Boa Viagem Agroindustrial

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

A BAISA – a Boa Viagem Agroindustrial S/A, era a sigla de uma das empresas compradoras de algodão que tinha o seu escritório localizado na Avenida Basílio Vieira Carneiro, nº 12, no Bairro Tibiquari, na cidade de Boa Viagem, no Município de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Imagem da empresa Boa Viagem Agroindustrial, em 1982.

Essa empresa, logo após o fechamento da SANBRA – a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S/A, se constituiu em uma das empresas que compravam o algodão e a mamona que eram produzidos em nossa região.

A COTONICULTURA BOA-VIAGENSE.

A cotonicultura representou para o Município de Boa Viagem uma das mais importantes atividades agrícolas, ocupando um lugar de destaque pelo valor de seus produtos no mercado interno como matéria-prima para à indústria e no externo pela exportação de fibras.
Sobre esse assunto, em uma revista que tratava exclusivamente do Município de Boa Viagem, lançada logo após a inauguração do BNB, o Banco do Nordeste, temos a seguinte informação:

“A base da economia do Município de Boa Viagem é, sem dúvida, a cultura do algodão, cuja produção oscila de acordo com o índice pluviométrico de cada ano. Para se ter uma ideia, a produção do ano de 1982, por exemplo, não foi das melhores, mas chegou a atingir 5 mil toneladas.” (BNB, 1983: p. 15)

Nessa mesma revista temos informações de que os insumos produzidos pelos campos de nosso Município eram comprados e depois transportados em caminhões para o Município de Quixeramobim, onde recebia o beneficiamento na Fazenda Canafístola, propriedade de Damião Vieira Carneiro e um dos sócios da BAISA:

“Toda a produção do Município é adquirida, geralmente, pela firma Boa Viagem Agroindustrial S.A. e é transportada para Quixeramobim onde, outra empresa, Damião Carneiro S.A., do mesmo grupo, beneficia o produto. Depois de tratado o algodão é exportado para outros Estados, principalmente para o Sul.” (BNB, 1983: p. 15)

Depois de beneficiado o algodão seguia o seu destino enquanto o seu caroço, que recebia o nome de torta, após a extração do óleo, voltava para o Município de Boa Viagem, onde era vendido como ração animal:

“Do caroço do algodão ali mesmo é extraído o óleo bruto para refinarias. A “torta”, resíduos do caroço de algodão, por sua vez, é retornada a Boa Viagem onde é vendida aos fazendeiros para alimentação do gado”. (BNB, 1983: p. 15)

Grande parte da semente que era extraída do algodão em plumas era selecionada e depois vendida ao Governo do Estado, que encarregava a CODAGRO – a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Ceará, a responsabilidade da revenda como sementes especiais para os futuros plantios, sendo que nessa época duas espécies de semente de algodão tinham destaque:

“Na região,  de modo particular no Município de Boa Viagem, duas variedades de algodão geralmente são cultivadas pelos agricultores: o Algodão Arbóreo, comumente conhecido por Algodão Mocó, e o Algodão Herbáceo, melhor divulgado como Algodão IAC – 17. Ambos rendem satisfatoriamente, embora existam diversas conveniências no que diz respeito ao cultivo”. (BNB, 1983: p. 15)

Por conta de sua boa produção de algodão e outras sementes a BAISA instalou os seus galpões nas cercanias do Centro da cidade, mantendo dentro de um deles uma balança para pesagem dos caminhões.

Imagem de uma carrada de algodão sendo preparada para sair de Boa Viagem.

Mais tarde, nos primeiros anos da década de 1980, por conta do declínio da produção ocasionada pela praga do bicudo, essa empresa encerrou as suas atividades em solo boa-viagense.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BANCO DO NORDESTE DO BRASIL. Boa Viagem. Fortaleza: Sem editora, 1983.
  2. FALCÃO, Armando. Damião Carneiro – O Bandeirante do Sertão Central. Quixeramobim: Sem Editora, 1993.
  3. FRANCO, G. A.; CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  4. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  5. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão. A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Fortaleza: PREMIUS, 2015.

2 ideias sobre “Boa Viagem Agroindustrial

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