Antônio de Almeida Lustosa nasceu no dia 11 de fevereiro de 1886 no Município de São João del-Rei, no Estado de Minas Gerais, distante pouco mais de 180 quilômetros da cidade de Belo Horizonte, sendo filho de João Baptista Pimentel Lustosa e de Delfina Eugênia de Almeida Magalhães.
Alguns dias depois do seu nascimento, em 8 de abril, seguindo o costume da confissão religiosa dos seus pais, recebeu o sacramento do batismo na pia batismal da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar pelas mãos do Cônego Francisco de Paula da Rocha Nunan.
Os seus avós paternos se chamavam Joaquim Batista Lustosa e Rita Guilhermina Pimentel, já os maternos eram Sabino de Almeida Magalhães e Delfina Leocádia de Magalhães.
Em toda a sua infância recebeu dos seus pais uma boa educação voltada aos valores cristãos até que, aos 16 anos de idade, ingressou no Instituto Salesiano de Cachoeira do Campo, em Minas Gerais.
Pouco depois, no dia 29 de janeiro de 1905, aos 19 anos de idade, depois de algum tempo sentindo-se vocacionado ao sacerdócio, ingressou como noviço na congregação salesiana existente em Lorena, no Estado de São Paulo.
Mais tarde, no dia 28 de janeiro de 1912, em Taubaté, foi ordenado presbítero pelas mãos do bispo Dom Epaminondas Nunes d’Ávila e Silva, dando início a sua jornada de ministro religioso.
Nesse período, como padre salesiano, lecionou filosofia e teologia, sendo mestre de noviços, diretor e vigário.
No dia 4 de julho de 1924, por ordem do Papa Pio XI, foi sagrado bispo e recebeu nomeação para assumir Uberaba no lugar de Dom Eduardo Duarte Silva, tendo a sua ordenação ocorrido no dia 11 de fevereiro de 1925, em São João del-Rei, pelas mãos de Dom Helvécio Gomes de Oliveira, SDB; Dom Emanuel Gomes de Oliveira, SDB; e Dom Benedito Paulo Alves de Sousa, permanecendo no governo dessa diocese até 1928, quando foi substituído por Dom Luiz Maria Santana.
No dia 17 de dezembro de 1928, por nova ordem do Papa Pio XI, partiu para assumir à Arquediocese de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, no lugar de Dom José Maurício da Rocha, onde permaneceu até 1931. Nesse período, mesmo enfrentando grandes dificuldades, visitou todo o território de sua Arquidiocese.
A partir de setembro de 1932, já enriquecido pelas experiências adquiridas em suas atividades pastorais, passou a publicar, no periódico católico “A Palavra”, crônicas relacionadas às visitas pastorais. Nesse jornal, sua coluna intitulava-se “À Margem da Visita Pastoral”, cujos artigos foram posteriormente reunidos e publicados em livro. De sua pena saíram ainda diversas outras obras, entre as quais se destaca uma biografia de Dom Macedo Costa, bispo do Pará.
Dentre as muitas realizações nessa etapa de seu sacerdócio, destacam-se a reabertura do Seminário Nossa Senhora da Conceição, confiado à administração dos salesianos; a criação de diversas paróquias; a instalação de comunidades religiosas dos Padres Crúzios, das Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora, das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, das Irmãs Capuchinhas, das Angélicas de São Paulo e das Irmãs de Nossa Senhora da Anunciação.
No dia 19 de julho de 1941, dessa vez por ordem do Papa Pio XII, foi transferido para a Arquidiocese de Fortaleza, onde substituiu Dom Manoel da Silva Gomes.
Antes disso, no dia 30 de setembro, realizou uma de suas últimas funções litúrgicas como Arcebispo de Belém: a sagração da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, santuário dedicado à padroeira do Pará e da Amazônia, para onde converge o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.
Na Arquediocese de Belém sucedeu a Dom João Irineu Joffily e teve como sucessor Dom Jaime de Barros Câmara.
Em Fortaleza, tomou posse da Arquidiocese no dia 5 de novembro em solene celebração junto à Catedral Metropolitana, que estava em construção. onde substituiu Dom Manoel da Silva Gomes.
