A ECONOMIA DO MUNICÍPIO DE BOA VIAGEM

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

A economia consiste na análise da produção, na distribuição e no consumo de bens e serviços de uma região, sendo um ramo de estudo que tenta construir um conhecimento sistematizado sobre o assunto para compreender determinados problemas e apresentar possíveis soluções.

Imagem da Oficina Neto Car Auto Center, em 2017.

Como é fácil de perceber nesse artigo, por conta da falta de informações precisas dos canais oficiais, não é uma tarefa simples fornecer um estudo apurado sobre à economia do Município de Boa Viagem, pois ela é relativamente pobre e ao mesmo tempo muito diversa.
Nesse mesmo sentido ela não pode ser medida apenas por ela mesma, sendo necessário compreender o ambiente, as pessoas envolvidas e os meios de sua produção.
Em 2020, segundo o ranking dos Municípios mais ricos do Brasil, produzido pelo IBGE – o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, comparado aos 5.569 Municípios existentes, o Município de Boa Viagem figura na posição 4.941º. No Estado do Ceará, estando entre os 184 Municípios, figura na 128º posição, sendo o 4º entre os 7 de sua micro região.
Diante desses números é necessário compreender os fatores explícitos e implícitos para justificar tal colocação, algo que não irá mudar da noite para o dia, mas a nossa geração precisa plantar a semente para que no futuro se colham os frutos.

A POLITICA LOCAL E A SUA FALTA DE PLANEJAMENTO:

Ao aproximar-se de seu segundo centenário o Município de Boa Viagem precisa se integrar cada vez mais na economia regional, que já está conectada com a global, algo que acelerará o seu desenvolvimento para diminuir as disparidades sociais, mas para que isso ocorra é necessário que exista uma integração entre economia, planejamento e vontade política de seus governantes.
Diante desse quadro percebemos com tristeza que isso irá demorar muito tempo, pois as nossas principais lideranças políticas não voltam os seus olhos para além dos seus interesses, tratando literalmente o bem público como algo pessoal, sendo o patrimonialismo e o clientelismo a chave para chegar e permanecer no poder, algo que reflete diretamente em sua economia.
Essas lideranças, quando em seus governos, a maioria de seus atos administrativos estão comprometidos apenas com a rotina burocrática e em favorecer financeiramente aos seus aliados, não existindo um plano de continuidade naquilo que é feito pela máquina pública em favor do progresso da coletividade.

“Existe em nosso Município uma queda de braço invisível entre os poderes, que firmam acordos e negociam cargos de confiança, na esfera do Poder Executivo, em troca de chantagens e de sustentação política. Alguns vereadores, que buscam mais evidência, insistem em querer exercer as obrigações que são do Poder Executivo em troca de favores e de vantagens que impedem as ações do gestor, que, sem opção, é obrigado a ceder… Em Boa Viagem, por incrível que pareça, as amizades e até os vínculos familiares são condicionados pelas posições políticas tomadas, sendo a capacidade profissional do sujeito medida pela quantidade de votos que ele consegue reunir.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 168-169)

Ao assumir o comando do Governo Municipal geralmente o primeiro compromisso dessas lideranças políticas é em desarticular a máquina administrativa ocupada pelos vencidos na pugna eleitoral, muitas vezes colocando pessoas sem capacidade técnica ou operacional em pontos chaves de sua administração para dar continuidade naquilo que estava dando certo na gestão anterior.
Esse circulo vicioso contínuo costuma se repetir porque para a maioria do povo de Boa Viagem os bons governos são medidos apenas pela quantidade de obras públicas realizadas e não pelo bom funcionamento dessas mesmas obras.
Diante desse fato, sem um plano de gestão pautado na continuidade, algumas administrações investem na destruição daquilo que foi deixado por seus antecessores, algo que custa muito caro ao erário.
Sem um planejamento a longo prazo, com esse e outros problemas, ao que percebemos não existe uma preocupação política com o futuro, algo que dificulta na inserção do Município de Boa Viagem na engrenagem econômica planejada pelo governo do Estado.

A EDUCAÇÃO E A ECONOMIA:

A educação funciona como polo indutor do desenvolvimento econômico de qualquer região do país, diante disso, considerando o fato de que a base de sustentação familiar local está na agricultura e na pecuária, esse deveria ter sido o campo primário de investimentos do governo na educação formal do povo desde bem cedo, algo que não ocorreu.

“A economia se baseia na agricultura, sendo os produtos: feijão, milho, mandioca e algodão (herbáceo e arbóreo); em algumas áreas, há o plantio de fruticulturas e horticulturas; na pecuária, podemos destacar a criação de bovinos, ovinos, caprinos e suínos, bem como a avicultura, a indústria de cal e diversas microindústrias.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 19)

Com essa afirmação não queremos desmerecer os outros campos de estudos e profissionalização, mas é o conhecimento dos modos da agricultura, da pecuária e da boa convivência com o meio ambiente que nos darão o suporte necessário para a implantação e o desenvolvimento de outras atividades da economia local.
É comum ouvir nessa região que “o melhor prefeito para o Município de Boa Viagem é o inverno”, uma analogia entre clima e política que reflete uma grande verdade. Uma boa quadra chuvosa é vital para manutenção de sua economia, todos sabem ainda que nunca vamos nos livraremos da seca e o grande desafio do sertanejo é conviver com ela.
Diante desse fato o Município de Boa Viagem já teve a oportunidade de construir um roteiro para sua educação pautada em sua matriz econômica nos três níveis de ensino – fundamental, médio e superior, mas essa oportunidade nascente foi lamentavelmente descartada logo em sua base.

Imagem da Escola de Ensino Médio Dom Terceiro, em 2008.

