Gervina Barbosa Gomes

Gervina Barbosa GomesGervina Barbosa Gomes nasceu no dia 5 de dezembro de 1920 no Município de Santa Quitéria, que está localizado na região Noroeste do Estado do Ceará, distante 222 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filha de Damião Barbosa Nascimento e de Maria Cordolino Sousa.
Os seus avós paternos ainda nos são desconhecidos, já os maternos eram João Serafim de Sousa e Cordolina de Sousa.
Pouco tempo depois do seu nascimento, os seus pais decidiram fixar residência na localidade que ainda é denominada de “Espírito Santo”, estando nessa época dentro dos limites geográficos do Município de Tamboril, onde passou a sua adolescência e grande parte de sua juventude.
Antes disso, no dia 9 de abril de 1921, segundo informações existentes no livro de batismos da Paróquia de São Sebastião, tombo nº 386, da vila de Monsenhor Tabosa, seguindo os costumes da confissão religiosa de seus pais, recebeu o sacramento do batismo pelas mãos do Mons. José Cândido de Queiroz Lima, tendo como padrinhos Francisco Rodrigues Freire e Constância Rodrigues Freire.
Mais tarde, nos últimos anos da década de 1930, conheceu e se afeiçoou a um jovem rapaz que costumava comercializar tecidos e regularmente frequentava o alpendre de sua casa no intuito de fazer negócios com o seu pai:

“Alguns anos depois, desejando conseguir dinheiro, passou a ser o acompanhante das fatigantes viagens promovidas pelo seu pai, que era caixeiro-viajante, caminhando várias léguas com a sua tropa de burros fazendo compras na cidade de Crateús e revendendo os seus produtos, na maioria deles tecidos, nos Municípios vizinhos de onde residia.” (SILVA JÚNIOR, 2017: José Rodrigues Gomes. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/jose-rodrigues-gomes/. Acesso no dia 5 de maio de 2017)

Esse esforçado rapaz se chamava José Rodrigues Gomes, que nasceu no dia 7 de setembro de 1910, sendo filho de Raimundo Gomes da Silva e de Maria Rodrigues da Silva.
Depois de algum tempo sendo cortejada, no dia 25 de setembro de 1938, prestes a completar 18 anos de idade, diante do Pe. Inácio Américo Bezerra, na capela de Nossa Senhora do Livramento, na época também dentro dos limites geográficos do Município de Boa Viagem, firmou compromisso matrimonial diante do representante da Igreja Católica Apostólica Romana em uma cerimônia religiosa.

“Em divisão territorial datada de 31 de dezembro 1937, o Distrito de Monsenhor Tabosa figura no Município de Tamboril, assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950. Elevado à categoria de Município com a denominação de Monsenhor Tabosa, pela lei estadual nº 1.153, de 2 de novembro de 1951, desmembrado de Tamboril, sendo instalado em 25 de março de 1955… Pela lei estadual nº 6.898, de 16 de dezembro de 1963, é criado o Distrito de Nossa Senhora do Livramento e anexado ao Município de Monsenhor Tabosa.” (IBGE, 2000: Histórico do Município de Monsenhor Tabosa. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230860&search=ceara|monsenhor-tabosa|infograficos:-historico. Acesso no dia 3 de maio de 2017)

Desse matrimônio foram gerados treze filhos, sete mulheres e seis homens, sendo eles: Maria do Socorro Gomes Facundo, Elias Rodrigues Barbosa, Aldenora Barbosa Facundo, Alfa Rodrigues Costa, Antônia Gomes de Melo, Natanael Rodrigues Barbosa, Marina Gomes Facundo, José Rodrigues Barbosa, Eliezer Rodrigues Barbosa, Cândida Gomes de Melo, Eugênia Barbosa Campos, Stênio Rodrigues Barbosa e Antônio Rodrigues Barbosa.

Imagem de José e Gervina rodeados pelos seus filhos.

Imagem de Gervina e José rodeados pelos seus filhos.

Depois de casada, foi levada pelo seu esposo para uma localidade que ainda é denominada de “Curimatã”, dentro dos limites geográficos do Município de Tamboril, onde havia uma pequena casa construída ao lado da seu sogro, local onde também mantinham uma pequena mercearia.
Alguns anos mais tarde, segundo informações existentes no livro B-16, pertencentes ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 2.672, folha 52v, confirmou os seus votos matrimoniais em uma cerimônia de casamento civil que foi ocorrida na cidade de Boa Viagem no dia 30 de julho de 1957.
Antes disso, nos últimos meses de 1942, por conta de longos anos de estiagem e vários prejuízos em sua pequena mercearia, resolveu seguir com a sua família para Serra de Uruburetama, local que costumava receber muitas famílias residentes no Sertão em períodos de seca.

