Pe. Luiz Teixeira da Fonseca

Luiz Teixeira da Fonseca provavelmente nasceu no Estado do Rio Grande do Norte, e para nós os seus pais ainda são desconhecidos.
Pouco conhecemos sobre os seus primeiros anos de infância e supomos que, semelhantemente a outros de seu tempo, tenha realizado os seus estudos propedêuticos e finalmente o curso de Teologia no Seminário Episcopal de Nossa Senhora da Graça, que está localizado na Rua Bispo Coutinho, s/nº, no Bairro do Carmo, em Olinda, na Província de Pernambuco.

“O Seminário de Olinda era um estabelecimento de cunho marcadamente iluminista […] O seu plano de estudos previa a formação do clero pelo cultivo das ciências, mas a instituição também era aberta aos leigos, recebendo como alunos muitos jovens de famílias abastadas. As suas cadeiras serviam como disciplinas preparatórias para os estudos superiores e incluíam gramática latina, grego, retórica, poética, filosofia (lógica, metafísica e ética), filosofia natural (história e ciências naturais) e matemática, além de teologia moral e dogmática.” (VEIGA, 2007: p. 66)

Mais tarde, nos primeiros meses de 1832, já estando ordenado, foi encaminhado pelo seu bispo para auxiliar ao Pe. João Teotônio de Souza e Silva nos trabalhos existentes na Paróquia de Sant’Ana, no Município de Santana dos Matos, no Estado do Rio Grande do Norte, onde permaneceu como vigário coadjutor até setembro de 1833.

“Durante o paroquiado do Padre João Teotônio, que foi de quase cinquenta anos, foi ele auxiliado por oito sacerdotes, coadjutores e pro-párocos. O Padre Luiz Teixeira da Fonseca foi coadjutor de 1832 a setembro de 1833 e vigário interino em 1834.” (CAVALCANTI DUARTE, 1997: Santana dos Matos. Disponível em http://www.repositoriolabim.cchla.ufrn.br/jspui/bitstream/1234567
89/249/1/SANTANA%20DO%20MATOS.pdf. Acesso no dia 29 de novembro de 2017)

Pouco tempo depois, por conta das atividades políticas exercidas pelo Pe. João Teotônio de Souza e Silva na Assembleia Provincial do Rio Grande do Norte, assumiu como pároco interino até os primeiros dias do mês de 1834, quando foi substituído em suas funções pastorais pelo Pe. Inácio Damasco Corrêa Lobo.

Imagem da Igreja Matriz de Sant’Ana, no Município de Santana dos Matos, em 2015.

Por volta de 1841, foi encaminhado pelo seu bispo para Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Município de Jardim do Seridó, também no Estado do Rio Grande do Norte.
Mais tarde, nos primeiros meses de 1850, desenvolvendo o seu ministério pelas terras do Ceará, depois de receber uma nova provisão, assumiu os trabalhos deixados pelo Pe. Francisco Manoel de Lima e Albuquerque na Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, no povoado de “Cavalo Morto”, atualmente chamado de Boa Viagem, que na época estava dentro dos limites geográficos da Paróquia de Santo Antônio de Pádua, no Município de Quixeramobim, onde permaneceu até o fim de 1851, quando foi substituído pelo Pe. José da Cunha Pereira.
Mais tarde, em 1854, depois de retornar para o Estado do Rio Grande do Norte, assumiu alguns dos trabalhos existentes na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no Município de Acari.

“Em 1737, deu-se a fundação da capela de Nossa Senhora da Guia por requerimento ao Bispo de Olinda feito por Manuel Esteves de Andrade. A dita capela tornou-se matriz quando da criação da paróquia do Acari em 13 de março de 1835, sendo posteriormente dedicada a Nossa Senhora do Rosário quando da fundação da nova e suntuosa Matriz no alto da colina em 1863.” (Acari. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Acari_(Rio_Grande_do_Norte). Acesso no dia 29 de novembro de 2017)

Segundo informações existentes em seu testamento, acreditamos que tenha falecido antes de 1856 no povoado que era denominado de Conceição, no Município de Jardim do Seridó, no Estado do Rio Grande do Norte.

“A construção dos testamentos é carregada de intenções e deliberações. Na preparação da morte, os atos se voltavam para os reconhecimentos dos erros e as tentativas de reparação. Os testamentos, como um veículo de ajuste de contas, poderiam conter os mais íntimos reconhecimentos, fossem de dívidas terrenas ou espirituais. Inseridas nas estratégias de salvação, as lembranças dos parentes mais necessitados eram uma constante. O Padre Luiz Teixeira da Fonseca pensa beneficiar seus sobrinhos quando narra: ‘Declaro que a minha terça deixo para minhas sobrinhas que forem mais pobres; filhas de meos manos e manas, Manoel, Joaquim, Francisco, Maria e Tereza; e caso os filhos do dito meu irmão, o Manoel já não existão a parte que em parte antes tocaria, dêe a seos netos’.” (MEDEIROS DE MACÊDO, 2004: De como os mortos viam os vivos: Do imaginário dos Moradores da Comarca do Príncipe, Rio Grande do Norte, Brasil, sobre a morte na segunda metade do século XIX. Disponível em http://revista.ujaen.es/huesped/rae/articulos2004/medeiros2004.pdf. Acesso no dia 29 de novembro de 2017)

BIBLIOGRAFIA:

  1. BARROSO, Francisco de Andrade. Igrejas do Ceará. Crônicas Histórico-Descritivas. Fortaleza: PREMIUS, 2005.
  2. CAVALCANTI DUARTE, Kécia Suely. Santana dos Matos. Monografia apresentada ao Centro de Ciências Humanas e Artes do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, 1997.
  3. MEDEIROS DE MACÊDO, Helder Alexandre. De como os mortos viam os vivos: Do imaginário dos Moradores da Comarca do Príncipe, Rio Grande do Norte, Brasil, sobre a morte na segunda metade do século XIX. Revista de Antropologia Experimental, nº 4: Espanha, 2004.
  4. LIRA, João Mendes. Subsídios para a História Eclesiástica e Política do Ceará. Fortaleza: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1984.
  5. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  6. SILVEIRA, Aureliano Diamantino. Ungidos do Senhor na Evangelização do Ceará (1700-2004). 1º Vol. Fortaleza: PREMIUS, 2004.
  7. VEIGA, Cinthia Greive. História da Educação. São Paulo: Editora Ática, 2007.

3 ideias sobre “Pe. Luiz Teixeira da Fonseca

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