Henrique Cavalcante de Albuquerque

Henrique Cavalcante de Albuquerque nasceu no dia 13 de março de 1859 no Município de Apodi, que está localizado na região de Mossoró, distante 339 quilômetros da cidade de Natal, sendo filho de Trajano Cavalcante de Albuquerque e de Isabel Maria de Albuquerque.
Algum tempo depois, em uma data desconhecida, diante de conflitos dentro de sua família paterna por conta da partilha de herança, migrou com os seus pais para o Município de Quixeramobim, dentro do território da Província do Ceará.
Em Quixeramobim a sua família se estabeleceu em uma localidade denominada de Dois Riachos, próximo de um povoado chamado de Boa Viagem, que nesse tempo era conhecido também pela alcunha de “Cavalo Morto”.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2000: Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Chegando a sua juventude o país passava por significativas transformações no âmbito político e social e esses efeitos, aos poucos, conseguiram chegar também até ao distante Sertão da Província do Ceará.

“O período compreendido entre os anos de 1780-1850, em geral, foi palco de intensas transformações no Brasil. O final do século XVIII assistiu a decadência da exportação açucareira no Nordeste, como também a gestação da lavoura cafeeira paulista. A vida nas áreas urbanas se intensificou havendo um significativo crescimento populacional; Concomitantemente, a metrópole apostava na criação e proliferação das vilas enquanto fórmula de disciplinar a população e implementar estruturas administrativas e de fisco.” (VIEIRA JÚNIOR, 2004: p. 12)

Era agropecuarista, sendo casado com Idalina Fernandes Feitosa, com quem gerou cinco filhos, quatro mulheres e um homem, sendo eles: Francisca Bezerra de Albuquerque, Isabel Feitosa de Albuquerque, Agda Feitosa de Albuquerque, Antônia Feitosa de Albuquerque e Joaquim Feitosa de Albuquerque.
Segundo informações existentes no periódico Gazeta do Norte, ano 1, nº 51, edição do dia 8 de março de 1881, aos 22 anos de idade, foi nomeado delegado substituto do Município de Boa Viagem.
Pouco tempo depois, no dia 18 de setembro de 1883, na qualificação do conselho dos guardas ativos do 52º Batalhão da Guarda Nacional de Boa Viagem, o seu nome figurou com a matrícula nº 324 no “Quarteirão da Várzea Redonda”, onde foi designado como soldado de linha.
O 52º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional foi criado através do decreto nº 4.520, de 28 de abril de 1870, sendo desmembrado do Município de Quixeramobim e tinha como comandante o Tenente Coronel José da Silva Bezerra.

“A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831, para servir de ‘sentinela da constituição jurada’, e desmobilizada em setembro de 1922. No ato de sua criação lia-se: ‘Com a criação da Guarda Nacional foram extintos os antigos corpos de milícias, as ordenanças e as guardas municipais.’ Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve as suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província. Em 1873 ocorreu nova reforma que diminuiu a importância da instituição em relação ao Exército Brasileiro. Com o advento da República a Guarda Nacional foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército.” (S.N.T)

Mais tarde, alguns dias depois da Proclamação da República, ocorrida no dia 15 de novembro de 1889, assistiu o início da projeção política de seu irmão, Manuel Henrique de Albuquerque, que foi indicado como um dos membros do Conselho de Intendência Municipal de Boa Viagem, conseguindo exercer três mandatos eletivos no Poder Legislativo e ainda ser indicado ao exercício da intendência.

“Logo após a Proclamação da República, que aconteceu no dia 15 de novembro de 1899, conseguiu ser designado pelo Governo do Estado como um dos membros do Conselho de Intendência do Município de Boa Viagem, ocupando a vaga que foi deixada por motivo de incompatibilidade de José Rabêlo e Silva, exercendo o seu cargo do dia 22 de agosto de 1891 até o dia 31 de março de 1892, quando foi definitivamente exonerado para ocupar outra função.” (SILVA JÚNIOR, 2017: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/manuel-henrique-de-albuquerque/. Acesso no dia 23 de outubro de 2018)

Pouco tempo depois destes fatos, desejando entrar na vida pública do Município e contando com o valioso apoio de seu irmão, conseguiu ser eleito para uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores, exercendo o seu mandato entre os anos de 1892 a 1896.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem no fim da década de 1940.