Antes de tratarmos diretamente desse assunto devemos lembrar que a primeira escola de ensino profissionalizante existente na cidade de Boa Viagem foi a Escola de Ensino Médio Dom Terceiro, que a partir de 1968 teve em sua grade a oferta dos cursos científico, contabilidade e magistério.
Esses cursos não foram implantados de uma só vez, sendo o de magistério o primeiro deles, quando era de vital importância a formação de professores, pois tinham como missão diminuir o alto índice de analfabetismo existente na região.
Já o curso de contabilidade preparava os seus alunos para servirem na indústria e no comércio, enquanto o científico preparava aqueles que pretendiam ingressar no nível superior, algo alcançado por pouquíssimos estudantes.
Os cursos mencionados continuaram a ser ofertados pela aludida escola até os primeiros anos de 2000, quando ocorreu uma nova configuração no sistema nacional de ensino e foram extintos.
Antes disso, em 1992, ocorreu a implantação da Escola Agrotécnica Dr. Janival Almeida Vieira, que inicialmente visava atender prioritariamente aos filhos dos agricultores da região fornecendo-lhes um lastro curricular no ensino fundamental concomitante com o conhecimento de técnicas agrícolas, algo a ser complementado no ensino médio.
Esses estudantes, que recebiam atenção em dois turnos, diariamente retornavam para os seus lares e compartilhavam com os seus pais os conhecimentos técnicos adquiridos, existindo a curto prazo a possibilidade em tornar as suas propriedades em locais de produção mais eficientes.

“Essa escola agrícola, semelhantemente a todas as outras que foram construídas em sua época, tinha por objetivo qualificar profissionalmente jovens estudantes para atuação na área de produção rural, sendo projetada para atender aos anseios da população rural quanto à educação técnica.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-agricola-dr-janival-de-almeida-vieira/. Acesso no dia 24 de novembro de 2020)

Nesse período, por conta de uma grave crise política local que culminou em um doloroso processo de impeachment, esse projeto foi deliberadamente colocado de lado até que, nos primeiros meses de 2004, inexistindo políticas que agregassem à educação ao campo, o Governo Municipal desativou essa unidade de ensino, atitude pouco contestada pelo povo.
Pouco tempo antes desse fato, o Governo do Estado investiu na implantação do CVT – o Centro Vocacional Tecnológico Dr. César Cals de Oliveira Filho, unidade de ensino que investiu na promoção de cursos rápidos de cabeleireiro, eletricista, informática, mecânica e outros, algo que favoreceu a região com o aumento de prestadores desses serviços.

Imagem da Escola Estadual de Educação Profissional Venceslau Vieira Batista, em 2014.

Mais tarde, em 16 de março de 2009, foi a vez da implantação da Escola Estadual de Educação Profissional Venceslau Vieira Batista, que entre os seus cursos deveria ter ofertado algo no campo da agricultura e da pecuária, indubitável esteio econômico da região.

“O Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Educação (SEDUC), assumiu em 2008 o desafio de implantar a rede de educação profissional no Estado. A estratégia central foi integrar o Ensino Médio à formação profissional de nível técnico, oferecendo educação em tempo integral aos jovens cearenses. O modelo integrado possibilita a centenas de alunos a qualificação para ingressar no mercado de trabalho ao mesmo tempo em que são habilitados a concorrer a uma vaga na universidade. A educação profissional dá maior amplitude à concepção do direito à educação por criar condições para que se estabeleça um diálogo com o mundo do trabalho.” (SEDUC, 2015: Disponível em https://educacaoprofissional.seduc.ce.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12&Itemid=128. Acesso no dia 25 de maio de 2020)

Nessa ocasião foram implantados os cursos de administração, enfermagem, finanças e comércio, informática e nutrição, algo que gerou certa perplexidade da comunidade pela inexistência de mercado de trabalho de algumas dessas áreas, algo que forçaria aos mais jovens a buscar colocação em outras cidades.

Imagem do IFCE de Boa Viagem, em 2018.

Pouco tempo depois, no segundo semestre de 2011, o Município de Boa Viagem recebeu a notícia da implantação do IFCE, – o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, algo que finalmente ocorreu no primeiro semestre de 2017.

“O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará está presente em todas as regiões do Estado, por meio da oferta de cursos regulares de formação técnica e tecnológica, nas modalidades presenciais e a distância. Nessa instituição são oferecidos cursos superiores tecnológicos, licenciaturas, bacharelados, além de cursos de pós-graduação, mas precisamente, especialização e mestrado.” (SILVA JÚNIOR, 2018: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/instituto-federal-de-educacao-ciencia-e-tecnologia-do-ceara/. Acesso no dia 25 de maio de 2020)

Ao ser implantado, seguindo a vocação econômica da região, essa unidade de ensino colocou em sua grade os cursos de técnico em agropecuária, técnico em rede de computadores e o curso de licenciatura em química.
Nos últimos 20 anos, contando com uma extensão universitária da UVA – a Universidade Estadual Vale do Acaraú, da UECE – a Universidade Estadual do Ceará, e outras, o Município de Boa Viagem passou a contar com profissionais qualificados em administração, pedagogia, serviço social e outros, algo que favoreceu na melhoria da prestação de serviços locais.

OS AGENTES FINANCEIROS DE SUA ECONOMIA:

Os bancos são instituições financeiras intermediárias entre os agentes superavitários, aqueles que tem dinheiro, e os agentes deficitários, aqueles que precisam de dinheiro, possuindo a função de captar os recursos dos superavitários e emprestá-los a juros aos deficitários, gerando no meio dessa transação uma margem de ganho.

Imagem da agência do Banco do Brasil de Boa Viagem, em 2011.

Todo banco, público ou privado, apresenta essas características, possuindo também outras funções, sendo elas: depositar capital em formas de poupança, financiar automóveis e casas, trocar moedas internacionais, realizar pagamentos, entre outras.
Em sua região Boa Viagem como local onde importantes agentes financeiros se estabeleceram, prestando serviços também para os habitantes dos Municípios de Madalena, Monsenhor Tabosa e Pedra Branca, sendo eles:

  1. Caixa Econômica Federal;
  2. Banco do Brasil;
  3. Banco do Nordeste do Brasil;
  4. O Banco Santander;
  5. Bradesco.