“Os técnicos encarregados de observar e analisar as condições climáticas e as obras públicas encaminhadas em função das secas já previam que o ano de 42 poderia ser difícil… a inquietação da população rural se verificava em função não só de um mau inverno de 1941, mas principalmente de uma carestia exorbitante que a atormentava já no início de 1942, chegando a um quase pânico em março, quando o mau inverno foi seguido por outro.” (CASTRO NEVES, 2001: Getúlio e a seca: Políticas emergenciais na Era Vargas. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882001000100006. Acesso no dia 4 de maio de 2017)

Nos primeiros meses de 1944, depois que recebeu notícias de seu pai sobre a normalização das chuvas no Sertão, resolveu regressar com a sua família, instalando-se dessa vez na localidade de “Espírito Santo”, onde se estabeleceu com uma pequena mercearia até 1953.
Nessa mercearia, para melhorar as sua rendas, sendo uma eximia costureira, costumava receber vários clientes e encomendas para fabricação de roupas.
Nessa época, o seu esposo recebeu uma proposta de sociedade comercial do amigo Luiz Alves de Mesquita, passando a residir na vila de Nossa Senhora do Livramento, onde abriu as portas de uma grande mercearia, que recebeu o nome de “A Santina”, uma das filiais de “A Quiteriense”, da cidade de Monsenhor Tabosa.

“De todos os estabelecimentos comerciais de Monsenhor Tabosa, o que mais me marcou, deixando-me grandes recordações, foi ‘A Quiteriense’, a loja de Luiz Alves de Mesquita… com o correr dos tempos e o desenvolvimento dos negócios, ‘A Quiteriense’ expandiu-se e abriu filiais, uma na Madalena, hoje Catunda… e outra no Livramento, sob a responsabilidade, inicialmente do Sr. João Veríssimo e depois, do Sr. Anastácio Martins de Araújo, do Sr. Gonçalo de Farias e por fim do Sr. José Rodrigues Gomes.” (MESQUITA, 2000: p. 43 – 44)

Alguns anos depois, por volta de 1958, o Sertão foi atingido por outra grande estiagem, o que forçou ao fim da sociedade comercial e a significativa diminuição do volume de suas mercadorias.
Nessa época, passou uma curta temporada na cidade de Crateús, aonde a família não se adaptou, e logo depois na localidade de Grota Verde, dentro dos limites do Município de Tamboril, quando aos poucos, juntamente com o seu esposo, assistiu a partida de alguns dos seus filhos para cidade de Brasília, que nessa época estava sendo construída e se constituía em um local de refugiu para muitos cearenses que fugiam dos seguidos anos de secas.

Imagem de José Rodrigues Gomes ao lado de sua esposa.

Imagem de Gervina Barbosa Gomes ao lado de seu esposo.

Mais tarde, em 1965, o seu filho primogênito, depois de muitas economias, enviou uma grande soma em dinheiro para aquisição de uma propriedade na localidade de “Flores”, no Município de Boa Viagem, onde passou a residir.
Pouco tempo depois, no dia 14 de janeiro de 1973, juntamente com a sua família, foi surpreendido pelo inesperado e trágico falecimento de uma de suas filhas, Alfa Rodrigues Costa, que perdeu à vida em um difícil trabalho de parto.
Nesse mesmo dia, juntamente com o seu marido e contando com a permissão de seu genro, Leandro Costa Leitão, assumiu a guarda de sua neta, que recebeu o nome Alfa Rodrigues Barbosa.
Em 1975, quando quatro de seus filhos já estavam estabelecidos no Distrito Federal, juntamente com o seu esposo foi convencida a seguir o mesmo caminho no dia 30 de dezembro, mas dentro de pouco tempo teve de retornar para o Estado do Ceará, pois o seu esposo descobriu que não conseguia se adaptar ao clima e nem ao modo de vida da cidade grande.
Pouco tempo depois, em 1978, fixando residência na cidade de Boa Viagem, logo se adaptou ao local onde resolveu se estabelecer definitivamente com o seu esposo até que, em 1986, descobriu que ele estava passando por graves problemas em sua saúde, que finalmente o levaram a óbito no dia 24 de junho de 1987.
Depois desse fato, estando viúva, resolveu retornar para cidade de Brasília, onde receberia melhor assistência médica e qualidade de vida, passando a residir no setor QNP 36, Conjunto K, casa nº 32, na região administrativa de Ceilândia.
Segundo informações existentes no livro C-27, pertencentes ao Cartório de 1º Ofício, Notas, Registro Civil e Protestos de Taguatinga, tombo nº 10.220, folha 60, faleceu no Hospital Regional de Taguatinga no dia 18 de novembro de 1992, vítima de problemas cardíacos, prestes a completar 72 anos de idade.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares em um túmulo existente no cemitério de São Francisco de Assis, que está localizado no setor QNH, Área Especial Cemitério, Área de Proteção Ambiental do Planalto Central – Taguatinga, Brasília – DF.

Imagem do Túmulo de Gervina Barbosa Gomes, em 2017.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão da Prefeita Aline Cavalcante Vieira, por meio da lei nº, de 2018, uma das ruas do Bairro Oséas Facundo, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.