Lucas Almeida Carneiro

Lucas Almeida Carneiro nasceu no dia 16 de abril de 1964 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo o segundo de onze filhos de Lourival Matias Carneiro e de Maria de Sousa Almeida Carneiro.
Os seus avós paternos se chamavam Manoel Lindolfo Carneiro e Argentina Matias Carneiro, já os maternos eram Gilberto Epifânio de Almeida e Stella Sousa Almeida.
Na época em que nasceu a cidade de Boa Viagem não dispunha de uma casa de parto, fato que obrigou aos seus pais a contar com os valiosos serviços de uma parteira na Fazenda Trapiá do Lindolfo, localidade dentro do território do Distrito do Olho d’Água do Bezerril, onde passou os primeiros anos de sua infância.

“Nasci no Município de Boa Viagem em 16 de abril de 1964, no Trapiá do Lindolfo, uma pequena ‘garra de terra’ pertencente ao meu avô paterno, Lindolfo, numa casinha de taipa construída por meu pai, Lourival… Meus avós paternos eram Manoel Lindolfo Carneiro e Argentina Matias Carneiro, ela, neta do Capitão Américo Carneiro de Oliveira, o construtor do Cemitério das Lembranças, no Distrito de Boqueirão, Boa Viagem – Ceará. Os meus avós maternos foram Gilberto Epifânio de Almeida (Gilberto Loriano) e Stella Sousa Almeida, ela, filha do Camundo, da Fazendo Espírito Santo, Município de Monsenhor Tabosa – Ceará… Minha parteira, pelas mãos da qual vim ao mundo, foi Mãe Dondon, a quem, depois de adulto e pai, tive o gosto de rever, em Madalena, em viagem ao meu velho Trapiá.” (ALMEIDA, 2022: p. 01)

Pouco tempo depois, buscando melhores condições de vida, os seus pais migraram por vários locais do Sertão, até o seu estabelecimento em definitivo na capital do Estado.

“Do Trapiá, sai com pouco mais de um ano de idade e fui morar na Fazenda Espírito Santo, de propriedade de ‘Pai Camundo’. Acredito que isso tenha se dado entre 1965 e 1966. Dali, voltei com minha família para Boa Viagem, para morar na Guia, numa casa que havia na ponta da parede do açude Zagreb, implantado nas terras do avô Gilberto. De lá, pelos idos de 1968, minha família foi para dentro do povoado, Guia, ‘numa casinha vizinha ao motor gerador de energia elétrica. Lembro que o movimento do motor balançava as nossas redes. Dormíamos embalados pelo barulho e pelo impacto do motor’. Depois de morar noutra casinha, ainda na Guia, fomos para Fortaleza, já na década de 1970, mais precisamente em 1971… Quando comecei a trabalhar não me lembro. Sei que desde a casa do Zagreb, eu já era designado para a missão de pastorar passarinho, para eles não comerem o arroz plantado no ‘arisco’, na Baixa da Santa, ou o milharal, nas plantações de meu pai, enquanto ele fazia o serviço pesado do roçado. Na casa da Guia, a do motor, havia um pequeno curral, no fundo do quintal, onde se mantinham duas vacas, para a alimentação das crianças: a Caraúna e a Carioca. ‘Caraúna era uma vaca boazinha, muito dócil, meiga até!’ Na época em que morei lá, era encarregado de buscar as vacas no cercado onde se alimentavam. Distava o cercado aproximadamente uns dois quilômetros. Isso em 1968, 1969. Mas ‘apenas a Caraúna, porque a Carioca era brava, não tinha cerca que a segurasse’. Certa vez, durante uma época de boas chuvas, havia muita ‘malícia’, um cipozinho espinhento que nascia aos montes naquelas terras. Esse espinho arranhava terrivelmente as pernas dos homenzinhos de calças curtas, penetrava e grudava na pele. Tentando evitar a ‘malícia’, imitei o berro do bezerrinho da Caraúna, que veio em disparada à procura do filhote. Essa esperteza custou-me um grande susto: a Caraúna abaixou e balançou cabeça e chocalho bem perto de mim, numa demonstração de que não havia gostada da brincadeira besta. Mas depois, passou! Ela me acompanhou docilmente até em casa.” (ALMEIDA, 2022: p. 01)

Já estabelecido na capital, seguindo o exemplo de seus pai, até a sua juventude serviu-lhe como fiel ajudante de jardineiro, partindo depois disso para o Estado de Minas Gerais em busca de melhores condições de vida e de trabalho, ocasião em que estudou e trabalhou na área da saúde.