Destacamos também nesse setor a existência de um banco postal correspondente do Banco do Brasil na agência dos correios; o Pague Tudo, um banco expresso que também possui parceria com o Banco do Brasil e serve para o pagamentos de boletos e contas do SAAE – o Serviço Autônomo de Água e Esgoto.
Em alguns comércios, em parceria com o Bradesco, existem bancos expressos, que são de grande utilidade para o pagamento de boletos e outros pequenos serviços; dispõe do correspondente financeiro do BMG – o Banco de Minas Gerais S/A, que investe no empréstimo consignado existindo ainda duas lotéricas, que comercializam as loterias e outros produtos, atuando na prestação de todos os serviços delegados pela Caixa Econômica Federal.

A ECONOMIA SEM PRODUÇÃO: 

Estando localizado no Sertão do Estado do Ceará a região onde se encontra é um local classificado por alguns altores como o “coração seco”, onde a maioria de sua população vive da agricultura familiar e das transferências sociais fornecidas pelo governo, um fenômeno classificado como “economia sem produção”.

“A seca é um dos traços mais marcantes, ainda hoje bem vivo, que pesa na definição da própria sorte do Ceará e do cearense. Ela molda o espaço: muitas cidades surgem em volta de açudes; traz a diáspora: o cearense se dispersa no Norte e no Sudeste; eterniza a pobreza: as soluções são apenas paliativas, o caboclo, no interior, continua a praticar a mesma agricultura de baixa produtividade dos seus ancestrais; só beneficia a elite, por meio da ‘indústria da seca’; e, emfim, o seu combate – muitas vezes, reforça – o sistema socioeconômico injusto que temos até hoje.” (FERREIRA LIMA, 2008: p. 71-72)

As economias locais desse tipo seriam caracterizadas por baixa renda, com uma grande participação de transferências e aposentadorias na renda das famílias, e grande participação dos governos no número de empregos.

Imagem da Agência de Previdência Social de Boa Viagem, em 2012.

Nesse contexto a maior injeção de recursos que circula mensalmente em sua região é feita pelo INSS – o Instituto Nacional de Seguridade Social, que mantem fielmente os seus depósitos nas contas de seus segurados e garante a sobrevivência de grande parte do comércio.
Esse fato econômico gera um grave perigo político, onde servidores desse órgão se transformam em valiosos cabos eleitorais e reforçam ainda mais o clientelismo existente na região.
Em relação a essas transferências sociais, conforme o informativo Cuidando de Você, ano I, 2ª edição, de abril de 2011, ocasionalmente os governos costumam investir dinheiro na região através do programa Garantia Safra, que é de grande valia para sobrevivência de algumas pessoas:

“O programa Garantia Safra, do Governo Federal, em parceria com o Governo Estadual e as prefeituras municiais apresenta para este ano em Boa Viagem um número correspondente a seis mil e seiscentos agricultores que receberam o boleto… Na atual administração, o aumento no número de beneficiados chega a 15%. Quando foi lançado pelo Governo Federal, em 2001, a Prefeitura de Boa Viagem aderiu ao programa.”

Alguns dos moradores desse Município também recebem outras formas de transferências sociais, dentre elas algumas feitas pelas outras esferas de governo.

AS ESTRADAS E A SUA IMPORTÂNCIA PARA NOSSA ECONOMIA: 

A economia de uma região depende da qualidade de suas estradas, enfrentando esse e outros problemas, especialmente nos anos em que existem bons invernos, o escoamento daquilo que é produzido e consumido nessa região depende também de fatores climáticos, que podem refletir no preço final ao consumidor por conta dos custos em transporte.

Imagem do cruzamento das rodovias BR-020 com as CEs-168/266, em 2010.

O Município de Boa Viagem está localizado praticamente no Centro do Ceará, sendo cortado por importantes rodovias, constituindo-se em uma estratégica rota de acesso para todas as regiões de seu Estado.

“As rodovias que cortam o Município de Boa Viagem estão classificadas em três tipos, a principal, que é a BR; as secundárias, que são as CE’s, e as terciárias, que são as BV’s. As três esferas do Poder Executivo compartilham das responsabilidades sobre as rodovias que cortam o seu território.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/categoria/acesso/. Acesso no dia 12 de maio de 2020)

As rodovias que cortam o território do Município de Boa Viagem comprovam o seu potencial em receber investimentos, estando divididas por esfera de poder da seguinte forma:

  1. Rodovia mantida pelo Governo Federal: A BR-020, rodovia que nasce em Brasília, o Distrito Federal, e termina em Fortaleza, capital do Estado do Ceará;
  2. Rodovias mantidas pelo Governo Estadual: CE-168, rodovia que nasce na região sul do Estado do Ceará e termina na praia da Baleia, no litoral do Município de Itapipoca; A CE-265, rodovia que nasce no limite com o Estado do Piauí, no Município de Poranga, e termina no limite como Estado do Rio Grande do Norte, no Município de Limoeiro do Norte e a CE-266, que nasce na região leste, no Município de Tamboril, e termina no limite com o Estado do Rio Grande do Norte, no Município de Tabuleiro do Norte;
  3. Rodovias mantidas pelo Governo Municipal: As BV’s, que são rodovias carroçáveis e ainda não possuem numeração que as identifiquem.

O dado lamentável sobre essas rodovias é que nem todas elas são pavimentadas em asfalto, possivelmente por estar também fora do circuito regional do turismo, o que reflete também na estagnação econômica da região, que teria a sua face modificada caso os governos se mobilizassem para mudar esse cenário.

A SEGURANÇA PÚBLICA E O SEU PAPEL NA ECONOMIA:

Um dos fatores que servem de apoio para o desenvolvimento da economia é a segurança pública, algo que interfere na atração ou no afastamento de investimentos pela iniciativa privada.
A manutenção da segurança é um investimento do poder público, podendo ser nas três esperas de poder, estando ela está dividida em Boa Viagem da seguinte forma:

  1. Governo Federal: existe no território do Município uma base da Polícia Rodoviária Federal, que garante segurança em suas rodovias;
  2. Governo Estadual: na cidade existe o Quartel da 4ª Companhia do 4º Batalhão da Polícia Militar do Estado do Ceará, que dispõe de policiamento ostensivo e especializado que dá cobertura para toda região;
  3. Governo Municipal: na cidade existe o corpo da Guarda Municipal, que atua na organização do trânsito e vigilância de patrimônio.

