Enéas Vieira Lima

Enéas Vieira Lima nasceu no dia 19 de novembro de 1923 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de José Vieira de Lima e de Adília Maria de Lima.
Os seus avós paternos se chamavam Quintiliano Vieira Lima e Felisbela Vieira de Freitas, já os maternos eram Teófilo da Costa Oliveira e Francisca Juliana da Conceição.
Na época em que nasceu o Município de Boa Viagem não dispunha de uma casa de parto, fato que obrigou aos seus pais a contar com os valiosos serviços de uma parteira na Fazenda Jantar, onde passou grande parte de sua infância.

“Durante muitos anos, os únicos profissionais de saúde existentes em nossa região foram às parteiras, mulheres que normalmente recebiam esse aprendizado de forma hereditária, ou seja, a filha de uma parteira acompanhava a sua mãe no atendimento às mulheres em trabalho de parto auxiliando-a de acordo com as necessidades do momento, possibilitando, assim, após algum tempo de prática, o aprendizado para continuidade do ofício.” (SILVA JÚNIOR, 2016: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/saude/. Acesso em 25 de outubro de 2016)

Pouco tempo depois, quando chegou a época de enfrentar os bancos escolares, juntamente com alguns dos seus irmãos, foi pacientemente alfabetizado pela Profª. Hercília Amaro Mesquita.

“Os meus pais me encaminharam aos primeiros passos rumo à escola para aprender as primeiras letras… Era uma escolinha particular com poucos alunos, funcionando numa sala inadequada, da própria residência de Dona Hercília. Era ali que aprendíamos o B-A-BÁ e as primeiras contas de tabuada”. (VIEIRA FILHO, 2008: p. 28-29)

Mais tarde, já em sua juventude, nos primeiros anos da década de 1940, todos assistiam perplexos através dos jornais e dos poucos rádios existentes às notícias da II Guerra Mundial, que parecia aos brasileiros algo muito distante:

“No dia 28 de janeiro de 1942 o Governo Brasileiro atende a resolução nº 15 da Segunda Reunião de Consulta dos Chanceleres das Repúblicas Americanas e rompe relações diplomáticas com os países do Eixo.” (S.N.T)

Depois dessa movimentação diplomática, alguns submarinos alemães passaram a torpedear as embarcações civis brasileiras que navegavam pelo litoral, o que tornava a neutralidade brasileira apenas teórica.
Aos poucos o país passou a organizar a sua força expedicionária, que inicialmente foi protelada por um ano até que, em julho de 1944, os soldados brasileiros passaram a ser enviados para frente de batalha:

“Devido à pressão popular, após meses de torpedeamento de navios mercantes brasileiros, finalmente o Brasil declarou guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista, em agosto de 1942. Sendo na época, um país com uma população majoritariamente analfabeta, vivendo no campo, com uma economia com foco principal voltado para exportação de commodities, uma política internacional tradicionalmente isolacionista com eventuais alinhamentos automáticos contra ‘perturbadores da ordem e do comércio internacionais’, sem uma infraestrutura industrial-médico-educacional que pudesse servir de sustentação material e humana ao esforço de guerra que aquele conflito exigia, o Brasil não apenas se viu impedido de seguir uma linha de ação autônoma no conflito como encontrou dificuldades em assumir mesmo um modesto papel.” (S.N.T.)

Nessa época, depois da declaração formal de guerra, o Ministério da Defesa passou a organizar a estrutura para o desafio da convocação. O Brasil não dispunha de equipamento bélico apropriado para o tipo de guerra que iria enfrentar e os seus militares mais experientes não possuíam táticas de guerra modernas:

“Entre o Brasil declarar guerra e conseguir enviar um contingente para lutar nos campos de batalha na Europa houve um longo intervalo de tempo. Os obstáculos eram muitos. Dentre outras razões, o material bélico de que o país dispunha já era obsoleto na época. Não bastasse isso, os militares brasileiros ainda seguiam uma organização e uma doutrina que remontavam à Primeira Guerra Mundial, nos moldes da escola militar francesa. Ou seja, os militares brasileiros seguiam um modelo criado na França, país que, desde junho de 1940, estava sob ocupação militar da Alemanha nazista. Uma das razões para a França ter sido ocupada pelos nazistas foi o fato de que a maioria dos estrategistas franceses apostava que a Segunda Guerra seria uma guerra de trincheiras, tal como havia sido a Primeira Guerra, subestimando a tática da blitzkrieg, a ‘guerra-relâmpago’ adotada pela Alemanha, que consistia num ataque maciço utilizando armamentos modernos, principalmente tanques de guerra. O modelo militar francês que ainda era adotado no Brasil também pecava por táticas militares fundadas em regras muito rígidas que, em determinadas circunstâncias, podiam ser totalmente inúteis ou inaplicáveis. Por exemplo, o modelo militar francês ditava que um pelotão de fuzileiros deveria sempre assaltar em ataques frontais as resistências inimigas. Tal regra podia ser adequada em terrenos planos, mas totalmente ineficaz num terreno montanhoso. Como se vê, o modelo francês era bastante inapropriado e nada flexível.” (VILELA, 2013: Disponível em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/brasil-na-segunda-guerra—surge-a-feb-dificuldades-para-criar-uma-forca-expedicionaria.htm. Acesso no dia 15 de março de 2015)