Nesse período, juntamente com os seus pares, elegeu como intendente Manoel Benício Bezerra de Menezes, responsável pelo Poder do Executivo do Município.
Nessa legislatura, quando o Município de Boa Viagem atravessava os rigores de uma estiagem, seguindo o que previa o Projeto Pompeu-Sinimbú, juntamente com os seus companheiros de vereança acompanhou a última fase da construção da Casa de Câmara e Cadeia Pública, onde também passaria a funcionar a escola da vila; acompanhou a construção da base do Mercado Público Municipal Jessé Alves da Silva, que só foi concluído por volta de 1919; assinou o manifesto do desejo de instalação de uma linha de telégrafo para cidade de Boa Viagem, um verdadeiro avanço para época; acompanhou os trabalhos de assistência médica que atenderam às pessoas que sofriam por conta de uma epidemia de varíola que ocorreu no Município; promoveu a abertura de novas ruas e o melhoramento no saneamento e limpeza das ruas já existentes.
Depois disso, no pleito eleitoral do dia 5 de maio de 1896, foi reconduzido a um novo mandato, desempenhando essa nova legislatura entre o dia 10 de junho de 1896 e o dia 10 de junho de 1900.
Nesse período acompanhou a aplicação do orçamento apresentado pelo Intendente José do Vale Pedroza na Câmara Municipal; a entrega de sementes de milho, feijão e arroz para mil agricultores do Município e a qualificação de seus eleitores.
Antes disso, em acordo com uma matéria publicada no dia 28 de dezembro de 1895 no periódico A República, ano IV, nº 295, compunha o diretório do PRF – o Partido Republicano Federalista.

“No inicio da República não havia partidos nacionais. Assim, no Ceará, o Partido Republicano cindiu-se em busca do poder.” (CAVALCANTE MOTA, 1999: p. 23)

Na eleição para escolha dos vereadores para legislatura de 1900 a 1904, indicou o nome de outro irmão, Vicente de Paula Cavalcante de Albuquerque, a uma das cadeiras na Câmara Municipal de Vereadores, algo que se repetiu em outras legislaturas.
Pouco tempo depois, no dia 7 de março de 1904, juntamente com os seus familiares, foi surpreendido pelo falecimento de seu pai, que era natural do Apody, no Estado do Rio Grande do Norte, e veio a óbito aos 82 anos de idade na localidade de Dois Riachos.
Pouco tempo depois, no dia 25 de novembro de 1906, na mesma localidade, foi a vez de lamentar junto com os seus familiares pelo falecimento de sua mãe, que veio a óbito aos 87 anos de idade.
Segundo informações existentes no livro C-03, pertencente à secretaria da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, tombo nº 3, folha 79v, faleceu no dia 5 de janeiro de 1944, aos 85 anos de idade, na localidade de Dois Riachos, informações que foram confirmadas no livro C-03, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, folha 79, tombo nº 892.
Logo após o seu óbito, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no mausoléu da família existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, no Centro da cidade de Boa Viagem.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará. (1889-1930).ABC: Fortaleza, 1996.
  2. IBGE. Histórico do Município de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. PEIXOTO, João Paulo M.; PORTO, Walter Costa. Sistemas Eleitorais no Brasil. Brasília: Instituto Tancredo Neves, 1987.
  5. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Manuel Henrique de Albuquerque. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/manuel-henrique-de-albuquerque/. Acesso no dia 23 de outubro de 2018.
  6. UCHOA RIBEIRO, Valdir. Conselhos de Intendência no Ceará. Fortaleza: Premius, 2005.

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