“Já em Fortaleza, o pai se tornou jardineiro: construía e dava assistência aos jardins das casas dos ricos. Com oito anos, bem como, depois, seu irmão Antônio, dois anos mais novo, acompanhavam o pai aos jardins, e aguavam as plantas dos jardins. Essa atividade acabou se estendendo até os meus 19 anos de sua vida: trabalhava um expediente, e estudava outro. Depois, passei a estudar à noite e, aí, eram dois expedientes de trabalho e um de estudos. Em 1983, viajei para o sul de Minas, onde cursou enfermagem e trabalhou na área de saúde por dois anos. Em 1985, a experiência com o jornal mural da escola despertou-lhe o interesse pela área da informação, e ingressou no Jornal das Geraes como encarregado pelas assinaturas, publicidade e distribuição do semanário.” (ALMEIDA, 2022: p. 01)

Em 1996, regressando ao Estado do Ceará, com denodo exerceu outras atividades profissionais até ingressar por meio de vestibular em uma das turmas da UFC – a Universidade Federal do Ceará, concluindo o cursou de Letras – Português e Espanhol nos últimos meses de 2005.

“De volta a Fortaleza, em 1986, trabalhou como auxiliar em uma empresa de exploração de petróleo, terceirizada da Petrobras. Pouco tempo, depois já sem emprego, buscou na arte o seu ganha pão, e passou a fazer macramê (artesanato com cordas, barbantes, fios, cordões) e tecelagem, por influência do amigo mineiro Mário. Em 1990, já em janeiro, foi contratado como revisor de textos pela gráfica da Organização Educacional Farias Brito, agraciado que é pelo conhecimento vasto da língua portuguesa. Esse emprego durou até 1996. A revisão de textos perdura até o presente momento em sua vida profissional. Em 1995, por indicação do mentor e amigo Genuíno Sales e a convite do professor Valdemir Mourão, passou a ministrar aulas de espanhol no cursinho preparatório para o vestibular da UECE, nas cidades de Senador Pompeu, Pentecoste e São Gonçalo do Amarante. Em seguida, passou a dar aulas no CCAA, CNA, Medley, Fisk, entre outras escolas de idiomas. Depois, vieram as escolas regulares, como o Instituto Cearense, escola no Bairro Mondubim; CACD, em Quixadá e em Fortaleza; Queirós Belém, Mariano Martins; Filgueiras Lima; Perpétuo Socorro, Colégio Marista Cearense, Colégio Magister; entre outros, em Fortaleza e em várias cidades do interior do Estado, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, assim também nos cursos preparatórios. Outra empresa importante em sua vida profissional como educador foi o Sesi Educação, em que o professor ministrou aulas nas indústrias, em Fortaleza e no interior, de 2009 a 2013. Na educação superior, ministrou aulas na UFC, como tutor semipresencial do curso de Letras Espanhol EaD, em vários polos da UNB/UFC, de 2011 a 2013.” (ALMEIDA, 2022: p. 01)

Sobre a sua vida estudantil, frequentou com grande aproveitamento diversos estabelecimentos de ensino, de onde construiu um rico e variado cabedal de conhecimentos.

“Às primeiras letras teve acesso ainda na Guia, ‘num colégio que tem vizinho à barragem ‘Açude Grande’, dentro do povoado. ‘Não me lembro o nome que a escola tinha na época”. Essa escola reservou um capítulo grotesco em minha história escolar: em uma sabatina de matemática, após uma resposta errada, a professora aplicou-me dois violentos ‘bolos’ em cada uma das mãos. Já em Fortaleza, em 1972, retomaria sua vida de estudante para nunca mais a deixar. Havia, no Colégio Stella Maris, uma escola de freiras, um anexo para atendimento às comunidades carentes, o Colégio Padre José Alberto Castelo, no qual estudei por dois anos – a Alfabetização, com a professora Rosimar, e a primeira série primária. Nos anos seguintes, cursaria a segunda série primária na Escola Educadora de Nova Aldeota, na Rua Desembargador Lauro Nogueira, no então Bairro Verdes Mares, hoje Papicu. Dessa época me recordo de um fato pilhérico: no mesmo quarteirão em que estava a escola, no meio da quadra, havia também um cabaré: a graça disso é que o diretor da escola era o mesmo gerente do cabaré: durante o dia, ele dirigia a escola; à noite, gerenciava o ‘Vai quem quer’, como era conhecido o outro estabelecimento. Nos anos seguintes, terceira e quarta séries primárias no Colégio Matias Beck (Mucuripe); e o então Ginásio (concluído em 1980) no Colégio Padre José Nilson, cujo diretor era o padre homônimo, também pároco da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no Mucuripe. O segundo grau, fê-lo via supletivo, depois de perdidos anos de afastamento voluntário da escola regular, o que não o impedira, no entanto, de cursar italiano, durante quatro anos, no Núcleo de Línguas da UECE, e espanhol, na Casa de Cultura Hispánica, na UFC – cursos feitos de 1988 a 1991. Dado à leitura e à busca pelo conhecimento, foi aprovado, em 1997, no vestibular da UFC – Letras Português e Espanhol e respectivas Literaturas, que cursou junto a pesadas jornadas de trabalho e concluiu em 2005.” (ALMEIDA, 2022: p. 01)

Mais tarde, no dia 7 de março de 2022, tomou posse da cadeira nº 35 da Academia Cearense de Literatura de Cordel – ACLC, que tem como Patrono Raimundo Vicente de Santana.

