Gonçalo Nunes Leitão

Gonçalo Nunes Leitão nasceu no dia 10 de janeiro de 1835 no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão de Canindé, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Julião Ribeiro Leitão e de Maria do Carmo e Silva.
Na época do seu nascimento a vila de Boa Viagem, que também era conhecida pela alcunha de “Cavalo Morto”, era apenas uma minúscula localidade existente dentro dos limites geográficos pertencentes ao Município de Quixeramobim.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2000: Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Segundo informações existentes no livro B-05, pertencente à secretaria da Paróquia de Santo Antônio de Quixeramobim, folha 281, no dia 3 de outubro de 1855, diante do Pe. José da Cunha Pereira, em desobrigas ocorridas na Fazenda Várzea da Pedra, contraiu matrimônio com Maria Manoela de Sousa, sendo filha de Vicente Ferreira de Melo e de Maria Maciel de Sousa.
Alguns anos depois, entre os anos de 1877 e 1881, depois que o Município de Boa Viagem conseguiu a sua autonomia política, ficou na suplência de uma das cadeiras do Poder Legislativo de Boa Viagem, assumindo a função de vereador ocasionalmente, quando ocorria a ausência do titular.
Nessa legislatura, juntamente com os outros edis, enfrentou grandes desafios, dentre elas uma grande seca, que ficou conhecida como a “seca dos 1000 dias”, ocorrida entre 1877 e 1879.

“Todas as correspondências enviadas do interior da província nos primeiros anos de seca tinham em comum os espantosos relatos acerca da terrível condição dos moradores do sertão, mesmo os que podiam ser chamados de pessoas de posse… a solução foi a emigração em massa. Os pequenos e médios proprietários abandonaram terras e venderam ou trocaram seus escravos.” (FERREIRA NETO, 2006: p. 69)

No dia 15 de janeiro do primeiro ano de sua gestão, por conta dessa estiagem, alguns vereadores solicitaram o adiamento de suas posses, sendo que muitos deles não compareciam às reuniões, passando a Câmara de Vereadores dois anos sem funcionar, quando até as arrematações dos impostos camarários foram desprezadas diante da falta de interessados, deixando as contas e outras responsabilidades do Município em atraso.
Mais tarde, no dia 28 de outubro de 1881, por meio de um ofício, o Governo da Província, preocupado com a capacidade hídrica da região, solicitou o número de açudes públicos existentes, bem como os seus proprietários.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem.

Algum tempo depois, no dia 18 de setembro de 1883, na qualificação do conselho dos guardas ativos do 52º Batalhão da Guarda Nacional de Boa Viagem, o seu nome figurava com a matrícula nº 20 no “Quarteirão da Vila”, onde foi designado como guarda de linha.
O 52º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional foi criado através do decreto nº 4.520, de 28 de abril de 1870, sendo desmembrado do Município de Quixeramobim e tinha como comandante o Tenente Coronel José da Silva Bezerra.

“A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831, para servir de ‘sentinela da constituição jurada’, e desmobilizada em setembro de 1922. No ato de sua criação lia-se: ‘Com a criação da Guarda Nacional foram extintos os antigos corpos de milícias, as ordenanças e as guardas municipais.’ Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve as suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província. Em 1873 ocorreu nova reforma que diminuiu a importância da instituição em relação ao Exército Brasileiro. Com o advento da República a Guarda Nacional foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército.” (S.N.T)

No dia 29 de julho de 1904, depois de enfrentar algumas secas, juntamente com alguns dos seus familiares decidiu migrar para cidade de Castanhal, no Estado do Pará, tendo a sua passagem na cidade de Fortaleza sido noticiada no periódico Jornal do Ceará.

“Acham-se nesta capital, de viagem para Castanhal, no Pará, com suas exmas. familias, os nossos distinctos amigos Manoel Mendes Corrêa Lima, Gonçalo Correia Lima e João Nunes Leitão, a quem desejamos prospera viagem e larga messe de felicidade nos seus negocios.”

Depois dessa notícia ao que nos parece não regressou mais para o Ceará, sendo provável que tenha falecido no Estado do Pará.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará (1889-1930). ABC: Fortaleza, 1996.
  2. IBGE. História do Município de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017.
  3. FERREIRA NETO, Cicinato. A Tragédia dos Mil Dias: A seca de 1877-79 no Ceará. Premius: Fortaleza, 2006.
  4. PEIXOTO, João Paulo M.; PORTO, Walter Costa. Sistemas Eleitorais no Brasil. Brasília: Instituto Tancredo Neves, 1987.
  5. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2004.

2 ideias sobre “Gonçalo Nunes Leitão

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