Pe. Francisco Manoel de Lima e Albuquerque

Francisco Manoel de Lima e Albuquerque nasceu no dia 3 de novembro de 1815 no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Manoel Alexandre de Lima e de Maria Nazaré de Lima.
Pouco tempo depois do seu nascimento, no dia 8 de dezembro, seguindo os preceitos da confissão religiosa de seus pais, recebeu o sacramento do batismo das mãos do Pe. João Rodrigues Leite.
Semelhantemente a alguns dos sacerdotes de sua época, estudou no Seminário Episcopal de Nossa Senhora da Graça, que está localizado na Rua Bispo Coutinho, s/nº, no Bairro do Carmo, em Olinda, na Província de Pernambuco, onde conseguiu concluir, em 1844, aos 29 anos de idade, os estudos necessários ao exercício do sacerdócio.

“O Seminário de Olinda era um estabelecimento de cunho marcadamente iluminista […]  O seu plano de estudos previa a formação do clero pelo cultivo das ciências, mas a instituição também era aberta aos leigos, recebendo como alunos muitos jovens de famílias abastadas. As suas cadeiras serviam como disciplinas preparatórias para os estudos superiores e incluíam gramática latina, grego, retórica, poética, filosofia (lógica, metafísica e ética), filosofia natural (história e ciências naturais) e matemática, além de teologia moral e dogmática.” (VEIGA, 2007: p. 66)

Logo após a sua ordenação, foi designado pelo bispo diocesano, Dom Frei João da Purificação Marques Perdigão, vigário coadjutor da Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, na vila de Quixeramobim, a sua terra natal.
Nessa época a freguesia de Quixeramobim cobria uma grande área geográfica, possuía muitas capelas distantes da vila e a maior parte do seu rebanho não estava concentrado na sede do Município e sim na zona rural, por isso, no dia 12 de março de 1946, assumiu como vigário substituto na Paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Maria Pereira, atual cidade de Mombaça.
Pouco tempo depois, nos últimos meses de 1848, foi nomeado para servir de capelão do povoado de “Cavalo Morto”, primeiro topônimo da vila de Boa Viagem, que na época pertencia ao Município de Quixeramobim.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Imagem da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, na cidade de Boa Viagem.

Nesse mesmo tempo, no dia 10 de outubro de 1849, temos o registro de sua presença como secretário do Pe. Antônio Pinto de Mendonça, que realizava visita ao curato e freguesia de Sobral, localizada na região Noroeste da Província do Ceará, distante 232 quilômetros da cidade de Fortaleza.
O Pe. Francisco Manoel de Lima e Albuquerque foi o terceiro capelão nomeado para atender no povoado de Boa Viagem, uma comunidade pobre e que há anos necessitava da presença de um religioso que substituísse o nome do Pe. Francisco Jorge de Sousa, que havia se afastado da capelania de Nossa Senhora da Boa Viagem por volta de 1845.
Nos últimos meses de 1850, não sabemos por qual motivo, foi substituído da responsabilidade das atividades pastorais da Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, em seu lugar assumiu o Pe. Luís Teixeira da Fonseca.
Pouco tempo depois, no dia 6 de janeiro de 1851, foi designado vigário encomendado da Igreja Matriz de Santa Quitéria, nas proximidades da cidade de Sobral, ocasião em que substituiu o Pe. Antônio de Sousa Neves.

“A movimentação dos fiéis de Santa Quitéria para a criação da Paróquia começou em 1816, mas somente em 22 de março de 1823 conseguiram a elevação da capela em matriz.” (MENDES LIRA, 1884: p. 208)

Permaneceu nessa função até o dia 13 de dezembro de 1852, quando passou a ser vigário colado dessa freguesia, posição ocupada até o dia 23 de setembro de 1882.

Igreja Matriz de Santa Quitéria.

Imagem da Igreja Matriz de Santa Quitéria, na cidade de Santa Quitéria.

Depois disso, no dia 1º de setembro de 1869, cumulativamente recebeu designação do bispo do Ceará, Dom Luis Antônio dos Santos, para assumir o pastorado da Igreja Matriz de Santo Antônio, em Aracatiaçu, um Distrito pertencente ao Município de Sobral.
Nessa oportunidade, assumiu essa função no lugar do Pe. Bernardino de Oliveira Memória, onde permaneceu até o dia 8 de abril de 1871.

“Esse pequeno prédio deve ter passado por vários estágios, até que chegasse o Pe. Bernardino de Oliveira Memória, o seu primeiro vigário, que ficou até 02.09.1869, sendo substituído pelo Pe. Francisco Manoel de Lima e Albuquerque (1869 a 1871) […] até o Pe. Eurico de Melo Magalhães (25.03.1912 a 14.04.1928).” (BARROSO, 2005: p. 195)

Nesse tempo, estabelecido na zona rural do Município de Santa Quitéria, explorava uma quantidade expressiva de terras com a criação de gado e um engenho, que produzia cachaça e rapadura:

“Nas proximidades da então vila de Santa Quitéria, construiu um açude, pelo qual enjeitou, depois, cinquenta contos de réis (muito dinheiro para aqueles tempos) e que, depois de sua morte, foi arrematado, em hasta pública, por quatro contos. Nas grandes baixas humosas, que ficam a jusante do açude, beneficiadas pela revência do mesmo, o Pe. Francisco fez uma grande plantação de cana e fundou o primeiro engenho de fabricação de rapaduras, num Sertão árido, onde a atividade econômica exclusiva era a criação dos gados.” (MACÊDO, 1970: p. 26)

No dia 6 de setembro de 1879, segundo informações do escritor Aureliano Diamantino da Silveira, esse vigário foi denunciado pelo presidente da Província, José Júlio de Albuquerque Barros, o Barão de Sobral, ao governador do bispado por abandonar as suas funções pastorais.
Pouco tempo depois, no dia 23 de setembro de 1882, aos 67 anos de idade, inesperadamente veio óbito, tendo o seu corpo recebido às homenagens de praxe na Igreja Matriz de Santa Quitéria.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BARROSO, Francisco de Andrade. Igrejas do Ceará. Crônicas Histórico-Descritivas. Fortaleza: PREMIUS, 2005.
  2. LIRA, João Mendes. Subsídios para a História Eclesiástica e Política do Ceará. Fortaleza: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1984.
  3. MACÊDO, Nertan. Floro Bartolomeu. O Caudilho dos Beatos e Cangaceiros. Rio de Janeiro: IMAGE, 1970.
  4. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  5. SILVEIRA, Aureliano Diamantino. Ungidos do Senhor na Evangelização do Ceará (1700-2004). 1º Vol. Fortaleza: PREMIUS, 2004.
  6. SOUZA MARTINS, P. H; RODRIGUES DE SOUSA, R. N. “Nego Nunca Deixou o Cativeiro”: História e Memória da Escravidão na Fazenda Malhada Grande. Disponível em file:///C:/Users/ELIEL/Downloads/60-116-1-SM.pdf. Acesso no dia 21 de maio de 2019.
  7. STUDART, Guilherme. FRANCISCO MANOEL DE LIMA E ALBUQUERQUE In: Dicionário Bibliográfico Cearense. 1º v. Edição Fac-simile. Fortaleza: SECULT, 2012, p. 305.
  8. VEIGA, Cinthia Greive. História da Educação. São Paulo: Editora Ática, 2007.