Mais tarde, em 1952, participou da fundação da CNBB – a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
No Ceará, encontrou um cenário completamente novo daqueles que conhecera em suas últimas três dioceses, confrontou-se com a forte devoção popular, marcada por uma evangelização desafiadora por conta das secas e longas distâncias a se percorrer no território arquidiocesano.
Antes disso, em 1947, movido por pujante ardor apostólico, convocou o segundo Sínodo da Arquidiocese de Fortaleza, pretendendo reorganizar os territórios e novas comunidades, criando trinta e quatro novas paróquias e convidando várias congregações religiosas para atuarem nas várias realidades, em especial na capital.
Nessa época, preocupado com a formação intelectual e cultural dos seus diocesanos, escrevia semanalmente em uma coluna fixa do Jornal Católico “O Nordeste”. Atento aos sinais dos tempos criou, em 1962, a então Rádio Assunção, instrumento de comunicação arquidiocesana. De mesmo modo, foi autor de inúmeras cartas pastorais e obras reconhecidas até os os nossos dias.
É o autor dos vitrais que ornamentam a catedral de Fortaleza, nessa belíssima construção, buscou evidenciar o aspecto catequético da arte com vitrais, mandando que boa parte do material viesse do exterior. Como também escolheu e selecionou o altar-mor da nova catedral importado de Veneza.
Na catedral metropolitana de Fortaleza, cuidou da construção da capela do subsolo, inspirado por seu carisma salesiano dedicado a juventude, sob o patrocínio do Menino Jesus e de seis santos mártires e adolescentes em altares laterais.
O seu arcebispado ficou conhecido pela promoção vocacional e o apoio ao clero, mantendo aberto e forte o Seminário da Prainha, ordenando grande número de presbíteros para a Arquidiocese de Fortaleza.
Participou da fase antepreparatória do Concílio Vaticano II e esteve presente em seu primeiro período de sessões, realizado entre outubro e dezembro de 1962. Poucos meses depois, em 16 de fevereiro, o Papa João XXIII aceitou sua renúncia ao governo da Arquidiocese de Fortaleza, sendo substituído por Dom José de Medeiros Delgado.
Nessa ocasião, recebeu o título de Arcebispo titular de Velebusdus, ao qual renunciou em 1971.
A partir de então, em conformidade com a reforma promovida pelo Papa Paulo VI acerca dos bispos eméritos, passou a ostentar o título de Arcebispo emérito de Fortaleza. Antes disso, em 1967, com a ajuda dos fiéis, visando contribuir com a manutenção do clero e construções paroquiais, fundou o Instituto dos Cooperadores do Clero.
Faleceu em 14 de agosto de 1974, aos 88 anos de idade, na casa salesiana de Carpina, em Pernambuco, onde viveu os últimos quinze anos de sua vida.
Depois disso, após as tradicionais cerimônias fúnebres e as últimas homenagens que são de costume, o seu corpo foi sepultado em uma das criptas da Catedral Metropolitana de Fortaleza.
BIBLIOGRAFIA:
- GARDEL, Luis D. Les Armoiries Ecclésiastiques du Brésil (1551-1962). Rio de Janeiro, 1963.
- Guia histórico e catálogo da Arquidiocese de Belém. Belém, 1982.
- RAMOS, Alberto Gaudêncio. Cronologia eclesiástica do Pará. Belém: Falângola, 1985.
- BEOZZO, José Oscar. Padres conciliares brasileiros no Vaticano II: participação e prosopografia – 1959-1965. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2001. Orientado por Maria Luiza Marcílio.
- LUSTOSA, Antônio de Almeida. Dom Macedo Costa (Bispo do Pará). Belém: Cruzada da Boa Imprensa, 1939.
- LUSTOSA, Antônio de Almeida. Carta Pastoral: em prol da saúde corporal e espiritual dos nossos diocesanos do interior. 2. ed. Livraria Pará, 1935.
- LUSTOSA, Antônio de Almeida. No estuário amazônico: à margem da visita pastoral. Belém: Conselho Estadual de Cultura, 1976.
- LUSTOSA, Antônio de Almeida. Respigando. Fortaleza: Universidade do Ceará, 1958.
- LUSTOSA, Antônio de Almeida. Abraçando a cruz. 4. ed. São Paulo: Salesiana Dom Bosco, 1982. (Coleção Fé e Vida; 1).
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