No presente, nesse setor, o Município de Boa Viagem necessita de um contingente do Corpo de Bombeiros, de um edifício que abrigue a delegacia de polícia civil e de uma nova casa de custódia.

OS SETORES DA ECONOMIA DO MUNICÍPIO DE BOA VIAGEM: 

Em sua divisão clássica a economia do Município de Boa Viagem está dividida em três setores, que são o primário, o secundário e o terciário, lembrando que existem outras formas de classificar esse setor.

O SETOR PRIMÁRIO:

Os produtos do setor primário são aqueles que são considerados como matérias-primas e são levadas para às indústrias no intuito de serem transformadas em produtos industrializados. As atividades que mais se destacam nesse setor incluem a agricultura, a pesca, a pecuária e a mineração em geral.

Imagem de uma família de agricultores do Município de Boa Viagem, início da década de 1970.

As indústrias em sentido diversificado, que agregam, embalam, empacotam, purificam ou processam as matérias-primas dos produtores primários, normalmente se consideram parte deste setor, especialmente se a matéria-prima é inadequada para à venda, ou difícil de transportar para longas distâncias.
Segundo a nomenclatura econômica, o “setor primário” é composto de seis atividades econômicas: agricultura, pecuária, extrativismo vegetal, caça, pesca e mineração.

AS  REPRESENTAÇÕES DE CLASSE DESSE SETOR:

No Município de Boa Viagem existem grupos organizados que servem para defender os interesses de classe dos trabalhadores desse setor, embora essa defesa só seja feita por suas lideranças em alguns casos, quando envolve interesses políticos pessoais, conheça alguns deles:

  1. A Associação dos Pescadores de Boa Viagem;
  2. A Federação das Associações de Boa Viagem;
  3. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Agricultura Familiar de Boa Viagem;
  4. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Boa Viagem.

Embora organizados, algumas atividades dessas agremiações são promovidas ou abafadas ao curso do interesse de suas lideranças, que muitas vezes utilizam os seus associados como “moeda de de troca” para obter algum tipo de vantagem pessoal.

A AGROPECUÁRIA:

O termo agropecuária é uma palavra formada pela junção dos substantivos agricultura e pecuária, sendo que o primeiro está relacionada ao cultivo de plantas e o segundo à criação de animais, ambos servindo para o consumo humano ou para o fornecimento de matérias-primas na fabricação de roupas, medicamentos, biocombustíveis, produtos de beleza, entre outros.
Segundo o IBGE o tipo de agricultura utilizada pela maioria dos produtores dessa região, que ainda seguem técnicas rudimentares, destina-se ao próprio consumo, servindo ao propósito de subsistência de suas famílias ou de pessoas de sua comunidade, sendo os principais produtos de suas lavouras:

  • Algodão

O algodão é uma fibra esbranquiçada que cresce a volta das sementes de algumas espécies do gênero Gossypium, família Malvaceae, servindo principalmente para confecção de tecidos. Essa fibra já foi o principal produto da região, que deixou de produzi-la por conta da praga do bicudo, época em que era chamado de “ouro branco”.
Nos últimos anos, com algumas parcerias, o Governo Municipal tem buscado resgatar o plantio desse importante cultura, que pode favorecer a economia local:

“Começou a colheita 2020 do algodão agroecológico no Município de Boa Viagem. O Município aposta nessa cultura desde 2017, quando iniciou uma parceria com a Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec); ressalte-se que o Município, localizado no sertão cearense, é propicio ao plantio de algodão agroecológico. O projeto começou com 28 produtores, passou para 42 em 2018, para 59 em 2019 e, neste ano, já reúne 120 agricultores. O plantio tem o apoio da Secretaria de Agricultura de Boa Viagem, que viabiliza a hora de trator para o produtor, as sementes para o cultivo e os sacos para a colheita. O algodão agroecológico de Boa Viagem é um produto valorizado no mercado alcançando preço superior ao do algodão convencional.” (BOA VIAGEM, 2020: Disponível em https://www.boaviagem.ce.gov.br/informa.php?id=298&fbclid=IwAR1ht31SoBEcz2UAhqYtaMPNCZZNFIr0eTrysfm65vCU2WpU60YO0fXveGQ. Acesso no dia 8 de junho de 2020)

Mesmo com esse possível retorno alguns agricultores ainda olham com desconfiança, pois temes amargar novos prejuízos.

  • Batata-doce

A batata-doce, também chamada batata-da-terra, é cultivada em nossa região há muitos anos, possuindo diversas variedades cultiváveis, divididas em de mesa e forrageiras, ambas podendo ser encontradas nas cores externas amarela, branca e roxa, sendo comumente cultivadas nas proximidades dos rios.
No entanto, a quantidade de variedades não se restringe a essas características — elas podem ser classificadas de acordo com o formato, tamanho, cor interna, doçura, precocidade, cor das folhas e até pela coloração das flores, entre outras.

  • Cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar da região é cultivada em pequena escala nas proximidades de seus rios, servindo à produção de rapadura, cachaça, garapa ou para extração do melaço, que serve também para o processo de fermentação da forragem ensilada.

Imagem de um engenho existente em Santa Teresinha, em 2016.

Quanto à produção de rapadura, que na região era chamada de “saboga”, por conta do seu teor de sal, a sua produção foi praticamente encerrada, o mesmo aconteceu com as cachaças artesanais.

  • Fava

A fava é uma espécie de semente muito consumida na região, sua vagem é rasa, alongada e ligeiramente curvada, medindo em média sete centímetros de comprimento.
No interior das vagens residem entre duas a quatro sementes rasas com forma de rim a que habitualmente nos referimos como favas. As sementes são geralmente de cor verde apesar de algumas variedades incluírem cores como branco, vermelho, roxo, castanho ou preto. As favas têm um sabor amidoso, semelhante ao da batata e uma textura granulada, mas ligeiramente amanteigada.

