O Fusquinha Desmantelado

O FUSQUINHA DESMANTELADO.

Eliel Rafael da Silva Júnior

No passado o consumismo não era tão presente quanto o é em nossos dias, e as pessoas não trocavam de carro com tanta facilidade como fazem hoje, fato que gerava uma relação de identidade entre o veículo e o seu proprietário, que passavam anos juntos, chegando inclusive, para os que lhe conhecem, a uma fusão de suas imagens. Em resumo, não tinha como falar em um sem lembrar do outro!
Nos primeiros anos da década de 1980, sendo muito querido e em reconhecimento aos seus esforços no ministério pastoral, o Rev. Ezequiel Fragoso Vieira foi presenteado por alguns membros da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem com um fusquinha.
Esse fusquinha, que tinha uma cor verde abacate, ano 79, de segunda mão, era muito conservado, teve como primeira proprietária uma freira, sendo de grande utilidade para o serviço de evangelismo desempenhado pela seu dono e no dizer popular, era a “cara do pastor”!
Muitos anos depois, já na década de 1990, cansado pelo penoso trabalho, embora continuasse a ser muito cuidado, o fusquinha já pedia novas peças e regularmente visitava os mecânicos da cidade até que, em plena sexta-feira, o diagnóstico do mecânico foi direto, obrigando ao fusquinha a passar o final de semana recebendo reparos na oficina.
Desconsolado com a notícia, mas compreendendo que na segunda-feira o fusquinha já estaria em perfeito estado, o pastor passou o final de semana a pé, já que o fusquinha estava “desmantelado”.
Na oficina, pouco tempo depois da saída do pastor, logo o fusquinha foi aberto, recebendo todos os reparos necessários para o seu funcionamento e, para ser testado, tinha de passar pela “prova”.
Em sua fase de teste, atendendo aos pedidos da carne, o mecânico resolveu passar na frente de um famoso cabaré da cidade, onde parou, e por lá foi ficando, foi ficando, foi ficando…. e ficou durante todo final de semana.
O fusquinha, sendo muito conhecido, logo virou notícia de manchete nas bocas fofoqueiras da cidade, que tinham plena certeza que o seu motorista não passou o final de semana evangelizando.
Na segunda-feira, inocente com o que aconteceu, o pastor logo cedinho foi buscar o seu fusquinha querido, e nem imaginava que o seu companheiro de “jornadas santas” passou o final de semana fazendo algo que nunca tinha feito na vida!

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