Otacílio Xavier da Silva

Otacílio Xavier da SilvaOtacílio Xavier da Silva nasceu no dia 27 de janeiro de 1918 no Município de Várzea Alegre, que está localizado na região Centro-Sul do Estado do Ceará, distante 467 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de José Xavier da Silva e de Izabel Batista de Oliveira.
Quando já era adolescente, não diferente de outros nessa mesma idade, juntamente com os seus cinco irmãos, conciliavam as brincadeiras com o pesado trabalho na lavoura para o sustento de sua família em uma pequena propriedade que pertencia ao seu genitor e era denominada de Junco.
Antes do seu nascimento, por conta das intempéries climáticas, o seu pai migrou do Estado da Paraíba para o Ceará, de onde não mais saiu.
Sendo o filho mais velho, no período de estiagem, habitualmente seguindo as ordens de seu pai, conduzia uma tropa de quatorze muares pelas estradas e caminhos de seu Município realizando os mais diferentes trajetos.
Em suas atividades de tropeiro, costumava transportar uma variedade de mercadorias para quem o contratasse, dentre elas destacamos: cimento, água, tijolo, areia, madeira, grãos, farinha e gêneros alimentícios.
Em sua juventude, com outros irmãos, costumava animar as festas que eram promovidas na região.
Nessa mesma época aprendeu a fabricar currais, principalmente aqueles que eram destinados para vacinação do gado, sendo costumeiramente contratado pelos fazendeiros de outros Municípios, tendo a oportunidade de conhecer alguns Municípios de seu Estado.
Em um de seus contratos foi chamado a prestar serviço no Município de Quixeramobim a um empresário chamado João Jorge, que fabricava vinagre e conhaque, trazendo consigo em fuga a sua esposa, Raimunda Pereira da Silva, que tinha apenas 13 anos de idade, sendo filha de João Vitor da Silva e de Adélia Pereira de Sousa.
Desse relacionamento foram gerados oito filhos, quatro mulheres e três homens, sendo eles: Isabel Xavier da Silva, Andreia Xavier da Silva, Luisa Xavier da Silva, Francisco Xavier da Silva, José Xavier da Silva, Maria Pereira da Silva e João Xavier da Silva.
Estabelecido na cidade de Quixeramobim em um local denominado de Campo da Coréia, trabalhava na lavoura e nas horas vagas fabricava tamboretes em sua pequena serraria.
Certo dia, pela manhã, juntamente com a sua esposa, foi surpreendido por um incêndio dentro de sua casa, que lamentavelmente fez uma de suas filhas como vítima fatal, que era apenas um bebe e estava na rede.
Nessa época, frequentando regularmente a feira existente na cidade, onde vendia os seus tamboretes, conheceu o agropecuarista boa-viagense Teófilo Amaro, que demonstrou bastante interesse pelas peças produzidas pelo hábil artesão.
Dessa negociação fez surgir uma bela e duradoura amizade, que logo se estendeu para um convite, pois na cidade de Boa Viagem, naquela época, não havia uma movelaria que produzisse peças com tão refinado acabamento.
Por volta de 1950, pouco tempo depois dessa negociação, tomando coragem, resolveu abandonar o Município de Quixeramobim e arriscar a exploração deste novo filão na promissora cidade de Boa Viagem.
Trazia na bagagem, além da esperança, os seus poucos utensílios domésticos e todo o seu equipamento de trabalho para dar um novo ciclo de conquistas para a sua família, estabelecendo-se inicialmente em uma casa localizada na Rua Padre Antônio Correia de Sá, nº 170, Centro, que pertencia a Teófilo Amaro, onde mantinha também o seu equipamento de trabalho.
A serraria funcionou nos fundos desta casa por aproximadamente vinte anos e se chamava Nossa Senhora de Fátima, produzindo caibros, ripas, linhas, cadeiras, mesas, portas, janelas, bancos escolares, camas e uma infinidade de móveis ao gosto do cliente.
Os seus fregueses sempre demonstravam satisfação com o perfeito remate das peças que seguiam as recomendações sobre o acabamento que eram feitas aos seus funcionários.
No fim da década de 1960 o Município de Boa Viagem passava por algumas mudanças no cenário político, e essas mudanças afetaram seriamente o seu ramo comercial, devido à concorrência desleal que começou a surgir.
A Prefeitura de Boa Viagem, um de seus principais clientes, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, deixou de comprar os seus produtos para favorecer comercialmente alguns de seus correligionários, que instalaram serrarias.
Nessa época, sem a existência de qualquer tipo de licitação, as prefeituras costumavam comprar a quem quisesse, sem uma tomada de preços que beneficiasse o erário municipal, fato que fez com que desistisse de morar em Boa Viagem e procurasse um novo local para sobreviver com dignidade.
Naquela época, no período da estiagem, muitas pessoas deste Município costumavam viajar para os grandes centros do país, outras se arriscavam indo para um local mais próximo, o Estado do Maranhão, no intuito de trabalhar na extração da madeira.
Essa notícia surgiu como um raio de esperança, um novo e grande desafio, que não demorou muito para tê-lo em um nova equipe de trabalhadores que se formava na cidade, e logo seguiu para o Maranhão.
Chegando ao seu destino, se estabeleceu em uma pequena vila que era denominada de Zé Doca, no Município de Monção, na região do Pindaré, no Oeste maranhense, a 302 quilômetros da cidade de São Luiz.
Nessa época o Distrito de Zé Doca recebia, anualmente, centenas de famílias que procuravam melhores condições de vida e logo eram assentadas em lotes fornecidos pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a SUDENE, graças ao incentivo para derrubar árvores e abrir campos para a lavoura.
Os primeiros dias na nova atividade não foram fáceis, a distância da família e as muitas privações faziam com que muitos desistissem e voltassem para as suas casas no Estado do Ceará.
Logo após o seu estabelecimento, certificando-se das garantias de sua subsistência, resolveu mudar-se definitivamente para o seu novo eldorado com alguns de seus filhos.
Em pouco tempo o Distrito de Zé Doca se tornou em um grande produtor de arroz, milho, pimenta do reino, farinha, etc, consolidando-se também como um importante centro da região depois da construção da Rodovia Federal BR-316, superando a sede do Município em tamanho e número de habitantes.
Nessa mesma época costumava passar dias isolado do mundo embrenhado dentro da mata extraindo madeira e transformando-a em taboas, ripas e caibros para à construção civil, até que, no dia 16 de março de 1987, aos 69 anos, contraiu malária e hepatite, vindo a óbito.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume por sua família, o seu corpo foi sepultado no Cemitério Mangueirão, na cidade de Zé Doca.

BIBLIOGRAFIA:

  1. NASCIMENTO, Cícero Pinto de. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 818, de 22 de dezembro de 2002, uma das ruas de nossa cidade receberá o seu nome.

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