  • Feijão

O feijão é a semente mais consumida como alimento nessa região, proporcionando nutrientes essenciais como proteínas, ferro, cálcio, vitaminas – principalmente do complexo B, carboidratos e fibras. A espécie de feijão mais cultivada nessa região é o feijão de corda.

  • Mandioca

A mandioca é bastante cultivada e sua região, já tendo sido bastante utilizada para fabricação de farinha e extração de goma.

  • Manona

A mamona é uma planta que fornece uma semente que serve para diversos usos, entre eles para extração do óleo de rícino, sendo cultivado em parceria com outras culturas.
Nos últimos anos, por conta da exploração do biodiesel, essa cultura recebeu alguns incentivos do Governo Federal, sendo até o tema de uma dissertação apresentada ao Centro de Ciências Agrárias do Departamento de Economia Agrícola da Universidade Federal do Ceará:

“Para análise do objetivo escolheram-se três Municípios que são os maiores produtores de mamana no Estado do Ceará e cuja produção é destinada  a obtenção de biodiesel. Os três Municípios são: Boa Viagem, Tauá e Pedra Branca… Em Boa Viagem foram visitadas 4 localidades, a saber: Serrinha, a 47 quilômetros da sede; São Jorge, distante 52 quilômetros da sede do Município; Camará, distante 60 quilômetros e Jacampari, o mais distante de todos, que fica a 70 quilômetros.” (PEREIRA BRAGA, 2007: p. 41)

A produção dessa semente é totalmente vendida para BRASILECODIESEL, empresa que fornece assistência técnica aos produtores

  • Milho

O milho é um cereal amplamente cultivado em sua região, sendo extensivamente utilizado como alimento humano ou para ração animal, devido às suas qualidades nutricionais. As espécies mais comuns desse cereal que são cultivadas são: o doce, o dentado e o de pipoca.

Essas lavouras não são permanentes, são temporárias, sendo feitas geralmente entre março e abril, período em que ocorre as melhores chuvas na região. Agregado a essas plantações existe também o plantio de pastagens temporárias, geralmente capim e palma, que serve para complementação alimentar do rebanho, que se serve também da pastagem natural, que fora do período de chuvas recebe irrigação por aspersão.

OS MINÉRIOS EXPLORADOS:

Um minério geralmente é um agregado de rochas rico em um determinado mineral ou elemento químico que é economicamente e tecnologicamente viável para extração.
Esse minério pode ser uma rocha, sedimento ou solo, sendo o solo do Município de Boa Viagem rico nos seguintes minerais: água, areia, argila, basalto, dolomita, ferro, granito, mármore, entre outros.

“Três tipos de solos caracterizam a camada superficial do relevo: Bruno não cálcico – Solo caracterizado pela profundidade moderada, em solo argiloso e altamente fértil. Brunizem avermelhado – É também um solo argiloso e moderadamente profundo. Vertisol – Solo argiloso caracterizado pela concentração e expansão da massa do solo, consequência da umidade e da secagem pela presença irregular das chuvas. Este Município é privilegiado com algumas riquezas naturais, destacam-se: Mármore – Há, na localidade de Fazenda Nova, uma jazida de mármore, sendo pouco explorada… Pedra granito – Encontra-se na ‘Fazenda Serrote’, à vista da cidade, uma valiosa pedreira de granito. Sua exploração se dá em forma de brita, pedrisco e areia… Calcário – Existe, no Estreito, uma preciosa jazida de pedra calcária (dolomita).” (NASCIMENTO, 2002: p. 31-32)

É importante destacar que encontramos, em grande parte do Município de Boa Viagem, formações de rochas calcárias.

  • Água:

Em acordo com o Decreto-Lei nº 7.841, de 8 de agosto de 1945, água mineral é aquela proveniente de fontes naturais ou de fontes artificialmente captadas que possuam composição química ou propriedades físicas ou físico-químicas distintas das águas comuns, com características que lhe confira uma ação medicamentosa.
No Município de Boa Viagem colocamos em destaque duas empresas nesse setor, que ao mesmo tempo exploram, envasam e comercializam esse minério:

  1. Fábrica de Águas Envasadas Santa Mara;
  2. Fábrica de Águas Envasadas Vitória.
  • Argila:

O número de jazidas desse minério ainda não foi calculado, existindo várias depósitos nas proximidades dos rios, que servem para fornecer matéria prima para fabricação de tijolo e telhas.

  • Areia:

Esse minério, que em sua maior parte é extraído do leito do Rio Juazeiro, é utilizado nas obras de engenharia civil, aterros, execução de argamassas e concretos. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque a seguinte empresa:

  1. Mineradora Juazeiro.
  • Basalto:

O basalto é uma pedra de origem ígnea ou magmática que é explorada em uma mina existente na encosta da Serra do Facão. A pedreira responsável por essa extração esmaga a pedra e produz brita, um material de construção classificado como agregado de origem artificial, de tamanho graúdo que é muito utilizada nas obras da construção civil.

  • Dolomita:

Esse minério é explorado em pequena escala no Município para fabricação do hidróxido de cálcio, também chamado de cal hidratado.

  • Ferro:

No território do Município, especificamente na Serra do Facão, foi encontrada uma jazida de ferro, que ainda não começou a ser explorada.

O SETOR SECUNDÁRIO:

O setor secundário é o setor da economia que transforma a matéria-prima, que são extraídas ou produzidas pelo setor primário, em produtos de consumo, ou em máquinas a serem utilizadas por outros estabelecimentos do setor secundário.

Imagem da Indústria Cearense de Tintas, em 2016.

