Santa Terezinha

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

A Santa Terezinha, ou Fazenda Santa Terezinha, é um pequeno povoado existente na zona rural do Município de Boa Viagem, que está localizada distante pouco mais de 48 quilômetros do Centro da cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Imagem da placa de identificação dessa localidade, em 2021.

Dentro da divisão politico-geográfica, em relação ao Marco Zero, esse povoado está na região norte do Município, dentro dos limites do território do Distrito de Ibuaçu.

“Santa Terezinha é uma fazenda com mil e seiscentos hectares de terra, com 45 casas e uma população de 157 pessoas, localiza-se a 48 quilômetros da sede, tendo ao leste a Boa Esperança, ao oeste Lajes dos Lopes, ao norte Belo Horizonte e ao sul, a uma légua, o Rio dos Cachorros.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA. 2007: p. 188)

A ORIGEM DE SEU TOPÔNIMO:

Designação toponímica classificada como complexa, essa nomenclatura está relacionada ao nome da padroeira dos primeiros habitantes dessa localidade, que curiosamente, algum tempo depois, resolveram construir uma capela consagrada a Nossa Senhora Auxiliadora.

AS SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

Em um passado recente, na década de 1920, essa localidade já possuía algumas casas distantes umas das outras, servindo às famílias dos trabalhadores rurais que eram moradoras das várias fazendas existentes na região, que desde essa época já viviam da criação extensiva de gado e do plantio de culturas como milho, feijão, algodão, mandioca e outras em terras irrigadas pelo Riacho do Cambão, que corre ao pé da Serra das Trincheiras e segue com suas águas para o Açude Grande.

Imagem da sede da Fazenda Santa Terezinha, onde se encontra o maior número de habitantes da localidade, em 1993.

Nessa época, por volta de 1929, essa localidade passou a ser habitada pela família do Sr. Antônio Facundo Carneiro, que por medo da quantidade de onças existentes na região paulatinamente construiu sua casa em alvenaria.

“Nessa região tinha muita onça, mas, começando a habitar pessoas, elas foram embora… Com medo das onças… começou a construir a casa de sua fazenda. Ela foi construída em três etapas, de dez em dez anos, que foram os seguintes: 1929, 1939 e 1950. A casa é muito grande, alta, tem muito espaço, que serviu para abrigar seus 16 filhos”. (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA. 2007: p. 118)

Antes de habitar nesse local ele residia em Brasileira, tendo vendido parte de seus bens e adquirido essa propriedade, que inicialmente possuía 2.000 hectares, e algum tempo depois resolveu negociar parte dela com seu irmão, Marcelo Facundo Carneiro, fazenda que passou a ser chamada de Boa Esperança.
Muitos anos depois, 1966, graças ao interesse dos familiares do Sr. Antônio Facundo Carneiro, essa localidade passou a contar com uma capela, que nesse período já costumava reunir muitas pessoas em suas festas e celebrações, servido a casa da fazenda para acolher o celebrante, que geralmente vinha designado pela Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, da cidade de Madalena.

“A Capela de Nossa Senhora Auxiliadora foi construída devido a necessidade do Sr. Antônio Facundo Carneiro, que estava doente com diabetes e não podia deslocar-se para ir à missa em outras localidades. Por volta do ano de 1966 os seus filhos resolveram construir uma capela. A primeira missa foi celebrada no dia 21 de março de 1965 pelo saudoso Pe. Vital Elias Filho, vigário da Paróquia de Madalena. O fato da padroeira chamar-se Nossa Senhora Auxiliadora deu-se porque uma senhora, chamada Maria Jacaúna, ao ir caçar em uma das serras da região, chegando à noite, com medo de ser atacada por uma onça, resolveu fazer uma fogueira para lhe aquecer e proteger. Enquanto dormia teve um sonho em que lhe foi revelado que um homem compraria a Fazenda Olho d’Água Salgado e construiria uma capela, onde seria entronizada como padroeira Nossa Senhora Auxiliadora.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA. 2007: p. 59)

Depois de construída, segundo Talita Costa da Silva, aos poucos essa capela tornou-se um dos pontos de referência da cultura religiosa e de encontro social das famílias de sua região.