“Poeta, escritor, professor, revisor de textos, tradutor, artesão, cordelista, membro da Academia Cearense de Cordel. Desde a infância, escreve poesia, conto e crônica. Publicou aos 16 anos, feito em uma máquina de datilografia, em casa, e editado de forma artesanal um livro de poemas a que intitulou INSPIRAÇÕES. Em 2008, publicou, pela Expressão Gráfica e Editora, O VERSO TRIVIAL. Mais recentemente, em 2021, duas obras em conjunto: O VERSO TRIVIAL – 2ª edição, e o livro de SONETOS, pela sua Oficina de Poesia Editorial, em parceria com a Editora Prellus. Escreve, também, cordel (herança genética do avô Lindolfo) e já publicou: Cunfuzão no Terminal; Lindolfo e a fera do cão; Foi depois que eu passei lá; Arrastando a Asa; D’ũa pisa que eu levei; A bela história de amor de Lourival e Maria; O Fanho; Sesi Barra do Ceará – 40 anos; Ainda tem na minha rua; No batuque do Pandeiro; Eu não troco meu Nordeste/por terra de seu ninguém; A Guerra do Contestado; Exalçamento ao Feijão; Memórias e tempos idos; Aos donos da terra; A Tentação; Dona Hermínia – Heroína do Sertão; e uma quase epopeia, em formato cordel, A Cidade do Cavalo Morto, em que narra a fundação do município de Boa Viagem, cordel esse aprovado em 2021 num Edital da Secretaria de Cultura daquele município, editado em terceira edição pela Oficina de Poesia Editorial em parceria com a Expressão Gráfica e Editora, com apoio da Lei Aldir Blanc. Autor do Projeto de Leitura Canto cá & Canto lá, que promove a leitura pública de poemas/cordéis e a contação de suas Estórias. Autor do Projeto de Leitura POR DENTRO DO LIVRO. Autor também dos livros: CORDÉIS e outros poemas; UNA CANZONE D’AMORE y unos poemas más; SONETOS – 2a edição; e UMAS ESTÓRIAS QUE VI e outras que ouvi contar, este último em prosa, com estórias que o autor classifica como cronicontos.” (ALMEIDA, 2022: p. 01)

Sobre a poesia e a forma que entrou em sua vida, o referido nos dá o seguinte testemunho:

“’Como a poesia entrou na minha vida… acho que nasci poeta!’ Mas o poeta teve uma ajudazinha. Há notícias de que o seu avô havia criado uns versos para um famoso descuidista da Beira do Rio dos Cachorros. O seu pai e o seu tio Raimundo contaram-lhe essa história. Senhor Lourival também era chegado à poesia: ‘pra tudo, papai tinha um verso a declamar, cantar’. Fosse para a diversão, o ensino, advertência ou para dar um carão, sempre havia versos. A vivência intensa com o seu pai no trabalho cotidiano deu-lhe também a convivência intensa com a poesia. O primeiro verso, conta-nos, veio de um desafio que recebeu: um colega de escola (da segunda série ao oitavo ano) andava meio malcheiroso, e reclamei com o rapazinho, então, na quarta série. Num repente bem rimado, o rapazinho argumentou: ‘quem manda você andar me cheirando?’ Lucas Carneiro assegura que nunca foi repentista, ‘sou poeta de bancada’. Mas o verso do amigo o incomodou e, no outro dia, veio a sextilha pronta para argumentar com o amigo, cujos versos finais diziam: ‘seu cabrinha irresponsável / veja o que está dizendo / eu não ando lhe cheirando / você é que anda fedendo’. Daí não parou mais: escreveu dois cordéis e um sem fim de quadras, num caderninho desses de meia folha. A descoberta de sua poesia pelo público se deu em casa mesmo. Sua irmã mais velha, Ana Dalva, hoje falecida, que tinha toda a liberdade de mexer em suas coisas, pois foi sempre o seu maior amor, pegou seus caderninhos e encontrou o poema A PEDRA, publicado no seu livro O VERSO TRIVIAL, primeira e segunda edições. Ana Dalva leu, releu, decorou, mostrou para a mãe, e ficou repetindo pelos quatro cantos da casa: ‘Ah, pedrinha desgraçada!’ ‘Não me lembro se já havia tido contato com ‘A Pedra’, de Drummond, mas a ideia que o poema passa é que sim, porque a imagem é a mesma: uma pedra no meio do caminho.’ O caderninho, repleto de quadras e com seus dois primeiros, uma prima – Noêmia – pediu para ler, e nunca mais o devolveu. Lucas Carneiro escreve verso livre, metrificado, branco e rimado. Escreve, também, cordel, que considera herança genética do avô Lindolfo.” (ALMEIDA, 2022: p. 01)

Nos últimos anos, além de ser revisor de textos, exerce também o comando do programa Livro Falado, um programa voltado para cultura dentro da grade de programação da Rádio Liberdade, onde expõe também alguns dos seus trabalhos de poeta.

BIBLIOGRAFIA:

  1. FRANCO, G. A. & CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  2. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.

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