Esse setor, geralmente, apresenta porcentagens bastante relevantes nas sociedades desenvolvidas, sendo nele, onde podemos dizer, que a matéria-prima é transformada em um produto manufaturado.
Em acordo com a pesquisa do Professor Cícero Pinto do Nascimento, realizada em 2002, temos dimensão da variedade de produtos produzidos na cidade de Boa Viagem:

“Supercor – Tintas do Nordeste LTDA. ‘Produz supercal e tinta em pó hidrossolúvel, produtos vendidos para o Ceará, Piauí, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Pará, Paraíba e outros Estados… Carneiro Pré-moldados – Fabrica combogós, manilhas, anéis, bloquetes, laje, valterrana e estacas. Esses produtos são vendidos em Boa Viagem para Madalena, Monsenhor Tabosa, Itatira, Tauá e Fortaleza… Temos, também, cinco microempresas de calçados, oito de confecções e oito serrarias.” (NASCIMENTO, 2002: p. 37-38)

Vale destacar que nesse setor, sem desmerecer os outros, a indústria, a construção civil, o fornecimento de água e a eletricidade são atividades de vital importância.
Mesmo com a importância desse setor para a sua economia a classe política do Município de Boa Viagem parece não priorizar a atração de investimentos nessa área, nem mesmo uma secretaria voltada para o desenvolvimento desse segmento existe, fato que gera uma imagem de que o seu verdadeiro interesse é a permanência da situação de desemprego e ampla dependência do povo dos poucos contratos ofertados pela prefeitura local.
O Governo Municipal precisa investir na divulgação de uma imagem atrativa para essas empresas, que além de gerar emprego para o povo atrairia investimentos e novas receitas para o erário mas, para isso, precisamos seguir alguns passos:

  1. É necessário investir em planejamento: antes de investir todo empresário estuda o local que vai receber o seu dinheiro. Para isso ele avalia o clima, o solo, a localização, a disponibilidade de água e energia, a logística de seus insumos e vários outros fatores, para isso o Município precisa dispor de pesquisas e ter esses dados sempre disponíveis para análise;
  2. É necessário investir em infraestrutura: as empresas procuram por cidades que ofereçam a infraestrutura necessária, como tratamento de água, rede de esgoto, estradas e energia elétrica que chegam até as empresas, estação rodoviária com ônibus para a capital e outros. A cidade precisa ser atrativa ao investidor e a seus clientes;
  3. É necessário investir em logística: muitas empresas e indústrias escolhem aonde irão abrir suas filiais pela localização. Estar perto de aeroportos, estradas e rodovias que interligam os Estados, que passam entre grandes polos industriais ou que levam aos portos é um ponto fundamental na escolha do Município pelas indústrias;
  4. É necessário investir na qualificação de mão de obra: as empresas, antes de escolherem onde abrirão novas fábricas e filiais, procuram se informar se a mão de obra da região irá atender as suas necessidades. Nesse caso, é preciso se antecipar e procurar por parcerias com escolas profissionalizantes;
  5. É necessário identificar, investir e incentivar a qualificação da cadeia de apoio: um fator pouco analisado pelos gestores públicos, mas bastante considerado pelo setor de relações humanas das empresas é o apoio que a cidade oferece para os empresários. Analisa-se a existência e a qualidade de hotéis, hospitais, restaurantes, escolas, shoppings ou áreas de lazer no Município ou em uma cidade ao redor. Empresas ou indústrias tem empresários, investidores e clientes, que virão de outras cidades e necessitam dessa cadeia de serviços;
  6. É necessário diminuir o valor de impostos: algumas cidades colocam o valor do ISS mais baixo que outras. Este é um fator muito importante na escolha do local, pois pode significar uma economia considerável para a empresa. É preciso ver, dentro da lei, quais as possibilidades cabíveis que podem ser tomadas;
  7. É necessário investir em marketing: é preciso ter bons materiais sobre a cidade, criar folders com fotos e informações claras e explicativas, vídeos e tudo o que for necessário, pois este pode ser o primeiro contato que um possível cliente tenha com o seu “produto”, e não se pode passar uma má impressão. As empresas também levarão em conta o que os veículos de comunicação estão dizendo sobre a cidade. Por isso, é importante divulgar para os jornais da cidade, da região e para quantos mais conseguir, todas as melhorias e investimentos que se faz no Município. Porém, é preciso saber lidar com a situação, quando a mídia está reportando algum problema municipal. Não se pode nunca esconder as informações da mídia e deve-se informar sempre quais as providências que a prefeitura irá tomar. A contratação de empresas especializadas nesse setor podem ajudar muito;
  8. É necessário ter atenção no mercado: é preciso estar sempre informado a respeito das tendências do mercado financeiro; saber quais os setores que estão crescendo e quais os que estão se retraindo. Aqueles que estão crescendo são os que farão os investimentos e poderão se alocar na cidade;
  9. É necessário aproximar a indústria de sua matéria prima: o custo do transporte hoje está muito alto, o que faz com que as empresas procurem soluções para reduzi-los. Uma oportunidade que deve ser levada em conta é tentar trazer os fornecedores das empresas e indústrias que já estão alocados no Município. É preciso saber quem são, do que precisam para a produção de seus produtos/serviços, e ir atrás deles;
  10. É necessário investir no embelezamento e organização da cidade: ninguém gosta de trabalhar numa cidade visualmente feia, suja e pouco arborizada. Cada vez mais estes fatores estão sendo levados em consideração. Por isso, é necessário fazer o trabalho e cuidar bem da cidade.

AS PRINCIPAIS INDÚSTRIAS DESSE SETOR:

A indústria é uma atividade econômica surgida na I Revolução Industrial, no fim do século XVIII e início do século XIX, na Inglaterra, e que tem por finalidade transformar matéria-prima em produtos comercializáveis, utilizando para isso força humana, máquinas e energia.

Imagem da linha de produção da Fábrica Terra Quente, em 2014.

