nascimento Fernandes Távora, considerando que a atual organização municipal deve ser modificada por não atender ao interesse público; Considerando que, para a constituição de qualquer Município, se torna necessária uma população nunca menor de quinze mil habitantes, uma renda anual não inferior a trinta contos de reis e outros fatores de valor; Considerando que muitos dos atuais Municípios não preenchem esses requisitos, sendo meras expressões territoriais, sem vida própria. Considerando que, dest’art, para proporcionar aos Municípios uma existência normal, se impõe a supressão de alguns deles, decreta: Art. 1º – O território do Estado divide-se, administrativamente; em 51 Municípios e estes em Distritos. Art. 4º – Ficam extintos os seguintes Municípios:…. Campos Sales, Conceição do Cariry, Santa Cruz, Várzea Alegre…. Boa Viagem que passará respectivamente a fazer parte do Município de Quixeramobim…” (MOTA, 1989: p. 38-39)

Permaneceu nessa função até o dia 5 de janeiro de 1934, quando foi substituído em suas atividades pelo Pe. José Terceiro de Sousa, que foi sagrado bispo algum tempo mais tarde.
Depois que saiu da cidade de Boa Viagem, tomou posse de sua nova provisão no dia 14 de janeiro de 1934, a Paróquia de Santo Antônio de Pádua, no Município de Quixeramobim.
Nessa oportunidade, recebeu a responsabilidade de substituir o Cônego Dr. Aureliano Mota, função que foi assumida até o dia 15 de dezembro de 1934, quando foi substituído pelo Padre Jaime Felício de Sousa.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Quixeré.

Imagem da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Quixeré.

Depois disso, permaneceu como capelão do Patronato de São José, que está localizado na cidade do Aracati, até o fim de junho de 1939. No mês seguinte assumiu a capelania de Quixeré, a sua cidade natal, permanecendo nessa função até os primeiros dias de setembro de 1941.
No dia 29 de setembro de 1941, agora compondo o quadro de párocos da Diocese de Limoeiro do Norte, foi nomeado pelo bispo, Dom Aureliano Matos, vigário da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Quixeré, tomando posse dessa freguesia no dia 12 de outubro de 1941:

“A Diocese de Limoeiro do Norte foi criada no dia 7 de maio de 1938 pelo Papa Pio XI através da Bula ‘AD DOMINICUM’, a mesma foi instalada canonicamente aos 29 de setembro do mesmo ano, liturgicamente dia do Arcanjo São Miguel, o qual se tornou seu patrono. A diocese é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, pertencente à Província Eclesiástica de Fortaleza e ao Conselho Episcopal Regional Nordeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sendo sufragânea da Arquidiocese de Fortaleza. A sé episcopal está na Catedral de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, na cidade de Limoeiro do Norte, no Estado do Ceará.” (S.N.T)

Em seu longo paroquiato, nessa comunidade, construiu diversas capelas e deu significativa contribuição ao movimento de emancipação política de Quixeré:

“Porém o pároco da época, Francisco José de Oliveira, visando à formação do processo de emancipação política da subprefeitura recém criada, reuniu autoridade civis e militares, onde fizeram o requerimento datado de 1º de novembro de 1956, onde constam 169 assinaturas e encaminhou a Assembleia Legislativa, após 30 dias, foi publicado no Diário Oficial do Estado a lei nº 3.573, de 11 de abril de 1957, desmembrando o Município de Quixeré de Russas.” (S.N.T)

Dentre essas capelas a de Nossa Senhora de Fátima, cuja pedra fundamental foi lançada em uma solenidade que ocorreu no dia 7 de julho de 1940 e contou com a presença de mais de 2.600 pessoas, sendo finalmente concluída em 8 de agosto do mesmo ano:

“Nessa mesma data a imagem da Virgem de Fátima foi conduzida de automóvel pelo Padre Oliveira até a casa do Sr. Antônio Raimundo e de lá até a capela… A sua promessa consistia em construir um santuário à Nossa Senhora de Fátima e preservá-la como lugar de oração e penitência, no qual as mulheres só poderiam entrar, vestidas com decência e pudor. A escolha do local, segundo comentou muitas vezes o próprio Monsenhor Oliveira, se deveu a um sonho que tivera quando certa vez fora dar a extrema–unção a um enfermo na serra. Ao voltar passando na casa do Sr. Lino Oliveira, mas conhecida por Lino de Zezé, lhe ofereceram uma rede para um breve descanso. Segundo ele, apenas adormecera e já despertava com a sensação de que ouvira uma voz que dizia: ‘construa o santuário de Fátima aqui’. Ele dizia que fora um sonho. Um breve sonho. Durante 48 anos e 7 meses o Monsenhor cumpriu na íntegra a sua promessa celebrando tradicionalmente aos dias 13 de cada mês, venerando com seus paroquianos a Virgem de Fátima e preservando a capela, nos moldes que fora construída.” (ALVES, 2008: p. 1)

Em 27 de outubro de 1963, desejando dar um melhor conforto aos fiéis da vila de Lagoinha, sede de um importante Distrito do Município de Quixeré, lançou a pedra fundamental de edificação da Capela de São José, uma das mais importantes da paróquia e que foi finalmente inaugurada no dia 6 de janeiro de 1965:

“Com o lançamento da Pedra Fundamental, aos 27 de outubro de 1963, iniciou-se a construção da Capela de São José, em Lagoinha, com a benção inaugural em 6 de janeiro de 1965 pelo Monsenhor Francisco José de Oliveira.” (ALVES, 2008: p. 1)

Essa sua disposição ao trabalho da Igreja foi reconhecida quando o bispo diocesano, Dom José Freire Falcão, lhe indicou à Nunciatura Apostólica a concessão de um titulo honorifico de monsenhor, que foi recebido no dia 15 de maio de 1960.
No dia 15 de agosto de 1981, na cidade de Fortaleza, rodeado por muitos amigos e parentes, celebrou uma Missa em Ação de Graças pela passagem do seu jubileu de ouro sacerdotal.
Alguns anos depois, no dia 29 de abril de 1989, aos 89 anos de idade, já afastado das suas funções sacerdotais, veio a óbito na cidade de Quixeré, deixando a comunidade de seu Município bastante triste com a sua valiosa perda.

Busto em homenagem ao Monsenhor José

Imagem do busto em homenagem ao Mons. Francisco José de Oliveira.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em homenagem a sua memória, no Município de Quixeré, atualmente existe uma avenida que recebe a sua nomenclatura;
  2. Ainda no Município de Quixeré, uma das escolas de ensino infantil leva a sua denominação;
  3. Ainda nesse Município, na passagem do seu primeiro centenário, um busto com a sua imagem foi edificado com os recursos oriundos da municipalidade.