Antônio Lopes de Freitas

Antônio Lopes de Freitas nasceu no dia 22 de julho de 1860 no Município de Caucaia, que está localizado na Região Metropolitana da cidade de Fortaleza, no Estado do Ceará, sendo filho de Ângelo de Freitas e de Francisca César de Meneses.
Durante muitos anos serviu como soldado da Polícia Militar do Estado do Ceará, chegando ao posto de cabo, tendo estabelecido residência no Município de Boa Viagem em uma data ignorada.
Nesse período, entre as suas atividades, era um dos responsáveis por conduzir a mala postal que vinha da cidade de Quixadá para os Correios da cidade de Boa Viagem, onde se estabeleceu com a sua família.

“O serviço postal foi realizado por mensageiros que saiam de Quixeramobim para Boa Viagem, Independência, Crateús e Monsenhor Tabosa – antiga Telha. O trabalhos desses heróis, que se desenvolvia em todo Estado do Ceará e quiçá em todos os Estados da Federação, merecia, em cada lugar por eles servido, um monumento ao estafeta, como prova de nossa gratidão a coevos e porvindouros. O estafeta era o homem que andava quase sempre a pé, com a mala do correio cuidadosamente amarrada no lombo do burro, por caminhos mais ou menos acidentados, atalhos estreitos e sombrios, curvas perigosas e muitas vezes quase tomadas de mato, espantando logo ao clarear da aurora ou ao pôr do Sol airosos passarinhos, inquietos e alegres, em gorjeios repetidos, para o aconchego sob a folhagem farfalhante do arvoredo. Os nossos estafetas ainda estavam sujeitos ao perigo iminente e traiçoeiro das serpentes venenosas, à beira das estradas e das veredas. Eram homens responsáveis e respeitáveis pelo seu caráter e por sua coragem. Isso facilmente se depreende, se os olharmos vivamente em suas andanças, mal alimentados, mal dormidos e escassamente armados contra a possível perversidade humana. Apenas uma faca e um cacete de jucá os acompanhavam em noites escuras ou claras, de inverno ou de verão. Quando encontravam rios cheios procuravam um rancho e aí demoravam dias indispensáveis para não deixar em perigo aquela preciosidade, sob a sua guarda, a que chamava ‘a minha mala do Correio’. Depois tudo faziam, com habilidade máxima, para tirar o atraso das horas perdidas, porque na cidade o povo ansioso queria receber os telegramas, as cartas e os jornais. Por tudo isso, cumpre-nos render uma homenagem permanente àqueles heróis, citando quatro super-homens cujas vidas acompanhei: Raimundo Camurça, Virgílio Camurça, Cabo Antônio Lopes de Freitas e Álvaro Pimentel.” (BARROS LEAL, 1996: p. 144-145)

Foi casado com Theonilla Lopes da Silva, natural de Quixeramobim, com quem gerou nove filhos, cinco mulheres e quatro homens, sendo eles: Carmelita Lopes de Freitas, Maria Lopes de Freitas, José Lopes de Freitas, Antônio Lopes de Freitas, Henrique Lopes de Freitas, Luiz Lopes de Freitas, Afonsina Lopes de Freitas, Francisca Lopes de Freitas e Maria Luíza Lopes de Freitas.
No dia 18 de janeiro de 1939, contando com o apoio do Mons. José Gaspar de Oliveira, juntamente com outros músicos da cidade, participou da fundação da 2º composição da banda filarmônica pertencente à Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem.

“Participaram dessa banda, dentre outros, os abnegados músicos: Raimundo Avelino Pinheiro, Francisco Ribeiro da Silva (Chico Doth), Sebastião Ribeiro da Silva, Franciné Ribeiro da Silva, Antônio dos Santos, João Xavier Guerreiro, Antônio Lopes de Freitas, Narsales de Oliveira, Antônio Bezerra do Vale, Luiz Ribeiro da Silva, José dos Santos (Galêgo), Raimundo Rosa, Jaime Oliveira e Silva, mais tarde Dr. Jaime Ribeiro e Hermenegildo Oliveira.” (NASCIMENTO, 2002: p. 166)

Mais tarde, já estando afastado de suas funções na polícia, se estabeleceu como um pequeno agropecuarista em uma propriedade existente onde em nossos dias se encontra o Bairro Ponte Nova.
De acordo com as informações existentes no livro C-08, pertencentes ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 2.468, folha 31, faleceu na cidade de Boa Viagem, aos 97 anos de idade, no dia 10 de novembro de 1957.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no mausoléu da família existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, no Centro da cidade de Boa Viagem.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BARROS LEAL, Antenor Gomes de. Coletânea – Temas Diversos. Fortaleza: Casa José de Alencar, 1996.
  2. BARROS LEAL, Antenor Gomes de. Recordações de um Boticário. 2ª edição. Fortaleza: Henriqueta Galeno, 1996.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho – o Mazinho, através da lei nº 459, de 21 de março de 1988, uma das ruas do Bairro Ponte Nova, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.

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