No Município de Boa Viagem destacamos a existência das seguintes empresas por setor de produção:

  • Alimentos:

O alimento é toda substância utilizada pelos seres vivos como fonte de matéria e energia para poderem realizar as suas funções vitais, incluindo o crescimento, movimento e reprodução. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque as seguintes empresas:

  1. A Fábrica de Águas Envasadas Santa Mara;
  2. A Fábrica de Águas Envasadas Vitória;
  3. Fábrica de Polpas NAT-FRUT;
  4. Fábrica de Rações Concentradas Os Irmãozinhos;
  5. A Padaria Nosso Pão;
  6. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto;
  7. Triunfo Agroindustrial.
  • Calçados:

A indústria de calçado é a atividade industrial envolvida na fabricação de calçados, como sapatos, chuteiras, sandálias, chinelos, tênis, botas, galochas e outros. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque as seguintes empresas:

  1. A Fábrica de Calçados Daotoque;
  2. Fábrica de Calçados Madry;
  3. A Fábrica de Calçados Ponte New;
  4. Fábrica de Calçados Terra Quente;
  5. A Fábrica de Chuteiras Dribley.
  • Energia Elétrica:

No Brasil não existe uma concorrência nesse setor, competindo ao concessionário autorização do governo para fazer a sua distribuição, constituindo-se em um monopólio.

  1. Subestação de Energia Elétrica da COELCE.
  • Material de Construção:

O material de construção é o nome genérico que designa diversos produtos utilizados na construção civil. A maioria dos materiais de construção é utilizada exclusivamente na construção civil, como o cimento, mas alguns têm usos mais variados, como a cal e as tintas. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque as seguintes empresas:

  1. A Carneiro Pré-moldados;
  2. Cerâmica Boa Viagem;
  3. A Bella Cerâmica O Baiano;
  4. O Fernando Pré-moldados;
  5. Indústria Cearense de Tintas;
  6. A JM Mármores e Granitos;
  7. Pedreira Natasha;
  8. A Synthetic Indústria e Comércio de Mármores.

AS EMPRESAS DESATIVADAS:

Em todos os ramos de negócio existem empresas que não resistem às crises econômicas ou a más administrações, algo ruim para economia local, pois gera desemprego e desconfiança na praça. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque as seguintes empresas:

  1. Boa Viagem Agroindustrial – BAISA;
  2. A Fábrica de Doces DAKI;
  3. A Fábrica de Rações Vieira;
  4. A Padaria Santos Dumont;
  5. Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro – SANBRA.

O SETOR TERCIÁRIO:

O setor terciário, também conhecido como o de serviços, no contexto da economia, envolve a comercialização de produtos em geral, e o oferecimento de serviços comerciais, pessoais ou comunitários a terceiros.

Imagem da Motocedro Comercial de Motos LTDA, em 2011.

Sobre o funcionamento do comércio, através da lei nº 88, do dia 7 de abril de 1967, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, por meio do Vereador João Inácio de Sousa, a Câmara Municipal de Vereadores estabeleceu como norma o seu fechamento nos dias de domingo, salvo em duas datas específicas:

“Parágrafo único: Quando os dias de Natal e Ano Novo caírem no dia de domingo é facultado ao comércio funcionar.”

Ainda nesse setor, vale a pena destacar que para inibir a prática de assaltos, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, proposição do Vereador Ezaú Fragoso da Silva, a Câmara de Vereadores de Boa Viagem aprovou a lei nº 1.211, de 18 de agosto de 2014, que diz o seguinte:

“Art. 1. Fica proibida a entrada e a permanência de pessoas usando capacetes ou equipamento similar, que oculte a face, nas dependências de órgãos públicos e em estabelecimentos privados de qualquer ramo de atividade.
§ 1. Para efeito da aplicação do disposto no caput deste artigo, entende-se o uso do capacete ou equipamentos similares que ocultem a face, que impeçam ou dificultem, parcial ou totalmente, a identificação da pessoa.
§ 2. Nos postos de combustíveis, o condutor ou passageiro de motocicleta, motoneta, ciclomotor ou bicicleta elétrica deverão retirá-lo imediatamente ao entrar no local e estacionar, parar ou qualquer ato de imobilizar  o veículo.
Art. 2. Os estabelecimentos públicos e privados deverão afixar placas ou cartazes informativos nas áreas externas e internas, em locais de fácil acesso, preferencialmente na entrada e na saída, que permita de pronto a clara visualização, contendo, além do número desta lei, a frase: ‘É PROIBIDO O ACESSO OU PERMANÊNCIA DE PESSOA UTILIZANDO CAPACETE OU QUALQUER OBJETO SIMILAR, QUE IMPEÇA OU DIFICULTE A SUA IDENTIFICAÇÃO’.
Art. 3. A resistência do usuário de capacete em não retirá-lo, nos locais específicos dessa lei, implicara na desobrigação para seu atendimento, cabendo ao responsável pelo estabelecimento, por medida de segurança, acionar a polícia.
Parágrafo Único: A negativa de atendimento ao cliente de que trata o caput deste artigo, não enseja qualquer forma de discriminação ou preconceito.”

Mesmo com essa legislação, os comerciantes não divulgam essa importante e simples ferramenta de segurança, sendo comum encontrar clientes dentro dos comércios com o capacete na cabeça infringindo a lei.

A REPRESENTAÇÃO DE CLASSE DESSE SETOR:

No Município de Boa Viagem existe uma agremiação organizada que serve para defender os interesses de classe dos empresários desse setor, sendo ela:

  1. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Boa Viagem.

A Câmara de Dirigentes Lojistas, também conhecida pela sigla CDL, é uma associação de lojistas, criada no Brasil para defender e prover serviços aos seus representantes de classe.
Um dos principais serviços dessa agremiação e oferecer aos lojistas o SPC, o Serviço de Proteção ao Crédito. Em acordo com a pesquisa do Professor Cícero Pinto do Nascimento, realizada em 2002, temos uma pequena dimensão dessa agremiação:

“Existem, atualmente, quatrocentos e cinquenta estabelecimentos comerciais registrados no setor de arrecadação e fiscalização da Prefeitura Municipal, apresentando-se da seguinte forma: doze atacadistas e quatrocentos e trinta e oito varejistas, além de outros tipos, como churrascaria, sorveteria, lanchonete, etc. Vale destacar a existência da Câmara de Dirigentes Lojistas – CDL – implantada em 24 de abril de 1996, com dezesseis comerciantes associados. Hoje conta com cem associados.” (NASCIMENTO, 2002: p. 36 – 37)

Como é fácil de perceber, em 2018, quinze anos depois da realização dessa importante pesquisa, esses dados já estão bastante modificados.