Diante dessas grandes dificuldades o Brasil precisou do auxílio dos militares norte-americanos, que já estavam bastante qualificados para esse tipo de guerra graças aos acordos diplomáticos com os ingleses.
Para selar o acordo os dois presidentes, Roosevelt e Vargas, encontraram-se dentro do destroier norte-americano Jouett, que estava ancorado no Rio Potengi, no Estado do Rio Grande do Norte. Nessa ocasião os dois presidentes, em francês, ajustaram a criação da FEB – a Força Expedicionária Brasileira, e o auxílio militar:

“Para se modernizar e estar preparado para a guerra, o Brasil precisou da ajuda dos Estados Unidos. No dia 27 de janeiro, Vargas e Roosevelt encontraram-se em Natal para firmar os termos da cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos. No esforço de modernizar as forças armadas brasileiras, alguns oficiais brasileiros foram mandados aos Estados Unidos para realizar cursos e estágios. Assim, aos poucos, os então obsoletos modelos militares franceses passaram a ser substituídos pelos modernos modelos norte-americanos.” (VILELA, 2013: Disponível em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/brasil-na-segunda-guerra—surge-a-feb-dificuldades-para-criar-uma-forca-expedicionaria.htm. Acesso no dia 15 de março de 2015)

Depois que essa notícia chegou ao Município de Boa Viagem não tardou muito para que o Exército viesse buscar os seus novos soldados, ocasião em que aos poucos foi sendo formado um pequeno contingente de 45 recrutas.
Esse pequeno contingente formado no Município foi fruto da exigente comissão de médicos, que selecionava os futuros combatentes:

“Outro problema enfrentado pelo Brasil foi a dificuldade para encontrar gente qualificada para serviços essenciais nas Forças Armadas: eletricistas, motoristas, mecânicos de automóveis, radiotelegrafistas, profissionais especializados em conserto de rádios, etc. Havia também um número insuficiente de oficiais da ativa, especialmente capitães e tenentes. A solução encontrada foi convocar reservistas, ex-alunos do CPOR – o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. A maioria desses reservistas era formada por profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros, professores…) que, de uma hora para outra, se tornaram oficiais combatentes. Os reservistas transformados em oficiais combatentes ajudaram a desenhar um novo perfil para o exército brasileiro. Muitos oficiais graduados, que estavam servindo por mais tempo, tratavam os subordinados de maneira excessivamente ríspida. Esses subordinados costumavam sofrer prisões disciplinares por motivos insignificantes. Os novos oficiais, vindos do CPOR, adotavam uma postura diferente e mais sensata: como sabiam que a confiança mútua seria essencial em situações de combate, preferiam tratar os subordinados de maneira mais amigável e respeitosa. Tal tratamento era feito sem sacrifício da disciplina e da hierarquia. Outro obstáculo foi recrutar homens fisicamente aptos para prestar o serviço militar. Por razões médicas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, um grande número de brasileiros foi dispensado. Entre os motivos da dispensa médica, os mais frequentes eram problemas de dentição, subnutrição, doenças sexualmente transmissíveis, verminoses e outras infecções. Parecia quase impossível que o Brasil conseguisse formar um contingente para lutar na guerra. Os mais céticos diziam, em tom de deboche, que era mais fácil ‘ensinar uma cobra a fumar’ do que o Brasil conseguir formar uma força expedicionária para enfrentar os alemães.” (VILELA, 2013: Disponível em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/brasil-na-segunda-guerra-surge-a-feb-dificuldades-para-criar-uma-forca-expedicionaria.htm. Acesso no dia 15 de março de 2015)

Faltando apenas nove dias para o embarque, o conflito chegou ao fim, mesmo assim os soldados de seu regimento ficaram de prontidão aguardando qualquer surpresa dos países do Eixo.
Com o fim desse conflito, em sua terra natal, pleiteando uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores, o seu pai deu início a sua carreira política, caminho seguido por alguns de seus irmãos nas décadas que se seguiram.
Mais tarde, nos primeiros meses de 1997, na gestão do Prefeito Dr. Francisco Vieira Carneiro – o Major Carneiro, assumiu a presidência da Comissão de Licitação da Prefeitura de Boa Viagem.
Algum tempo depois, no dia 3 de outubro de 2003, desejando favorecer a retomada política de seu irmão, José Vieira Filho – o Mazinho, filiou-se nos quadros políticos do PR – o Partido da República.

BIBLIOGRAFIA:

  1. AZEVEDO, Stênio & NOBRE, Geraldo. O Ceará na Segunda Guerra Mundial. Fortaleza: ABC Editora, 1998.
  2. FRANCO, G. A. & CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. VILELA, Túlio. Brasil na Segunda Guerra – Surge a FEB – Dificuldades para criar uma Força Expedicionária Brasileira. Disponível em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/brasil-na-segunda-guerra-surge-a-feb-dificuldades-para-criar-uma-forca-expedicionaria.htm. Acesso no dia 15 de março de 2015.
  5. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.

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