“Em Santa Teresinha, no período de 18 a 26 de agosto, celebra-se a festa da Padroeira Nossa Senhora Auxiliadora. Desde o ano de 2001, esse evento religioso vem acontecendo nesta comunidade, contando com a organização do Conselho Econômico Pastoral Administrativo da Comunidade – CEPAC, e a participação de todas as famílias da localidade. Tem também a participação de várias comunidades vindas da Paróquia de Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Madalena) e Nossa Senhora do Carmo (Itatira). Abriga, assim, grande número de fiéis, principalmente no último dia, que é dedicado aos filhos das outras comunidades. No calendário litúrgico a festa de Nossa Senhora Auxiliadora é celebrado no dia 24 de maio, mas a comunidade comemora no mês de agosto, no período de 18 a 26, por ser a época de melhor acesso aos participantes. Celebrada a parte religiosa, tem a parte social com barracas, pescarias, bingos, etc.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA. 2007: p. 59)

Algum tempo depois, diante do número de habitantes em idade escolar na região, os moradores dessa localidade foram beneficiados com a construção de sua unidade de ensino, de uma pequena praça e de uma quadra de futebol de salão.

Imagem do povoado sendo observado da Serra das Trincheiras, em 2022.

Mais tarde, no fim da primeira década do século XXI, diante dos seguidos anos de seca e da mudança de eixo econômico, muitos de seus habitantes deixaram a região, ocorrendo ainda uma diminuição na natalidade, algo que influenciou no fechamento da escola da localidade, tendo os seus poucos estudantes transferidos para vila do Boqueirão, que chegam até essa unidade de ensino sendo levados diariamente pelo transporte escolar.
Na localidade encontramos ainda um conjunto de atrativos com forte potencialidade para exploração do turismo de aventura, que são: as Pedras Prestas, a Pedra da Asa e a Furna com o Salão de Pedras.
Os interessados em conhecer os pontos de turismo da região podem fazer um circuito partindo do Cemitério das Lembranças, que possui a Capela de Santa Luzia; o Serrote da Cabeça de Pedra e a Gruta Casa de Pedra, já dentro do território do Município de Madalena.
Quanto a sua economia, nessa localidade existe algumas pequenas mercearias, uma casa de farinha e um engenho, ambos desativados, e diariamente, sendo coordenado pela associação comunitária da localidade, existe o recolhimento da produção de leite, que é depositada em um tanque e vendido para Betânia Laticínios, que lhe industrializa em Quixeramobim.
Os moradores dessa localidade possuem a disponibilidade do serviço de energia elétrica, internet e água potável em suas casas por meio do Projeto SISAR – o Sistema Integrado de Saneamento Rural, carecendo da coleta de lixo, que é jogado em qualquer local.
Sobre o lazer, nessa localidade colocamos em destaque a disputa do Torneio de Futebol de Santa Terezinha e da Copa de Futebol Quintino Facundo, ambas organizadas pelo desportista Reginaldo José Facundo Ferreira.

“Possui um campo de futebol, que tem 41 anos de fundação, além dos torneios tradicionais, que são feitos a 25 anos. A rendada população é baixa, menos de um salário mínimo por mês, tem a sua economia baseada na agricultura e pecuária e a religiosidade da população é predominantemente católica.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA. 2007: p. 189)

AS LOCALIDADES DE SUA VIZINHANÇA:

O acesso para o povoado de Santa Terezinha é feito por via terrestre através de  várias rodovias municipais, que lamentavelmente não possuem um número para facilitar a sua identificação.

Imagem do mapa de sua região.

O povoado de Santa Terezinha tem em sua vizinhança as seguintes localidades: Belém dos Biés, Cachoeirinha, Mulungú, Sapoti, Salamantra e Varzante.

OS EQUIPAMENTOS EXISTENTES NA LOCALIDADE:

No povoado de Santa Terezinha os seus habitantes possuem alguns equipamentos para facilitar as suas vidas, bem como a dos moradores de sua vizinhança, sendo eles:

  1. A Capela de Nossa Senhora Auxiliadora;
  2. A Escola de Ensino Fundamental Antônio Facundo Carneiro;
  3. A Praça de Santa Terezinha.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BRAGA, Renato. Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Ceará. v. 1º. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1964.
  2. FRANCO, G. A. & CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.