Francisco Carneiro de Almeida nasceu no dia 9 de março de 1948 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, sendo filho de Argemiro de Almeida Neto e de Rita Carneiro de Almeida.
Os seus avós paternos eram Argemiro de Almeida Filho e Maria Vieira de Lima, já os maternos se chamavam José Vieira Vaz e Nautília de Freitas Carneiro.
A sua infância transcorreu em um período marcado pelas dificuldades próprias da vida sertaneja, quando as famílias residentes nas áreas rurais enfrentavam grandes limitações no acesso aos serviços essenciais.
Naquela época, na Bela Aliança, a comunidade praticamente não dispunha de assistência médica, e o acesso à educação também era bastante precário, realidade que impunha inúmeros desafios à formação das crianças que ali viviam.
As dificuldades enfrentadas pela família se agravaram no final da década de 1950. Além da escassez de água, que provocava disputas entre os criadores da região pelo acesso dos rebanhos às fontes disponíveis, o seu pai passou a enfrentar problemas de relacionamento com um de seus vizinhos.
Nesse mesmo período, sua mãe, estando grávida, foi acometida por febre tifoide, circunstância que tornou ainda mais preocupante a permanência da família em uma localidade distante dos recursos médicos existentes na sede do Município.
Diante desse cenário, um parente próximo da família, José Vieira de Lima, aconselhou aos seus pais a deixarem a Bela Aliança e estabelecer-se na cidade de Boa Viagem, onde a família poderia encontrar melhores condições de vida.
Seguindo o conselho, mudaram-se para a sede municipal, onde seu pai conseguiu um emprego de fiscal na Prefeitura de Boa Viagem.
Nesse período passou a ter melhores condições de prosseguir os seus estudos, frequentando inicialmente a Escola de Ensino Fundamental Padre Antônio Correia de Sá.
A permanência da família em Boa Viagem, entretanto, não seria definitiva. Por volta de 1959, buscando novas oportunidades e melhores perspectivas para os filhos, seu pai decidiu transferir-se com toda a família para Fortaleza, iniciando uma nova etapa na trajetória de Sebastião.
No início da década de 1980, depois de servir em várias embaixadas pelo mundo, foi nomeado cônsul do Brasil no Panamá, passando a representar os interesses brasileiros naquele país da América Central.
Durante aproximadamente dez anos, viveu em território panamenho, acompanhando de perto um período marcado por profundas transformações políticas e pelo agravamento das tensões internas e internacionais.
Ao final daquela década, o Panamá atravessava uma grave crise política sob o regime do general Manuel Antônio Noriega. As relações entre o governo panamenho e os Estados Unidos haviam se deteriorado significativamente, em meio a acusações contra Noriega, instabilidade institucional e crescente tensão diplomática e militar.
Diante daquele cenário de incertezas e temendo que a crise pudesse evoluir para um conflito de maiores proporções, seguindo orientação do governo brasileiro, decidiu retornar temporariamente ao Brasil, enquanto aguardava uma definição sobre a situação panamenha.
Pouco tempo depois, em dezembro de 1989, a crise atingiria o seu ponto culminante com a intervenção militar dos Estados Unidos no Panamá, que resultou na queda do regime de Noriega e, posteriormente, em sua prisão. Assim, os últimos anos de sua permanência naquele país coincidiram com um dos períodos mais conturbados da história política panamenha contemporânea.
Faleceu na cidade de Fortaleza no dia 15 de junho de 1993, aos 45 anos de idade, estando sepultado no Cemitério Parque da Paz, que está localizado na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, nº 4.454, no Bairro Passaré, na cidade de Fortaleza.
BIBLIOGRAFIA:
- NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.