AS PRINCIPAIS EMPRESAS DESSE SETOR:

Uma empresa exerce atividade econômica por meio da articulação dos fatores produtivos para a produção ou circulação de bens ou de serviços. Nesse campo da economia destacamos os seguintes setores:

  • Combustíveis:

Um posto de combustíveis são instalações que vendem combustíveis e lubrificantes para veículos a motor, prestando também outros tipos de serviços. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque as seguintes empresas:

  1. O Posto Carneiro;
  2. O Posto Completo/Shell;
  3. Posto Fragoso;
  4. Posto Freitas;
  5. Posto Ibuaçu;
  6. Posto Ipiranga;
  7. O Posto Jacampari;
  8. O Posto Nossa Srª da Guia;
  9. Posto O Brasileiro;
  10. Posto Uirapuru/ALE.
  • Concessionárias:

Uma concessionária de veículos é uma empresa que possui a permissão do fabricante para vender, prestar assistência técnica aos compradores e utilizar a marca do fabricante. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque a seguinte empresa:

  1. A Motocedro.
  • Cosméticos:

Nos últimos anos o Município de Boa Viagem vem ganhando destaque no cenário econômico do Estado do Ceará nesse setor por conta da implantação de uma distribuidora de higiene e estética pessoal, possuindo também algumas empresas que vendem no varejo, sendo elas:

  1. Distribuidora Ruty Cosméticos;
  2. O Boticário.
  • Educação:

Na cidade de Boa Viagem existem duas escolas da rede privada, algumas extensões universitárias e ocasionalmente aparecem o oferecimento de cursos de formação e aperfeiçoamento profissional.

Escolas:

  1. Ginásio Valdemar Alcântara;
  2. Instituto de Educação Paulo Moody Davidson.

Extensões Universitárias:

  1. Universidade Anhanguera Uniderp;
  2. Faculdade Educacional da Lapa – Fael.
  • Farmácias:

Na cidade de Boa Viagem existem dois tipos de farmácias, as humanas e as veterinárias, sendo que nenhuma delas trabalha com manipulação de medicamentos, são elas:

Humanas:

  1. A Biofarma;
  2. A Farmácia do Trabalhador do Brasil;
  3. A Farmácia Pague Menos;
  4. A Farmácia Paratodos;
  5. A Farmácia Primor;
  6. A Farmácia Progresso;
  7. A Farmácia Sertão Central.

Veterinárias:

  1. A Farmácia Casa do Produtor;
  2. A Farmácia Lobo do Sertão;
  3. A Farmácia Primor;
  4. A Farmácia Sertão Agropecuária;
  5. A Farmavet.
  • Móveis e Eletrodomésticos:

No Município de Boa Viagem existem várias empresas que atuam no segmento de mercado de venda de móveis e aparelhos eletrodomésticos, entre eles destacamos:

  1. A Casa Vieira;
  2. A Edinaldo Móveis;
  3. A Eudênia Móveis;
  4. A MACAVI;
  5. A Maranata Móveis;
  6. A Marcos Eletro;
  7. A Shop Móveis;
  8. A Tropical Magazine.
  • Material de Construção:

O material de construção é o nome genérico que designa diversos produtos utilizados na construção civil. A maioria dos materiais de construção é utilizada exclusivamente na construção civil, como o cimento, mas alguns têm usos mais variados, como a cal e tintas. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque as seguintes empresas:

  1. A Carly Construção;
  2. A Carneiro Construções;
  3. A Casa do Cimento;
  4. A Jurandir Construções;
  5. A Madeireira o Tadeu;
  6. A Madeireira o Toinho;
  7. O Márcio Construções.

AS EMPRESAS DESATIVADAS:

Em todos os ramos de negócio existem empresas que não resistem às crises econômicas ou a más administrações, algo ruim para economia local, pois gera desemprego e desconfiança na praça. No Município de Boa Viagem colocamos em destaque as seguintes empresas:

  1. A Casa das Ferragens;
  2. A Eletrocentral;
  3. A FAMOL;
  4. A Guia Veículos.

AS CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Como se vê o Município de Boa Viagem, em termos absolutos, vem desenvolvendo a sua economia, mas em termos relativos continua como um dos Municípios mais pobres do Brasil.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BOA VIAGEM. Boa Viagem espera safra recorde de algodão agroecológico. Disponível em https://www.boaviagem.ce.gov.br/informa.php?id=298&fbclid=IwAR1ht31SoBEcz2UAhqYtaMPNCZZNFIr0eTrysfm65vCU2WpU60YO0fXveGQ. Acesso no dia 8 de agosto de 2020.
  2. Cuidando de Você. Quase sete mil agricultores são beneficiados com o Garantia Safra.  Ano I, 2ª edição, abril de 2011.
  3. FERREIRA LIMA, Antônio Cláudio. A Construção do Ceará: Temas de história econômica. Fortaleza: Instituto Albanisa Sarasate, 2008.
  4. FRANCO, G. A.; CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  5. IBGE. Boa Viagem. Disponível em https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ce/boa-viagem/panorama. Acesso no dia 27 de maio de 2020.
  6. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  7. PEREIRA BRAGA, Francisco Laércio. Balanço Econômico da Produção de Mamona e Energético da Obtenção de Biodiesel no Estado do Ceará. Dissertação apresentada ao Centro de Ciências Agrárias do Departamento de Economia Agrícola da Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, 2007.
  8. SEDUC. Apresentação. Disponível em https://educacaoprofissional.seduc.ce.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12&Itemid=128. Acesso no dia 25 de maio de 2020.
  9. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão: A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Boa Viagem, CE: Premius, 2015.
  10. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Escola Agrotécnica Dr. Janival Almeida Vieira. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-agricola-dr-janival-de-almeida-vieira/. Acesso no dia 24 de novembro de 2020.
  11. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/instituto-federal-de-educacao-ciencia-e-tecnologia-do-ceara/. Acesso no dia 25 de maio de 2020.

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