Manoel Martins Chaves Neto

Manoel Martins Chaves Neto nasceu no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, do Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza.
Na época do seu nascimento a cidade de Boa Viagem, que também era conhecida pela alcunha de “Cavalo Morto”, era apenas um pequeno povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2000: Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Segundo registros passou grande parte de sua infância da vila de Jacampari, que nessa época era chamada de “Olinda”, residindo algum tempo depois na localidade de Socorro, que atualmente é conhecido como Ibuaçu.
Durante muitos anos foi agropecuarista em uma localidade que é denominada de Marinheiro, sendo casado com Martiniana Francisca do Nascimento, nascida em 1867, com quem gerou Francisca de Araújo Chaves, Artur Martins Chaves, Maria de Araújo Chaves e Regina de Araújo Chaves.
Nos primeiros meses de 1900, desejando ingressar na vida pública do Município de Boa Viagem, conseguiu um mandado eletivo no Poder Legislativo entre o dia 10 de junho de 1900 ao dia 10 de junho de 1904.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem.

Uma das ações de maior importância nessa legislatura está registrado no ofício enviado no dia 2 de outubro de 1902 pela Câmara Municipal de Vereadores ao Presidente do Estado do Ceará, Dr. Pedro Augusto Borges, relatando o estado de penúria e de miséria a qual se encontrava a nossa população, que nessa época era castigada por uma terrível seca:

“Paço da Câmara Municipal da Vila de Boa Viagem em 2 de outubro de 1900. Exmo. Sr. O acrisolado espírito de patriotismo de V. Exc. o amor as instituições republicanas e o extremo interesse pela prosperidade desse Estado, mormente na crise calamitosa porque ele passa, com uma secca exterminadora, acompanhada de assombroso cortejo da peste…. para satisfazer um restricto e sagrado dever, não só para scientificar a V. Exc. o estado de miséria a que está reduzido a este Município…. Este Município, Exmo. Sr. Não tendo tido ao menos uma chuva regular, ficou todo ele reduzido a miséria pela falta de pastagem e água e nestas circunstancias a população esgotada de meios para sua subsistência em conseqüência da seca do anno de 1898 e extraordinárias inundações feitas pelo inverno do anno próximo passado, grande parte dela emigrou…. que vai extinguindo o gado vacum e cavallar, a peste assolando em diversos Municípios e a população inanida morrendo de fome…” (CAVALCANTE MOTA, 1999: p. 90)

Esse período de governo foi marcado também por uma epidemia de varíola, que dizimou a vida de diversas pessoas.
No dia 9 de janeiro de 1942, juntamente com os seus familiares, partilhou da notícia do falecimento de sua esposa, que veio a óbito na localidade de Socorro, aos 75 anos de idade.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará (1889-1930). Fortaleza: ABC, 1999.
  2. FERREIRA NETO, Cicinato. A Tragédia dos Mil Dias: A seca de 1877-79 no Ceará. Fortaleza: Premius, 2006.
  3. IBGE. Histórico do Município de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017.
  4. PEIXOTO, João Paulo M.; PORTO, Walter Costa. Sistemas Eleitorais no Brasil. Brasília: Instituto Tancredo Neves, 1987.
  5. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2004.

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