Francisca Ivani Citó Ramalho

Eliel JrFrancisca Ivani Citó Ramalho nasceu no dia 8 de agosto de 1924 no Município de Tauá, que está localizado no Sertão dos Inhamuns, distante 337 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filha de Joaquim Leopoldino de Araújo Citó e de Francisca de Carvalho Citó.
Pouco sabemos sobre os primeiros anos de sua infância na casa de seus pais, entretanto conseguimos reunir um precioso relato dessa época:

“É… Ela gostava mesmo era de sentir, em seus pés, aquele pozinho frio, um pouco úmido e refrescante do chão atijolado, que a Madrinha Bilica tinha acabado de varrer. Também gostava de pisar no terreiro da casa da Fazenda São Bento, muito bem varrido com ramos de malva branca, limpeza caprichada feita pela turma da Mâe Qué (filha de escravos). As pessoas chegavam, empilhavam os chinelos na parede, um em cima do outro e, por último, colocavam o cachimbo. Ali se acocoravam para iniciar o serviço. Ivani esperava aquele momento, saltitante, para cumprir a sua travessura do dia: esconder os chinelos de uma delas, apreciar a caça e depois comemorar, juntas, a gloriosa brincadeira.” (S.N.T)

Ainda muito jovem passou a lecionar na comunidade onde residia e, por volta de 1940, aos 16 anos de idade, contraiu matrimônio com José Martins Pedrosa, com quem gerou uma filha, Ana Amélia Martins Mendes:

“Namoro insistente, pois ela não queria aceitá-lo. Achava que ele tinha idade para ser seu pai. Era 20 anos mais velho, cabelo grisalho, pele enrugada. Um velho que a conquistou com muito carinho, bondade e delicadeza, qualidades que fizeram do Sé o seu grande amor. Ivani repetia sempre e deixou escrito: ‘Nenhuma mulher no mundo pode amar alguém como eu amei o Sé’. Inesquecível amor! Brandado sempre por sua querida cunhada Maria José.” (S.N.T)

Pouco tempo depois, em 1942, foi surpreendida pela repentina morte de seu marido, fato que lhe deixou muito debilitada, mas lhe fez forte para os desafios que surgiriam no percurso de sua vida.
Percebendo o seu abatimento, através de uma amiga, lhe apresentaram Francisco Deoclécio Ramalho, que era nascido no dia 3 de abril de 1900, sendo filho de Deodato José Ramalho com Ana Dionísia Ramalho, que nessa época também estava viúvo.

Francisca Citó Ramalho e  Francisco Deoclécio Ramalho.

Imagem de D. Francisca Ivani Citó Ramalho e do seu esposo, Francisco Deoclécio Ramalho.

Em 1948, seis anos depois da morte de seu marido, resolveu dar início a uma nova etapa de sua vida assumindo um novo relacionamento conjugal:

“Uma grande transformação aconteceu em sua vida naquela época: sair de Tauá, sua terra natal, para morar em outra cidade; a longínqua Boa Viagem. Cuidar da criação e da educação dos onze enteados a ela confiados também foi uma árdua missão que ela cumpriu com muita dedicação.” (S.N.T)

Desse novo consórcio matrimonial foram gerados cinco filhos, três mulheres e dois homens, sendo eles: Maria José Citó Ramalho, Maria Mazzarello Citó Ramalho, Antônio Citó Ramalho, José Williams Citó Ramalho e Juvenília Maria Ramalho Rolim.
Pouco tempo depois de estabelecida na cidade, passou a ser uma das colunas das atividades sociais e religiosas que eram promovida pela Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem:

“Dona Ivaní sempre participou ativamente da vida comunitária de Boa Viagem, especialmente nas atividades da Igreja Católica, a quem dedicava boa parte de seu tempo, sendo presença marcante nas obras de caridade, na linha afirmativa da ação aliada com a oração. Amiga das pessoas mais humildes e com elas sempre solidária, gostava de ajudar a todos que a procuravam. De temperamento forte, acompanhava as atividades das fazendas da família, ao tempo em que ajudava na educação e encaminhamento da numerosa prole, primeiro dos onze filhos de seu marido e depois dos seus seis filhos. Espirituosa e fervorosa praticante da religião católica sempre foi presença destacada nas manifestações e atividades paroquiais, tendo sido, invariavelmente, próxima a todos sacerdotes dirigentes da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem. Amava profundamente ao Município de Boa Viagem e a sua gente, tendo sido uma das incentivadoras da criação da Associação dos Filhos e Amigos de Boa Viagem.” (S.N.T)

Na década de 1970, preocupada com a falta de oportunidade para àqueles que queriam estudar, abriu as portas de sua casa para o estabelecimento de uma escola que era dirigido pelas Irmãs Josefinas.
No dia 21 de junho de 1986, uma nova e infeliz surpresa se abateu sobre a sua vida, pois faleceu na cidade de Boa Viagem, aos 86 anos de idade, o seu amado companheiro, que foi sepultado no Cemitério Parque da Saudade, na cidade de Boa Viagem.
Alguns anos mais tarde, no dia 27 de outubro de 2006, aos 82 anos de idade, faleceu vítima de um acidente automobilístico no Município de Morada Nova, que está localizado no Jaguaribe cearense, a 168 quilômetros da cidade de Fortaleza.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, foi sepultada por seus familiares no Cemitério Parque da Paz, que está localizado na Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, nº 4.454, no Bairro Passaré, na cidade de Fortaleza.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Padre Paulo, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura;
  2. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 1140, de 21 de março de 2012, o Unidade de Referência da Saúde da Mulher recebeu o seu nome.
  3. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, embora sem possuir uma legislação que lhe ampare, o Centro de Referência da Mulher recebeu a sua denominação.